O teiú-gigante (nome científico: Salvator merianae, anteriormente chamado Tupinambis merianae), ou teiú-comum, também conhecido como teju e lagarto-marau, é uma espécie de lagarto que habita grande parte do Brasil (com exceção da floresta amazônica) e norte da Argentina e Uruguai. Habita desde florestas até cerrados e a caatinga nordestina. Tais répteis chegam a medir até 1,5 metro de comprimento e pesar 8 quilos, sendo considerados um dos maiores representantes de sua família. Os machos são maiores que as fêmeas. É um animal de hábito generalista e oportunista, sendo considerado onívoro. Os lagartos, assim como todas os clados de sauropsida (excetuando-se as aves), apresentam como padrão a ectotermia, ou seja, incapacidade de regular a temperatura corporal internamente. Porém, o S. merianae possui a capacidade de aumentar a sua taxa metabólica durante o período reprodutivo a níveis próximos ao de mamíferos e aves, gerando calor e mantendo sua temperatura mais elevada do que a do ambiente. Essa característica configura um padrão de endotermia sazonal reprodutiva.

Etimologia A origem do nome “Teiú” deriva-se da língua Guarani da palavra “Teju”, que se remete a lagarto. Já o nome do gênero origina-se do nome de Jesus Cristo, que também é chamado de Salvador.

Nomes populares: Tegu, Teiú, Tejo, Teju, Tejú, Tiju e Tiú. O fato que corrobora a diversidade de nomes para um mesmo animal, é a influência geográfica (cada região denomina de uma maneira.)

Taxonomia e Sistemática O teiú-comum (Salvator merianae) pertence à família Teiidae, grupo popularmente conhecido como Teiídeos. Esta família é conhecida por possuir espécies morfologicamente semelhantes, dificultando sua diferenciação. Teiidae é um grupo irmão de Gymnophthalmidae, sendo que ambas possuem sua origem no período cretáceo médio. Hoje em dia a família dos teiídeos conta com 16 gêneros viventes e 151 espécies.

A taxonomia e sistemática dos gêneros dessa família possui diversas imperfeições, isto é, existem problemas na classificação adequada das espécies em seus respectivos gêneros, passando por alguns rearranjos sistemáticos.

Dessa forma, a família passou por uma reorganização por meio de um estudo taxonômico que adotou características morfológicas e moleculares para sua reestruturação, originando novos gêneros e algumas mudanças em outros.

Antes desse rearranjo o Teiú era inserido no gênero Tupinambis, sendo denominado Tupinambis merianae. Entretanto percebeu-se que este gênero possui espécies com notórias diferenciações e foi decidido dividi-lo em dois gêneros: Salvator e Tupinambis. Dessa forma, o Teiú passou a pertencer ao gênero Salvator, sendo designado Salvator merianae. esquerda|miniaturadaimagem|260x260px Rearranjos como este são importantes para evitar erros em cascata, isto é, quando pequenas falhas taxonômicas interferem gradualmente em estudos ecológicos e biogeográficos, sendo que a medida que se acumulam, resultam em grandes equívocos, que podem até impactar na elaboração de estratégias de conservação.

O gênero Salvator abrange algumas das maiores espécies de lagarto do Continente Americano, e é caracterizado por possuir características exclusivas, como a combinação de dois loreais ventrais lisos, uma calda subcilíndrica com dois anéis caudais completos, uma pupila reniforme, linha completa de grânulos supraoculares ausentes, e por fim um sulco intertimpânico incompleto ou ausente, distinguindo-se dessa maneira do aparentemente semelhante gênero Tupinambis.

Além disso as espécies do gênero Salvator são mais aparentadas com o gênero Dracenas, sendo relacionadas a uma distribuição ao sul da Amazônia. Já Tupinambis assemelha-se mais ao gênero Crocodilurus, distribuindo-se majoritariamente na região Amazônica.

Neste momento o gênero Salvator detém 3 espécies: Salvator duseni , Salvator merianae e Salvator rufescens.

