miniaturadaimagem| Octávio Lixa Filgueiras
Octávio Lixa Filgueiras (Nevogilde, Porto, 16 de Agosto de 1922 - Porto, 11 de Março de 1996) foi um arquitecto português que se destacou nas áreas da arquitectura, património cultural, arqueologia e etnologia naval.
Vida e Obra Estudou Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP), de 1942 a 1951 com várias interrupções por motivos de saúde, a que se seguiu o estágio, tendo a sua tese de fim de curso (CODA) Urbanismo, um Tema Rural obtido a classificação máxima (1954). A partir de 1950 integra a Organização dos Arquitectos Modernos. De 1955 a 1958 exerce as funções de Arquitecto no Gabinete de Estudos da Direcção do Norte dos Edifícios Nacionais, Ministério das Obras Públicas. Entre 1955 e 1957 é chefe da equipa da zona II do Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal e pertence à equipa CIAM/Porto. Docente da ESBAP a partir de 1958, obtém por concurso o lugar de Professor Efectivo em 1962 para o que publica "A Função Social do Arquitecto". No âmbito da disciplina de Arquitectura Analítica de que é regente promove a partir de 1961 os Inquéritos Urbanos. A partir de 1967 e até 1977 tem funções numa comissão sobre preservação do Património Arquitectónico e Urbanístico da Junta Nacional de Educação. Em 1971 é dispensado, a seu pedido, do serviço na ESBAP tendo ficado ligado ao Instituto de Alta Cultura e mais tarde à Secretaria de Estado da Cultura, em actividades relacionadas com o Património Cultural. Em 1981 fica destacado no Centro de História da Universidade do Porto (INIC). Com a criação da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, em 1985, para ela transita com o restante corpo docente de Arquitectura da ESBAP, tendo passado à categoria de Professor Catedrático em 1989, lugar de que se aposenta em 1991. Membro da Academia Nacional de Belas-Artes desde 1989.Pedro Vieira de Almeida e Alexandra Cardoso, "Octávio Lixa Filgueiras, Arquitecto (1922-1996)", Centro de Estudos Arnaldo Araújo, Escola Superior Artística do Porto, 2007.Álvaro Garrido, "Octávio Lixa Filgueiras", in "Homenagem aos Fundadores da Academia de Marinha", Academia de Marinha, Lisboa, 2019.Margarida de Sousa, N. J. Tasso de Sousa, António Meneres, J. J. Rigaud de Sousa, Carlos Carvalho Dias e Pedro Vieira de Almeida, "Mestre Fil", in "Arquitectos", 159, Maio de 1996.
Durante a preparação da sua tese de fim de curso, realizou um extenso inquérito sobre a aldeia de Castelo de Paiva, na foz do Paiva (Fornos (Castelo de Paiva)), tendo tomado contacto com as técnicas tradicionais de construção de barcos da família do Barco Rabelo, assunto pelo qual se interessou e que o levou, em 1956, a publicar o livro Rabões da Esquadra Negra em que descreve esse método de construção. A partir dessa data continuou a sua investigação nas áreas de Etnologia e Arqueologia NavalTeresa Soeiro, "Octávio Lixa Filgueiras: a primeira década de investigação sobre 'cultura marítimo-fluvial'", Museu Marítimo de Ílhavo, 2023 (Barcos de Portugal, 2)., tendo, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, elaborado um inquérito às embarcações tradicionais portuguesas (1961-1962), o qual continuou até aos anos 90. Em 1963 inicia a sua colaboração com o Museu de Marinha, sendo membro fundador do Grupo de Estudos da História Marítima (1964), depois Academia de Marinha. Em 1976 integra o Grupo de Trabalho para a Defesa do Património Arqueológico Sub-Aquático, sendo depois vogal da Comissão para o Estudo e Aproveitamento do Leito do Mar. Representou a Marinha na reunião de Paris organizada pelo Conselho da Europa para estudo da defesa do Património Cultural Sub-Aquático, sendo o delegado português no Grupo de Trabalho que em Estrasburgo, de 1980 a 1985, elaborou a proposta de Convenção Europeia para a Defesa do Património Cultural Sub-Aquático. É considerado o mentor da arqueologia subaquática em Portugal. O seu trabalho na área da Etnologia Naval foi considerado fundamental para o rigor da história e cultura da Póvoa de Varzim, comunidade que estudou aprofundadamente, participando na organização da Mostra de Siglas Poveiras (1979), mostra destacada na Europa em 1980, e apoiando a reconstrução da Lancha Poveira; sobre esta comunidade escreveu várias obras.Lurdes Adriano, Gustavo C. Duarte e Vasconcelos, "Octávio Lixa Filgueiras - Cultor da Arquitectura e da Etnologia Navais", in "Póvoa de Varzim, Boletim Cultural", 54, 2022.
