miniaturadaimagem|302x302px|Logo da Resex de Terra Ronca A Reserva Extrativista de Recanto das Araras de Terra Ronca (RESEX) é uma unidade de conservação federal brasileira, criada por Decreto Presidencial em 11 de setembro de 2006.«DNN 10967». www.planalto.gov.br. Consultado em 3 de julho de 2025. Está localizada no Estado de Goiás e possui uma área de aproximadamente 12.349 hectares.«Tiriba-Do-Paraná – Prefeitura Municipal de Guarani de Goiás». guaranidegoias.go.gov.br. Consultado em 4 de julho de 2025. A reserva é categorizada como de uso sustentável e combina a conservação da natureza com o aproveitamento responsável dos recursos naturais pelas comunidades tradicionais locais.
A RESEX de Terra Ronca tem como objetivo principal a conservação do meio ambiente aliada ao uso sustentável dos recursos naturais por populações tradicionais. Nessas comunidades, atividades como o extrativismo vegetal, a coleta de frutos nativos e o turismo de base comunitária são incentivadas, com foco na sustentabilidade e na preservação dos ecossistemas locais.
Situada em uma região de elevada biodiversidade, a unidade protege importantes ecossistemas do Cerrado, com destaque para áreas de mata seca sobre afloramentos calcários que abrigam espécies endêmicas e ambientes sensíveis à degradação.
A paisagem da reserva reflete as características típicas do Cerrado, com presença de serras, veredas, rios e cachoeiras, compondo um mosaico de ecossistemas característicos do Brasil Central. Em contraste com grande parte do Cerrado goiano, que vem sendo intensamente modificado por atividades agropecuárias, a reserva mantém um dos remanescentes mais bem preservados da vegetação nativa na região. Essa conservação contribui para a proteção da biodiversidade local, das nascentes e cursos d’água, além de assegurar a continuidade dos modos de vida das comunidades tradicionais.
"Recanto das Araras de Terra Ronca, nome que remete a um refúgio de vida silvestre, foi escolhido para batizar a primeira reserva extrativista (RESEX) do Cerrado, onde a idéia é salvar o homem da pobreza com a ajuda da natureza."
Atrativos naturais e culturais miniaturadaimagem|340x340px|Paredão rochoso. Acesso e localização A reserva está localizada a aproximadamente 600 km de Goiânia e 400 km de Brasília.«O esplendor das cavernas de Terra Ronca». Ministério do Turismo. Consultado em 10 de julho de 2025. O acesso terrestre é feito pelas cidades de São Domingos e Guarani de Goiás, que funcionam como bases de apoio para visitantes. Ambas são acessíveis por rodovias asfaltadas a partir da BR-020. Uma estrada de terra de cerca de 70 km conecta as duas cidades, passando por diversos atrativos naturais. O Povoado de São João Evangelista, situado no meio desse trajeto, oferece serviços como hospedagem, alimentação e guias locais habilitados. O aeroporto mais próximo está localizado em Brasília a cerca de 6 horas de viagem por via terrestre.
A RESEX abriga uma ampla variedade de ambientes naturais e manifestações culturais. Entre os principais atrativos estão:
Rios e cachoeiras Piscinas naturais Dunas e formações geológicas Vegetação característica do Cerrado Áreas de ocorrência de espécies endêmicas Rotas de migração de aves
No campo cultural, a reserva valoriza o patrimônio das comunidades locais. Entre os destaques estão: Comunidades tradicionais Centro de apoio aos visitantes Vilarejos e sítios de importância histórica e social
Cursos, festivais e ações comunitárias na RESEX 1º Festival das Aves de Terra Ronca miniaturadaimagem|302x302px|Observação de aves no festival miniaturadaimagem|302x302px|Aula de geologia no Festival das Aves de Terra Ronca O Festival das Aves de Terra Ronca é um evento voltado à promoção do turismo de natureza, educação ambiental e valorização da sociobiodiversidade no nordeste do Estado de Goiás, Brasil. Sua primeira edição ocorreu entre os dias 22 e 26 de abril de 2025, na Reserva Extrativista de Recanto das Araras de Terra Ronca, localizada no Povoado de São João Evangelista, no município de São Domingos (GO).
