Reserva Feliciano Miguel Abdalla é uma Reserva Privada do Patrimônio Natural situada nos municípios de Caratinga (distrito de Santo Antônio do Manhuaçu) e Ipanema, Minas Gerais.

Informações Gerais A Reserva Particular do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala localiza-se no município de Caratinga, à margem esquerda do Rio Manhuaçu, na Bacia do Rio Doce. A sua área é de 957 hectares, formada por 80% de matas em bom estado de conservação e 20% em estado de regeneração. As terras estão na Fazenda Montes Claros. Se a reserva for somada às propriedades adjacentes à fazenda dará um total de 1.450 hectares de Mata Atlântica original. A fauna e a flora são ricas. Muitas aves e mamíferos ameaçados de extinção se encontram na região. Dentre esses se destaca o muriqui-do-norte.

Características O clima da região é tipicamente quente. A topografia da região é montanhosa com altitudes variando entre 318m a 628. Abriga trechos de três córregos Matão, Jaó e Sapo. A reserva é marcada pela floresta mesófila.Encontram-se 362 espécies de vertebrados. São 79 espécies de mamíferos. No Rio Manhuaçu, há 19 espécies de peixes. A borboleta Heticonius nattereri, que se encontra na área está ameaçada de extinção.A região também é lar de 5 espécies de primatas, sendo esses o macaco-prego, bugio, sauá, sagui-da-serra e o muriqui que é o maior macaco das américas, podendo atingir 70cm de altura.

Histórico A história da reserva florestal teve seu início com a compra da Fazenda Montes Claro por Feliciano Miguel Abdala, em 1944. Ao longo dos anos o proprietário insistiu em preservar a mata do terreno. Na década de 70,os pesquisadores começaram a se interessar pela área. A partir dos professores Álvaro Aguirre e Célio Vá Lie a reserva passou a se conhecida no meio científico. Em 1977, o professor Akira Nashimura começou a pesquisar sobre os muriquis. O doutor Russell Mittermeier apresentou a reserva à doutora Karen Strier que passou a estudar os muriquis-do-norte. Após a morte do proprietário, os herdeiros transformaram a área em reserva perpétua junto ao IBAMA (2001).

Ligações Externas Preserve Muriqui

Muriqui-do-norte e pesquisa A reserva abriga uma das maiores e mais bem estudadas populações de muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), considerado o maior primata das Américas e incluído na lista das 100 espécies mais ameaçadas do planeta. Desde o início da década de 1980, a primatóloga norte-americana Karen Strier acompanha continuamente essa população, em um dos mais longevos estudos de campo já realizados com primatas neotropicais. Ao longo de cerca de trinta anos de monitoramento, os muriquis da reserva cresceram de 60 para 288 indivíduos, número que chegou a representar aproximadamente um terço de todos os muriquis-do-norte remanescentes.

As pesquisas conduzidas na unidade revelaram aspectos singulares do comportamento do muriqui-do-norte, descrito como um primata de convívio pacífico e relações sociais pouco hierárquicas. O acompanhamento de longo prazo também transformou a reserva em um polo de formação de primatólogos brasileiros, consolidando-a como um dos principais centros de estudo de primatas do país.

Conservação A trajetória de recuperação dos muriquis tornou a reserva uma referência mundial para a conservação da espécie e um exemplo do papel das Reservas Particulares do Patrimônio Natural na proteção dos remanescentes de Mata Atlântica. A manutenção da área e a continuidade das pesquisas são apoiadas pela organização Preserve Muriqui, voltada à conservação do primata e de seu hábitat. A proteção do fragmento florestal beneficia também outras espécies ameaçadas que ocorrem na unidade, reforçando sua importância para a conservação da biodiversidade do leste de Minas Gerais. O caso da reserva é frequentemente citado como exemplo emblemático de recuperação de uma espécie à beira da extinção a partir da proteção do hábitat aliada à pesquisa científica contínua.

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