Patricia Betsy Hrunek (East Chicago, 1 de novembro de 1926 — Danbury, 29 de maio de 2015), mais conhecida por seu nome artístico Betsy Palmer, foi uma atriz norte-americana de teatro, cinema e televisão. Estudou no Actors Studio e começou sua carreira artística atuando em peças teatrais menores. Após mudar-se para Nova Iorque, no início da década de 1950, passou a ser frequentemente escalada para telesséries dramáticas de antologia, a maioria das quais transmitidas ao vivo. Além disso, desempenhou posteriormente vários papéis coadjuvantes na Broadway e no cinema.
Atuou em filmes como Mister Roberts (1955), Queen Bee (1955), The Tin Star (1957) e The Last Angry Man (1959), todos indicados ao Oscar. A partir da década de 1960 até 2001, participou de dezenas de produções televisivas, incluindo séries, telefilmes, e programas de variedades como Today Show e concursos de televisão, além de continuar atuando no teatro. Tornou-se um rosto familiar para as novas gerações em 1980, quando apareceu no notório filme de terror Friday the 13th, no qual interpretou Pamela Voorhees, a mãe de Jason, provavelmente o papel pelo qual é mais conhecida.
Primeiros anos e educação Palmer nasceu Patricia Betsy Hrunek em 1 de novembro de 1926, em East Chicago, Indiana, filha de Marie Love Hrunek e Vincent Rudolph Hrunek, um químico industrial que imigrou da Tchecoslováquia aos dezoito anos. Antes de se casar, a mãe da atriz fundou a instituição de ensino superior East Chigago Business College, a qual também presidiu e onde lecionou por muitos anos. A família mudou-se para Hessville, um bairro em Hammond, onde Betsy frequentou a Harding Elementary School. Na infância, seus professores a encorajavam a participar de peças na escola. Formou-se na Roosevelt High School de East Chicago em 1944 e depois frequentou por um breve período a East Chicago Business College. Após a formatura, trabalhou como estenógrafa e secretária na empresa ferroviária B&O Railroad. Ela disse ter odiado esse emprego, pois a deixava trancada em um escritório, isolada das pessoas.
A pedido da mãe, Betsy dirigiu-se ao YWCA de Chicago para fazer um teste de aptidão, o qual indicou que ela possuía talento para as artes e deveria fazer algo que envolvesse as pessoas. Algum tempo depois, seu pai recebeu em casa a visita de um colega de trabalho. Esse homem e sua esposa haviam tentado sucesso como atores em Nova Iorque e ele recomendou a Betsy que procurasse estudar com Dr. Itkin, um professor que havia trabalhado no renomado Teatro de Arte de Moscou. Decidida a ter aulas com Itkin, Betsy frequentou uma das instituições em que ele lecionava, a Saint Paul University, tendo que inicialmente trabalhar como vendedora de sapatos durante o dia e estudar à noite. Em 1949, ela graduou-se em teatro pela Goodman School of Drama da DePaul University (na época, a escola de teatro pertencia ao Instituto de Arte de Chicago). Após a graduação, Betsy estudou no Actors Studio de Nova Iorque, do qual se tornou membro vitalício.
Carreira 1951–1953: Primeiras atuações no teatro e na televisão Betsy começou a atuar profissionalmente na cidade de Lake Geneva, Wisconsin, em peças teatrais apresentadas na temporada de verão com elenco formado por jovens atores recém-formados. Algum tempo depois, entrou para uma equipe de onze artistas que trabalhavam numa pequena casa de ópera em Woodstock, Illinois, onde conheceu o então iniciante Paul Newman. Betsy decidiu mudar de nome por concluir que "'Hrunek', com sua consoante dupla, não era nome para uma atriz". Consultando a lista telefônica, ela e a mãe chegaram ao sobrenome "Palmer", que concordaram ser aliterativo a Patricia. Em Nova Iorque, ela passou a se apresentar como Pat Palmer, porém, descobriu que esse nome artístico já era usado por outra atriz, esposa de Jerry Lewis na época. Assim, Palmer decidiu assinar com seu nome do meio, Betsy.
