O Palácio Nacional, é a sede do Poder Executivo federal do México e a residência oficial dos Presidentes mexicanos, estando localizado na Praça da Constituição (o Zócalo), num terreno com m² situado no centro histórico da Cidade do México. O local onde se ergue actualmente tem sido ocupado por palácios da classe governante no México desde o Império Asteca e grande parte dos materiais de construção do actual palácio pertenceram ao original pertencente a Montezuma II.

Segundo a página oficial da Presidência da República Mexicana, "Desde tempos imemoriais foi o espaço onde os governantes exerceram a sua autoridade, o centro de gravidade da política, o sítio onde o poder se materializava. A sua transformação com o passar dos séculos foi também fiel reflexo das transformações da sociedade mexicana. A história do actual Palácio Nacional é centenária, embora as modificações arquitectónicas nunca tenham violentado a sua natureza: sempre foi origem e destino do poder".

Complexo actual O Palácio Nacional do México, com a sua fachada em tezontle, preenche todo o lado oriental do Zocalo medindo mais de 200 metros de comprimento. Acolhe os gabinetes do Presidente do México, do Tesouro Federal e dos Arquivos Nacionais.

História O palácio de Moctezuma O local e grande parte do material de construção do actual edifício pertencem ao palácio de Moctezuma II. No início do , o Imperador Imperador Moctezuma ordenou a edificação do seu palácio no terreno que, posteriormente, seria ocupado pelo palácio vice-real. Este palácio funcionaria como a residência do tlatoani asteca e também desempenharia várias funções oficiais.

A construção era tão faustosa que próprios e estranhos não puderam deixar de render-lhe tributo e admiração. O edifício estava dividido em duas secções, encontrando-se decorado com mármore e pintado com estuque. A fachada principal continha o escudo da monarquia; uma águia com uma cobra nas garras. Tinha três pátios rodeados por pórticos, instalações sanitárias interiores, fontes e jardins. Os quartos tinham tapeçarias de algodão, penas e pele de coelho pintados em cores brilhantes. Os pavimentos eram feitos de estuques polidos e estavam cobertos por peles de animais e esteiras finamente tecidas. Existiam quartos para os criados, pessoal administrativo e guardas militares, cozinhas, despensas e salas de armazenamento.

O palácio também possuía uma câmara reservada para o "tlacxitlan", onde um grupo de anciãos, presidido pelo próprio imperador, podia resolver litígios entre os cidadãos.

A grandeza e riqueza do palácio surpreenderam Hernán Cortés, que fez a sua descrição por cartas a Carlos I de Espanha.

Cortés apropriou-se do palácio, juntamente com o Palácio de Axayacatl (pai de Moctezuma), onde esteve hospedado entre 1519 e 1520. No entanto, durante a Conquista do México, ambos os palácios foram devastados. Depois da Conquista, o palácio de Moctezuma não fio completamente arrasado até ao chão, mas suficientemente destruído para torná-lo inabitável.

O palácio de Cortés left|thumb|250px|Jardim do Palácio Nacional.

A Cidade do México foi reconstruída, entre 1521 e 1524, por ordens de Cortés segundo uma nova traça de corte europeu. Entre as novas construções destaca-se uma Casa que mandou erguer onde estava o Palácio de Axayacatl (local actualmente ocupado pela Sede do Nacional Monte de Piedad e que ficou conhecido como "Casas Velhas"), onde estabeleceu o seu governo e que, mais tarde, seria detido pela Real Audiência e pelo primeiro vice-rei, Antonio de Mendoza.

O terreno do palácio de Moctezuma, e os edifícios nele contidos, foram reivindicados por Hernán Cortés, mandando construir ali, a partir de 1524 e para seu uso pessoal, um palácio que ficaria conhecido como "Casas Novas". A construção ficou a cargo dos arquitectos Rodrigo de Pontocillos e Juan Rodriguez, enquanto Cortés vivia nas "Casas Velhas", do outro lado da praça. As propriedades de Cortés foram ratificadas por cédula real em 1529.

