A Internet no Brasil chega em 1988 por decisão inicial da sociedade de estudantes e professores universitários paulistanos (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, liderada por Oscar Sala) e fluminenses (Universidade Federal do Rio de Janeiro e Laboratório Nacional de Computação Científica). No entanto, somente a partir de 1996, a Internet brasileira passou a ter seus backbones próprios inaugurados por provedores comerciais, iniciando assim o desenvolvimento dessa rede de telecomunicações.
Desde então, os números de provedores desse serviço e de usuários que o utilizam aumentaram a cada ano. Foi realizada uma reunião, na Universidade de São Paulo, na qual estavam presentes representantes do governo e da Embratel, com o objetivo de criar uma rede que visava interligar a comunidade acadêmica e científica do Brasil com outros países com a finalidade de trocar informações. Em 2013, de acordo com o Procon de São Paulo, os principais provedores de Internet no Brasil eram: Vivo, Claro, TIM, NET e Oi, por ordem decrescente de críticas dos consumidores.
Trajetória Em 1988, o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) conseguiu conectar-se à Universidade de Maryland, acessando a Bitnet (Because It's Time Network), uma rede que permitia a troca de mensagens. No mesmo ano, em São Paulo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) se conectou ao Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab) em Chicago, também por meio da Bitnet. Em 1989, a Universidade Federal do Rio de Janeiro também se conectou à Bitnet através de uma universidade americana, tornando-se a terceira instituição a ter acesso a essa tecnologia. Nesse ano, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi criada a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), organização que veio a ser conhecida como a criadora da Internet no Brasil. Sua instalação se deu no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro, viabilizada pelo Prof. Jonas Gomes, que à época estava à frente da área de computação do instituto. Durante a década de 1990, a RNP foi a responsável por fornecer acesso à internet a aproximadamente 600 instituições, ou seja, por volta de 65 mil usuários. No ano de 1991 o acesso a rede de informações, já denominada internet, já era utilizada também por órgãos do governo e instituições educacionais de pesquisa. Nessa época a internet era utilizada para transferências de arquivos, debates e acesso a base de dados nacionais e internacionais.
O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), no Rio de Janeiro, trata-se de uma instituição autônoma que tinha como um de seus objetivos levar informação à sociedade civil, incluindo o acesso à rede de computadores. Pioneiros no assunto, na década de 1980, o Ibase ligou-se a uma instituição internacional a qual visava a troca de informações entre organizações não governamentais por meio de correio eletrônico. Em 1989, o Ibase juntamente com o Institute for Global Communications, dos Estados Unidos e outras agências internacionais, colocaram em funcionamento o Alternex, que era um serviço de troca de mensagens e conferências eletrônicas, inovador no país. A instituição também foi a responsável pelos primeiros cursos de Internet do Brasil, que ensinavam como acessar a rede e como fazer uma “homepage” (nome usado para definir uma página web na época).
Em 1990, antecipando a alta demanda de participação internacional na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), realizada no Rio de Janeiro dois anos mais tarde, o Ibase propôs a conexão por Internet como uma solução para os ambientalistas que não poderiam comparecer ao evento presencialmente. Assim nasceu o projeto ISP/Rio do Ibase. A proposta era criar uma rede de computadores conectada à Internet nos pontos do Rio de Janeiro em que ocorreria a Conferência por meio de um circuito internacional IP 64 kbits. Após mais de um ano de negociações por parte do Ibase, com apoio de membros da RNP (sobretudo seu líder, Tadao Takahashi) e do PNUD (em Nova Iorque), o secretário-geral da ECO-92 solicitou a inclusão do ISP/Rio no Acordo de Sede do evento.
Trata-se de um projeto que mudou a trajetória da Internet no Brasil. Sua adesão por parte da ONU diminuiu a resistência do governo brasileiro à criação de redes permanentes em território nacional, posteriormente liberando a ativação de dois pontos de conexão entre o Rio de Janeiro (UFRJ), São Paulo (FAPESP) e os Estados Unidos.
Em 1992, ocorreu a implantação de uma rede que cobria grande parte do país. Inicialmente interligava onze estados, uma rede de equipamentos e linhas de comunicação que compunham o que se pode chamar de central da RNP. No ano seguinte a BBS Canal Vip, que foi criada em 1986 por Paulo Cesar Breim, foi o primeiro sistema do Brasil a oferecer uma conta de internet, gratuita, a qualquer pessoa. Nos anos seguintes, seguiu-se o processo de divulgação dos benefícios da internet entre os estudantes e empresas privadas. Em 1994, alunos da USP criaram inúmeras páginas na Web. Somente em 1995 (com os sistemas implantados a partir de 1992) foi realizada a primeira transmissão a longa distância entre os estados, realizada por São Paulo e Rio Grande do Sul, e finalmente neste mesmo ano foi liberada a operação comercial no Brasil. No mesmo ano, foi criado o Comitê Gestor da Internet no Brasil, com a atribuição de coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no país, promovendo a "qualidade técnica", a inovação e a disseminação dos serviços ofertados.
Em 1995, foi lançado o primeiro motor de pesquisa brasileiro: o Cadê?. O buscador fez bastante sucesso nos seus primeiros anos de lançamento, mas perdeu a força durante o tempo com a ascensão de outros competidores no ramo de buscadores de internet como o Google Busca. Com isso, em 2002, foi comprado pelo Yahoo!.
Em 1996, surgem os dois primeiros portais de internet privados do Brasil: o Zaz e UOL. No ano seguinte, alguns órgãos públicos foram informatizados. O governo também desenvolve um serviço permitindo a entrega da declaração do Imposto de renda por meio da Internet.
