Alma egípcia é um conceito metafísico egípcio, o princípio de múltiplas partes (geralmente divididas em nove) que formavam o ser humano e seriam levadas durante toda a vida e após ela.

Para os antigos egípcios, a religião focava a imortalidade. Portanto, a vida futura era altamente desejável. Isso pressupõe a crença de que havia uma alma imortal que viveria após a morte do corpo físico e essa alma, para nós, atualmente, é um conceito bastante complexo.

A alma, seu ser, era composta de partes diversas. Não existia apenas a forma física, e sim, havia oito partes imortais ou semidivinas, que sobreviviam à morte. Portanto, as oito partes imortais mais o corpo completariam as nove partes do ser humano.

O significado exato de Ka, Ba, Akh, Sekhem, e outras expressões não é ainda muito claro para nós. Os estudiosos partem do princípio de comparar a cultura egípcia antiga com a nossa e, assim, ficamos mais confusos porque as ideias são diferentes.

thumb | 300px | right |Livro dos mortos de Ani, pesagem do coração O Livro dos Mortos Nas tumbas, o Livro dos Mortos, que no original egípcio recebe o nome de Livro da Saída da Luz, é uma coleção de textos e encantamentos creditados ao deus Thot. Seu objetivo era ajudar a alma do morto a enfrentar e vencer os obstáculos em um caminho muito difícil rumo à vida pós-morte.

Para chegar ao Amenti, era preciso cruzar 21 pilares, passar por 15 entradas e atravessar 7 salas para chegar ao Saguão das Duas Verdades, onde o coração do indivíduo seria pesado frente a Osíris e aos 42 juízes divinos.

Caso o julgamento fosse favorável ao morto, Hórus o conduzia ao trono de Osíris, que indicava seu lugar no reino além da morte. Se o morto estivesse repleto de pecados, seu coração seria comido por Ammut, o devorador de mortos. A destruição pelo Ammut representava a aniquilação definitiva do ser, impedindo-o de alcançar a imortalidade.

Partes da Alma Egípcia As partes da alma egípcia incluem: thumb | 150px|esquerda|estátua representando o Ka do faraó Hórus

Khat (corpo físico) Khat (ou Khet) – A forma física, o corpo que pode se desintegrar após a morte. É a parte externa dos mortais que devia ser preservada apenas pela mumificação para ancorar as partes espirituais. O Ka, o Ba e o Akh são às vezes traduzidos como o Duplo, a Alma e o Espírito, mas isso não explica todas as nuances que estão implícitas nesses conceitos.

Ka (duplo ou essência vital) Ka – O duplo e a força vital. Segundo a mitologia, o deus criador Quenúbis moldava o Ka da pessoa juntamente com seu corpo físico em sua roda de oleiro. O Ka então passava a acompanhar a pessoa como uma sombra ou um duplo durante toda a vida e, quando ela morria, o Ka retornava para sua morada celeste.

A preservação do corpo e as oferendas de comida, sejam reais ou apenas gravadas nas paredes da tumba, propiciavam sustentação ao Ka. Acreditava-se que, assim como as estátuas dos deuses, o Ka assimilava a energia vital dessas oferendas. Os egípcios acreditavam que os animais, plantas, água e as pedras, por exemplo, todos possuíam seu próprio Ka.

O Ka podia se manifestar caso a família não tivesse feito as oferendas devidas, assombrando-os até que corrigissem seu erro. Na vida diária, ao dar comida e bebida para alguém, os antigos egípcios costumavam usar a frase "Para o seu Ka", para desejar energia vital.

thumb | 250px | right |o Ba e a múmia

Ba (personalidade) Ba – O Ba correspondia à personalidade e ao caráter único do indivíduo. Podia assumir a forma que desejasse, mas em geral é representado na forma de um pássaro com cabeça humana, que flutua em torno da tumba durante o dia, garantindo o sustento do falecido.

