Águias de Fogo é uma série televisiva brasileira, criada, produzida e dirigida pelo cineasta brasileiro Ary Fernandes com o patrocínio da Nestlé, que estreou em 15 de março de 1968 na TV Tupi, sendo finalizada em 30 de março de 1969. A série narra as aventuras de um esquadrão fictício da Força Aérea Brasileira (FAB), que protege o espaço aéreo nacional.

Sucedendo outra produção de Fernandes — O Vigilante Rodoviário, essa foi a segunda série produzida em película para televisão brasileira.

As informações que constam dos arquivos da FAB serviram de inspiração para a criação dos argumentos dos episódios que retratam a busca e salvamento de acidentados e outros exemplos de serviços realizados pela aviação militar no interior do país. Há também frequentes enfrentamentos contra espiões, agentes estrangeiros e terroristas, mostrados como os tradicionais vilões do cinema e dos quadrinhos.

Elenco Principal IntérpretePersonagemNota Dirceu Conte Major Ricardo severo comandante do esquadrão Ary Fernandes Capitão César líder das missões de campo Ricardo Nóvoa Tenente Celso participou de quatro episódios Roberto Bolant Aspirante Fábio piloto que sempre causa risos e broncas falando de garotas Edson Pereira Sargento Fritz responsável pelas comunicações, afrodescendente especialista em capoeira

Coadjuvantes O seriado teve participações de atores consagrados da dramaturgia nacional, como também em início de carreira: Bete Mendes, Osmar Prado, Valentino Guzzo, Francisco Di Franco, Francisco José, Sady Cabral, Ewerton de Castro, Jofre Soares, Nadia Tell, Astrogildo Filho, Ênio Gonçalves, Tony Cardi, Dora Castellar, entre outros.

Episódios

O esquadrão especial da Força Aérea Brasileira (FAB) chamado Águias de Fogo defende a lei e a ordem nos céus do Brasil. Os integrantes da equipe usam helicópteros e aviões em missões de resgate ou no combate ao crime.

Produção Criação e desenvolvimento Fernandes era apaixonado pela aviação desde criança, tanto que possuía brevê de piloto civil e pilotava aviões de pequeno porte desde 1962. No início de 1966, resolveu fazer uma série de televisão sobre o assunto, entrou em contato com a Força Aérea Brasileira (FAB) e começou a produzir um episódio piloto em 35 mm. Mas na pré-produção, depois de filmar alguns planos, o dinheiro acabou e resolveu engavetar o projeto.

Em meio ao ano de 1967, quando Fernandes trabalhava na produtora Lynx Films, soube que o suíço Gilbert Valterio — que havia patrocinado anteriormente O Vigilante Rodoviário —, havia retornado ao Brasil e reassumindo suas funções como diretor na Nestlé. Valterio o recebeu prontamente com sua ideia de produzir um novo seriado que narrava as aventuras de cinco aviadores militares, depois de assistir ao material filmado. Após negociações e orçamentos, a empresa aprovou a produção da série que durou cerca de onze meses, com filmagens realizadas de segunda e sexta-feira entre os anos de 1967 e 1968, terminando com um total de 26 episódios.

As filmagens foram realizadas utilizando uma câmera Cineflex com lentes Bausch & Lomb, adquirida no Rio de Janeiro. Era uma produção modesta, com muita improvisação para superar as adversidades. As cenas aéreas mostravam os pilotos voando, mas na verdade, os atores eram filmados dentro das cabines com as aeronaves ainda no chão e os efeitos eram improvisados utilizando uma tela ao fundo e um extintor de CO2, que era usado para "fabricar" as nuvens, dando a impressão de que o avião realmente estava no ar. As aeronaves utilizadas nos episódios eram cedidas pela própria Força Aérea Brasileira (FAB), como o Douglas C-47 Skytrain, Bell UH-1 Iroquois, Lockheed T-33 Shooting Star, Grumman S-2 Tracker, North American B-25 Mitchell, Grumman HU-16 Albatross, Beechcraft Model 18, Fairchild C-119G Flying Boxcar, North American T-6, entre outros.

Protagonistas Fernandes assumiu um dos papéis principais, planejado para ele mesmo por gostar de aviação, pela vantagem de estar entre o elenco e ter maior controle da produção e também pelo próprio ego de ator, pois já havia trabalhado como radioator, ator de teatro, televisão e de cinema na Companhia Cinematográfica Maristela.