No âmbito dos seus inquéritos sobre Arquitectura e Urbanismo e sobre Etnologia e Arqueologia Naval, e também das suas actividades relacionadas com o Património Cultural, teve uma produção fotográfica extensa, que tem um valor documental apreciável.Teresa Soeiro (coordenação e apresentação) "Embarcações Tradicionais do Douro", antologia de 28 publicações de Octávio Lixa Filgueiras sobre barcos do rio Douro e afluentes, do texto de Francisco Callo Lourido "Os barcos do Douro na ollada etnográfica de Lixa Filgueiras", e curricula de Octávio Lixa Filgueiras, 2010, no prelo.
Publicações Fonte principal: curricula in
Literatura Requiem às Glórias do Mundo, e outros poemas, Porto, 1948 O Chefe da Estação, (conto), in A Nova Renascença, 20, Porto, 1985, pp. 349–370; re-edição, Centro de Estudos Arnaldo Araújo, Escola Superior Artística do Porto, 2007 O(s) Estatuto(s) do Artista (ensaio), in Prelo, 8, Lisboa, 1985, pp. 71–76 O DEDO --- Mistério policiário desfiado circunstancialmente num exercício imagético para deleite dos espíritos e estudo dos costumes, (conto), in Cadernos do Tâmega, 5, Amarante, 1991, pp. 37–46 O FAROL, angustiada estória de como um grande Amor acaba em Ódio implacável, com a vingança de um dos amadores após a sua efectivada morte civil, (conto), in Cadernos do Tâmega, 9, Amarante, 1993, pp. 78–98 A FESTA, (conto, homenagem I a Amadeo de Souza Cardoso), in Cadernos do Tâmega, 10, Amarante, 1993, pp. 62–73 O GIRASSOL, (conto), in Cadernos do Tâmega, 11, Amarante, 1994 O DERRADEIRO VÔO DO 'IOGURTE F.K.005, (conto), in Cadernos do Tâmega, 12, Amarante, 1994 O INFILTRADO, (conto), in Cadernos do Tâmega, 13, Amarante, 1995
Arquitectura e Urbanismo trabalhos individuais Uma Adega Cooperativa, in Arquitectura, 42, Lisboa, 1952, pp. 11-13 Urbanismo - Um Tema Rural, in A Revista de Pesquisas Económico-Sociais, vol. III, 4, Lisboa, 1954, pp. 419-540 Sobre XII Séculos de Arquitectura Moderna, in 1.o Ciclo de Conferências do Centro Técnico da Indústria da Madeira; com uma apresentação pelo Prof. Arq. Carlos Ramos, Porto, 1956, pp. I-IX, 113-143 Castelo de Paiva e o seu porto fluvial, in Jornal O Pejão, 92, Porto, 1956 Aditamento à Grille CIAM d'Urbanisme, in Arquitectura, 66, Lisboa, 1959, 12 pp. Da Função Social do Arquitecto - Para uma teoria da responsabilidade numa época de encruzilhada, Porto, 1962, 142 pp.; reeditado pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1985, com um Prefácio do Arq. Pedro Vieira de Almeida Um Centro Comercial, in Boletim Especial da Escola Superior de Belas Artes do Porto - Provas dos Concursos para Professores de Arquitectura, Urbanologia, Pintura, Escultura, Desenho. Porto, 1962-1963, pp. 34-40, 61-69 Inquéritos Urbanos da Cadeira de Arquitectura Analítica da E.S.B.A.P., in Revista de Urbanismo, do Centro de Estudos Duarte Pacheco (só publicada a primeira experiência), Lisboa, 1970. O Hospital, imagem da comunidade, in Boletim dos Amigos do Hospital de Santo António, 1, Porto, 1977 A Escola do Porto, 1940-1969, in Carlos Ramos - Exposição Retrospectiva da sua obra, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1986, 86 pp. Ante-Projecto do Museu Etnológico de Viseu, in Alberto Correia, O Museu Etnológico de Viseu, Viseu, s.d., pp. 33-41 Planeamento e Educação de Massa, comunicação no Colóquio sobre Desenvolvimento Regional, Abrantes, 1967
em colaboração (c/ A. Viana de Lima, F. Távora, Napoleão Amorim, Arnaldo Araújo, C. Carvalho Dias, Alberto Neves) Aldeia Nova - X Congresso CIAM, in Arquitectura, 64, Lisboa, 1959 (c/ Arnaldo Araújo e Carlos Carvalho Dias) ``Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal - Zona II, Trás-os-Montes/Alto Douro, Lisboa, 1960, vol. I, pp. 113–215; 2.a edição, Lisboa, 1980; 3.a edição, Lisboa, 1988 (c/ Duarte Castel-Branco, Nuno L. Grande, António Figueiredo, Nuno Guedes de Oliveira, J. M. Pereira de Oliveira), Porto/Projecto/Cidade Nova, Porto, 1985, pp. 101 (c/ Duarte Castel-Branco, Nuno L. Grande, António Figueiredo, Nuno Guedes de Oliveira, J. M. Pereira de Oliveira), Opções do Plano/Opções Políticas, Porto, 1985, pp. 46
