thumb|A estátua O Pensador de Auguste Rodin é um símbolo do pensamento filosófico Filosofia (do grego Φιλοσοφία, philosophia, literalmente "amor pela sabedoria") é o estudo de questões gerais e fundamentais relacionadas com natureza da existência humana; do conhecimento; da verdade; valores moral e estético; da razão; da mente; tanto da língua como do universo no seu todo, frequentemente colocadas como problemas a se resolver. O termo provavelmente foi cunhado por Pitágoras ( 495 a.C.).
O conjunto de procedimentos técnicos e científicos filosóficos incluem o questionamento, a discussão crítica, o argumento racional e a apresentação sistemática.
As questões filosóficas clássicas incluem, por exemplo: É possível saber qualquer coisa e provar que se sabe? O que é mais real? Os filósofos também colocam questões como: Existe uma maneira melhor de se viver? É melhor ser justo ou injusto? Os seres humanos têm livre-arbítrio?
Etimologia
A palavra "filosofia" (do grego) é uma composição de duas palavras: philos (φίλος) e sophia (σοφία). A primeira é uma derivação de philia (φιλία) que significa amizade, amor fraterno e respeito entre os iguais; a segunda significa sabedoria ou simplesmente saber. Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber; e o filósofo, por sua vez, seria aquele que ama e busca a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber.Chauí, Marilena. Convite à Filosofia. pág. 19.
A tradição atribui ao filósofo Pitágoras de Samos (c. 570-495 a.C.) a criação da palavra. Conforme essa tradição, Pitágoras teria criado o termo para modestamente ressaltar que a sabedoria plena e perfeita seria atributo apenas dos deuses; os homens, no entanto, poderiam venerá-la e amá-la na qualidade de filósofos.
A palavra philosophía não é uma invenção moderna a partir de palavras gregas, R. Bödéus, "philosophía", in (dir.) Jacob, André, Encyclopédie philosophique universelle, vol. 2: Les notions philosophiqe, tome 2, Paris, PUF. mas um empréstimo tomado da própria língua grega; os termos φιλοσοφος (philosophos) e φιλοσοφειν (philosophein) já teriam sido empregados por alguns pré-socráticos Alquié, F., Signification de la philosophie, Paris, 1971. (Heráclito, Pitágoras e Górgias) e pelos historiadores Heródoto e Tucídides. No período clássico da Grécia antiga, em que viveram Sócrates e Platão, é enfatizada a diferença entre σοφία (sofia) e φιλοσοφία (filosofia), sendo que o último termo expressa uma certa modéstia e ceticismo em relação ao conhecimento humano.
Perspectiva histórica
Em um sentido geral, a filosofia é associada à sabedoria, cultura intelectual e à busca de conhecimento. Nesse sentido, todas as culturas e sociedades letradas fazem perguntas filosóficas como "como viver" e "qual é a natureza da realidade". Como uma concepção ampla e imparcial, a filosofia serve de investigação fundamentada em assuntos como realidade, moralidade e vida em todas as civilizações do mundo.Garfield (Editor), Edelglass (Editor), The Oxford Handbook of World Philosophy, Introduction.
Historicamente, a "filosofia" englobava qualquer corpo de conhecimento. Desde o tempo do filósofo grego antigo Aristóteles até o século XIX, a "filosofia natural" abrangia a astronomia, a biologia, a medicina e a física. Por exemplo a obra de Newton, Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica (1687) mais tarde classificada como um livro de física. No século XIX, o crescimento das universidades de pesquisa modernas levou a filosofia acadêmica e outras disciplinas a se profissionalizar e se especializar.
Outras investigações intimamente relacionadas à arte, ciência, política ou outras atividades continuaram parte da filosofia. Por exemplo, a beleza é objetiva ou subjetiva? Existem muitos métodos científicos ou apenas um? A utopia política é um sonho esperançoso ou apenas fantasia? Os principais subcampos da filosofia acadêmica incluem a metafísica ("preocupa-se com a natureza fundamental da realidade e do ser"), epistemologia (sobre a "natureza e bases do conhecimento [e] ... seus limites e validade"), ética, estética, filosofia política, lógica e filosofia da ciência.
Filosofia ocidental
A Filosofia ocidental é a tradição filosófica do mundo ocidental e data de pensadores pré-socráticos que eram ativos na Grécia Antiga no século VI a.C., como Tales (c. 624-546 a.C.) e Pitágoras (c. 570-495 a.C.) que praticavam um "amor à sabedoria" (philosophia) e também foram denominados physiologoi (estudantes de physis, ou natureza). Sócrates era um filósofo muito influente, que insistia em dizer que não possuía "sabedoria", mas sim que era um "perseguidor da" sabedoria.
A era antiga foi dominada pelas escolas filosóficas gregas que surgiram dos vários alunos de Sócrates, como Platão, que fundou a Academia Platônica e seu aluno Aristóteles, fundando a Escola peripatética, ambos extremamente influentes na tradição ocidental. Outras tradições incluem o cinismo, o estoicismo, o ceticismo e o epicurismo. Os tópicos importantes abordados pelos gregos incluíam a metafísica (com teorias concorrentes como atomismo e monismo), cosmologia, a natureza da vida bem vivida (eudaimonia), a possibilidade do conhecimento e a natureza da razão (logos). Com a ascensão do Império Romano, a filosofia grega também foi cada vez mais discutida em latim por romanos como Cícero e Séneca. Toda a teologia e filosofia cristã, judaica e islâmica posterior foi influenciada por platonismo e aristotelismo.
