Belle Sorenson Gunness (nascida Brynhild Paulsdatter Størseth; Selbu, Noruega, 11 de novembro de 1859 — La Porte, Indiana, 28 de abril de 1908?) foi uma assassina em série estadunidense. Suspeita-se que ela tenha matado os seus maridos e todos os seus filhos destes casamentos. É conhecida por ter matado diversos namorados e duas de suas filhas, Myrtle e Lucy. Tudo indica que grande parte dos assassinatos eram ligados a interesses financeiros, como benefícios de seguro pelas mortes e pensões do governo. Há suspeitas que ela tenha matado mais de 40 pessoas no decorrer de décadas.

Biografia Origens A origem de Belle Gunness, assim como grande parte de sua vida, está rodeada de especulações e mentiras. Grande parte dos historiadores acreditam que ela nasceu em 11 de novembro, próximo ao lago de Selbu, Sør-Trøndelag, Noruega e batizada sob o nome de Brynhild Paulsdatter Størset. Seus pais eram o pedreiro Paul Pedersen Størset e Berit Olsdatter. Ela era a mais nova de oito irmãos. Eles viviam em Størsetgjerdet, numa pequena fazenda em Innbygda, Selbu, próximo de Trondheim, a maior cidade central da Noruega (Trøndelag).

Um documentário para televisão feito por Anne Berit Vestby conta uma história, não confirmada, do começo da vida de Gunness. Ela diz que em 1877 Gunness participava de uma festa local quando foi atacada por um homem, que a chutou na barriga quando ela estava grávida. Ela acabou perdendo a criança, sendo que o homem, por ser de uma família rica das redondezas, nunca foi preso pelas autoridades locais. Pessoas próximas a Belle afirmam que após esses incidente sua personalidade mudou completamente. O homem que a atacou morreu pouco tempo depois e, pelo que se foi dito, morreu devido a um câncer no estômago. Como era pobre, Belle trabalhou por três anos em uma fazenda até conseguir o dinheiro para uma passagem de navio para viajar aos Estados Unidos.

Seguindo os passos da irmã, ela se mudou para os Estados Unidos em 1881 e mudou seu nome para um mais americanizado. Quando chegou lá ela trabalhou como doméstica. Anos depois, a irmã dela, Nellie Larson, declarou que Belle era "louca por dinheiro", e essa foi sua maior fraqueza."

Primeira vítima Em 1884 Gunness se casou com Mads Ditlev Anton Sorenson em Chicago, lugar onde poucos anos mais tarde o casal abriu uma confeitaria. O negócio não ia bem, e em menos de um ano houve um misterioso incêndio na loja e, segundo a versão de Gunness, um lampião foi o causador do fogo. Nenhum lampião foi jamais encontrado nas ruínas da loja, mas o dinheiro do seguro foi pago. Acredita-se que foi com esse dinheiro que o casal comprou uma casa em Austin, embora esta mesma também tenha pegado fogo misteriosamente em 1889, sendo que eles receberam outra quantia de seguro, que foi usada para comprar uma nova casa.

Sorenson, o marido de Belle, morreu em 30 de julho de 1900. O primeiro médico a vê-lo pensou que ele estava sofrendo de envenenamento por estricnina. Todavia, o médico da família afirmou que estava tratando Sorenson de problemas no coração, tendo este declarado a morte causada por insuficiência cardíaca. A autópsia não foi feita, pois a morte não era suspeita. Tempos depois Gunness teria confessado ao médico que teria dado "folhas medicinais" ao marido para que ele se sentisse melhor.

Gunness retirou o dinheiro do seguro do marido no mesmo dia do seu enterro, tendo os parentes do marido morto acusado a viúva de ter envenenado o marido. Documentos sugerem que um inquérito foi aberto, embora não seja claro como seu deu a investigação, nem se houve uma exumação do cadáver. Entretanto, a seguradora pagou-lhe o dinheiro, cerca de US$ 8500, o que era muito dinheiro para a época. Com esse dinheiro ela comprou uma fazenda em La Porte, Indiana, e mudou-se com as três filhas.