Durante uma apresentação teatral em Chicago, Palmer contracenou com Imogene Coca, que a encorajou a se mudar para Nova Iorque. Ela economizou 400 dólares e mudou-se para lá junto com sua amiga Sasha Igler, que trabalhava em uma agência de publicidade. Com menos de uma semana em Manhattan, conseguiu em 1951 seu primeiro papel na televisão, quando entrou para o elenco da soap opera Miss Susan. Como a série era transmitida diariamente ao vivo, sem gravações nem videoteipe, o elenco inteiro precisava viajar de trem todos os dias de Nova Iorque até a Filadélfia, onde o programa era produzido. Ela foi "descoberta" para esse papel enquanto participava de uma festa no apartamento do ator Frank Sutton, que era casado com Toby Igler, irmã da colega de quarto de Palmer, Sasha.
Nessa época, Palmer apareceu em vários episódios de outras telesséries dramáticas transmitidas ao vivo, entre eles "Sentence of Death" (de Studio One) e "Death Is My Neighbor" (da série Danger), ambos exibidos na CBS em 1953 e nos quais contracenou com James Dean. Nesse mesmo ano, em outro episódio de Studio One, contracenou com Jackie Cooper e E.G. Marshall. Ainda em 1953, ela desenvolveu o papel de Virginia na montagem da peça Marty, de Paddy Chayefsky, aclamada pela crítica e originalmente apresentada no formato teleteatro (teatro transmitido pela televisão) e posteriormente adaptada em longa-metragem. Palmer também interpretou no palco a personagem-título de Maggie, uma adaptação musical de William Roy para a peça What Every Woman Knows, de James M. Barrie.
1955–1976: Cinema, televisão e apresentações na Broadway thumb|190px|Palmer e Jackie Gleason em cena de The Time of Your Life (1958), versão televisiva da peça teatral homônima de William Saroyan, transmitida ao vivo. A atriz participou de seus primeiros trabalhos cinematográficos em 1955. Em janeiro daquele ano, apareceu como Gloria em Death Tide, drama criminal sobre um roubo de diamantes em alto-mar. Em fevereiro, estreou The Long Gray Line, comédia dramática dirigida por John Ford na qual ela interpretou Kitty Carter, contracenando com Tyrone Power e Maureen O'Hara. Palmer disse ter "amado" trabalhar com Ford. Em julho, foi lançada a comédia Mister Roberts, também dirigida pelo cineasta e ambientada nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, na qual ela fez o papel da Tenente Ann Girar, uma enfermeira da Marinha e interesse amoroso do personagem de Jack Lemmon. Durante as filmagens, começou a achar que Ann "pareceria lésbica" por sua caracterização "muito butch", ao que Ford disse: "Palmer, apenas cale a boca e faça do jeito que estou mandando". Além de Lemmon, ela também contracenou nesse filme com Henry Fonda, James Cagney e William Powell; o longa-metragem foi indicado a dois Oscars, vencendo na categoria de Melhor ator coadjuvante (Lemmon).
Seu terceiro lançamento em 1955 foi o drama Queen Bee, que estreou em novembro e também recebeu duas indicações ao Oscar. Na trama, ela desempenhou o papel de Carol Lee Phillips, cunhada de Eva Phillips, a protagonista dominadora interpretada por Joan Crawford e com quem mantém uma relação bastante conflituosa. Em 1957, Palmer estrelou ao lado de Anthony Perkins e novamente com Fonda em The Tin Star, uma produção da Paramount Pictures que se tornou um dos poucos filmes de faroeste de baixo orçamento a receber uma indicação ao Oscar de melhor roteiro original, sendo hoje considerado um importante clássico desse gênero. Ela interpretou Nona Mayfield, uma jovem mãe viúva que se envolve com Morgan Hickman, um forasteiro caçador de recompensas interpretado por Fonda, e precisa proteger a si mesma e a seu pequeno filho de ataques racistas no vilarejo onde vive, uma vez que seu falecido marido era indígena.