Nos anos imediatos à Conquista, a Plaza Mayor da Cidade do México mostrava, no seu lado oriental, a nova grande propriedade de Hernán Cortés; a sul, ficavam as construções que albergavam as casas do Cabido, o cárcere do ayuntamiento e o matadouro; a poente erguiam-se as "Casas Velhas" Cortés, arrendadas para albergar a Real Audiência e o vice-rei; no lado norte, encontrava-se um modesto novo templo religioso e as ruínas do Templo Maior mexicano que, com o tempo, daria lugar à grandiosa catedral.

O palácio de Cortés era uma sólida fortaleza com frestas para canhões nas esquinas, enquanto o mezzanino tinha seteiras para mosqueteiros. A fachada tinha apenas duas portas com arcos de medio punto. No interior existiam dois pátios, sendo construído um terceiro depois de 1554 e um quarto algures depois disso. Os seus jardins eram extensos, ocupando grande parte das porções sul e sudoeste da propriedade acima do que é agora a Rua do Correio-Mor. O palácio tinha aposentos habitacionais, escritórios, duas salas de audiência e uma torre para a pólvora. Um edifício secundário por trás do principal tinha dezanove janelas ao longo da sua fachada. Também tinha uma platibanda, sobre a qual estava um relógio e um sino. O pátio principal foi construído com tamanho suficiente para que pudesse entreter visitantes com a primeira tourada registada na Nova Espanha.

O palácio dos vice-reis O governo do vice-reino necessitava duma sede própria para albergar o governo da Nova Espanha, com o fim de deixar de pagar renda a Cortés e aos seus herdeiros, e depois de 41 anos de litígios sobre rendas e prerrogativas dos Cortés. Finalmente, no dia 19 de Janeiro de 1562, o segundo vice-rei, dom Luís de Velasco pai e Martín Cortés, filho do conquistador, acordam a venda das "Casas Novas" por 264 mil reais (equivalentes a 33 mil pesos), assim como a devolução à família das "Casas Velhas". Oito meses depois, a outrora casa de Cortés converteu-se na nova sede do poder vice-real.

Os terrenos das "Casas Novas" eram delimitados a norte pela actual Calle de Moneda, a oriente pela de Corre Mayor, a poente pela Plaza Mayor e a sul pela Venustiano Carranza. Eram cortados transversalmente pela vala Real, que com o tempo se converteria na Calle de Corregidora. Os terrenos a sul da vala Real ficariam desocupados por muito tempo, até que foi ali instalada uma das sedes da Real Universidad e o mercado do Volador, o qual deu lugar ao actual palácio da Suprema Corte de Justicia de la Nación. As "Casas Novas" de Cortés confinavam a norte com o edifício que fecha o Pátio Principal, a oriente com as hortas interiores da propriedade, a sul com a vala Real e a poente com a Plaza Mayor.

O edifício foi adaptado em 1563, sendo o segundo vice-rei, Luís de Velasco, o primeiro a residir nele, juntamente com a Real Audiência e o cárcere da Corte Real (o qual foi queimado em 1659). A sua construção foi ampliada para o seu lado norte e oriente.

Devido a tensões entre o vice-rei e o arcebispo, o palácio foi incendiado pelos apoiantes deste último em 1624.

Com o passar dos anos construíram-se novas habitações no costado oriental, facto que não alterou o extenso jardim nem as hortas. Em finais do , o Palácio dos Vice-reis já tinha o aspecto duma fortaleza, com duas torres nas esquinas resguardadas por artilharia, com poucas janelas e "com ameias de fuzilaria, tudo disposto para a defesa".

