Munique (; 10px ouça, em bávaro: Minga) é uma cidade da Alemanha, capital do estado alemão da Baviera, no sudeste do país. Conta atualmente cerca de 1,3 milhão de habitantes (2012), enquanto a sua região metropolitana, que engloba diversas cidades vizinhas ou próximas a Munique, abriga mais de 2,6 milhões de pessoas. É assim a cidade mais populosa da Baviera e do sul da Alemanha, e a terceira cidade mais populosa do país, depois da capital, Berlim, e de Hamburgo.

Munique é uma cidade independente (kreisfreie Stadt) ou distrito urbano (Stadtkreis), ou seja, possui estatuto de distrito (Kreis). Adicionalmente, Munique é também sede do governo do distrito administrativo da "Alta Baviera" (Oberbayern em alemão) bem como do distrito territorial (Landkreis) de Munique.

Cidades grandes próximas são Zurique (Suíça), a 315 km a oeste, Praga (República Checa), a cerca de 380 km a nordeste, Viena (Áustria) a cerca de 440 km a leste, Milão (Itália) a 490 km ao sul e Berlim, a cerca de 590 km a norte. Foi fundada em 1158. O número de habitantes da cidade de Munique ultrapassou por volta de 1854 os 100 000, tendo nessa altura obtido o estatuto de cidade grande (Grosstadt). A cidade foi destruída pela metade durante a Segunda Guerra Mundial, porém reconstruída nas décadas posteriores ao fim do conflito. Desde os anos 1960, alcançou a marca de um milhão de habitantes, estabelecendo-se desde então como a terceira mais populosa cidade alemã (entre os anos 60 e 80, a segunda ou a terceira mais populosa cidade da Alemanha Ocidental). Munique é atravessada pelo rio Isar. É em Munique que é realizada anualmente a Oktoberfest, uma tradicional festa alemã, que é a maior do mundo, sendo o evento um dos principais alicerces turísticos da Alemanha.

A Munique moderna é um importante e desenvolvido centro financeiro, urbano, logístico, cultural e político da Alemanha e da Europa continental. É sede de diversas empresas de renome mundial, incluindo a montadora BMW. Entre 2011 e 2012, Munique foi posicionada na 4ª posição entre as "Cidade Mais Habitáveis do Mundo", segundo estudos da consultoria internacional Mercer. A partir de 2006, o lema da cidade passou a ser "München mag dich" (Munique gosta de ti (Pt) ou Munique ama você(Br), em alemão). Até 2005, o lema era "Weltstadt mit Herz" (Cidade cosmopolita com coração).

História Idade Média thumb|esquerda|upright=1.3|Munique no

O primeiro assentamento conhecido na área era de monges beneditinos na antiga rota do sal. A data da fundação é considerada o ano 1158, data em que a cidade foi mencionada pela primeira vez em um documento, assinado em Augsburgo. Até então, Henrique, o Leão, da Casa de Guelfo, o Duque da Saxônia e da Baviera, construíram uma ponte de pedágio sobre o rio Isar ao lado do assentamento dos monges e da rota do sal.

Em 1175, Munique recebeu estatuto de cidade e de fortificação. Em 1180, com o julgamento de Henrique, o Leão, Otão I tornou-se duque da Baviera e Munique foi entregue ao Bispo de Frisinga. (Os herdeiros de Otão I, a Casa de Wittelsbach, governaram a Baviera até 1918.) Em 1240, Munique foi transferida para Otão II da Baviera e em 1255, quando o Ducado da Baviera foi dividido em dois, Munique tornou-se a residência ducal da Alta Baviera.

O duque Luís IV, nativo de Munique, foi eleito rei alemão em 1314 e coroado como imperador do Sacro Império Romano-Germânico em 1328. Ele fortaleceu a posição da cidade concedendo-lhe o monopólio do sal, assegurando-a de uma renda adicional. No final do , Munique sofreu um avivamento das artes góticas: a Câmara Municipal antiga foi ampliada, e a maior igreja gótica de Munique — a Frauenkirche — agora uma catedral, foi construída em apenas 20 anos, começando em 1468.