Em 2000, surgem as primeiras provedoras de acesso gratuito, como o iG. Ainda com conexão discada, essas provedoras eram financiadas por meio de propagandas e banners colocados sobre o navegador. O modelo se provou insustentável; no mesmo ano, essas provedoras começaram a fechar. Ainda no mesmo ano, surgem as primeiras provedoras de acesso por tecnologias de banda larga como o ADSL, aumentando a qualidade da conexão e permitindo pela primeira vez a transmissão de vídeo.
A partir de 2004, com o advento das redes sociais, mais notavelmente o Orkut e posteriormente o Facebook, a Internet começa a se popularizar como uma mídia de massa no Brasil e, a partir de 2007, com o surgimento dos primeiros smartphones e da conexão 3G, passa a estar disponível também em dispositivos móveis.
Em 2016, pela primeira vez, mais de 50% dos domicílios brasileiros estão conectados à Internet.
Em 2017, o celular era usado para navegar na rede em 80,4% das casas com acesso à internet. Já o computador era usado para esse fim em 76,6% desses domicílios, apresentando queda em comparação com 2013, quando esse índice era de 88,4%. Com isso, o celular tornou-se o principal meio de acesso à internet no Brasil..
Social Inclusão digital
O Brasil tem se tornado cada vez mais conectado a cada ano. A pesquisa TIC Domicílios 2019 mostrou que 74% dos brasileiros acessaram a internet pelo menos uma vez trimestre de referência da pesquisa, em comparação a dez anos atrás somente 41% da população estava conectada. Ainda, a pesquisa revelou que a proporção da população que possui um smartphone cresceu de modo que o aparelho se tornou o mais utilizado para a conexão com a internet no país, superando os computadores e diversos outros aparelhos. Mais recentemente, verificou-se uma importante aceleração da inclusão digital no país como consequência da pandemia de Covid-19.
Apesar do crescimento da inclusão digital, a grande desigualdade socioeconômica no país reflete-se, também, no acesso à internet. A exclusão digital atinge principalmente a população economicamente mais vulnerável. Seja pelo fato do indivíduo não possuir o equipamento para o acesso à rede, pela falta de conhecimento para acessar a internet, ainda podem ser consideradas pessoas excluídas digitalmente, aquelas que têm dificuldade de utilizar as funções do telefone celular.
Em um mundo que se torna a cada dia mais digital, as pessoas idosas são especialmente impactadas com a exclusão digital. O afastamento da parcela mais velha da população pode ser explicada por fatores sociais tais quais o acesso e situação econômica. A dificuldade de adaptação dos idosos ao mundo digital deve-se, principalmente, aos baixos níveis de escolaridade dessa parte da população. Uma pesquisa realizada pelo Sesc São Paulo e pela Fundação Perseu Abramo mostra que o nível médio de escolaridade os idosos é baixa, 14% dos idosos nunca foram à escola e 24% têm ensino fundamental incompleto. As pessoas maiores de 60 anos que disseram ter conhecimento sobre o termo internet aumentou de 63% em 2006 para 81% em 2020. Por outro lado, a pesquisa revelou que apenas 19% dos idosos navegam efetivamente na internet, 72% da população da terceira idade nunca utilizou um aplicativo e 62% nunca utilizou redes sociais.
Internet no Governo brasileiro Governo Eletrônico O advento de Internet e as inovações nas tecnologias de comunicação proporcionaram às organizações a possibilidade de migrar sistemas existente em plataformas tradicionais para sistemas com interface web. O esgotamento da sobrevivência dos sistemas legados ainda pode ser considerado um exemplo de fator impulsionador da constituição de sistemas baseados na internet que realmente formam o governo eletrônico. Outros aspectos que estimulam o surgimento de tais inovações são na ordem pertinentes ao governo:
A necessidade das administrações aumentarem suas arrecadações e melhorar seus processos internos; As pressões da sociedade para que o governo aperfeiçoe seus gastos e atue, cada vez mais com transparência, qualidade e modo de universal nas ofertas de serviços aos cidadãos e organizações em geral.
O governo eletrônico é considerado como fornecedor de informações e serviços governamentais através da internet. Essa definição difere do conceito de e-gov, e alguns autores utilizam as definições de e-government de forma intercambiável, ou mais especificamente, porque sua estrutura é a dimensão politica mais avançada. No entanto, reconhece-se que é uma distinção didática, pois ambas as estruturas se baseiam em processos organizacionais, politicos e institucionais que visam utilizar as tecnologias de informação e comunicação para criar novos mecanismos de segurança, cujo resultados ainda não podem ser previstos com precisão.
Governança de Dados Governança de dados é o gerenciamento de dados de alto nível, ou seja, o gerenciamento de ativos de dados com autoridade e controle relacionados ao planejamento, monitoramento e execução, a fim de promover a interoperabilidade das informações, ferramentas analíticas para fornecer aos cidadãos, organizações e empresas políticas publicas e atualizações serviços digitais simples e mais flexíveis. Com a publicação do decreto n° 10.046, de 9 de outubro de 2019, no contexto da transformação digital, o governo aprimorará suas relações com a sociedade, ampliando os aspectos de governança do compartilhamento de dados na administração pública federal. Além de continuar coordenando as atividades com os órgãos federais, o governo está avançando na área de segurança jurídica, trazendo maior clareza às regras e mecanismos para a troca de informações necessárias ao cumprimento da política.
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