United Launch Alliance, LLC ou ULA é uma empresa estadunidense de serviços de lançamento criada em dezembro de 2006 como uma joint venture da Lockheed Martin Space e da Boeing Defense, Space & Security. A empresa projeta, monta, vende e lança foguetes. Motores, propulsores auxiliares de combustível sólido e outras peças são fornecidos por outras empresas.
Na fundação, a ULA recebeu o foguete Atlas V da Lockheed Martin e a família de foguetes Delta da Boeing. A família Delta foi retirada de serviço em 2024, e a retirada do Atlas V está em andamento. Em 2014, a ULA começou a desenvolver o Vulcan Centaur para substituir as duas famílias. O primeiro voo do Vulcan Centaur ocorreu em janeiro de 2024.
Seus principais clientes são o Departamento de Defesa e a NASA. A empresa também atende clientes comerciais.
História da empresa Formação A Boeing e a Lockheed Martin anunciaram em 2 de maio de 2005 a criação da United Launch Alliance, uma joint venture com participação igual das duas empresas que reuniria suas operações de lançamentos espaciais.
As duas empresas disputavam havia anos os contratos de serviços de lançamento do Departamento de Defesa. Seus foguetes Atlas e Delta eram os dois veículos escolhidos pelo programa Evolved Expendable Launch Vehicle, conhecido pela sigla EELV. O departamento esperava que o programa criasse um mercado comercial de lançamentos forte e competitivo, mas as duas empresas afirmaram que a disputa havia tornado os lançamentos espaciais deficitários. A participação da Boeing no programa ficou ameaçada em 2003, quando se descobriu que a empresa possuía documentos sigilosos da Lockheed Martin. Para encerrar o litígio e a concorrência entre elas, as duas concordaram em formar a ULA. Na renovação do contrato do EELV, o Departamento de Defesa afirmou que a união permitiria uma economia anual de US$ 100 milhões a US$ 150 milhões.
A SpaceX contestou a fusão com base nas leis antitruste e alegou que ela criaria um monopólio de lançamentos espaciais. A Comissão Federal do Comércio autorizou a ULA sob a lei antitruste e deu prioridade ao acesso espacial necessário à segurança nacional diante das dúvidas sobre a concorrência.
Gestão de Michael Gass, 2005 a 2014 Michael Gass foi anunciado como o primeiro diretor-executivo da ULA e comandou a união dos dois grupos. A produção foi concentrada em uma fábrica em Decatur, no Alabama, e todo o setor de engenharia foi transferido para uma unidade em Littleton, no Colorado. As empresas-mães continuaram responsáveis pelo marketing e pelas vendas dos foguetes Delta e Atlas.
Pressões sobre os custos levaram a ULA a anunciar no início de 2009 que demitiria 350 de seus 4.200 funcionários. A empresa também desativou duas de suas sete plataformas de lançamento. A ULA entrou para a Commercial Spaceflight Federation nesse intervalo e saiu da entidade depois.
A chegada de concorrentes mais baratos e a alta nos preços dos lançamentos da ULA atraíram atenção. A dependência de verbas públicas para manter a prontidão de lançamento, com plataformas e variantes de foguetes, também entrou no debate. Em 2012, os custos do EELV excederam o limite previsto pela Emenda Nunn-McCurdy.
Em dezembro de 2013, a ULA recebeu um contrato do Departamento de Defesa para fornecer 36 núcleos de foguete em até 28 lançamentos. A SpaceX protestou contra a concessão. A empresa estimou que cada lançamento da ULA custava cerca de US$ 460 milhões e ofereceu serviços parecidos por US$ 90 milhões. Gass respondeu que o preço médio dos lançamentos da ULA era de US$ 225 milhões, com lançamentos futuros que poderiam custar US$ 100 milhões.
