A história do reino indo-grego abrange um período que vai do até o início do , no norte e no noroeste da Índia. Existiram mais de 30 reis indo-gregos, geralmente em competição por diferentes territórios. Muitos deles são conhecidos somente por suas moedas.

Muitas das datas, territórios e relações entre os reis indo-gregos são baseadas em análise numismática, algumas escrituras clássicas, escrituras indianas e evidência epigráfica. A lista seguinte de reis, datas e territórios após o reinado de Demétrio foi derivada da mais recente e extensiva análise sobre o assunto, por Osmund Bopearachchi e R. C. Senior.

A invasão do norte da Índia e o estabelecimento do que seria conhecido como o "reino indo-grego" iniciou-se por volta de quando Demétrio I, filho do rei greco-bactriano Eutidemo I, liderou suas tropas pelo Indocuche. Apolodoto pode ter avançado para o sul, enquanto Menandro posteriormente liderou invasões para o leste. Após suas conquistas, Demétrio recebeu o título ανικητος ("Aniceto", que significa invencível), nunca dado antes para um rei.O título "Aniceto" dado a Demétrio é visível nas moedas cunhadas por Agátocles.

miniaturadaimagem|300px|Reinos indo-gregos em miniaturadaimagem|200px|O fundador do reino indo-grego, Demétrio I, "o Invencível" (), vestindo o escalpo de um elefante, símbolo das suas conquistas na Índia Evidência escrita das invasões gregas iniciais sobrevive nas escrituras de Estrabão e Justino, e nos registros em sânscrito de Patanjali, Calidaça e no Iuga Purana, entre outros. Moedas e evidências arquitetônicas também registram a campanha grega inicial.

Evidência da invasão inicial

Fontes greco-romanas

Os greco-bactrianos atravessaram o Indocuche e também começaram a reocupar a área de Aracósia, onde as populações gregas já viviam antes da aquisição do território de Seleuco por Chandragupta. Isidoro de Charax descreve cidades gregas dali, uma delas denominada Demétrias, provavelmente em honra do conquistador Demétrio.No , o geógrafo Isidoro de Charax menciona a dominação dos partas sobre populações e cidades gregas em Aracósia: "Parthians stations", Mencionado em Bopearachchi, "Monnaies Greco-Bactriennes et Indo-Grecques", p. 52. Texto original no parágrafo 19 de Parthian stations.

De acordo com Estrabão, os avanços gregos foram temporariamente até a capital Sunga Pataliputra (hoje Patna) no leste da Índia.

miniaturadaimagem|esquerda|300px|A visão do mundo helenístico logo após as conquistas indo-gregas. A Índia aparece plenamente formada, com o Ganges e Palibotra (Pataliputra) ao leste. (reconstrução do do mapa-múndi antigo de Eratóstenes ().Fonte) O historiador grego Apolodoro, citado por Estrabão, afirma que os gregos bactrianos, liderados por Demétrio I e Menandro, conquistaram a Índia e ocuparam um território maior que o ocupado pelos gregos sob domínio de Alexandre, o Grande, indo além do rio Beás, em direção ao Himalaia: Estrabão citando Apolodoro acerca da extensão das conquistas gregas: "Apolodoro, por exemplo, autor da História Parta, quando menciona os gregos que ocasionaram a revolta de Báctria contra os reis sírios, que eram os sucessores de Seleuco Nicátor, diz que, quando eles se tornaram poderosos, invadiram a Índia. Ele não acrescenta descobertas ao que já era anteriormente conhecido, e inclusive estabelece, em contradição com outros, que os bactrianos haviam submetido ao seu domínio uma porção maior da Índia que os macedônios; pois Eucrátides (um desses reis) tinha mil cidades sujeitas à sua autoridade." Estrabão 15-1-3 Texto completo em inglês "Os gregos que fizeram que a Báctria se revoltasse tornaram-se tão poderosos a bem da fertilidade do país que tornaram-se mestres, não só de Ariana, mas também da Índia, como Apolodoro de Artêmita diz: e mais tribos foram subjugadas por eles que por Alexandre — por Menandro em particular (...), pois algumas foram subjugadas por ele pessoalmente e outras por Demétrio, filho de Eutidemo, rei dos bactrianos." Estrabão 11.11.1 Texto completo em inglês

