thumb|right|200px|Estela 11 de Seibal, fotografada por Maler Seibal (El Ceibal em espanhol) é um sítio arqueológico maia do período clássico situado no norte do departamento guatemalteco de El Petén. Era a maior cidade da região do rio Pasión.Sharer & Traxler 2006 p.520.
Este local esteve ocupado desde o período pré-clássico até ao período clássico terminal, com um hiato intermédio significativo.Sharer & Traxler 2006, p.520. Kelly 1996, p.154. A principal fase de ocupação data do final do pré-clássico, seguida de um declínio no início do período clássico.Sharer & Traxler 2006, p.520. No final do período clássico ocorreu uma significativa recuperação da importância de Seibal, antes do seu abandono total, atingindo um segundo auge entre 830 e 890, com uma população estimada em 8–10 000 pessoas.Sharer & Traxler 2006, p.689. Kelly 1996, p.154. As datas nas estelas de Seibal são estranhamente tardias, com monumentos a serem dedicados mesmo após o colapso da civilização maia atingir já a maior parte da região de Petén.Tourtellot & González 2005, pp.61. Muitos dos monumentos tardios de Seibal mostram influência artística do México central e da costa mexicana do Golfo do México.
Etimologia "Seibal" é uma corruptela da palavra espanhola ceibal, que significa o local onde crescem muitas árvores do género Ceiba. El Ceibal era o nome de uma campo madeireiro próximo das ruínas na altura da sua descoberta. A alteração da grafia teve origem numa publicação de Teoberto Maler em 1908.Coe 1999, p.9. Kelly 1996, p.154.
Localização Seibal está situado sobre elevações cerca de 100 metros acima do nível do rio Pasión, um dos principais afluentes do rio Usumacinta.Sharer & Traxler 2006, p.520. Tourtellot & González 2005, p.60. Cerca de 100 km para jusante, o rio Pasión junta-se com o rio Salinas para formarem o Usumacinta, que corre para norte em direcção ao Golfo do México.Smith 1968, p.82. O sítio localiza-se no departamento de Petén no norte da Guatemala, a 16 km da actual cidade de Sayaxché, a 28 km para este de Dos Pilas e a 100 km de Tikal.Martin & Grube 2000, p.58. Smith 1968, p.82. O lago Petén Itzá encontra-se 60 km a norte das ruínas.
Seibal encontra-se rodeado por floresta tropical húmida numa planície calcária com algumas colinas.
População Os levantamentos efectuados revelaram uma média de 436 estruturas por quilómetro quadrado no núcleo do sítio, caindo para 244 estruturas por quilómetro quadrado na periferia.Sharer & Traxler 2006, p.686. Estima-se que no seu auge no final do período pré-clássico a população na zona nuclear fosse de 1600 habitantes com outros 8000 dispersos pela periferia, com uma população total de aproximadamente 10 000 habitantes.Sharer & Traxler 2006, p.688. No início do período clássico a população sofreu uma forte redução,Sharer & Traxler 2006, p.690. para uns estimados 34% da população no período do auge.Sharer & Traxler 2006, p.689. No final do período clássico a população aumentou para 85% do número no final do período pré-clássico, uma expansão que parece ter ocorrido rapidamente e que se terá estendido a todas as áreas do sítio,Sharer & Traxler 2006, p.689. Tourtellot & González 2005, p73. talvez em resultado do influxo de refugiados chegados de outros sítios cerca de 830.Webster 2002, p.278. A este crescimento seguiu-se uma redução populacional para 14% do valor máximo do período pré-clássico no início do período pós-clássico, antes do completo abandono do local.
Governantes conhecidos Todas as datas d.C.
Nome (título ou alcunha) Governo Yich'aak B'alam ("Garra de Jaguar") -735–747+ Martin & Grube 2000, pp.61, 63. Ajaw B'ot ("Governante D", Ah-Bolon-Abta)Tourtellot & González 2005, p.68. 771–? Sharer & Traxler 2006, p.409. Tourtellot & González 2005, p.68. Wat'ul ChatelTourtellot & González 2005, pp.68-9. (Aj B'olon Haab'tal)Sharer & Traxler 2006, p.524. 830–889+
História O sítio já estava ocupado no pré-clássico médio, tendo entrado em declínio entre o final do pré-clássico tardio até ao início do clássico, com um novo período de expansão no final do período clássico antes de ser totalmente abandonado.