Distribuição Geográfica miniaturadaimagem|297x297px|Mapa elaborado para elucidar a relação dos Biomas brasileiros com a distribuição da espécie, se mostrando uma espécie generalista que habita diferentes localidades Os teiús são encontrados na América do Sul, compreendendo o leste dos Andes até o sul do rio Amazonas, mais especificamente em países como Paraguai, Bolívia, Argentina, Uruguai e o Brasil, onde distribui-se através dos biomas Pampa, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pantanal sendo que não foi possível identificar registros de sua distribuição no Bioma Amazônico. Dessa forma, pode-se inferir que há registros da espécie desde o norte da Argentina até o início do norte brasileiro. Além disso muitos indivíduos da espécie estão sendo utilizados como animais chave para a recuperação de ambientes degradados como a Mata Atlântica, sendo um ótimo indicador de qualidade do meio.

Biologia e História Natural

Ciclo de vida No que diz respeito ao ciclo de vida, pode-se notar que em outras espécies da família Teiidae como por exemplo nas espécies Tupinambis, apresentam um número de ninhada (prole) alta, às configurando como “R estrategistas” as quais produzem um grande número de descendentes visando o sucesso dos nascimentos dos mesmos. O período médio para se atingir a maturidade sexual é de quatro anos, tendo em vista que o crescimento populacional dessa família ocorre de forma lenta, por outro lado se mostram muito resistentes à mudanças significativas do seu meio (mudanças de curta duração), quando já adultos o período de reprodução ocorre durante longos períodos e em dias mais quentes. A duração da vida da espécie S. meriane foi relatada em cativeiro, variando entre 17 e 20 anos (Brito et al., 2001), apresentando uma longevidade alta.

De acordo com os dados supracitados, foi exemplificado a família da espécie em questão Salvatori meriane, de forma a demonstrar como o ciclo de vida ocorre nesta espécie, sendo necessário desta forma, estudos mais detalhados e específicos no que diz respeito ao ciclo de vida da espécie em questão.  

Reprodução A reprodução do teiú é predominantemente ovípara, com grandes ninhadas, associada ao tamanho corporal das fêmeas, que podem variar entre 24 a 49 ovos no ambiente natural e de 26 a 37 ovos em cativeiro.SILVA, V. N.; ARAÚJO, A. Ecologia dos lagartos brasileiros. 1ª edição. Rio de Janeiro. Technical Books. 256p. 2008.LOPES, H. R.; ABE, A. S. Biologia reprodutiva e comportamento do teiu Tupinambis merianae em cativeiro (Reptilia, Teiidae). In: T.G. Fang, O.L. Montenegro & R.E. Bodmer (Eds.) Manejo y conservación de Fauna Silvestre en America Latina, pp. 259-274. Instituto de Ecología, La Paz, Bolívia. 1999.CHANI, J. M.; CRUZ, F.; PEROTTI, G.; AGUIRRE, M.; RUFINO, S. Rol de la hembra Tupinambis teguixin (Teiidae), durante la nidificacion. Acta Zoologica Lilloana, 42: 295–299. 1993.MANES, M.E.; IBÁNEZ, M.A.; MANLLA, A. Factores físicos y conductas de nidificación de lagartos Tupinambis merianae en cautiverio. Revista Argentina de Producción Animal, 23(2): 119–126. 2003. Durante o período de reprodução, os machos e fêmeas apresentam alterações na demanda de temperatura, uma vez que os machos necessitam de maiores temperaturas em relação às fêmeas, entretanto as fêmeas reprodutivas possuem temperaturas maiores que as não reprodutivas. Geralmente, as fêmeas realizam a nidificação em arbustos ou próximo a construções. esquerda|miniaturadaimagem|250x250px Ainda sobre a reprodução, podemos destacar um ato peculiar por parte dos machos, onde que no Brasil, obteve-se o registro de uma tentativa de acasalamento com uma fêmea morta, ato que configura uma necrofilia. O macho mordia o pescoço da fêmea e se preparava para copular durante dois dias seguidos, mesmo com o cheiro de putrefação e decomposição. Tal comportamento pode ser explicado pelo fator temperatura, que nos dias em questão a estava entre 29º C a 33º C, influenciando na temperatura do cadáver da fêmea exposta ao sol e ao clima quente.SAZIMA, Ivan. Corpse bride irresistible: a dead female tegu lizard (Salvator merianae) courted by males for two days at an urban park in South-eastern Brazil. Herpetology Notes, v. 8, p. 15-18, 2015.