As medidas de segurança foram insuficientes para defender o palácio no dia 8 de Junho de 1692, quando uma terrível fome propiciou a amotinação de oito mil índios que se reuniram na Plaza Mayor para exigir alimentos. Ao não ser escutada, a turba amotinada decidiu pegar fogo à residência do vice-rei. As chamas devoraram cada um dos salões, aposentos e escritórios do palácio. Ao amanhecer do dia seguinte a paisagem era desoladora; da sólida construção, muitas áreas ficaram feitas em cinzas. A principal área devastada foi a que actualmente rodeia o Pátio de Honra.

As "Casas Novas" foram reconstruídas e reformadas por Frei Diego Valverde a mando do Vice-rei Gaspar de Sandoval. O historiador Manuel Rivera Cambas afirma que o palácio deixou o seu aspecto medieval para tomar um aspecto moderno para a época, com uma arquitectura de estilo Barroco. As suas ameias foram convertidas em janelas com grades de ferro, enquadradas em cantaria. Foram gravadas inscrições por cima dessas janelas e colocadas pedras de armas dos lados. Uma terceira porta mais pequena foi acrescentada no lado norte do edifício. No edifício secundário interior, foram instaladas janelas altas com pequenos balcões em ferro.

É nesta época que, pelo seu esplendor, deixa de se chamar "Casas Novas" e passa a ser conhecido por Palácio Vice-real. No entanto, o palácio enfrentou a contínua falta de orçamento para as obras, já que todo o dinheiro arrecadado pelos impostos reais eram mandados para a Espanha. Por esse motivo, mantiveram-se obras praticamente contínuas durante todo o , época em que também se construía a catedral em frente.

Nesta época, a porta sul conduzia ao chamado "Pátio de Honra"; nesta secção ficavam os aposentos do vice-rei. O mezzanino alojava os gabinetes da Secretaria e os Arquivos do Vice-reino. A parte mais baixa continha os quarteirões dos criados e dos alabardeiros, assim como caixas de armazenamento para mercúrio. Este Pátio de Honra abria-se ao fundo em direcção a um jardim para uso do vice-rei e da sua corte. Mais tarde, no , tornar-se-ia no Jardim Botânico Real.

O pátio principal, na parte central do edifício, possuía arcos em volta, supo +rtados por altas e grossas colunas barrocas. Através deste pátio fazia-se o acesso ao Salão de Audiência, à sala de colecta de impostos, ao consulado, ao gabinete de regulação de mineração, à Tesouraria Geral, à Capela Real e à Sala do Trono.

A porta norte conduzia a um pequeno pátio, no qual estavam localizados a prisão e os quarteirões dos guardas. O palácio permaneceu inalterado na sua essência até depois da Independência.

Palácio Nacional Século XIX 180px|left|thumb|Retrato do Imperador Agustín de Iturbide no palácio

Século XIX Em 1821, ao ser consumada a Independência do México depois da entrada do Exército Trigarante, o palácio recebeu uma nova designação, adoptando o nome de Palácio Imperial. Embora não fosse a residência do Imperador Agustín de Iturbide, que continuou a viver no palácio dos Condes de San Mateo de Valparaiso (actual Museu Palácio Cultural Banamex, também conhecido como Palácio de Iturbide).

Depois da queda do império de Iturbide, em 1823, foi fundada a República, tendo o Congresso Constituinte decretado que todos os lugares que tivessem os termos "Real", "Vice-real" ou "Imperial" no seu nome, estes seriam substituídos pelo termo "Nacional", pelo que o palácio passou a ser designado por Palácio Nacional. Este nome seria conservado porque, no seu interior, albergaria os três poderes federais que se formaram na nova república: o executivo, o legislativo e o judicial, embora, com o passar do tempo, os dois últimos tenham migrado para outros recintos dentro da mesma cidade. Os primeiros ministérios do México foram instalados no palácio, como o Ministério da Fazenda (receita interna ou Ministério das Finanças), o Ministério da Guerra, o Ministério da Justiça e o Ministério das Relações Internas e Externas, assim como o Supremo Tribunal.