Pré-clássico Seibal atingiu o seu máximo populacional no período pré-clássico.Sharer & Traxler 2006, pp.288-9. Cerâmica encontrada nos níveis do pré-clássico de Seibal pertencem à pouco conhecida fase Xe, encontrada no ocidente da região de Petén.Coe 1999, p.54. Foi encontrado um esconderijo de forma cruciforme de estilo olmeca contendo um artefacto usado em sangrias rituais e "machados" de jade semelhantes aos encontrados na área nuclear olmeca na costa do golfo do México, provavelmente manufacturados em La Venta.Coe 1999, p.54. Sharer & Traxler 2006, p.202. Este esconderijo data de aproximadamente 900 a.C.Adams 1996, p.82.
O assentamento mais antigo do pré-clássico médio estava praticamente confinado ao Grupo A. Após 300 a.C., no pré-clássico tardio, o assentamento expandiu-se passando a incluir o Grupo D.
No final do pré-clássico tardio, Seibal sofreu um declínio populacional ainda inexplicado.Smith 1968, p.84.
Clássico inicial No início do período clássico, o declínio que começara no final do pré-clássico continuou até o sítio se encontrar semi-abandonado.
Clássico tardio Seibal foi revitalizado no final do clássico tardio com uma expansão da ocupação ligada à grande cidade de Tikal.Martin & Grube 2000, p.227. Foram adicionadas novas construções aos Grupos A e D, com enfâse particular no Grupo D, que se tornou uma parte importante do centro cerimonial.
Em 735 Ucha'an K'in B'alam, o senhor do vigoroso novo reino de Dos Pilas, atacou Seibal, capturando Yich'aak B'alam, o seu rei. O rei cativo não foi morto tendo-se tornado um vassalo do seu vizinho mais poderoso.Sharer & Traxler 2006, p.520. Martin & Grube 2000, p.58, 61. Coe 1999, p.130. Yich'aak B'alam é mostrado sob os pés de Ucha'an K'in B'alam na estela 2 de Aguateca.Sharer & Traxler 2006, p.407. Yich'aak B'alam continuou como vassalo durante o reinado do rei seguinte de Dos Pilas, K'awiil Chan K'inich, que presidiu aos rituais em Seibal em 745 e 747.Sharer & Traxler 2006, p.408.
Seibal reconquistou a sua independência no final do século VIII com a destruição do reino de Dos Pilas. Ajaw B'ot subiu ao trono em 771, restaurando Seibal como capital independente.Sharer & Traxler 2006, p.409.
thumb|left|250px| Detalhe da estela 11 de Seibal.Tourtellot & González 2005, p.66.
Clássico terminal Com a sua independência atingiu novo apogeu, e por um breve período Seibal tornou-se uma importante capita regional situada na importante rota comercial do rio Pasión. A arquitectura e a cerâmica deste período demonstram ligações com a Península de Yucatán e costa do Golfo do México.Sharer & Traxler 2006, p.521. Dezassete estelas talhadas entre 849 e 889 mostram uma mistura de estilos maias e estrangeiros, incluindo um senhor usando uma máscara em forma de bico de Ehecatl, o deus do vento do México central, com o símbolo representativo do discurso emergindo da sua boca. Algumas destas estelas têm uma afinidade estilística com os murais pintados em Cacaxtla, um sítio em Tlaxcala. Este estilo híbrido parece indicar que os novos senhores de Seibal eram senhores maias adaptando-se a condições políticas em mudança, ao adoptarem uma mistura de símbolos com origem tanto nas terras baixas maias como no México central.Sharer & Traxler 2006, p.522. Coe 1999, p.154. Algumas das estelas com aspecto estrangeiro apresentam mesmo glifos calendáricos não-maias.Coe 1999, p.154. Por esta altura, as mudanças em Seibal estão associadas com o comércio controlado pelos maias chontal ao longo do rio Pasión. Os maias chontal eram guerreiros-comerciantes originários da da costa do Golfo do México que apresentavam características maias e não-maias.Sharer & Traxler 2006, p.p528-9.
