direita|thumb|A mente observa e interpreta a realidade Mente é o conjunto de faculdades responsáveis pelos fenômenos mentais e abrangendo a estes em sua estrutura. Muitas vezes, o termo também é identificado com os próprios fenômenos. Essas faculdades incluem sensação, pensamento, imaginação, memória e vontade. Eles são responsáveis por vários fenômenos mentais, como percepção, experiência de dor, crença, desejo, intenção e emoção.
Em sentido estrito, é um conceito inicialmente desenvolvido para descrever a experiência subjetiva própria da expressão da natureza humana, em consciência ou subconsciência.Historia da filosofia, Wilhelm Dilthey. Hemus, 2004. Página 27-28Oeing-Hanhoff, Ludger; Verbeke, Gérard; Schrott, Balthasar; Kohlenberger, Helmut K.; Nobis, Herbert M.; Redaktion; Marquard, Odo; Fulda, Hans Friedrich; Rothe, Klaus. «Geist». In Ritter, Johann; Gründer, Karlfried; Gabriel, Gottfried. Historisches Wörterbuch der Philosophie online. Schwabe Online. Assim, passa a se relacionar com as funções superiores do cérebro humano que possibilitam sua cognição e comportamento.Humanos antes da humanidade, Robert Foley. UNESP (pág 210) Particularmente, a mente humana se refere àquelas funções que tornam os seres humanos sencientes, tais como os sentidos, a linguagem, imaginação, bem como a qualidades mais inconscientes que foram conceituadas no desenvolvimento da história da psicologia e filosofia, como o intelecto ou capacidade de entendimento, as relações lógicas inerentes da razão, a personalidade, temperamento, a memória, a inteligência e a intuição.Liguagem e cognição, Edwiges Maria Morato. Plexus Editora, 2002 (pág 15)
Mente ou mentalidade é geralmente contrastada com corpo, matéria ou fisicalidade. A questão da natureza desse contraste e especificamente a relação entre mente e cérebro é chamada de problema mente-corpo. Os pontos de vista tradicionais incluíam o dualismo e o idealismo, que consideram a mente como não-física. As visões modernas geralmente se concentram no fisicalismo e no funcionalismo, que sustentam que a mente é aproximadamente idêntica ao cérebro ou redutível a fenômenos físicos, como atividade neuronal,Smart, J.J.C., "The Mind/Brain Identity Theory ", The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Fall 2011 ed.), Edward N. Zalta (ed.) embora o dualismo e o idealismo continuem a ter muitos adeptos. Outra questão diz respeito a quais tipos de seres são capazes de ter mentes. Por exemplo, se a mente é exclusiva dos humanos, possuída também por alguns ou todos os animais, por todas as coisas vivas, se é uma característica estritamente definível, ou se a mente também pode ser uma propriedade de alguns tipos de máquinas feitas pelo homem.
Diferentes tradições culturais e religiosas muitas vezes usam diferentes conceitos de mente, resultando em diferentes respostas a essas perguntas. Alguns vêem a mente como uma propriedade exclusiva dos humanos, enquanto outros atribuem propriedades da mente a animais, a divindades, a entidades não vivas ou a todos os entes do universo (por exemplo, animismo e pampsiquismo , que atribui propriedades mentais até mesmo a micropartículas). Algumas das primeiras especulações registradas ligaram a mente (às vezes descrita como idêntica à alma ou espírito) a teorias relativas tanto à vida após a morte quanto à ordem cosmológica e natural, por exemplo nas doutrinas de Zoroastro, Buda, Platão, Aristóteles e outros antigos filósofos gregos, indianos e, mais tarde, islâmicos e medievais europeus.
Etimologia O termo vem da raiz verbal protoindo-europeia *men-, que tem o significado de "pensar, lembrar", dando origem ao sânscrito manas "mente", ao grego μένος e ao latim mens, mèntem, este último verbo para "pensar, conhecer, entender" e significa também medir, visto que alguém que pensa não faz outra coisa senão medir, ponderar as ideias.PIANIGIANI, Ottorino. Vocabolario etimologico della lingua italiana. Roma: Albrighi, Segati e C., 1907. Os gregos utilizavam o termo nous para indicar a mente, a razão, o pensamento e a intuição.ROMIZI, Renato. Greco antico. 3.ed. Bolonha: Zanichelli, 2007. ISBN 978-88-08-06793-7.