Gestão de Tory Bruno, 2014 a 2025 miniaturadaimagem|Tory Bruno, então diretor-executivo da ULA, em uma coletiva de imprensa da NASA em dezembro de 2019 Tory Bruno assumiu a direção da ULA em agosto de 2014. A empresa estava sob pressão para criar um veículo de lançamento de nova geração e reduzir custos a fim de competir melhor com a SpaceX e seus foguetes parcialmente reutilizáveis. Os preços altos deixaram a ULA com poucos clientes comerciais e civis de satélites. Ela ficou mais dependente de contratos militares e de inteligência dos Estados Unidos, também disputados pela SpaceX. A anexação da Crimeia pela Rússia aumentou a pressão para substituir o RD-180, de fabricação russa, por motores ocidentais. Em 2016, o Congresso proibiu as Forças Armadas de contratar, a partir de 2022, serviços de lançamento que usassem o RD-180.
Para cortar custos, a ULA passou por uma grande reestruturação. O quadro de funcionários caiu de 3.600 para 2.500 até 2018, e as operações foram concentradas em duas plataformas de lançamento, ante cinco. A ULA se uniu à Blue Origin para desenvolver um motor substituto. O resultado foi o BE-4, que se tornou o núcleo do novo foguete Vulcan Centaur. O Vulcan combinou tecnologias das famílias Delta e Atlas com novos recursos. O projeto buscava reduzir custos e tornar a empresa mais competitiva no mercado comercial.
Mesmo depois dessas medidas, os serviços da ULA continuaram mais caros que os da SpaceX. Em 2021, a NASA rejeitou por "baixo grau de prontidão" uma proposta conjunta da ULA e da Dynetics para construir um módulo lunar. A família de foguetes Delta foi retirada de serviço em 2024. O veículo participou de missões de segurança nacional e da NASA, mas era caro e lento de fabricar, o que limitava sua viabilidade comercial. O Falcon Heavy tomou sua fatia do mercado comercial. A ULA armazenou cerca de cem motores RD-180 para cumprir os contratos restantes do Atlas V e não planejou novos pedidos.
Em 2022, a Amazon escolheu a ULA como uma das empresas responsáveis pelo lançamento do Projeto Kuiper, sua constelação de internet por satélite. O contrato reservou 9 lançamentos no Atlas V e 38 no Vulcan Centaur, de um total de 83, e foi o maior contrato comercial já firmado pela ULA.
No fim de 2023, Boeing e Lockheed Martin buscavam vender a ULA. Entre os possíveis compradores estavam a Blue Origin, a Cerberus Capital Management e a Textron. Em meados de 2024, a Sierra Space negociava a compra da empresa. A ULA ainda não havia sido vendida em 2025.
Em abril de 2025, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos concedeu à ULA um contrato de US$ 5,3 bilhões para 19 missões. A compra, avaliada em bilhões de dólares, cobria cerca de 80 lançamentos de segurança nacional entre 2025 e 2034. A SpaceX ficou com 28 missões e a Blue Origin recebeu sete.
Os atrasos do programa Vulcan provocaram críticas dentro das Forças Armadas dos Estados Unidos. Em depoimento ao Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes, em maio de 2025, o major-general Stephen G. Purdy chamou o desempenho recente do foguete de "insatisfatório". Ele disse que o ritmo lento da substituição dos Atlas e Delta havia adiado quatro missões de segurança nacional e prejudicado o cumprimento das metas da Força Espacial. Purdy acrescentou que a ULA precisaria "reparar a confiança" e assumir mais responsabilidade.
Tory Bruno renunciou à presidência e à direção executiva da ULA em 22 de dezembro de 2025. A saída não era esperada, e o conselho de administração não informou o motivo de imediato. Bruno se transferiu para a concorrente Blue Origin. O diretor de operações John Elbon foi nomeado diretor-executivo interino.
Produtos Ao ser criada em 2006, a ULA recebeu a família de foguetes Atlas da Lockheed Martin e a família Delta da Boeing. A Delta foi retirada de serviço em 2024, e a retirada do Atlas V está em andamento. Em 2014, a ULA começou a desenvolver o Vulcan Centaur para substituir as duas famílias.
Vulcan Centaur miniaturadaimagem|Vulcan Centaur
O Vulcan Centaur é um veículo lançador pesado criado pela ULA. Seu projeto reúne tecnologias das antigas famílias Atlas e Delta da empresa e recursos mais novos. O foguete foi preparado para atender aos requisitos do programa National Security Space Launch e receber certificação para voos tripulados, o que permitiria lançar veículos como o Boeing Starliner e o Sierra Nevada Dream Chaser.