Alimentação O hábito alimentar do lagarto é caracterizado por ser amplamente diverso, variando entre animais (invertebrados e vertebrados), carcaças, ovos e frutas, sendo esta última associada a dispersão de sementes, importante função ecológica para o ambiente. Desta forma, o Salvator merianae, é considerado um onívoro, com uma estratégia generalista e oportunista, de modo que se alimenta de acordo com os recursos disponíveis no local.

Regulação Corpórea Os teiús da espécie Salvator merianae, são répteis de hábitos diurnos (ativos durante o dia) podendo ser facilmente visto em dias chuvosos ou quentes (nos meses entre agosto de abril), quando a mudança de clima chega, buscam abrigo em tocas cavadas na terra em períodos de seca ou frio , desta forma, o período de inatividade em que os animais se mantêm nos seus abrigos é entre maio e julho, havendo queda metabólica ou depressão metabólica, deixando a temperatura corpórea se equilibrar com  a do seu abrigo, dispensando deste modo a termorregulação comportamental. 

Foi observado que durantes a estação reprodutiva, alguns lagartos Teiús conseguiram manter uma temperatura acima do ambiente o qual estava inserido (10ºC), levando a constatação que alguns destes indivíduos tem a capacidade de conservar o calor bem como aprimorá-la, se demonstrando um indivíduo que em certas ocasiões possui hábitos de endotérmico e em outras ectodérmico.

Os endotérmicos possuem altas taxas de metabolismo bem como sua temperatura corpórea elevada, o qual pode ser atingida por meio da atividade locomotora, por outro lado os ectotérmicos necessitam do meio em que está inserido para a termorregulação corpórea, e ajustes cardiovasculares os quais carecem de algumas substâncias químicas e celulares para sustentar sozinho o metabolismo

Comportamento e ecologia Os teiús possuem hábitos diurnos, terrestres e são forrageadores, ou seja, buscam ativamente seus recursos alimentares. Além disso, o teiú se apresenta mais ativo durante as variações sazonais, que são aproximadamente durante os meses de novembro e dezembro.WINCK, G. R.; CECHIN, S. Z.; ROCHA, C. F. D. Tupinambis merianae (Black and White Tegu). Nest construction behavior. Herpetological Review, 42(4): 609–609. 2011.VAN-SLUYS, M.; ROCHA C. F. D. Tupinambis merianae (Common Tegu) Activity. Herpetologica Review 30:42–43. 1999. miniaturadaimagem Por ser considerado uma espécie ectotérmica, o teiú possui necessidade de hibernar nas regiões subtropicais e temperadas. As populações de teiú são conhecidas por se defenderem através de fuga para locais protegidos como tocas e ninhos. Além disso, eles apresentam comportamentos fisiológicos com o objetivo de defesa contra predadores, sendo assim, o ato de inflar e levantar o corpo, emitir sons, morder, e realizar ataques com a cauda, assim como a autotomia caudal podem ser comumente demonstradas pela espécie quando a mesma se sente em perigo.SAZIMA, I.; HADDAD, C. F. B. Répteis da Serra do Japi: notas sobre história natural: 212-231. In: Morellato, L.P.C. (ed.). História Natural da Serra do Japi. Ecologia e Preservação de uma área 1992. Florestal no sudeste do Brasil. Editora da Unicamp / FAPESP. Campinas. 321 p. A mordida da espécie para os seres humanos pode resultar em dores, inflamações, infecções, fratura, hemorragia e até mesmo perda de tecido.HADDAD, Laura Saade. O papel dos lipídios na reorganização metabólica associada à dormência sazonal no lagarto teiú Tupinambis merianae (Sauria, Teidae). 2007. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. A espécie apresenta comportamentos de territorialismo por parte dos machos. Além disso, apresenta potencial invasor que pode ocasionar em desequilíbrios ambientais. O comportamento do teiú só pode ser acompanhado durante a noite.

Dispersão de sementes