O evento foi organizado pelo Projeto GeoAves, em parceria com o grupo de observadores de aves Óia Passarinhar, Universidade Federal de Goiás e diversas instituições locais. Teve como objetivos principais: fomentar a conscientização ambiental, capacitar guias locais para a observação de aves e interpretação geológica, valorizar os saberes tradicionais e impulsionar o turismo de base comunitária, com foco na conservação da biodiversidade e da geodiversidade.
A programação do festival incluiu palestras sobre fitofisionomias do Cerrado, oficinas para guias e empreendedores locais, trilhas práticas de observação de aves (“passarinhadas”), visitas a áreas de interesse geológico, feiras de produtos artesanais e extrativistas, exibição de filmes ambientais e aulas de geologia voltadas à comunidade. miniaturadaimagem|Poster Rota dos Papagaios de Terra Ronca
Durante o festival foi lançado um roteiro inédito voltado ao aviturismo: a Rota dos Papagaios de Terra Ronca, que passa a integrar os atrativos naturais da RESEX e demonstraram o potencial da região como destino emergente para a observação de aves no Cerrado. Rota dos Papagaios de Terra Ronca A Rota dos Papagaios foi idealizada para valorizar a impressionante diversidade de aves da família Psittacidae, muito apreciadas por observadores devido à sua coloração marcante, comportamento social e vocalizações características. Foram registradas 18 espécies de psitacídeos na região, são elas:miniaturadaimagem|301x301px|Jandaia-verdadeira Tiriba-do-paranã (Pyrrhura pfrimeri), espécie endêmica e ameaçada de extinção, conhecida localmente como ciganinha;
Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), o maior psitacídeo do mundo;
Tuim (Forpus xanthopterygius), o menor representante do grupo;
Arara-canindé (Ara ararauna); Arara-vermelha (Ara chloropterus); Aratinga-de-testa-azul (Thectocercus acuticaudatus); Curica (Amazona amazonica); Jandaia-verdadeira (Aratinga jandaya); Maitaca-de-cabeça-azul (Pionus menstruus); Maitaca-verde (Pionus maximiliani); Maracanã (Primolius maracana); Maracanã-do-buriti (Orthopsittaca manilatus); Maracanã-pequena (Diopsittaca nobilis); Meia-lua-do-cerrado (Melanopareia torquata); Papagaio-galego (Alipiopsitta xanthops); Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva); Periquitão (Psittacara leucophthalmus); Periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri); Periquito-rei (Eupsittula aurea).miniaturadaimagem|315x315px|Arara-vermelha Essa diversidade permite a criação de uma rota de observação altamente atrativa, especialmente nos municípios de Guarani de Goiás e São Domingos, onde é possível encontrar diferentes fitofisionomias do Cerrado que abrigam essas espécies.Projeto GeoAves nas Unidades de Conservação do nordeste goiano.
1º Big Day das Araras Azuis O evento consistiu em um esforço concentrado de observação e registro de espécies em curto período, envolvendo pesquisadores, guias locais e membros da comunidade. Além de gerar dados sobre a diversidade de aves na região, a atividade contribuiu para o fortalecimento da ciência cidadã e para a padronização e sistematização dos registros de campo. A iniciativa também favorece a formação de redes colaborativas de monitoramento, ampliando a continuidade das coletas de dados e subsidiando pesquisas e ações de conservação. Destaca-se que este foi o único evento realizado no estado de Goiás com registro de araras-azuis-grandes, ocorrendo exclusivamente na Reserva Extrativista Recanto das Araras de Terra Ronca, o que reforça a relevância da área para a conservação da espécie. Organização e parcerias O Projeto GeoAves é uma iniciativa de docentes e discentes da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB), com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) e da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Já o grupo Óia Passarinhar, parceiro do projeto, surgiu como uma ação de extensão do Laboratório de Etnobiologia e Biodiversidade da UFG e atua na promoção da educação ambiental por meio da observação de aves.