O foguete nasceu da pressão para enfrentar a concorrência crescente da SpaceX e de seus foguetes reutilizáveis. A ULA também precisava aposentar o motor RD-180 usado no Atlas V, que era fabricado na Rússia e ficou sujeito a sanções internacionais depois da invasão russa da Ucrânia.
O empuxo máximo do Vulcan Centaur na decolagem é de cerca de 16.900 kN. Ele pode levar 25.000 kg à órbita terrestre baixa, 15.000 kg à órbita de transferência geoestacionária e 7.300 kg à órbita geoestacionária.
O primeiro estágio tem o mesmo diâmetro do Common Booster Core da família Delta. Ele usa dois motores BE-4, fabricados pela Blue Origin e movidos a oxigênio líquido e metano líquido. O segundo estágio é o Centaur V, uma versão aperfeiçoada do Centaur III usado no Atlas. Seus dois motores RL10, fabricados pela Aerojet Rocketdyne, queimam hidrogênio líquido e oxigênio líquido. Até seis propulsores auxiliares GEM 63XL de combustível sólido, fabricados pela Northrop Grumman, podem ser instalados no primeiro estágio.
A ULA estuda a reutilização parcial dos veículos com o sistema Sensible Modular Autonomous Return Technology, conhecido pela sigla SMART. O plano prevê ejetar os motores BE-4 e a aviônica como uma só unidade, protegida por um escudo térmico inflável durante a descida à Terra. Depois de desacelerar com paraquedas e cair no mar, o escudo serviria como balsa. O módulo de motores e aviônica seria recolhido e recondicionado. A ULA estima que esse método poderia reduzir em 65% o custo de produção do primeiro estágio de seus foguetes.
O desenvolvimento do Vulcan Centaur foi financiado como uma parceria público-privada. O governo dos Estados Unidos forneceu cerca de US$ 1,2 bilhão para os custos iniciais. Boeing e Lockheed Martin cobriram o restante. Em março de 2018, sua parcela era estimada em 75% do custo de desenvolvimento.
Em outubro de 2018, o programa NSSL comprou uma missão experimental do Vulcan, planejada para 2019. Em agosto de 2020, a ULA recebeu um contrato para lançar 60% das missões do NSSL em um período de cinco anos iniciado em 2022. O Vulcan Centaur sofreu repetidos atrasos. Seu voo inaugural ocorreu em 8 de janeiro de 2024 e colocou o módulo lunar Peregrine em órbita rumo à Lua. O lançamento permitiria à Astrobotic Technology realizar cinco experimentos lunares para a NASA.
Na manhã de 4 de outubro de 2024, a ULA fez em Cabo Canaveral o segundo voo de teste do Vulcan Centaur, chamado Cert-2. A Força Espacial analisaria os dados para decidir se o foguete receberia a certificação para missões de segurança nacional.
Atlas V miniaturadaimagem|Um Atlas V N22 lança a cápsula Starliner Calypso no Boeing Crew Flight Test
Criado pela Lockheed Martin e transferido para a ULA em 2006, o Atlas V foi o principal veículo lançador da empresa por duas décadas. Em 2025, o foguete se aproximava da retirada de serviço. Todos os voos restantes já estavam contratados e novos pedidos não eram aceitos. Em janeiro de 2026, o Atlas V havia completado 106 missões e tinha dez lançamentos programados. O foguete foi oferecido em onze configurações, mas somente as versões 551 e N22 permaneciam em operação.
O Atlas V nasceu no programa NSSL e fez seu primeiro lançamento bem-sucedido em 2002. O sistema de lançamento descartável tem dois estágios. O primeiro, chamado Common Core Booster, usa um motor russo RD-180, alimentado por querosene e oxigênio líquido. O segundo é um Centaur III, movido por um motor RL10 que queima hidrogênio líquido e oxigênio líquido. Até cinco propulsores auxiliares de combustível sólido AJ-60A ou GEM 63 podem ser acrescentados ao primeiro estágio.