Em 1958, ela fez o papel de Kitty Duval, uma prostituta que sonha em ter uma vida melhor, em The Time of Your Life, versão televisiva da peça teatral homônima escrita por William Saroyan em 1939 e vencedora do Prêmio Pulitzer; a produção, estrelada por Jackie Gleason, foi ao ar ao vivo como um episódio da telessérie de antologia Playhouse 90. Nesse mesmo ano, apareceu no papel principal de Phyllis Carter / Lynn Stuart no drama biográfico e criminal The True Story of Lynn Stuart, coestrelado por Jack Lord e último trabalho dirigido por Lewis Seiler; o filme dramatiza a história real de uma dona de casa da cidade californiana de Santa Ana que voluntariou-se como informante disfarçada da divisão de narcóticos do departamento de polícia local e contribuiu para várias condenações por drogas na década de 1950.
thumb|left|227px|A artista no concurso televisivo I've Got a Secret, com o apresentador Garry Moore (primeiro à esquerda) e três dos filhos de Bing Crosby (1961). A partir de 1958, Betsy se tornou um rosto familiar na televisão norte-americana ao trabalhar por aproximadamente um ano no jornalístico Today Show, transmitido pela NBC, tornando-se assim uma "Today Show Girl", como eram chamadas na época as apresentadoras do programa. Também participou como jurada regular do concurso de televisão I've Got a Secret, exibido pela CBS, no qual ela somou quase 200 aparições. Apresentado por Garry Moore, o programa consistia em quatro jurados que faziam várias perguntas aos convidados a fim de determinar uma peculiaridade oculta sobre eles (dois convidados, por exemplo, afirmaram ser campeões mundiais em cuspir sementes de melancia), além de exibir quadros de pegadinhas. Palmer se juntou à equipe entre 1957 e 1958 (algumas fontes indicam ter sido antes), substituindo a apresentadora Faye Emerson, e permaneceu até o final da versão original da atração em 1967, o que a tornou conhecida pela geração baby boomer.
No longa-metragem The Last Angry Man, drama lançado em 1959 e indicado a dois Oscars, Palmer interpretou Anna Thrasher, a preocupada esposa de Woodrow Thrasher, um produtor de televisão que fica obcecado pela história de Sam Abelman, um médico altruísta capaz de arriscar a própria vida para ajudar os necessitados de um bairro pobre de Nova Iorque. Nesse filme, ela estrelou ao lado de Paul Muni (em sua última aparição no cinema) e David Wayne. Após The Last Angry Man, Betsy fez uma pausa em sua carreira cinematográfica e só voltou a aparecer novamente em um filme duas décadas depois, em Friday the 13th (1980). Em 1969, ela tornou-se apresentadora do talk show matinal Girl Talk, transmitido por redifusão em todo o território dos Estados Unidos desde 1962, e permaneceu no comando do programa até 1970.
Palmer participou de sete produções da Broadway, substituindo outras atrizes em algumas ocasiões, notavelmente Lauren Bacall em Cactus Flower (1967) e Ellen Burstyn em Same Time, Next Year (1977). Em 1965, destacou-se por sua atuação em uma montagem revivalista do musical South Pacific (1949), composto por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, e em 1976 foi escolhida por Tennessee Williams para interpretar a protagonista Alma Winemiller em The Eccentricities of a Nightingale. Essa peça era uma releitura do drama sensual Summer and Smoke (1948), também de Williams, sobre o despertar sexual de uma mulher frustrada do Sul dos Estados Unidos que vive em conflito com seu pai religioso e autoritário. Encerrada após 24 apresentações, a montagem tornou-se um fracasso comercial. Apesar disso, Clive Barnes, na época o principal crítico teatral do The New York Times, elogiou a peça e sua atriz principal: "Betsy Palmer dificilmente faz o tipo recatada e isso torna sua tarefa inicial bastante difícil, porém, seu desajeitamento agitado e seus medos frenéticos logo fazem sentido e ela é magnífica em sua paixão desordenada e sinceridade dolorosa".
1980–1999: Friday the 13th e trabalhos posteriores