Djan Garrido Madruga (Santos, 7 de dezembro de 1958) é um nadador brasileiro.Olimpianos - Atletas Olímpicos Brasileiros: DJAN MADRUGA Acessado em 10 de fevereiro de 2017
Formado e mestrado em educação física pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos onde estudou entre 1977 e 1984.
Chegou a cinco finais de Jogos Olímpicos: nos Jogos Olímpicos de Verão de 1976 em Montreal, ficou em quarto lugar nos 400 metros livre (3m57s18) e nos 1500 metros livre (15m19s84); nos Jogos Olímpicos de Verão de 1980 em Moscou, ficou em quarto lugar nos 400 metros livres (3m54s15), quinto lugar nos 400 metros medley (4m26s81) e ganhou a medalha de bronze no revezamento 4 x 200 metros livre (7m29s30), ao lado de Jorge Fernandes, Marcus Mattioli e Cyro Delgado.Perfil no Sports Reference
Ao longo da carreira, também obteve onze medalhas em três Jogos Pan-Americanos diferentes.Medalhas no Pan de 1975Medalhas no Pan de 1979Medalhas no Pan de 1983 Participou de duas Universíades, e em todas ganhou medalhas. Seu maior feito em Universíade foi ter ganho a medalha de ouro nos 400 metros medley, em 1979. Além disso, ganhou mais três medalhas de prata e quatro de bronze.
Trajetória esportiva
Início Nasceu em Santos, no estado de São Paulo porém, desde muito cedo, morou no Rio de Janeiro.
Prodígio precoce, Djan Madruga foi um dos maiores nadadores da história do Brasil, e talvez o mais versátil. Começou a nadar aos seis anos, em 1964, após quase morrer afogado na praia de Copacabana, sendo por isso matriculado pelos seus pais na escola de natação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Urca. Lá seu talento foi logo identificado e encaminhado ao Botafogo, onde iniciou nas competições federadas do Rio de Janeiro, já se destacando com várias vitórias nas divisões de base. Após um período de estagnação, transferiu-se para o Fluminense com 13 anos, em 1971.
1973-1975
Em 1974, aos 15 anos, conquistou um lugar na seleção brasileira que disputou a Copa Latina em Marselha, na França, e no mesmo ano disputou e venceu duas provas no Campeonato Canadense, em Ottawa. A estrutura e o nível técnicos surpreenderam Djan Madruga, e ele retornou ao Brasil determinado a trabalhar duro para voltar e vencer mais.Hall da Fama da Natação Brasileira: DJAN MADRUGA Acessado em 20 de junho de 2019
Em 1975, competindo na III Copa Latina de Natação, em Las Palmas na Espanha, ele fez um tempo de 15m56s20, tornando-se o primeiro sul-americano a nadar nos 1500m livres abaixo dos 16 minutos. Ele também se qualificou para participar das Olimpíadas de Montreal. No mesmo ano ele competiu no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de 1975, em Cali. Nos 1500m livres, ele liderou a prova até os 1000 metros, mas depois se cansou e terminou em 11º. Djan fez um tempo de 16m30s77, longe do seu recorde sul-americano de 15m56s02. O chefe da delegação brasileira, Rubens Dinard, disse que Djan tinha "demasiada responsabilidade por ter sido inscrito em apenas uma prova, e pelo tempo de inscrição que tinha. Além disso, os brasileiros tiveram problemas com o treinamento realizado no inverno em piscina não aquecidas, e a maioria pegou resfriado, ficando incapazes de treinar normalmente".Arquivo O GLOBO - 26 de julho de 1975, Manhã, Esportes, página 24 e 27 de julho de 1975, Manhã, Esportes, página 36 Djan também competiu nos Jogos Pan-Americanos de 1975, na Cidade do México, onde conquistou 3 medalhas de bronze nos 400, 1500 e 4 × 200 metros livres,Medalhas do Brasil no Pan de 1975 e terminou em 4º nos 200m livres.Arquivo O GLOBO - 20 de outubro de 1975, Manhã, Esportes, página 27
Jogos Olímpicos de 1976 Nos Jogos Olímpicos de 1976, em Montreal, Djan Madruga competiu em duas finais, terminando em 4º lugar nos 400m livres com um tempo de 3m57s18 e nos 1500m livres com o tempo de 15m19s84. Durante a competição, nas eliminatórias, ele se tornou o primeiro brasileiro a bater um recorde olímpico em natação, e o primeiro nadador do mundo a fazer os 400m livres, em menos de 4 minutos em Olimpíadas, quando ele nadou a eliminatória da prova em 3m59s62. Ele quebrou o recorde sul-americano nos 400m livres duas vezes; nas eliminatórias e nas finais, e nos 1500m livres, Djan melhorou seu melhor tempo em 36 segundos.
