é o cancro que tem origem no endométrio, o revestimento do útero. A doença é o resultado do crescimento anormal de células com a capacidade de invadir ou de se alastrar para outras partes do corpo. O primeiro sinal é geralmente uma hemorragia vaginal sem estar associada a um período menstrual; os outros sintomas incluem dor ao urinar ou durante o acto sexual ou dores pélvicas. O cancro do endométrio ocorre com maior frequência depois da menopausa. Este cancro é muitas vezes referido como "cancro do útero", embora seja distinto de outras formas de cancros do útero, como o cancro do colo do útero, sarcoma uterino ou doença trofoblástica.
Cerca de 40% dos casos estão relacionados com a obesidade. A doença está também associada a uma exposição excessiva ao estrogénio, hipertensão e diabetes. Embora a ingestão de estrogénio isoladamente aumente o risco de cancro do endométrio, a ingestão de uma combinação de estrogénio com progesterona, como acontece na maioria das pílulas contraceptivas combinadas, diminui o risco. Entre 2 e 5% dos casos estão relacionados com genes herdados de um dos progenitores. O tipo histopatológico mais comum de cancro do endométrio é o carcinoma endometrioide, que é responsável por mais de 80% dos casos. O diagnóstico é geralmente realizado mediante uma biópsia endometrial ou pela recolha de uma amostra através de um procedimento denominado dilatação e curetagem. O teste de Papanicolau não costuma ser suficiente para confirmar a doença. Não está recomendado o rastreio regular em pessoas de risco normal. Cópia arquivada em 4 de Janeiro de 2014
A opção de primeira linha para o tratamento de cancro do endométrio é a histerectomia abdominal, que consiste na cirurgia de remoção integral do útero, a par da remoção das trompas de Falópio e dos ovários de ambos os lados, um procedimento denominado ooforectomia. Em estágios mais avançados pode também ser recomendada a realização de radioterapia, quimioterapia ou terapia hormonal. Quando a doença é diagnosticada nos estágios iniciais, o prognóstico é favorável, com uma taxa de sobrevivência a cinco anos superior a 80%.
Em 2012 houve casos de cancro do endométrio que foram responsáveis por mortes. A doença é a terceira causa mais comum de morte por cancro entre os cancros que afectam apenas as mulheres, atrás do cancro do ovário e do cancro do colo do útero. É mais comum em países desenvolvidos e é o cancro do sistema reprodutor feminino mais comum entre países desenvolvidos. Entre as décadas de 1980 e 2010, a prevalência de cancro do endométrio aumentou em vários países. Acredita-se que isto seja devido ao aumento do número de idosos e ao aumento da obesidade. Cópia arquivada em 4 de Janeiro de 2014 miniaturadaimagem|Vídeo sobre o Cancro do endométrio
Sinais e sintomas Em 90% dos casos de cancro do endométrio após a menopausa verifica-se hemorragia vaginal ou metrorragia. As hemorragias são particularmente comuns nos casos de adenocarcinomas, correndo em dois terços de todos os casos. Antes da menopausa, a ocorrência de ciclos menstruais anormais ou extremamente longos e episódios de hemorragia frequentes ou intensos podem ser sinais de cancro do endométrio.
Os restantes sintomas para além da hemorragia são poucos comuns. Entre estes sintomas estão secreções vaginais esbranquiçadas ou translúcidas em mulheres após a menopausa. À medida que a doença avança, os sintomas começam a ser mais perceptíveis ou aparecem sinais que podem ser observados num exame físico. O útero pode aumentar de tamanho ou o cancro alastrar-se, o que provoca dores no baixo abdómen ou cãibras na pelve. A dor durante o ato sexual ou dor ao urinar são sinais pouco comuns. O útero pode também encher-se de pus. Entre as mulheres que manifestam estes sintomas menos comuns (secreções vaginais, dores pélvicas e pus), só 10-15% dos casos é que revelam ser cancro.