Guerras mundiais

Após o início da Primeira Guerra Mundial em 1914, a vida em Munique tornou-se muito difícil, já que o bloqueio dos Aliados à Alemanha levou à falta de alimentos e combustíveis. Durante as incursões aéreas francesas em 1916, três bombas caíram em Munique. Após o conflito, a cidade estava no centro de muita agitação política. Em novembro de 1918, na véspera da revolução alemã, Luís III da Baviera e sua família fugiram da cidade. Após o assassinato do primeiro-ministro republicano Kurt Eisner em fevereiro de 1919 por Anton Graf von Arco auf Valley, a República Soviética da Baviera foi proclamada. Quando os comunistas tomaram o poder, Lenin, que morou em Munique alguns anos antes, enviou um telegrama congratulatório, mas a república soviética foi posta abaixo em 3 de maio de 1919 pelos Freikorps. Enquanto o governo republicano havia sido restaurado, Munique tornou-se um viveiro de políticos extremistas, entre os quais Adolf Hitler e os nacional-socialistas se tornaram proeminentes. thumb|esquerda|upright=1.3|Munique durante e depois da Segunda Guerra Mundial

Em 1923, Adolf Hitler e seus apoiantes, concentrados em Munique, organizaram o Putsch da Cervejaria, uma tentativa de derrubar a República de Weimar e tomar o poder. A revolta fracassou e resultou na prisão de Hitler e na paralisação temporária do Partido Nazista (NSDAP), que era praticamente desconhecido fora de Munique. A cidade tornou-se novamente uma fortaleza nazista quando o partido tomou o poder na Alemanha em 1933. A festa criou seu primeiro campo de concentração em Dachau, a 16 km a noroeste da cidade. Por sua importância para o surgimento do nacional-socialismo, Munique foi designada como Hauptstadt der Bewegung ("Capital do Movimento"). A sede do NSDAP estava em Munique e muitos Führerbauten ("prédios do Führer") foram construídos em torno da Königsplatz, alguns dos quais ainda sobrevivem. A cidade é conhecida como o ponto de culminante da política de apaziguamento do Reino Unido e da França que levou à Segunda Guerra Mundial. Foi em Munique que o primeiro-ministro britânico, Neville Chamberlain, concordou com a anexação da região dos Sudetos, então da Tchecoslováquia, no território da Grande Alemanha, com a esperança de saciar os desejos do Terceiro Reich de Hitler.

A cidade foi muito danificada pelos bombardeios dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial — a cidade foi atingida por 71 incursões aéreas durante um período de seis anos. À medida que os bombardeios continuavam, mais e mais pessoas se mudaram. Em maio de 1945, 337 000 pessoas (41%) deixaram a cidade.Richard Overy, The Bombers and the Bombed: Allied Air War Over Europe 1940-1945 (2014) p 304

A batalha final para Munique começou 29 de abril de 1945, quando a 20.ª Divisão Blindada, a 3ª Divisão de Infantaria, a 42.ª Divisão de Infantaria e a 45.ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos atacavam nos arredores da cidade, quando também liberaram o campo de concentração de Dachau no processo. Alguns setores foram bem defendidos contra essa investida dos Aliados. No entanto, a própria cidade foi capturada com bastante facilidade em 30 de abril de 1945, já que os defensores alemães ofereceram resistência leve.Stanton, Shelby, World War II Order of Battle: An Encyclopedic Reference to U.S. Army Ground Forces from Battalion through Division, 1939–1946 (Revised Edition, 2006), Stackpole Books p. 69, 80, 129, 135

Geografia thumb|Imagem de satélite de Munique Munique situa-se nas planícies elevadas da Alta Baviera, a cerca de 50 km ao norte da borda norte dos Alpes, a uma altitude de cerca de 520 m. Os rios locais são o Isar e o Würm. Munique está situado no contraforte alpino. A parte norte deste planalto arenoso inclui uma área de sílex altamente fértil que já não é afetada pelos processos de dobramento geológico encontrados nos Alpes, enquanto a parte sul é coberta de colinas morainas.

Clima

A cidade de Munique situa-se na região entre os climas atlântico úmido e continental seco. Outros fatores essenciais que determinam o clima da cidade são os Alpes e o rio Danúbio, que fazem a divisão do tempo da região (um lado dos Alpes apresenta clima diferente do outro). Graças a esses fatores o tempo é relativamente muito variável. O vento Föhn traz da região sul, durante o ano todo, correntes de ar irregularmente quentes e secas. Em conjunto com as correntes de ar está a boa vista à distância — e especialmente o conhecido céu azul da Baviera — estando os alpes da Baviera muito nitidamente visíveis.

