thumb|direita|220px|A Villa Americana em 1906. A História de Americana tem início nas últimas décadas do século XVIII, com a ocupação do território por grande fazendas. A fundação da Fazenda Salto Grande, imigração dos confederados e depois dos italianos, o surgimento da estação de trem, a família Müler e a Tecelagem Carioba, são alguns dos principais pontos de sua história.

Séculos XVIII e XIX direita|thumb|200px|Foto atual do Casarão.

Primeiras ocupações Os primeiros registros sobre a ocupação do território de Americana datam do final do século XVIII, quando Domingos da Costa Machado I, Antônio Vieira da Silva Pinto, João Antunes e Agostinho Luiz Ribeiro obtiveram glebas do governo português sob o sistema de sesmaria. Estas terras compreendiam as regiões de Vila Nova da Constituição, hoje Piracicaba, que mais tarde deu origem a Santa Bárbara e a São Carlos, a Campinas atual, sendo a divisa entre estes dois municípios o Ribeirão Quilombo, os prédios e propriedades aquém do ribeirão pertenciam a Santa Bárbara e os situados além dele eram de Campinas.

Os beneficiários das terras não cultivaram e não povoaram esta região, até que em 1799, João Manuel do Amaral, vendeu parte da propriedade ao guarda-mor Manuel Teixeira Vilela. O texto oficial nos diz:

Teixeira Vilela era mineiro, por isso construiu a casa-sede de sua fazenda inspirada nas construções coloniais de sua terra natal, sendo o Casarão do Salto Grande uma das únicas e mais antigas construções deste tipo na região. Sua construção foi concluída em 1810 e o projeto de restauração está em andamento, sendo prevista sua conclusão em 2010, quando será comemorado o bicentenário desta construção.

Além da Fazenda Salto Grande, a região onde hoje é o território de Americana era formada pelas Fazendas Machadinho e Palmeiras. A Fazenda Machadinho, é onde o povoado que deu origem a Americana foi formado. Esta fazenda passou por vários proprietários, sendo vendida por Domingos da Costa Machado II para Antônio Bueno Rangel. Após a morte deste, ela foi dividida entre seus filhos José e Basílio Bueno Rangel, tendo parte dela posteriormente sido vendida ao capitão da Guarda Nacional Ignácio Corrêa Pacheco.BIANCO, Jessyr Americana – Edição Histórica. Americana: Editora Focus, 1975Jolumá Brito, História de Campinas Vol XVIII direita|thumb|200px|Casa da Família Norris. A chegada dos confederados

A Guerra Civil Americana foi a mais sangrenta, com maior número de baixas e a mais destrutiva guerra da história dos Estados Unidos da América. Foram as perdas materiais de famílias do Sul que os fizeram imigrar para o Brasil. Essa imigração consistiu no maior êxodo populacional da história dos Estados Unidos. direita|thumb|200px|Joseph Whitaker e Isabel Norris. Atraídos pelo bom clima, pelas terras férteis e pelas inúmeras fazendas da região, os imigrantes confederados começaram a povoar as terras da Vila de Santa Bárbara. O primeiro a chegar foi o advogado e ex-senador pelo estado do Alabama Cel. William Hutchinson Norris, que se instalou em terras próximo a casa sede da Fazenda Machadinho e do Ribeirão Quilombo. Em 1867 o resto de sua família chega ao Brasil acompanhado de dezenas de outras famílias de confederados.

Não é creditado aos confederados a fundação de Americana, mas sua contribuição para o progresso da cidade e da região é indiscutível. Estas famílias instalaram-se em vários pontos da região, fundando colégios, trazendo novas técnicas de cultivo, como o arado e a espécie de melancia conhecida como "Cascavel da Geórgia", que foi por muito tempo o principal produto de venda de Americana. Surge uma vila A data de quando as primeiras construções do povoado surgiram, até hoje é desconhecida pelos historiadores, mas sabe-se que o marco fundamental para o surgimento de Americana foi a fundação da Estação de Santa Bárbara.

O governo imperial continuava com seu projeto de expansão das linhas de trem para melhor escoar a produção das fazendas do interior para o Porto de Santos. O prolongamento da linha-tronco da Cia. Paulista de Estradas de Ferro de Campinas até a cidade de Rio Claro estava sendo construído, e seu traçado passaria por onde hoje é o centro de Americana, sendo prevista a construção de uma estação no local, para atender as inúmeras fazendas existentes na região de Santa Bárbara e Campinas. A estação começou a ser construída nas terras da Fazenda Machadinho, ao lado do Ribeirão Quilombo e defronte com a casa-sede desta fazenda. Muitos dos confederados que moravam na região também trabalharam na instalação dos trilhos e na construção da estação. direita|thumb|200px|Foto atual, hoje "Estação Cultural" de Americana. Os trabalhadores da ferrovia formaram acampamentos e houve uma grande movimentação de pessoas na região, onde antes só havia alguns sitiantes confederados. Estes logo aproveitaram para vender seus produtos do campo para as pessoas que lá trabalhavam, iniciando-se assim, as primeiras manifestações comerciais na região. Logo o Capitão Ignácio Correa Pacheco decide lotear parte de suas terras, formando assim o primeiro núcleo habitacional de Americana.

A estação é finalmente inaugurada no dia 27 de agosto de 1875, com a presença do Imperador Dom Pedro II e do Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel, sendo batizada de "Estação de Santa Bárbara", pois estava nas terras deste município. Como reconhecimento da importância da estação para o surgimento da cidade, o aniversário de Americana é comemorado no dia 27 de agosto. Por sua participação direta no surgimento do povoado, é considerado o Capitão Ignácio Correa Pacheco seu fundador. É creditado também a Basílio Bueno Rangel participação nos esforços para o surgimento do povoado, sendo dado a ele o título de co-fundador.