Factores de risco Os factores de risco para cancro do endométrio incluem obesidade, diabetes, cancro da mama, uso de tamoxifeno, nunca ter tido filhos, menopausa tardia, níveis elevados de estrogénio e uma idade avançada. Os estudos migratórios revelam a existência de alguns componentes ambientais que influenciam o cancro do endométrio, Cópia arquivada em 4 de Janeiro de 2014 embora estes factores de risco ambientais ainda não estejam bem caracterizados.
Hormonas A maior parte dos factores de risco para o cancro do endométrio envolvem níveis elevados de estrogénios. Estima-se que 40% dos casos estejam relacionados com a obesidade. Na obesidade, o excesso de tecido adiposo aumenta a conversão de androstenediona para estrona, que é um estrogénio. A quantidade excessiva de estrona no sangue causa a diminuição ou ausência de ovulação e expõe continuamente o endométrio a grandes quantidades de estrogénios. A obesidade também faz com que haja menos estrogénio a ser removido do sangue. O síndrome do ovário policístico, que também causa ovulação irregular ou ausência de ovulação, está associado a uma maior incidência de cancro do endométrio pelo mesmo mecanismo da obesidade. Tanto a obesidade como a diabetes tipo 2 e a resistência à insulina são factores de risco para a doença. Esta condição aumenta em 3 ou 4 vezes o risco de cancro do endométrio.
A terapia de reposição hormonal durante a menopausa, quando não é contrabalançada (ou oposta) com progestina, é outro factor de risco. As doses elevadas ou os períodos prolongados de terapia de estrogénios estão associados a um maior risco de cancro do endométrio. Este risco é maior em mulheres de baixo peso. Outro factor de risco é um período fértil alargado, quer devido a uma menarca precoce, quer devido a uma menopausa tardia. Quando não é contrabalançado, o estrogénio aumenta o risco individual de cancro do endométrio entre 2 a 10 vezes, dependendo do peso da mulher e da duração da terapia hormonal. Em transexuais masculinos que tomam testosterona e que não removeram o útero, a conversão de testosterona em estrogénio através da androstenediona pode aumentar o risco de cancro do endométrio.
Genética alt=A diagram of the autosomal dominant inheritance pattern, showing how a gene can be passed from an affected parent to an affected child.|miniaturadaimagem| Padrão de hereditariedade autossómica dominante no síndrome de Lynch. Algumas anomalias genéticas podem também causar cancro do endométrio. As causas genéticas contribuem para 2 a 10% do total de casos da doença. A síndrome de Lynch, uma doença genética autossómica dominante que causa principalmente cancro colorretal, pode também causar cancro do endométrio, principalmente antes da menopausa. As mulheres com síndrome de Lynch têm um risco de 40 a 60% de desenvolver cancro do endométrio. 20% destas mulheres desenvolvem simultaneamente cancro do endométrio e cancro do ovário. Em quase todos os casos, o cancro do endométrio desenvolve-se primeiro, em média 11 anos antes. A carcinogénese na síndrome de Lynch tem origem numa mutação dos genes MLH1 e/ou MLH2, os quais são responsáveis pela correcção de erros no ADN. As mulheres com síndrome de Lynch correspondem a entre 2 a 5% dos casos de cancro do endométrio. O risco varia de acordo com o gene mutado. Em mutações do gene MLH1, o risco é de 54%; do gene MSH2 21%; e do gene MSH6, 16%.
As mulheres com historial na família de cancro do endométrio apresentam risco acrescido. Os dois genes frequentemente associados com outros cancros em mulheres, o BRCA1 e o BRCA2, não causam cancro do endométrio. Embora exista uma aparente ligação com estes genes, pode-se atribuir esta ligação ao uso de tamoxifeno nos cancros da mama e do ovário, um fármaco que aumenta o risco de cancro do endométrio. A síndrome de Cowden, uma condição genética hereditária, pode também aumentar o risco de cancro do endométrio. As mulheres com esta condição apresentam um risco de entre 5 a 10% de desenvolver a doença ao longo da vida, em comparação com um risco de 2 a 3% entre mulheres não afectadas.