Embora alguns historiadores afirmem que a união não produziu descendentes, outros historiadores afirmam que ela possuía quatro crianças: Caroline, Axel, Myrtle e Lucy. Em 13 de junho de 1900 Belle e sua família foram contadas no censo americano de Chicago. A pesquisa registrou que Belle tinha quatro filhos, dos quais apenas dois viviam com ela. Myrtlede, de três anos, e Lucy, de um. Uma criança adotada, Morgan Colcha, de dez anos também foi contada. Caroline e Axel morreram ainda na infância; foi alegada colite aguda, que possui sintomas como náuseas, febre, diarreia, dor abdominal, enfim, sintomas iguais aos de um envenenamento. Caroline e Axel possuíam seguro de vida, e ambos os seguros foram pagos.

Mortes suspeitas A casa na rodovia McClungGoogle Maps foi construída em 1846 por John Walker para sua filha Harriet Holcomb. Os Holcombs ajudaram os Estados Confederados durante a Guerra Civil Americana. Após a mudança dos Holcombs, ocorrida devido ao apoio dos moradores da cidade aos inimigos da confederação, a propriedade da família passou pela mão de mais de doze proprietários.

Em 1892, Mattie Altic, uma proprietária de um bordel em Chicago, comprou a propriedade e a transformou em uma espécie de prostíbulo. Grande parte de seus clientes regulares vinham de Chicago. Quando Mattie morreu, a casa foi posta à venda novamente, e mais quatro proprietários moraram na casa, até que em 1901 Belle Gunness a comprou.

Belle então conheceu Peter Gunness, um norueguês que vivia em La Porte. Eles se casaram em 1 de abril de 1902 , e apenas uma semana depois do casamento, a filha menor de Peter morreu de causas incertas dentro de casa de Gunness. Em dezembro 1902, o próprio Peter morreu; segundo Belle ele estava trabalhando em um galpão quando uma máquina de moer caiu de uma estante sobre sua cabeça, matando-o instantaneamente.

Belle recebeu US$ 3000 do seguro de vida do marido, embora algumas fontes sugiram US$ 4000. Os moradores da vizinhança se negaram a acreditar que Peter havia morrido daquela forma, pois havia sido construído uma fazenda para porcos em volta da propriedade, sendo Peter conhecido por ser um ótimo açougueiro. Um juiz local anunciou precipitadamente que Peter havia sido assassinado, e ele convocou um grupo de investigadores forenses para analisar o caso. Nesse período, Jennie Olsen, filha de 14 anos de Peter, teria confessado a um colega de classe que a mãe havia matado seu pai.

Jennie depois foi chamada para depor ao grupo de investigadores, mas negou sua afirmação. Gunness convenceu os investigadores de que não havia feito nada de errado, na época ela estava grávida e o júri aparentemente ficou comovido com sua situação, sendo todas as acusações retiradas.

Após as audiências, Belle contratou Ray Lamphere para trabalhar na fazenda, e em 1906 eles iniciaram um caso amoroso. No final daquele ano, Jennie não foi mais vista nas redondezas, e Gunness disse aos vizinhos que havia enviado a menina para um colégio interno Luterano em Los Angeles. Na verdade ela havia sido morta, e seu corpo foi descoberto enterrado dentro da propriedade de Gunness tempos depois.

Pretendentes Nessa época, Gunness fez um anúncio de jornal atrás de um consorte rico que quisesse unir sua fortuna com a dela. Diversos homens de meia-idade responderam-lhe, e alguns viajaram para a fazenda de Gunness. Um deles foi John Moo, vindo de Elbow Lake, no Estado de Minnesota. Ele havia trazido pouco mais de US$ 1000 para pagar a hipoteca de Gunness, mas quando ela o apresentou a comunidade como sendo um primo seu, tendo ele ido embora uma semana após sua chegada. O segundo que apareceu foi George Anderson, que igual a Peter Gunness e John Moo, era um imigrante da Noruega. Anderson era um rico fazendeiro vindo de Tarkio (Missouri). Ele, todavia, não trouxe dinheiro consigo, e lá percebeu que Gunness não era igual do jeito que havia se descrito na carta. Na época ela já tinha quarenta e poucos anos, era gorda e de certa forma feia.