Imigração Italiana

Em 8 de outubro de 1887, chegou ao Brasil Joaquim Boer, chefiando uma grande comitiva de imigrantes italianos, que passou a residir na Fazenda Salto Grande, que na época era de propriedade de Francisco de Campos Andrade. Construíram a primeira Igreja Católica de Americana em meados de 1896, quando foi rezado uma missa em homenagem a Santo Antônio, que se tornou padroeiro da cidade. Esses imigrantes contribuíram muito para o desenvolvimento da vila, pois eram agricultores excepcionais.

Todo ano no dia 13 de Junho era organizada uma grande festa em homenagem a Santo Antônio na vila, inclusive com grande queima de fogos organizada por Vicente Ardito. Era uma festa muito tradicional que atraia pessoas de toda região.

Vila dos Americanos

O nome do povoado surgiu de forma natural, pela consagração popular, que ao parar naquela estação, vendo a presença constante de confederados na pequena vila, com sua língua estranha e incompreensível para a época, logo aquele lugarejo ficou conhecido como Villa dos Americanos O século XIX terminou com um importante passo para a construção da identidade cultural de Americana, e tudo começou com um simples problema postal. Os moradores da vila ao se corresponderem por cartas davam como endereço "Villa da Estação de Santa Bárbara", não sendo poucas as vezes que isso causou o engano das correspondências serem entregues na "Villa de Santa Bárbara", 10 quilômetros distante da pequena estação. Com o intuito de resolver este problema o nome da estação foi mudado no ano de 1900 para "Estação de Villa Americana", oficializando também, o nome daquele povoado como Villa Americana.

Século XX A disputa pelo território

Um acordo entre as câmaras municipais de Piracicaba e Campinas, firmado em 6 de fevereiro de 1833, estabelece que a divisa entre os municípios de Santa Bárbara d'Oeste e Campinas ficava um pouco aquém do Ribeirão Quilombo. Mesmo tendo o conhecimento da lei, Campinas autoriza a construção da "Estação de Santa Bárbara", em seu território. Santa Bárbara passa então a controlar a vila que surgiu ao seu redor, fazendo algumas melhorias e cobrando impostos, já que mesmo estando no território do município vizinho, a estação ferroviária lhe pertencia.

O crescimento do tráfego ferroviário, com trens diários para Campinas e para São Paulo, provocaram um contato maior com o município de Campinas devido a maior facilidade de transporte, uma vez que para Santa Bárbara, embora mais perto, o transporte era feito por tração animal. Então, aos poucos o polo de interesses dos vilamericanenses foi mudando. Por volta do ano de 1896, a câmara municipal de Campinas, atendendo ao apelo dos moradores da vila, passa a proceder o lançamento e a cobrança de impostos dos seus habitantes, exercendo assim atos administrativos na vila. O município de Santa Bárbara, por se julgar ferido em seus direitos, continua a proceder com a cobrança destes mesmos impostos.

Então, Campinas entrou com um recurso no Conselho legislativo do estado, argumentando que os limites fixados na lei de 1833 incluíam a vila dentro do município de Campinas, e os barbarenses lutavam pela anulação desta lei, alegando que os limites não eram suficientemente claros em seus termos. Enquanto a questão permanecia sem solução, os moradores da vila estiveram em situação difícil com os dois executivos exercendo ações administrativas e cobrando os mesmos impostos. A questão pode ser melhor entendida pela transcrição do texto enviado por Basílio Bueno Rangel, em 1900, a seção livre do "Diário de Campinas":

Villa Americana, 7 de março de 1900Basílio Bueno Rangel

A solução foi dada em 30 de julho de 1904, quando o poder executivo estadual criou pela lei nº 916, o Distrito de Paz de Villa Americana, dentro do município de Campinas.Lei nº 916 de 30 de julho de 1904 Mesmo tendo passado mais de um século que esta disputa foi resolvida, pode-se ver até hoje um resquício deste evento na população local, por meio de uma rivalidade entre os municípios que persiste até os dias de hoje.

A visita de Elihu Root direita|thumb|200px|O secretário de governo americano Elihu Root. Em 1906, dois anos após a criação do Distrito de Paz de Villa Americana, aconteceu um dos mais marcantes fatos da história do município. Estava acontecendo no Rio de Janeiro a Conferência Panamericana, presidida pelo ilustre secretário de Governo americano Elihu Root. Depois de presidir a conferência, o secretário de governo foi convidado a visitar uma fazenda de café em Araras. Veio de navio para Santos e na estação dessa cidade, tomou um trem especial da Cia. Paulista, descendo na estação de Guabiroba (depois rebatizada como estação Elihu Root), um pouco além da estação principal de Araras, para visitar a Fazenda Santa Cruz.

Durante a viagem, Root foi informado da existência da Villa Americana, e mostrou interesse em conhecê-la. Depois de terminado todos os compromissos na volta de sua viagem, ele desembarcou na estação de Villa Americana e foi recebido com grande emoção por americanos e descendentes. Como a localidade ainda não tinha energia elétrica, as centenas de americanos que foram recebê-lo levavam tochas, que na noite escura, formavam uma visão impressionante. Root emocionou-se a ponto de chegar às lágrimas. Isto e a conversa que se seguiu geraram para ele uma lembrança da qual ele nunca se esqueceu, até sua morte, em 1937."As três mortes de Elihu Root", Ralph Giesbrecht, A Tribuna, Santa Cruz das Palmeiras, 4 de março de 2000

Carioba e a Família Müller