Descobriu-se também que a variação genética comum contribui para o risco de cancro do endométrio em estudos de associação do genoma em grande escala. Dezasseis regiões genómicas foram associadas ao cancro do endométrio e as variantes comuns explicam até 7% do risco relativo familiar.
Outros problemas de saúde Algumas terapias para outros tipos de cancro aumentam o risco de desenvolver cancro do endométrio ao longo da vida. O tamoxifeno, um fármaco usado no tratamento de cancro da mama ER+, tem sido associado com cancro do endométrio em cerca de 0,1% dos consumidores, principalmente em mulheres idosas. No entanto, os benefícios de sobrevivência do tamofixeno superam o risco de desenvolver cancro do endométrio. A ingestão de tamofixeno ao longo de 1 a 2 anos duplica o risco de cancro do endométrio, enquanto uma terapia com a duração de cinco anos quadruplica o risco. O raloxifeno, um fármaco semelhante, não aumenta o risco de cancro do endométrio.
Ter tido anteriormente cancro do ovário é um factor de risco para o cancro do endométrio. A imunodeficiência tem também implicações no risco de cancro do endométrio. A hipertensão é também um factor de risco, embora a associação se possa dever à obesidade. Permanecer sentado por longos períodos de tempo está associado a uma mortalidade maior por cancro do endométrio. O risco não desaparece com o exercício físico, embora diminua.
Factores protectores Fumar e o uso de progestina oferecem protecção contra o cancro do endométrio. Fumar oferece protecção ao alterar o metabolismo do estrogénio e ao promover a perda de peso e a menopausa precoce. Este efeito protector permanece ao longo de bastante tempo, mesmo após deixar de fumar. Tanto a pílula contraceptiva oral combinada como o dispositivo intrauterino contêm progestina. Cópia arquivada em 4 de Janeiro de 2014 A diminuição do risco pelas pílulas combinadas é proporcional à duração do tempo ao longo do qual são tomadas: 56% após quatro anos, 67% após oito anos e 72% após doze anos. A diminuição do risco prolonga-se por pelo menos quinze anos após a interrupção da ingestão. As mulheres obesas podem necessitar de doses maiores de progestina para beneficiar do efeito protector. Ter tido mais de cinco filhos pode também ser um factor protector. Ter tido pelo menos um filho diminui o risco em 35%. Amamentar por mais de 18 meses diminui o risco em 23%. O aumento da actividade física diminui o risco individual em 38–46%. Há indícios que o consumo de soja possa ter efeito protector.
Fisiopatologia thumb|350px|Diagrama ilustrando o trato reprodutivo feminino com a parede uterina aumentada e o endométrio normal visível+ Mutações encontradas em cancros do endométrio tipo I e tipo II Gene mutado Tipo de mutação Prevalência no tipo I Prevalência no tipo II ARID1A Mutação pontual 40% desconhecido CTNNB1 Mutação pontual 14–44% desconhecido FGFR2 Mutação pontual 16% desconhecido KRAS Mutação pontual 10–20% desconhecido PIK3R1 Mutação pontual 43% desconhecido TP53 Mutação pontual 10–20% 90% PTEN Mutação pontual 37-61% desconhecido MLH1 silenciamento epigenético 30% desconhecido RASSF1A silenciamento epigenético 48% desconhecido SPRY2 silenciamento epigenético 20% desconhecido PPP2R1A Mutação pontual desconhecido 17–41% CDH1 perda de heterozigosidade desconhecido 80–90% CDKN2A perda de heterozigosidade ou silenciamento epigenético 20% 40% PIK3CA (oncogene) mutação pontual ou amplificação 24-39% 20-30% PIK3R1 (oncogene) Mutação pontual desconhecido 12% STK15 (oncogene) amplificação desconhecido 60% CCNE1 (oncogene) amplificação desconhecido 55% ERBB2 (oncogene) amplificação desconhecido 30% CCND1 (oncogene) amplificação desconhecido 26%