A função mais importante do Ba era tornar possível que o morto abandonasse a tumba para se reunir ao seu Ka, de modo que pudesse viver para sempre e se transfigurar. O conceito de Ba era muito ligado à mobilidade física no além.

Akh (espírito radiante) Akh (Akhu, Khu, Ikhu) – É o resultado da união bem-sucedida do Ba e do Ka. É a parte imortal, o ser radiante que vive dentro do Sahu. Significa o intelecto purificado, os desejos e as intenções do falecido. O Akh se transfigura na morte e sobe aos céus para viver com os deuses entre as estrelas.

Sah (corpo espiritual) Sah (Sahu) – É o corpo espiritual. Caso o morto se saia bem no Julgamento de Osíris, o Sah torna-se o veículo para o qual a alma migra e ascende aos céus, detentor de todas as habilidades de um ser humano divinizado.

thumb | 150px | left |escaravelho representando o coração, tumba de Hatnofer

Sekhem (poder, forma) Sekhem – É a personificação incorpórea da força vital divina do ser humano. Representava a energia e o poder operante do falecido, que passa a habitar o cosmos e as estrelas junto com o Akh após a morte física.

Ib (coração) Ib (Ab) – O coração metafísico, fonte do bem e do mal dentro de uma pessoa. É o centro do intelecto, das memórias e do caráter, acreditado como uma gota originada do coração da mãe durante a concepção. Era a parte do corpo que efetivamente comparecia à pesagem, podendo viver junto com os deuses após a morte caso fosse justificado, ou ser devorado por Ammut, trazendo a aniquilação final, quando os pratos da balança de Maat não se equilibravam.

Ren (nome, identidade) Ren – O nome verdadeiro. É uma parte vital do ser em sua jornada através da vida e do pós-vida. O nome conferia existência material; para compreender melhor, basta lembrar que na cosmologia de Mênfis, o deus criador Ptah criou o mundo proferindo o nome de todas as coisas.

Um recém-nascido devia receber um nome imediatamente; caso contrário, estaria vivendo uma existência incompleta. As cerimônias de nomeação muitas vezes geravam um nome secreto, de modo que uma pessoa podia viver toda sua vida usando um apelido para que inimigos não descobrissem seu nome verdadeiro e tivessem poder sobre ela.

Destruir ou apagar o nome de uma pessoa significava apagar sua vida eterna. Muitos deuses tinham seus nomes ocultos, sendo chamados por epítetos (por exemplo, Anúbis era chamado de “Aquele que está de frente para a tenda divina”). Desse modo, a essência do deus ficava escondida e protegida.

Os egípcios acreditavam que aquele cujo nome fosse falado, vivia. Assim sendo, fazer oferendas e dizer o nome de um falecido amado significava que aquela pessoa vivia entre os iluminados. A única forma de superar demônios no submundo era através do conhecimento de seus nomes. Ao viajar através do pós-morte, usava-se muito a fórmula: "Eu conheço você e sei seus nomes".

Shuyet (sombra) Shwt (Shuyet) – Num país escaldante como o Egito, a sombra (ou a ausência direta do sol impiedoso) era vista como uma entidade protetora. Assim, a sombra era concebida como uma entidade vital e individualizada que podia se separar do corpo, participar das oferendas funerárias e viajar com grande velocidade, sendo essencial para o conforto no além.

thumb | 250px |A barca de Rá

Os campos de junco (Aaru) O Aaru era o local onde o morto passaria sua pós-vida paradisíaca, frequentemente descrito como situado entre as estrelas imperecíveis ou nas Terras do Oeste.

A visão metafísica egípcia permitia uma existência múltipla: enquanto o Khat descansa na tumba protegido, pronto para ser visitado pelo Ka, o Ba pode estar viajando pelo mundo subterrâneo com a barca solar de Rá. O Ib habita entre os justificados; a Shwt pode estar no mundo físico colhendo oferendas; e, simultaneamente, o Akh, o Sekhem e o Sah residem divinizados entre as estrelas, observando a Terra.

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Categoria:Mitologia egípcia