Himiko ou Pimiko (卑弥呼, d. ca. 248), também conhecida como Shingi Waō (親魏倭王, "Regente de Wa, Amiga de Wei") foi uma obscura rainha-xamã de Yamatai no antigo Japão. Inicialmente as histórias dinásticas chinesas registram em crônica relações tributárias entre a rainha Himiko e o reino de Cao Wei (220-265) e relata que o povo do Período Yayoi a escolheu como governante após décadas de guerra contra os reis de Wa. Antigas histórias japonesas não mencionam Himiko, mas historiadores a associam com figuras lendárias como a Imperatriz consorte Jingū, que foi regente (ca. 200-269) mais ou menos na mesma era que Himiko. Estudiosos debatem acerca de sua real identidade e a localização de seu domínio Yamatai desde o Período Edo, com opiniões divididas entre o norte de Kyushu ou a tradicional Província de Yamato, atual Kansai. A "Controvérsia de Yamatai", escrita por Keiji Imamura (1996:188), é "o grande debate sobre a história do antigo Japão."
Referências Históricas
Fontes chinesas Os primeiros registros históricos de Himiko são encontrados num texto clássico chinês, os Registros dos Três Reinos (Sanguo Zhi 三國志). Em vez de usar "Registros dos Três Reinos", estudiosos japoneses usam o termo "Gishi Wajinden" (魏志倭人伝), ou "Registros de Wei: Relatos sobre os Wajin", que é uma abreviação japonesa dos relatos sobre os Wajin no "Biografias dos Wuhuan, Xianbei e Dongyi" (烏丸鮮卑東夷傳), volume 30 do "Livro de Wei" dos Registros dos Três Reinos. 岩波文庫 では書名の一部として「魏志倭人伝」の五文字を採用している。、。 Esta seção é a primeira descrição de Himiko e de Yamatai O povo de Wa [倭人] habita, no meio do oceano, as ilhas montanhosas a sudeste [da prefeitura] de Tai-fang. Anteriormente, eram mais de cem comunidades. Durante a Dinastia Han, [emissários de Wa] apareceram na corte; atualmente, trinta de suas comunidades mantêm contato [conosco] por meio de emissários e de escribas. (tr. Tsunoda 1951:8) Esta história descreve como Himiko ascendeu ao trono:
Os "Registros de Wei" também registraram emissários viajando entre as cortes de Wa e de Wei. Os emissários de Himiko visitaram a corte de Cao Rui, imperador de Wei, pela primeira vez em 238, e ele respondeu:
Finalmente, os "Registros de Wei" (tr. Tsunoda 1951:15) registram que, em 247, quando um novo governador chegou à Comenda de Daifang na Coreia, a rainha Himiko oficialmente reclamou de hostilidades com Himikuku (卑弥弓呼, ou Pimikuku), o rei de Kunu (狗奴, literalmente "cão escravo"), outro estado de Wa. O governador enviou "Chang Chêng, Secretário Ativo da Guarda da Fronteira" com uma "proclamação aconselhando a reconciliação", e subsequentemente:
Comentaristas interpretam "Iyo" (壹與, com 壹 "um", uma antiga variação de 一) como um erro de cópia de Toyo (臺與, com 臺 "plataforma; terraço,") assim como ocorreu no Wei Zhi a escrita de Yamatai 邪馬臺 como Yamaichi 邪馬壹. Duas outras histórias dinásticas chinesas fazem menção a Himiko. Enquanto ambas claramente incorporaram os relatos do Wei Zhi, foram feitas algumas mudanças, como a especificação de "cerca de setenta ou oitenta anos" de guerras na terra de Wa tendo ocorrido entre 146 e 189, durante o reinado dos imperadores da Dinastia Han Huan e Ling. O Livro do Han Tardio (Hou Han Shu 後漢書) de 432 diz que "o Rei de Grande Wa reside no país de Yamadai" em vez da rainha
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O Livro de Sui (Sui Shu 隋書), de 636, relata outro número dos servos homens de Himiko:
Fontes japonesas Nenhuma das histórias mais antigas do Japão, o Kojiki e o Nihon Shoki, menciona a rainha Himiko. As circunstâncias sob as quais esses livros foram escritos são assunto de debate e, mesmo que Himiko fosse do conhecimento dos autores, eles podem não tê-la mencionado de propósito.Miller, Laura. 2014. "Rebranding Himiko, the Shaman Queen of Ancient History." In Mechademia, An Annual Forum for Anime, Manga and the Fan Arts: Issue #9: Origins. Minneapolis, MN: University of Minnesota Press, 179-198. Porém, eles incluem três xamãs da família imperial similares a ela: Yamato-toto-hi-momo-so-hime-no-Mikoto, a tia do Imperador Sujin (décimo imperador lendário, r. 97-30 a.C.) e filha do Imperador Kōrei; Yamatohime-no-Mikoto, filha do Imperador Suinin (décimo primeiro imperador lendário, r. 29 a.C. a 70 d.C.); e a Imperatriz Jingū (r. 209-269 d.C.), a esposa do Imperador Chūai. Tais datas, porém, não são historicamente verificadas. Uma exceção notável da omissão de Himiko em antigas histórias japonesas é a do Nihon Shoki citando o Wei Zhi três vezes. Em 239, "a rainha [女王] de Wa" enviou emissários a Wei; em 240, eles retornaram "encarregados de um rescrito imperial e de um selo e um laço"; e em 243, "o regente [王 "rei"] de Wa novamente enviou oficias e emissários com tributo" (tr. Aston 1924:245-6). Fica evidente que os editores do Nihon Shoki escolheram omitir os relatos do Wei Zhi sobre Himiko.