Outras instituições envolvidas na realização do festival incluíram:
Associação Ecológica de Monitores e Condutores Ambientais (AEMA) Brigada Comunitária de Terra Ronca Coletivo das Mulheres da Sociobiodiversidade Curso de Geologia da UFG Fórum Nacional de Turismo de Observação da Vida Silvestre (TOVIS) Goiás Turismo/ Projeto Bora pra Goiás Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) Prefeitura Municipal de Guarani de Goiás Prefeitura Municipal de São Domingos (GO)
Curso de Formação de Brigadas em Prevenção e Combate a Incêndios Florestais O Curso de Formação de Brigadas em Prevenção e Combate a Incêndios Florestais é uma capacitação de 40 horas-aula semanais, que combina atividades teóricas e práticas voltadas ao manejo do fogo e ao combate a incêndios florestais. Durante o curso, os participantes utilizam ferramentas e equipamentos específicos, simulando situações reais de combate e sendo organizados em esquadrões para os exercícios práticos.
A formação ocorre na base física do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), localizada na Fazenda São João – antiga Pousada São Mateus, conforme cronograma definido em edital, com aulas realizadas nos turnos da manhã (08h às 12h) e da tarde (14h às 18h).
São convocados para participar do curso os candidatos aprovados no processo de pré-seleção, classificados dentro do limite máximo de 30 vagas para a função de brigadista (nível I). A seleção considera o desempenho no Teste de Aptidão Física (TAF) e no Teste de Habilidades no Uso de Ferramentas Agrícolas (THUFA).
Cavernas e espeleoturismo miniaturadaimagem|302x302px|Caverna Terra Ronca 1 A região da reserva abriga parte do complexo espeleológico, cuja denominação deriva do "ronco" das águas subterrâneas nas cavernas.GT Notícias. «Terra Ronca: O Paraíso Subterrâneo Escondido no Nordeste Goiano». Consultado em 10 de julho de 2025. A RESEX está situado entre os municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, na divisa com o Estado da Bahia.
Com centenas de cavernas catalogadas — secas e alagadas —, o local atrai espeleólogos, geólogos, biólogos e turistas interessados em experiências subterrâneas.«O esplendor das cavernas de Terra Ronca». Ministério do Turismo. Consultado em 10 de julho de 2025. O Espeleoturismo é uma das principais atividades da região. Em virtude da complexidade dos ambientes e da presença de trechos inundados, o acompanhamento por guias especializados é muito recomendado nas expedições.miniaturadaimagem|322x322px|Caverna Terra Ronca 1 Espécies emblemáticas miniaturadaimagem|313x313px|Casal de Tiribas-do-paranã A ave mais popularmente mencionada em materiais de divulgação é a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), porém a espécie símbolo do munícipio de Guarani de Goiás é a tiriba-do-paranã (Pyrrhura pfrimeri), uma ave endêmica do Cerrado, conhecida localmente como ciganinha.Instituto Cerrados. Projeto de conservação da tiriba-do-paranã. Acesso em 10 de julho de 2025. A presença da tiriba destaca a importância da unidade para a conservação de espécies ameaçadas e de distribuição restrita.
Lista de espécies ameaçadas protegidas nesta unidade de conservação Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) Suçuarana (Puma concolor) Tiriba-do-paranã (Pyrrhura pfrimeri)
Tiriba-do-paranã (Pyrrhura pfrimeri) miniaturadaimagem|312x312px|Tiriba-do-Paranã praticando geofagia. Foto retirada na Wikiaves de Rosilene Lahr