O historiador romano Justino também mencionou o reino indo-grego, decrevendo um "Demétrio, Rei dos Indianos" ("Regis Indorum") e explicando que, após vencê-lo, Eucrátides, por sua vez, "pôs a Índia sob seu domínio"Justino acerca de Demétrio, "Rei dos Indianos": "Multa tamen Eucratides bella magna uirtute gessit, quibus adtritus cum obsidionem Demetrii, regis Indorum, pateretur, cum CCC militibus LX milia hostium adsiduis eruptionibus uicit. Quinto itaque mense liberatus Indiam in potestatem redegit." ("Eucrátides liderou muitas guerras com grande coragem, e, enquanto enfraquecido por elas, foi colocado sob cerco por Demétrio, rei dos indianos. Ele realizou várias surtidas, e conseguiu vencer 60.000 inimigos com 300 soldados, e, assim, liberado após quatro meses, ele pôs a Índia sob seu domínio") Justino XLI,6 (desde o tempo das embaixadas de Megástenes no , "Índia" era compreendida como o subcontinente inteiro, e foi cartografada por Eratóstenes). Justino também menciona Apolodoto e Menandro como reis dos indianos."Indicae quoque res additae, gestae per Apollodotum et Menandrum, reges eorum": "Também incluídas estão as proezas, na Índia, por Apolodoto e Menandro, seus reis" Justino, citado em E.Seldeslachts, p. 284

Fontes gregas e indianas tendem a indicar que os gregos realizaram campanha até Pataliputra, até serem forçados a se retirarem. Esse avanço provavelmente ocorreu sob o reinado de Menandro, o mais importante rei indo-grego,A.K. Narain e Keay, 2000 e foi provavelmente apenas um avanço militar de natureza temporária, talvez em aliança com estados indianos nativos. Os domínios indo-gregos permanentes se estenderam apenas do vale do Cabul até o leste do Punjabe, ou pouco mais a leste.

miniaturadaimagem|250px|Uma paleta de pedra indo-grega mostrando Posidão com criados. Ele veste uma túnica quíton, uma capa clâmide e botas. , Gandara, Ancient Orient Museum Ao sul, os gregos ocuparam as áreas de Sinde e Guzerate, até a região de Surrate (grego: Saraosto), próxima a Bombaim, incluindo o porto estratégico de Barigaza (Bharuch),"Menandro tornou-se o governante de um reino que se estendia ao longo da costa da Índia ocidental, incluindo toda a região de Saurastra e o porto de Barukaccha. Seu território também incluía Matura, o Panjabe, Gandara e o Vale do Cabul", Bussagli p. 101 como afirmam vários escritores (Estrabão 11; Périplo do Mar da Eritreia, Cap. 41/47) e como evidenciam moedas que datam do governante indo-grego Apolodoto I:

O Périplo do Mar da Eritreia, do , descreve numerosas construções e fortificações gregas em Barigaza, embora as atribua erroneamente a Alexandre, e documenta a circulação de moedas indo-gregas na região:

De autores antigos (Plínio, Arriano, Ptolomeu e Estrabão), pode-se discernir uma lista de províncias, satrapias ou simples designações regionais e cidades gregas de dentro do reino indo-grego (embora outras tenham se perdido), indo da bacia do Indo até o vale superior do Ganges.Províncias gregas na Índia, de acordo com fontes clássicas: Patalena - toda a região do delta do Indo, com uma capital aparente em "Demétrias-em-Patalena;" presumivelmente fundada por Demétrio (Ptolomeu, Geografia, VII 1, 55/ Estrabão 11.11.1) Abíria - Norte do delta do Indo e aparentemente nomeado em homenagem aos povos Abira, presumíveis habitantes da região. (Ptolomeu, Geografia, VII 1, 55). Prasiane - Norte de Abíria e Leste do canal principal do Indo. (Plínio, História natural, VI 71) Surastrene - Sudeste de Patalena, compreendendo a península de Kathiawar e partes de Guzerate até Bharuch (Saurashtra e Surrate modernos), com a cidade de "Teófila". (Ptolomeu, Geografia, VII 1, 55/ Estrabão 11.11.1/ Pépiplo, Cap.41–47). Sigerdis - uma região costal além de Patalena e Surastrene, que se acredita corresponder a Sinde. (Estrabão 11.11.1) Souastene - subdivisão de Gandara, compreendendo o vale do Suate (Ptolomeu, Geografia, VII 1, 42). Goryaea - distrito menor localizado entre o baixo rio Suate e o Kunar (Bajaur), com a cidade de "Nagara, também chamada de Dionisópolis". (Ptolomeu, Geografia, VII 1, 42). Peucelaitas - denota o distrito imediato por volta de Pushkalavati (Grego: Peucela). (Arriano, Sobre a Índia, IV 11) Kaspeiria - compreende os altos vales de Chenab, Ravi, e Jhelum (ou seja, no sul da Caxemira). (Ptolomeu, Geografia, VII 1, 42). Pandouorum - Região do Punjabe ao longo do rio Hídaspes, com a "cidade de Sagala, também chamada de Eutidêmia" e outra cidade chamada de "Bucéfala" (Ptolomeu, Geografia, VII 1), ou "Bucéfalo Alexandria" (Périplo, 47). Kulindrene - segundo o relato de Ptolomeu, região que compreende os altos vales do Sutlej, Jumna, Beas e Ganges. Esse relato pode ser impreciso, e o conteúdo da região, de certa forma, menor. (Ptolomeu, Geografia, VII 1, 42).

Fontes indianas

Vários registros indianos descrevem ataques a Matura, Panchala, Saketa e Pataliputra. Pensa-se que o termo Iavana seja uma transliteração de "jônios", e sabe-se que designava gregos helenísticos (começando com os Éditos de Açoca, onde Açoca escreve sobre "o rei Iavana Antíoco"), mas também pode ter se referido, algumas vezes, a outros estrangeiros, especialmente em séculos posteriores.

Patânjali, um gramático e comentador de Panini por volta de , descreve, no Mahābhāṣya,"Indo-Greek, Indo-Scythian and Indo-Parthian coins in the Smithsonian institution", Bopearachchi, p. 16. a invasão, em dois exemplos que usam o tempo imperfeito do sânscrito denotando um evento recente: "Arunad Yavanah Sāketam" ("Os Iavanas (gregos) sitiavam Saketa") "Arunad Yavano Madhyamikām" ("Os Iavanas sitiavam Madiamica" (o "País médio")).

O Anushasanaparava do Maabárata afirma que o país Matura, a área central da Índia, estava sob o controle conjunto dos Iavanas e dos ."tatha Yavana Kamboja Mathuram.abhitash cha ye./ ete ashava.yuddha.kushaladasinatyasi charminah."//5 — (MBH 12/105/5, Kumbhakonam Ed) O Vayupurana afirma que Matura foi governado por sete reis gregos ao longo de um período de 82 anos."Asui dve ca varsani bhoktaro Yavana mahim/ Mathuram ca purim ramyam Yauna bhoksyanti sapta vai" Vayupurana 99.362 e 383, citado por Morton Smith 1973: 370. Morton Smith acredita que a ocupação tenha durado de 175 a .

Fontes 20px

Senior, R.C., New Indo Greek Coins, Journal of the Oriental Numismatic Society 186 Senior, R.C. and MacDonald, D., The decline of the Indo-Greeks, Monographs of the Hellenic Numismatic Society, Athens, 1998 Senior, R.C., Indo-Greek – The Indo-Greek and Indo-Scythian King Sequences in the Second and First Centuries BC, 2004, Supplement to Oriental Numismatic Society Newsletter, no. 179

Categoria:Antiga Índia