Conceito O conceito de mente é entendido de muitas maneiras diferentes por diversas tradições culturais, filosóficas e religiosas. Alguns veem a mente como uma propriedade exclusiva dos seres humanos, enquanto outros atribuem propriedades mentais a todo o universo, a entidades inanimadas, a animais e a divindades (ver idealismo e pampsiquismo).Weisberg, John. Hard Problem of Consciousness. Internet Encyclopedia of Philosophy. Uma questão em aberto sobre a natureza da mente é o problema mente-corpo, que investiga a relação da mente com o cérebro físico e o sistema nervoso.Clark, Andy (2014). Mindware. 198 Madison Avenue, New York, 10016: Oxford University Press. pp. 14, 254–256. ISBN 978-0-19-982815-9. Visões modernas geralmente se concentram no fisicalismo e no funcionalismo, que sustentam que a mente é, a grosso modo, idêntica ao cérebro ou redutível a fenômenos físicos, como a atividade neuronal, enquanto outros sustentam por exemplo o problema difícil da consciência, em que as qualias mentais possuem propriedades intrínsecas distintas e não explicáveis pela estrutura química (ver lacuna explanatória). Outros pensadores defendem pontos de vista mais antigos, como o dualismo e o idealismo, que consideravam a mente como um ente metafísico.Calef, Scott. Dualism and Mind. Internet Encyclopedia of Philosophy.
Algumas das primeiras especulações registradas ligavam a mente à alma ou espírito e à ordem cosmológica e natural. São exemplos: as doutrinas do Zoroastrismo (ver Vohu Mana), Buda (cinco agregados, senciência e Natureza de Buda), Platão e Aristóteles (Nous), indianos e, mais tarde, islâmicos e europeus medievais. No budismo e na filosofia do processo, a mente também é retratada em seu aspecto como fluxo da consciência, no qual as impressões sensoriais e os fenômenos mentais estão mudando constantemente (ver Filosofia do si).Karunamuni N, Weerasekera R (Jun 2017). "Theoretical Foundations to Guide Mindfulness Meditation: A Path to Wisdom". Current Psychology (Submitted manuscript). 38 (3): 627–646. doi:10.1007/s12144-017-9631-7.Karunamuni N.D. (May 2015). "The Five-Aggregate Model of the Mind". SAGE Open. 5 (2): 215824401558386. doi:10.1177/2158244015583860. Filósofos importantes da mente incluem Platão, Patanjali,Bryant, Edwin. The Yoga Sutras of Patanjali. Internet Encyclopedia of Philosophy. Descartes, Leibniz, Locke, Berkeley, Hume, Kant, Hegel, Schopenhauer, Searle, Dennett, Fodor, Nagel e Chalmers."20 "Most Important" Philosophers of Mind since WWII".
História do conceito Em seus primórdios, a descrição da mente estava estritamente relacionada à alma. Na Grécia Antiga, esse conceito foi chamado de psique. Heráclito formou uma das correntes de sábios que buscava uma compreensão cosmológica criacionista, por exemplo no princípio que ele chamou de Logos. Anaxágoras definia Nous (Mente) como uma substância criadora universal. Nessa mesma vertente, Platão considerou a mente como fundamental na divisão do mundo inteligível e perceptível, na formulação de suas teoria da alma, Teoria das Ideias e dos conhecimentos (e.g. Alegoria da Caverna), e a investigação dos fenômenos mentais foi seguida de forma mais empírica por Aristóteles, particularmente em suas obras Metafísica e Sobre a Alma.Republica, Platão. Edipro, 2006.
Na Idade Moderna, diversas interpretações materialistas surgiram no Iluminismo, por exemplo com Julien Offray de La Mettrie. Na Idade Contemporânea, foi inspirada por conceitos do século XIX de Karl Marx, Charles Darwin e Sigmund Freud, entre outros, além do cientificismo pelos avanços da biologia moderna. Esta visão focou em concepções que limitaram o significante "natureza" a um sujeito material, determinado por um contexto estrutural de seu meio social, histórico e biológico, alegando facilidade e coerência com os instrumentos científicos.Ruiz, João Alvaro. Metodologia Científica. Editora Atlas, 1978.