Como resultado de seu sucesso nas Olimpíadas, Djan recebeu várias ofertas de bolsas de estudo para universidades, nos Estados Unidos da América. Estes representaram uma oportunidade espetacular por várias razões. Em primeiro lugar, o pai de Djan Madruga trabalhava como taxista, o que dificultava prover a família e conseguir equipamento de treinos. Ele teve que mandar seus filhos para uma escola pública. Em segundo lugar, a logística do dia a dia no Rio de Janeiro dificultava que Djan fosse para seu clube de natação e sua faculdade. Seria gasto tempo precioso que deveria ser usado em treinamento, estudo ou descanso. Em terceiro lugar, Djan estava treinando sozinho no Fluminense, mas nos Estados Unidos treinaria com colegas no mais alto nível e com um treinador líder que estava na vanguarda do conhecimento em biomecânica e fisiologia. E, finalmente, estudar em uma universidade americana abriria muito mais possibilidades para a vida profissional de Djan, depois de sua carreira na natação. Ele então escolheu a Universidade de Indiana, onde foi estudar educação física e treinar com James Doc Counsilman, o treinador de Mark Spitz. Uma observação interessante, apesar de ter recebido uma oferta de bolsa de Indiana ele optou por uma bolsa da CAPES, do Ministério da Educação, pois com isso estaria sempre livre para competir pelo Brasil, quando fosse convocado, caso contrário estaria preso ao calendário universitário americano, e isso aconteceu varias vezes em favor do Brasil, durante sua carreira de 10 anos competindo internacionalmente.
1977-1980 Djan Madruga ganhou em 1977, 6 medalhas de ouro na Copa Latina de Roma nas provas de 200, 400 e 1500 livres, 200 borboleta, 200 e 400 medley, obtendo recorde sul-americano nos 200 medley(2:10.03) e 2 recordes brasileiros nos 200 livres (1:54.60) e 200 borboleta (2:06.10). Depois participou competindo pela Universidade de Indiana do Campeonato Canadian Invitational em Toronto, ganhando os 400 e 1500 livres, 400 medley e 200 costas.
No ano seguinte, ele participou do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de 1978 em Berlim Ocidental, onde conquistou o 6º lugar na sua eliminatória dos 1500m livres, não conseguindo ir à final, também falhando em qualificar-se para a final dos 400m livres. Essas performances ruins foram devidas a Djan contrair faringite em Bordeaux, França, pouco antes do Campeonato Mundial. A caminho de Berlim, a equipe de natação brasileira fez esta escala para treinar com a seleção francesa e se adaptar ao novo fuso horário.Resultados do Mundial de 1978 em Berlim OcidentalRUMO A MOSCOU - PARTE I
Em 1979 Djan Madruga foi para Mission Viejo, na Califórnia, treinar durante o verão com o renomado treinador de natação dos EUA, Mark Schubert, onde dividiu a piscina com o campeão olímpico e recordista mundial Brian Goodell.Djan Madruga - Hall da Fama
Em 1979, ele competiu com sucesso nos Jogos Pan-Americanos de 1979, em San Juan, Porto Rico, onde ganhou três medalhas de prata; nos 400 metros, nos 1500 metros e nos 4 × 200 metros livres. Ele também ganhou três medalhas de bronze; nos 200 metros livres, nos 200 metros costas e nos 4 × 100 metros livres.Medalhas do Brasil no Pan de 1979 Ele só foi derrotado, nas provas dos 400 e 1500m livres, pelo recordista mundial Brian Goodell. Nos 200m livres e nos revezamentos, ele quebrou os recordes Sul-Americanos.RUMO A MOSCOU - PARTE II Ele também competiu na Universíada de Verão de 1979, na Cidade do México, onde ganhou a medalha de ouro nos 400m medley metros, e a prata nos 200m costas.HISTÓRIA DAS MEDALHAS DO BRASIL NAS UNIVERSÍADESTítulos de Djan Madruga
Depois esteve ainda em Tóquio, Japão, participando da 1a Copa do Mundo da FINA ganhando e batendo recordes sul-americanos nos 400 livres (3:55.14) e 200 costas (2:04.15). Por fim foi para o campeonato Americano em Fort Lauderdale onde competiu nos 400 medley, prova que ganhou medalha de bronze, batendo os recorde sul-americanos (4:28.70) e também dos 100 livres (52.79) ao abrir o revezamento 4x100 de Mission Viejo. Nesse ano Djan Madruga tornou-se o único nadador brasileiro a deter recordes sul-americanos em todas as distancias oficiais do nado livre:,100,200,400,800 e 1500 livres.