Etnologia e Arqueologia Naval, Museus em colaboraçãoFocus - Enciclopédia Internacional, ed. Livraria Sá da Costa, Lisboa, 1964 (c/ Alfredo Barroca), O Caíque do Algarve e a Caravela Portuguesa, Centro de Estudos de Cartografia Antiga, vol. XLVI, série Separatas, Coimbra, 1970, 39 pp. (c/ vários), To Masjoner og Havet, Norsk Sjøfarts Museum, Oslo, 1980, 34 pp. (c/ vários), Noruega-Portugal, duas Nações voltadas para o Mar, Museu de Marinha, 1981, 80 pp. (c/ vários), À Descoberta de Portugal, Ed. Selecções do Reader's Digest, Lisboa, 1982 (c/ Matilde Pessoa de Figueiredo Sousa Franco), Proposta de reconversão do Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra, 1984, LXIILocal Boats - Fourth International Symposium on Boat and Ship Archaelogy, Porto 1985, edited by O.L. Filgueiras, B.A.R. International Series, vols 438 (i+ii), Oxford, 1988
trabalhos individuaisRabões da Esquadra Negra, sep. de O Pejão, 87 a 93, Porto, 1956, 77 pp.Considerações sobre a Estrutura do Rabelo, sep. das Actas do XXIII Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências, vol. III, Coimbra, 1957, 11 pp.Os Povos Germânicos e a Navegação do Douro, sep. do Boletim Cultural da Câmara Municipal do Porto, vol. XX, Porto, 1957, 17 pp.; reedição digital na colectânea Barcos de Portugal, 2, Museu Marítimo de Ílhavo, 2023A Arte de Construção no Estudo das Tradições Navais, sep. de Studium Generale, vol. V, Porto, 1958, 17 pp.; reedição digital na colectânea Barcos de Portugal, 1, Museu Marítimo de Ílhavo, 2013A Lancha Poveira e o Saveiro de Valbom, sep. de Studium Generale, vol. V, Porto, 1958, 9 pp.Tipologia dos Barcos do Douro, sep. do Boletim Cultural da Câmara Municipal do Porto, vol. XXII, Porto, 1959, 16~pp.Barcos do Douro, in Página Literária de O Comércio do Porto, 1959Protecção Mágica dos Barcos do Douro, sep. de Actas do Colóquio de Estudos Etnográficos Dr. José Leite de Vasconcelos, vol. III, Porto, 1960, 13 pp.Rumo, Palavra-chave da Arte de Construção Naval, sep. da Revista de Guimarães, vol. LXXI, Guimarães, 1961, 15 pp.Da Navegação do Douro, sep. das Actas do I Colóquio Portuense de Arqueologia, in Studium Generale, vol. IX, Porto, 1962, 24 pp.Barcos, capítulo VIII de A Arte Popular em Portugal, Editorial Verbo, Lisboa, (1963), 64 pp.; reedição digital na colectânea Barcos de Portugal, 1, Museu Marítimo de Ílhavo, 2013Entre Normandos e Árabes nas Margens do Douro [II], sep. de Studium Generale, vol. X, Porto, 1963, 49 pp.; reedição digital na colectânea Barcos de Portugal, 2, Museu Marítimo de Ílhavo, 2023Entre Normandos e Árabes nas Margens do Douro, Publicações do Centro de Estudos Humanísticos, 1964Barcos Portugueses, in FOCUS - Enciclopédia Internacional, ed. Livraria Sá da Costa, vol. I, Lisboa, (1964), 2 pp.Construções Navais Portuguesas, sep. do V Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, vol. I, Coimbra, 1965, 32 pp.; reedição digital na colectânea Barcos de Portugal, 1, Museu Marítimo de Ílhavo, 2013Barcos da Costa Norte, sua Contribuição no Estudo de Áreas Culturais, sep. das Actas do III Colóquio Portuense de Arqueologia, in Lucerna, vol. IV, Porto, 1965, 36 pp.Acerca das Siglas Poveiras, sep. das Actas do IV Colóquio Portuense de Arqueologia, in Lucerna, vol. V, Porto, 1966, 30pp.O Barco Poveiro, sep. do Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, ed. da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, 1966, 297 pp., 89; (Prémios Rocha Peixoto/Póvoa de Varzim; e Gomes Pereira/Barcelos)