Ele também percebeu que ela não tinha modos, embora ela tenha feito de tudo para ele se sentir em casa. Assim sendo ele ficou na casa ocupando o quarto maior, e jantando com ela todas as noites. Durante um jantar, ela levantou a questão da hipoteca, e ele decidiu que a ajudaria a pagar se os dois se casassem. Ele realmente estava convencido a voltar para Tarkio e pegar seu dinheiro para começar uma nova vida com ela.

Tarde daquela noite, Anderson despertou com ela parada sobre ele, com um jeito esquisito olhando para ele. Ela segurava uma vela, e a expressão em seu rosto era tão maquiavélica e sinistra que ele soltou um grito. Sem dizer nada, Gunness saiu correndo do quarto. Anderson pegou suas roupas e não pensou duas vezes em pegar um trem para Missouri naquela madrugada mesma .

Os pretendentes continuaram a vir, porém ninguém, exceto Anderson, conseguiu sair da fazenda de Gunness. Nessa época, ela começou a encomendar sacos e mais sacos para serem entregues em sua casa. Muitas pessoas afirmaram a terem visto carregar esses sacos nas costas, como se "estivessem cheios de marshmallows", sendo que muitos viram escavações dentro de sua sua propriedade, feitas em grande parte por Ray Lamphere. Os pretendentes continuaram a vir, todos respondendo suas cartas. Um desses foi Ole B. Budsburg, um viúvo idoso vindo de Iola, Wisconsin. A última vez que foi visto com vida foi no banco de La porte em 6 de abril de 1907, hipotecando sua fazenda em Wisconsin e retirando milhares de dólares de sua conta bancária. Os filhos de Ole B. Budsburg, Oscar e Matthew Budsburg, não faziam ideia de que o pai havia ido visitar Belle, e quando descobriram que ele o havia feito, enviaram uma carta para Gunness, que respondeu em 13 de janeiro de 1908 dizendo nunca ter conhecido um homem chamado Budsburg.

Inúmeros homens de meia idade apareceram e desapareceram em sua visitas a Gunness pelo ano de 1907. Até que em dezembro desse ano, Andrew Helgelien, um agricultor de Aberdeen, Dakota do Sul, escreveu para ela e foi calorosamente recebido. Eles trocaram diversas cartas, até que ele foi ao seu encontro em janeiro de 1908. Ele tinha consigo um cheque de US$ 2900, todas as suas economias, que ele havia sacado do banco em sua cidade. Pouco tempo depois, Belle apareceu no banco de La porte e depositou a mesma quantia de dinheiro na sua poupança. Alguns dias após a chegada de Helgelien, ele e Gunness apareceram no banco e descontaram o cheque que ele havia trazido. Helgelien desapareceu poucos dias depois, e Gunness apareceu no banco para fazer mais depósitos em seu nome. Nessa época, ela começou a ter problemas com Ray Lamphere.

Golpes Lamphere estava profundamente apaixonado por Gunness, e fazia qualquer coisa que ela pedisse, por mais horrível que fosse. Ele começou a ter ciúmes dos pretendente dela, e foi autor de diversas saias justas e incômodos para ela. Gunness o demitiu em 3 de fevereiro de 1908, e tempos depois disso se apresentou às autoridades de La Porte, declarando que seu ex-empregado não estava em suas faculdades mentais normais e era um perigo à comunidade. De alguma forma ela conseguiu que fizessem um exame de sanidade mental nele, mas Ray foi liberado depois. Alguns dias depois ela voltou novamente à polícia e deu queixa que Lamphere havia invadido sua propriedade, sendo ele finalmente foi preso.