Na psicologia
O termo psicologia significa literalmente "estudo da mente". William James, Alexander Bain, Maine de Biran, dentre outros foram os pioneiros teóricos da psicologia. Sigmund Freud é considerado um dos principais formuladores da teoria e ciência psicológica aplicada, tendo influenciado as noções de inconsciente, da divisão da mente em id, ego e superego e descrição das funções mentais associadas a esquemas restritos de pulsões e libido.Mezan, Renato. Freud Pensador da Cultura. Editora Companhia das Letras, 2006. Suas hipóteses retomam alguns conceitos já utilizados por Platão, a psicanálise foi amplamente contestada e seguida de inúmeros avanços (ver História da psicologia).Stok, Fabio (2011). «Sigmund Freud's Experience with the Classics». Classica (Brasil). 24 (1/2)
Filosofia da mente
Dualismo e monismo são as duas principais escolas de pensamento que tentam resolver o problema mente-corpo. O dualismo é a posição em que a mente e o corpo estão de alguma forma separados um do outro. Ela pode ser rastreada até Platão,Platão (1995). E.A. Duke; W.F. Hicken; W.S.M. Nicoll; D.B. Robinson; J.C.G. Strachan (eds.). Phaedo. Clarendon Press. AristótelesRobinson, H. (1983): ‘Aristotelian dualism’, Oxford Studies in Ancient Philosophy 1, 123–44.Nussbaum, M.C. (1984): ‘Aristotelian dualism’, Oxford Studies in Ancient Philosophy, 2, 197–207.Nussbaum, M.C. and Rorty, A.O. (1992): Essays on Aristotle's De Anima, Clarendon Press, Oxford. e as escolas Nyaya, Samkhya e Yoga da filosofia hindu, mas foi mais precisamente formulada por René Descartes no século XVII. Os dualistas de substância argumentam que a mente é uma substância existente independentemente, enquanto os dualistas de propriedade sustentam que a mente é um grupo de propriedades independentes que emergem e não podem ser reduzidas ao cérebro, mas que não é uma substância distinta.Hart, W.D. (1996) "Dualism", in Samuel Guttenplan (org) A Companion to the Philosophy of Mind, Blackwell, Oxford, 265–267.
Martin Heidegger, filósofo do século XX, sugeriu que a experiência e a atividade subjetiva (isto é, a "mente") não podem ser entendidas em termos de "substâncias" cartesianas que possuem "propriedades" de todo (se a própria mente é considerada um tipo distinto, separado de substância ou não). Isso ocorre porque a natureza da experiência subjetiva e qualitativa é incoerente em termos de - ou semanticamente incomensurável com o conceito de - substâncias que possuem propriedades. Esse é um argumento fundamentalmente ontológico.Hubert Dreyfus, "Critique of Descartes I" (recorded lecture), University of California at Berkeley, September 18, 2007.
O filósofo da ciência cognitiva Daniel Dennett, por exemplo, argumenta que não existe um centro narrativo chamado "mente", mas que, em vez disso, existe simplesmente uma coleção de entradas e saídas sensoriais: diferentes tipos de "software" rodando em paralelo. O psicólogo B. F. Skinner argumentou que a mente é uma ficção explicativa que desvia a atenção das causas ambientais de comportamento;Skinner, B.F. About Behaviorism 1974, pp. 74–75 ele considerou a mente uma "caixa preta" e pensou que os processos mentais podem ser melhor concebidos como formas de comportamento verbal secreto.Skinner, B.F. About Behaviorism, Chapter 7: ThinkingUma tese contra a qual Noam Chomsky avançou uma considerável polêmica
A mente também foi descrita como um fluxo de consciência, manifestando momento a momento, um momento de pensamento de cada vez como uma corrente que flui rapidamente, onde as impressões sensoriais e os fenômenos mentais estão mudando constantemente.
A natureza da mente
Grosso modo, há três posições sobre a natureza da mente. Os dualistas defendem a tese da distinção entre mente e corpo. Os monistas defendem a tese da identidade entre mente e corpo. Os epifenomenalistas defendem a tese da superveniência da mente sobre o corpo.
Dualismo