Yamato Totohi Momoso himemiko (倭迹迹日百襲媛命), a tia xamã do Imperador Sujin, supostamente se suicidou após saber que seu marido era um deus-serpente trapaceiro. O Kojiki não a menciona, mas o Nihon Shoki a descreve como "a tia do Imperador por parte de pai, uma pessoa inteligente e astuta, que conseguia prever o futuro" (tr. Aston 1924:156). Após uma série de calamidades nacionais, o Imperador "reuniu as oitenta miríades de deidades" e fez perguntas por meio de adivinhação. Yamato-totohi-momoso foi inspirada por Ōmononushi-nushi ("Grande Deidade de Todas as Deidades e Espíritos") para perguntar: "Por que o Imperador está entristecido pelo estado desordenado do país?"; a deidade respondeu: "Se ele nos fizesse adoração reverente, certamente ficaria pacificado por si mesmo." O imperador indagou, dizendo "Qual deus então é que aqui me instrui?" A resposta foi: "Eu sou o deus que habita as fronteiras da terra de Yamato, e meu nome é Oho-mono-nushi no Kami." (tr. Aston 1924:152) Enquanto o culto imperial deste deus (do Monte Miwa) era "sem efeito', Yamato-totohi-momoso depois se casou com ele.
O kofun de Hashihaka em Sakurai, Nara, é associado com esta lenda. Yamatohime-no-mikoto (倭姫命), filha do Imperador Suinin, supostamente fundou o Santuário de Ise em homenagem a Amaterasu. O Kojiki a registra como sendo a quarta dos cinco filhos de Suinin, "Sua Sublimidade Yamato-hime, (era a grande sacerdotisa do templo da Grande Deidade de Ise)" (tr. Aston 1919:227). O Nihon Shoki também registra "Yamato-hime no Mikoto" (tr. Aston 1924:150) e dá mais detalhes. O Imperador deu a Yamatohime a tarefa de encontrar um local permanente para o santuário de Amaterasu e, após vagar por anos, a deusa-sol a instruiu a construí-lo em Ise, "onde ela tinha descido dos céus pela primeira vez" (tr. Aston 1924:176).
A Imperatriz-Consorte Jingū supostamente serviu como regente após a morte de seu marido, o Imperador Chūai (200 d.C.) até a ascensão de seu filho, o Imperador Ōjin (décimo quinto imperador lendário, r. 270-310. O Kojiki (Chamberlain 1919:283-332) e o Nihon Shoki (Aston 1924:217-271) têm registros similares. O Imperador Chūai queria invadir a terra dos Kumaso e, enquanto conversava com seus ministros, Jingū transmitiu uma mensagem xamanística de que ele deveria invadir Silla em vez disso. Compare:
(A reimpressão de Chamberlain de 2005:284 acrescenta uma nota de rodapé depois de "possuída": "Himeko [sic] nos relatos históricos chineses do Japão era hábil em magia, com a qual ela iludia o povo.") O Imperador pensou que os deuses estivessem mentindo, dizendo que havia visto apenas o oceano a oeste e então morreu, talvez imediatamente (Kojiki) ou depois de invadir os Kumaso (Nihon Shoki). Jingū supostamente descobriu que estava grávida, pessoalmente planejou e liderou a conquista de Silla, deu à luz o futuro imperador e voltou a reger Yamato. O Nihon Shoki (tr. Aston 1924:225) acrescenta que porque Jingū quis saber quais deuses haviam amaldiçoado Chūai, ela construiu um "palácio de culto" xamânico, "dispensou pessoalmente o ofício de sacerdote" e ouviu os deuses se revelarem como vindos de Ise (Amaterasu) e Mukatsu (uma divindade coreana sem nome). Apesar de as histórias mitológicas do Kojiki e do Nihon Shoki chamarem Jingū de primeira imperatriz japonesa, historiadores do período Meiji a removeram da lista de imperadores do Japão, deixando a Imperatriz Suiko (r. 593-628) como a primeira regente mulher historicamente verificável do Japão.
