Gaspar Jorge de Leão Pereira, ou mais simplesmente Gaspar de Leão Pereira ou aínda Gaspar de Leão (Lagos, início do – Goa, 15 de agosto de 1576) foi um escritor e prelado português da Igreja Católica, o primeiro arcebispo de Goa, sendo reconduzido como o terceiro arcebispo.

Biografia Um dos primeiros testemunhos a respeito da sua biografia data de 25 de outubro de 1536 e atesta que, nesse dia, teria alcançado o grau de licenciado em cânones, na Universidade de Salamanca. Outros estudiosos, porém, sem explicitarem a fonte, indicam que ele teria estudado teologia e não cânones. Considerando a produção escrita e as práticas de espiritualidade de Mestre Gaspar ou de Gaspar de Santa Maria, nome que também utilizava, parece fazer mais sentido que tivesse estudado as ciências sacras do que uma formação acadêmica em direito canônico.

Em 1538, aparece nomeado como capelão do Infante Dom Henrique, ao tempo ainda arcebispo de Braga e, em 1541, como seu pregador. Nesta segunda data Dom Henrique era arcebispo de Évora e já assumira o encargo de inquisidor-mor. Em 12 de junho de 1551 foi empossado como cónego da Sé de Évora e em 27 de julho de 1557 tomaria posse naquela catedral da dignididade de arcediago.

Dom Gaspar Jorge de Leão Pereira é nomeado o primeiro arcebispo de Goa por Dom João III em 1557, por conta das “informaçõens que o serenissimo senhor infante Dom Henrique lhe deo do mestre Gaspar”. Em 4 de fevereiro de 1558, ele foi aprovado arcebispo de Goa. Porém, uma carta da regente Dona Catarina dirigida ao embaixador em Roma sugere que ele teria recusado o encargo e que só o veio a assumir por obediência à ordem do Papa Paulo IV que veio de Roma. Recebeu sua ordenação episcopal em 15 de abril de 1560.Catholic Hierarchy

Embarca-se para a Índia em 19 de abril seguinte para tomar posse do seu encargo. O arcebispo desembarcou em Goa em dezembro de 1560, e fez uma solene entrada na cidade com muitos festejos.

De seu arquiepiscopado merecem destaque a proibição que decretou de que se fizessem batismos solenes em massa, prática que os jesuítas promoviam e que lhe valeu dissenções com a Companhia, e a prossecução de políticas destinadas à expulsão da região de Goa dos brâmanes e outros adversários do cristianismo.

Porém, o maior realce vai para a preparação das Constituições do arcebispado de Goa, pelas quais procurou adotar no território os decretos aprovados no Concílio de Trento, que terminou em 1564. As Constituições contribuíram mais para a difusão no território de um cristianismo tridentino de matriz europeia do que para a "indigenização" desta religião, apesar de terem marcas de alguma adaptação ao contexto social e cultural do território. Leão ainda participaria no início do 1.º Concílio Provincial de Goa, ali realizado entre 1567 e 1568, mas já não acompanharia todos os trabalhos desta assembleia, pois renunciou a esta dignidade ao fim de sete anos, em 13 de janeiro de 1567, e retirou-se para o convento dos Franciscanos da Madre de Deus, que mandara edificar, distante de Goa uma légua.

A essa data, sucedeu-lhe D. Frei Jorge Temudo. Em 19 de novembro de 1572, por morte do arcebispo que o substituíra, num gesto único em toda a história do episcopado português durante a época, "encargo que só aceitou constrangido, e muito a seu pezar (segundo se afirma)", foi novamente preconizado arcebispo de Goa. Desta vez, foi também nomeado com a dignidade de Primaz do Oriente.

Ismael Gracias aponta diversos nomes de arcebispos que marcaram a imprensa, tal como D. Gaspar de Leão Pereira, referido pelo autor como o "varão doutor e virtuoso, presidindo aos destinos da arquidiocese, presidia igualmente ao movimento dessas imprensas".Ismael Gracias (1880)

No entanto, este mesmo autor faz lembrar a existência de censura prévia aos livros que foram impressos: "Já se viu que a maior parte dos livros que fizemos menção, foram impressos com prévias censuras e licenças, inclusive os do arcebispo Dom Gaspar! (…) O que mostram essas censuras e licenças até para os livros escritos por pessoas de reconhecidas letras e piedade? Quando muito provam o poder da terrível Inquisição, poder que não conhecia limites, e que se estendia até a acorrentas o espírito e opor-se à livre manifestação do pensamento." (p. 23).

Fundador do Colégio de São Paulo, em Goa, onde estavam abertas tipografias, de forma a acompanhar o movimento intelectual.

Em 1574, convocou o 2.º Concílio Provincial de Goa, que ocorreu no ano seguinte. Morreu em Goa, em 15 de agosto de 1576 e foi sepultado no Convento da Madre de Deus de Goa, que tinha mandado construir.

Obra escrita

Tratado espiritual para o sacerdote quando diz missa e para os ouvintes que a ouvem, com hum suave exercicio do nome de Jesu e outro da oração e da meditação para os que tem pouco tempo (Lisboa: Ioao Blavio, 1558), o qual, tal como a sua obra maior, omite o seu nome, foi escrita antes de se tornar arcebispo de Goa. Compendio Spiritual da vida christãa tirada pelo primeiro arcebispo de Goa e por elle pregado no primeiro anno a seus fregueses. Publicado em Goa por João Quintino, em 1561. Inocêncio Francisco da Silva diz que "parece ter sido este o primeiro livro, que sahira impresso dos prelos de Goa". Tratado que fez Mestre Hieronimo de Sancta fé, Médico do Papa BeneditoXIII, contra os judeos, etc., Goa, por João d'Endem, 1565 Livro Chamado Desengano de perdidos, feito pera gloria de Deos e consolação dos nouamente conuertidos e fracos na fé e pera proueito dos que querem deixar os peccados & seguir as virtudes e o caminho da perfeição do amor diuino (Goa: João d'Endem, 1573). É interessante notar que esta última obra encontra-se mencionada entre os livros prohibidos, no Indice expurgatório de 1581 : a Inquisição em Portugal julgou que esse livro não podia correr !Inocêncio Francisco da Silva : Dicionário Bibliográfico Português

Bibliografia

Ligações externas

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