No US Open em abril de 1980 em Austin, Texas, Djan Madruga venceu as provas dos 800m livres e 400m medley, alcançando um objetivo que havia estabelecido em Montreal em 1976: derrotar o campeão olímpico Brian Goodell. Djan quebrou o recorde sul-americano nos 400m livres (3m53s91), nos 800m livres (7m59s85), a segunda melhor marca de todos os tempos), e nos 400m medley (4m25s30). Em reconhecimento às suas realizações, sua foto apareceu no Swimming World Magazine, a revista mais famosa do mundo sobre natação. e no Los Angeles Times em 26 de junho de 1980.
Jogos Olímpicos de 1980
Djan Madruga competiu nos Jogos Olímpicos de Verão de 1980, em Moscou, onde conquistou a medalha de bronze no revezamento 4 × 200 metros livres, com Jorge Fernandes, Cyro Delgado e Marcus Mattioli, com um tempo de 7m29s30. Ele também terminou em 4º lugar nos 400m livres (3m54s15), em 5º nos 400m medley (4m26s81), e não se qualificou para a final dos 1500m livres.
O vôo de 30 horas de Los Angeles para Moscou deixou apenas cinco dias para ele se acostumar e se ajustar ao novo fuso horário, antes do início da competição. Pouco antes de sua primeira prova, os 1500m livres, Djan acidentalmente cortou o pé. Ele não conseguiu se classificar, nadando 34 segundos pior do que seu tempo no Aberto dos EUA. Foi um grande golpe e um choque para seus fãs brasileiros. O revezamento 4x200 metros livre era a próxima prova, mas os resultados individuais de provas de 200 metros da sua equipe não indicavam muita chance de ganhar uma medalha. Mas Jorge Fernandes, Cyro Delgado e Marcus Mattioli nadaram dois segundos mais rápido do que seus resultados individuais, e Djan terminou como um campeão, segurando os adversários ao nadar pela primeira vez abaixo do 1:52.0, fez 1:51.40, levando a equipe ao pódio olímpico, para ganhar a medalha de bronze. Eles nadaram em 7m29s30, três segundos mais rápidos que nas eliminatórias, e nove segundos mais rápidos do que o recorde anterior da América do Sul, estabelecido nos Jogos Pan-Americanos de San Juan. Seu recorde Sul-Americano de Moscou durou 12 anos. Djan Madruga também se classificou para a final de 400m livre com o terceiro melhor tempo, chegando em 4º na final (3m54s15), apenas 20 centésimos atrás do terceiro colocado, perdendo a medalha de bronze na batida de mão. Foi o melhor resultado individual de Djan Madruga em uma Olimpíada. Na final dos 400m medley, nadando na raia 1 (à época, a 2a pior raia), ele estava em primeiro no final do nado de costas, mas começou a perder terreno no nado peito, e terminou em 5º lugar (4m26s81).
1981-1983
Na Universíada de Verão de 1981, realizada em Bucareste, Djan Madruga ganhou a medalha de prata nos 400m livre e 200m costas, além do bronze nos 200m livres. Os 3 revezamentos brasileiros (4 × 100m livre, 4 × 200m livre, 4 × 100m medley) ganharam bronze também; Djan participou do 4 × 100 e 4 × 200 metros livres.