Fontes coreanas O livro histórico mais antigo da Coreia, o Samguk Sagi (三國史記 "Crônicas dos Três Reinos da Coreia"), de 1145, registrou que a rainha Himiko havia enviado um diplomata para o rei Adalla de Silla em maio de 173 (Saeki 1988:35, 113, 154).
Interpretações Pesquisadores têm se esforçado para reconciliar Himiko/Pimiko entre as fontes históricas chinesas e japonesas mencionadas acima acima. Enquanto o Wei Zhi a descrevia como uma importante governante no Japão do século III, os primeiros historiadores japoneses propositadamente evitaram nomear Himiko, mesmo quando o Nihon Shoki citou o Wei Zhi sobre os emissários de Wa.
Nome Os três caracteres chineses (卑彌呼 ou 卑弥呼) que representam o nome da antiga regente de Wa podem ser lidos em japonês moderno como Himiko ou Hibiko e como Bēimíhū ou Bìmíhū no mandarim moderno. Porém, tais leituras modernas diferem significativamente da pronúncia do séc. III, tanto pelos escribas chineses quanto pelo povo de Wa.
Em termos de fonologia histórica chinesa, o moderno beimihu (卑彌呼) é mais simples do que sua suposta pronúncia do final do século III em Chinês antigo tardio ou do início do Chinês médio. Compare as seguintes reconstruções do nome em "Chinês antigo" ou "chinês médio" (Bernhard Karlgren, Li Fanggui e William H. Baxter), "chinês médio incipiente" (Edwin G. Pulleyblank) e, historicamente mais próximo, "chinês do final da Dinastia Han"(Axel Schuessler). pjiḙmjiḙχuo (Karlgren) pjiemjieχwo (Li) pjiumjieXxu (Baxter) pjimjiχɔ or pjiə̌mjiə̌χɔ (Pulleyblank) piemiehɑ (Schuessler) Para simplificar sem o uso de símbolos especiais, as duas primeiras sílabas com as consoantes iniciais p(j)- e m(j)- compartilham das vogais finais-i(e), e a terceira sílaba tem um X- de fonação surda e consoante fricativa ou um h- fricativo vocalizado mais a vogal média -u(o). Assim, o nome "Himiko" hipoteticamente pode ser reconstruído como *P(j)i(e)m(j)i(e)hu(o).
Em termos de Fonologia japonesa histórica, himiko provavelmente corresponderia a *Fimeko em Japonês antigo. Porém, Roy Andrew Miller defende que *Fimeko é um erro lexicográfico derivado das transcrições do Wei Zhi
Hime < japonês antigo Fi1me1 (姫 "mulher nobre jovem; princesa"), explica Miller, etimologicamente deriva de hi < Fi2 (日 "sol") e me < me1 (女 "mulher").
Tsunoda (1951:5) nota "Pimiko vem de um título japonês arcaico, himeko, que significa 'princesa'," ou seja, hime com o sufixo feminino , ou seja, o nome próprio incomum Himeko. Outras propostas etimológicas relacionadas a Amaterasu para o nome japonês "Himiko" envolvem e ; ou sua combinação hime-miko "princesa-sacerdotisa".
Bentley (2008:18-20) considera a palavra em Língua Baekje * 'oeste', o prefixo honorífico * e * 'herdeiro', interpretando como 'o honorífico herdeiro do oeste'.
Identidade e historicidade Identificar Himiko/Pimiko de Wa é simples quando se diz respeito à História da China, mas problemática quando se diz respeito à História do Japão. O Wei Zhi ("Registros dos Três Reinos") provê detalhes sobre a rainha-xamã Himiko e seu contato com os imperadores Cao Rui e Cao Fang. As obras do séc. VIII Kojiki e Nihon Shoki desconsideram Himiko, a não ser que menções a ela tenham sido implícitas nas passagens sobre a Imperatriz Jingū, sobre Yamatohime-no-mikoto, ou Yamatototohimomosohime-no-Mikoto.