Os atores que interpretaram os militares foram: o próprio Ary Fernandes (Capitão César), Ricardo Nóvoa (Tenente Celso), Dirceu Conte (Major Ricardo), Roberto Bolant (Aspirante Fábio) e Edson Pereira (Sargento Fritz). Mas após a produção de alguns episódios, o ator Ricardo Nóvoa teve um desentendimento no set das filmagens e saiu da série para trabalhar na TV Cultura. Fernandes optou por não substituí-lo, e a série passou a ter quatro personagens principais.

Local das filmagens O seriado recebeu apoio da Aeronáutica e cerca de 90% das filmagens foram realizadas na antiga Base Aérea de Cumbica — atual Base Aérea de São Paulo (BASP).

Dublagem Na década de 1960, os filmes nacionais necessitavam ser dublados, pois não havia nitidez na captação de áudio nas filmagens externas. O estúdio Odil Fono Brasil, localizado em São Paulo, ficou responsável pelos efeitos sonoros e pela dublagem da série, onde nem sempre, o próprio ator conseguia dublar a si mesmo, então era escolhido outro profissional qualificado para fazer o trabalho, como foi o caso do ator Francisco José, que na sua participação no seriado foi dublado por outro ator. Garcia Neto foi o responsável pela direção de dublagem dos episódios.

Música A música-tema do seriado, também chamada "Águias de Fogo", foi composta por Divo Dacol e Carlos Guerra, sendo interpretada pelo sexteto Titulares do Ritmo, integrado por deficientes visuais e um dos maiores conjuntos vocais brasileiros do período.

Crossover O episódio "O Imprevisto", transmitido pela primeira vez em 1968, tem a participação especial de Carlos Miranda, revivendo o papel do inspetor Carlos, protagonista do seriado O Vigilante Rodoviário, também escrito e dirigido por Ary Fernandes. O capítulo reúne os personagens das duas produções nacionais em um crossover para socorrer uma menina que precisa de atendimento médico de urgência em um vilarejo remoto. Enquanto os oficiais resgatam a criança de helicóptero, o inspetor Carlos e o cão Lobo fazem a escolta da ambulância que irá levá-la para o hospital.

Audiência Devido a problemas no lançamento, o seriado, que era transmitido uma vez na semana, sofreu uma guerra de audiência com a novela Redenção, grande sucesso da TV Excelsior na época, que registrava cerca de 70% da audiência no eixo Rio-São Paulo. Foi um erro grave de estratégia publicitária, pois o público não deixaria de assistir a novela para ver a nova série, e não sendo possível competir no mesmo horário da novela diária, acabou por ser cancelada com apenas 26 episódios, apesar de nos outros Estados do país ter sido um sucesso de audiência, pois passava em horários diferentes ao da novela.

Outras mídias Cinema Posteriormente, a série teve alguns episódios compilados e transformados em dois longas-metragens: Águias em Patrulha e Sentinelas do Espaço, que foram exibidos nos cinemas de todo país. Fernandes fazia a ligação entre os episódios, informando qual seria apresentado dizendo: "Ali se encontram os heróis da FAB, e agora vem 'tal história'". Essas inserções foram filmadas no IV Comando Aéreo (IV COMAR), no bairro do Ipiranga.

Os filmes obtiveram relativo sucesso fora do eixo Rio-São Paulo, onde os personagens eram mais conhecidos do grande público.

AnoFilmeEpisódios Ref. 1969 Águias em Patrulha O Contrabando; O Diplomata; O Rapto; A Viagem 1971 Sentinelas do Espaço Mãe do Ouro; O Asilado; A Grande Revoada; Terra dos Índios

Restauro Em 2007, os negativos originais dos episódios foram selecionados para serem recuperados através de um programa de restauração da Cinemateca Brasileira em parceria com a Petrobrás.

Reprises Em 2010, o seriado foi reprisado pelo Canal Brasil por assinatura, sendo exibido todas as segundas às 20h30, com reapresentações nas terças às 15h30 e domingos às 11h.

Em dezembro de 2021, a série restaurada estreou na programação da emissora pública TV Brasil nas quartas às 23h30, com reapresentação em horário alternativo nas quintas às 4h45.

Streaming A série foi disponibilizada no aplicativo TV Brasil Play e pela Web TV. Atualmente também está disponível nos serviços de streaming de vídeo sob demanda por assinatura: Looke, Prime Video e Apple TV+.

Ver também O Vigilante Rodoviário

Bibliografia

Ligações externas

Episódios disponíveis no YouTube

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