Textos hieroglíficos de Seibal indicam que o vigor renascido da cidade era apoiado por uma nova aliança formada pelas cidades de El Caracol e Ucanal a leste, dois locais que até então haviam sobrevivido ao colapso da civilização maia em curso.Sharer & Traxler 2006, p.522. É provável que estivessem a tentar reabrir a antiga rota comercial Pasión-Usumacinta, tendo sido atraídos a Seibal devido à sua localização defensável sobranceira ao rio Pasión.Sharer & Traxler 2006, pp.522-3. A refundação de Seibal teve lugar em 830 com a instauração do governo de Wat'ul Chatel, como vassalo de Chan Ek' Hopet de Ucanal.Sharer & Traxler 2006, p.523. O novo rei dedicou um novo edifício e estelas em 849, debaixo da atenção de "Jewel K'awil", rei de Tikal, e Chan Pet, rei de Calakmul.Sharer & Traxler 2006, pp.313, 361, 524. O seu último monumento foi eregido em 89, quase 60 anos depois do início do seu reinado. Esta estela é também o último monumento datado erguido em Seibal e por volta de 900 a cidade havia sido quase totalmente abandonada, a região havia sido atingida pelo colapso da civilização maia e o comércio já não existia ao longo da rota Pasión-Usumacinta.Sharer & Traxler 2006, p.524. Tourtellot & González 2005, p.81. A maioria das capitas maias haviam já sido abandonadas e qualquer que fosse a ajuda externa que recebia do seu suserano, esta havia desaparecido.
As estelas tardias de Seibal mostram uma redução vincada na sua qualidade ao longo dum período de quarenta anos, com a perda dos traços do período clássico, exibindo representações mais planas e cruas que as estelas anteriores. Tal poderá reflectir a perda de conhecimentos no período clássico terminal, com os artesãos cada vez menos capazes de trabalhar monumentos e grandes estruturas à medida que o tempo passava.Tourtellot & González 2005, p.70.
História moderna As ruínas de Seibal foram provavelmente descobertas cerca de 1890 por madeireiros que trabalhavam para a Hammett Mahogany Company. Federico Artes foi o primeiro a relatar a existência das ruínas em 1892 após ter sido enviado ao Petén pelo governo da Guatemala para encontrar materiais a serem exibidos na exposição da Guatemala na Exposição Universal de 1893 em Chicago. Executou moldes de algumas das estelas e estes foram exibidos na exposição, levando a recente descoberta das ruínas ao conhecimento dos arqueólogos pela primeira vez. Dois anos mais tarde, em Julho de 1895, Seibal foi explorada por Teoberto Maler em nome do Museu Peabody da Universidade de Harvard, procedendo à elaboração de uma planta do sítio e à descoberta de uma nova estela. Regressou ao local em Agosto de 1905 mas não descobriu novos monumentos. O Museu Peabody publicou o trabalho de Maler em 1908, incluindo fotos de qualidade das estelas.Kelly 1996, p.159.
Seguiu-se a investigação de Sylvanus Morley em 1914 em nome da Carnegie Institution de Washington. Barnum Brown visitou as ruínas em 1948, e membros da expedição do Museu Peabody a Altar de Sacrifícios visitaram as ruínas em 1961, 1962 e 1963.
Em 1964 o Museu Peabody levou a cabo uma investigação detalhada do sítio que continuou até 1968, liderada por Gordon Willey.Sharer & Traxler 2006, p.520. Kelly 1996, p.159. Smith 1968, pp.82, 84.
O sítio O núcleo do sítio está dividido em três grupos principais (Grupos A, C e D) ligados por caminhos e estende-se por pouco mais de 1 km².Sharer & Traxler 2006, p.520. Smith 1968, p.84. Os caminhos estavam revestidos de alvenaria e em alguns locais tinham lancis.Smith 1968, p.85. O Caminho I é o caminho oeste, o Caminho II é o caminho sul e o Caminho III é o caminho este. O Grupo D é um refúgio fortificado dissimulado e com vista para o rio.Tourtellot & González 2005, p.76. O Grupo B é um pequeno complexo situado a cerca de 3 km do núcleo do sítio. O Grupo A é menor que o Grupo D mas tem a maioria dos monumentos esculpidos. Vários pequenos grupos de montículos antes ocupados por residências situam-se no exterior do núcleo do sítio. Encontram-se separados 50 a 100 metros entre si, estendendo-se por vários quilómetros para norte, sul e oeste.