Demografia Religiões thumb|esquerda|250px|Frauenkirche

Cerca de 45% dos moradores de Munique não são afiliados a nenhum grupo religioso e esse índice representa o segmento de maior crescimento da população. Como no resto da Alemanha, as igrejas católicas e protestantes têm sofrido um contínuo declínio na adesão. Em 31 de dezembro de 2016, 32,4% dos habitantes da cidade se declaravam católicos romanos, 11,6% protestantes e 0,3% judeus. Em 2011, 7,5% eram migrantes muçulmanos de 21 países de origem. Cerca de 3% aderem a outras denominações cristãs.

O estado da Baviera, no sul da Alemanha, é maioritariamente católico, ao contrário de estados como Baden-Württemberg a oeste, bem como a maior parte dos estados situados no norte da Alemanha, que são na maioria protestantes (Luteranos). A cidade de Munique pertencia inicialmente ao bispado de Freising, que por sua vez era subordinada (sufragânea) de Salzburgo. Houve várias tentativas de criação de um bispado próprio, inicialmente frustradas. Em 1817, como resultado de alterações políticas, o bispado de Freising foi transferido para Munique. Ao mesmo tempo o bispado foi promovido a arcebispado.

A doutrina de Martinho Lutero gozou de simpatia inicial em Munique, mas nos anos seguintes ao parlamento imperial de Worms em 1522 foi brutalmente reprimida. Antes de tudo devido à acção dos Jesuítas que oprimiram qualquer tentativa de revolta. Por isso, a cidade permaneceu católica, sem excepções. Só em 1799 foi possível estabelecer em Munique uma pequena paróquia, com a protecção do príncipe-eleitor (Kurfürstin), na altura uma mulher. Essa paróquia deu origem, em 1806, à primeira congregação paroquial (Pfarrei), cujo número de participantes crescia. A igreja de Salvador (Salvatorkirche) foi concedida aos protestantes, não tendo sido no entanto usada, porque era muito pequena. A paróquia pertencia à igreja protestante do reino da Baviera, que foi instituída para todas as paróquias luteranas e reformadas. Em 1833, foi possível erigir a igreja de Mateus (Matthäuskirche), a primeira igreja evangélica. São Markus foi a segunda, em 1877.

Governo e política thumb|Neues Rathaus, o palácio municipal de Munique thumb|Parlamento da Baviera

O atual prefeito de Munique é Dieter Reiter, do Partido Social Democrata da Alemanha (SPD). Munique foi governada pelo SPD há quase seis anos desde 1948. Isso é notável porque a Baviera — e particularmente o sul da Baviera — tem sido uma fortaleza conservadora, visto que a União Social Cristã ganha maiorias absolutas entre o eleitorado bávaro em muitas eleições comunais, estaduais e federais, além de liderar o governo do estado bávaro por todos os anos, exceto três, desde 1946.

Como a capital do Estado Livre da Baviera, Munique é um importante centro político na Alemanha e sede do Parlamento do Estado da Baviera, da Staatskanzlei (Chancelaria do Estado) e de todos os departamentos estaduais. Várias autoridades nacionais e internacionais estão localizadas em Munique, incluindo o Federal Finance Court of Germany e o European Patent Office.

Relações internacionais Munique tem como cidades-irmãs os seguintes centros urbanos: Edimburgo, Reino Unido (1954) Verona, Itália (1960) Bordeaux, França (1964) Sapporo, Japão (1972) Cincinnati, Ohio, Estados Unidos (1989) Kiev, Ucrânia (1989) Harare, Zimbábue (1996)

Subdivisões Com a nova divisão das regiões da cidade em 1992, o número de bairros de Munique diminuiu de 41 para 25. Eles são (listados em ordem alfabética): Allach-Untermenzing (23) Altstadt-Lehel (1) Aubing-Lochhausen-Langwied (22) Au-Haidhausen (5) Berg am Laim (14) Bogenhausen (13) Feldmoching-Hasenbergl (24) Hadern (20) Laim (25) Ludwigsvorstadt-Isarvorstadt (2) Maxvorstadt (3)