O início da filosofia ocidental moderna começa com pensadores como Thomas Hobbes e René Descartes (1596-1650). Após o surgimento das ciências naturais, a filosofia moderna se preocupou em desenvolver uma base secular e racional para o conhecimento e afastou-se das estruturas tradicionais de autoridade como a religião, o pensamento escolástico e a Igreja. Os principais filósofos modernos incluem Spinoza, Leibniz, Locke, Berkeley, Hume e Kant. Grécia Antiga
A filosofia grega antiga teve início no século VI a.C. e se estendeu até a decadência do Império Romano no século V d.C. Pode-se dividi-la em quatro períodos: (1) o período dos pré-socráticos; (2) um período humanista, em que Sócrates e os sofistas trouxeram as questões morais para o centro do debate filosófico; (3) o período áureo da filosofia em Atenas, em que despontaram Platão e Aristóteles; (4) e o período helenístico. Às vezes, se distingue um quinto período, que compreende os primeiros filósofos cristãos e os neoplatonistas.Reale, Giovanni; Antiseri, Dario. História da Filosofia. São Paulo: Paulus, 1990. . V. 1. p. 26.
Os primeiros filósofos gregos, geralmente chamados de pré-socráticos, dedicaram-se a especulações sobre a constituição e a origem do mundo. O principal intuito desses filósofos era descobrir um elemento primordial, eterno e imutável que fosse a matéria básica de todas as coisas. Essa substância imutável era chamada de physis (palavra grega cuja tradução literal seria natureza, mas que na concepção dos primeiros filósofos compreendia a totalidade dos seres, inclusive entidades divinas),Bornheim, G. Os filósofos pré-socráticos. p. 13. e, por essa razão, os primeiros filósofos também foram conhecidos como os physiologoi (literalmente “fisiólogos”, isto é, os filósofos que se dedicavam ao estudo da physis).Guerreiro, Mario A. L. Pré-socráticos: a invenção da filosofia. p. 40.
Na transição do século IV para o século III a.C., durante o período helenístico, formam-se duas escolas filosóficas cujos ensinamentos representam uma clara mudança de ênfase em relação à Academia de Platão e à escola peripatética de Aristóteles. Sua preocupação é principalmente a redenção pessoal. Tanto para Epicuro (ca. 341-270 a.C.) e seus seguidores como para Zenão de Cítio e demais estoicos o principal objetivo da filosofia deveria ser a obtenção da serenidade de espírito. As duas escolas também se assemelham na crença de que esse objetivo passa por uma espécie de harmonização entre o indivíduo e a natureza, mas divergem quanto à forma de se realizar essa harmonização. Para Epicuro, a sintonia com a natureza supõe a aceitação das necessidades e desejos naturais e dos prazeres sensoriais. Dessa forma, ele preconiza a fruição moderada dos prazeres e a comedida gratificação dos desejos. Os estoicos, por outro lado, sustentavam a crença de que o cosmos e os seres humanos partilhavam do mesmo logos divino. O ideal filosófico de vida seria, na concepção dos estoicos, a adesão à necessidade racional da natureza e o desenvolvimento de uma absoluta imperturbabilidade (ataraxia) em relação aos fatos e eventos do mundo.
Mito e filosofia
Originalmente, a palavra grega mythos significava simplesmente palavra ou fala;Coupe, Laurence. Myth. 2nd. ed. London; New York: Routledge, 2009. p. 9. mas o termo remetia também à noção de uma palavra proferida com autoridade.Morgan, Katheryn. Myth and Philosophy. Cambridge: Cambridge University Press, 2004. p. 17. As histórias épicas de Homero, permeadas de intervenções sobrenaturais, ou a teogonia de Hesíodo eram mythos no sentido de serem anúncios revestidos de autoridade, dignos de crédito e reverência.
Gradualmente, o termo foi assumindo outro sentido e já à época de Platão e Aristóteles o mythos era empregado para caracterizar histórias fictícias ou absurdas que se afastariam do logos — isto é, do discurso racional.Vernant, Jean-Pierre. Myth and Society in Ancient Greece. London: Methuen, 1982: "o conceito de mito peculiar à antiguidade clássica tornou-se, assim, claramente definido pela oposição entre mythos e logos, desde então vistos como termos separados e contrastantes" (p. 187). Aristóteles, por exemplo, considerava a filosofia como um empreendimento intelectual completamente distinto das elaborações mitológicas. Na Metafísica, ao tratar do problema da incorruptibilidade, Aristóteles menciona Hesíodo e, logo em seguida, descarta suas opiniões, pois, segundo ele, “não precisamos perder tempo investigando seriamente as sutilezas dos criadores de mitos.”Aristóteles. Metafísica, III, 4.
Os mitos de Prometeu e mito de Pandora narram não só a descoberta do fogo e seu manuseio pelo homens mas demonstra como no período pré-socrático todos os eventos terrenos decorrem das intenções dos deuses, incluindo todos os males, felizmente, o mito de Pandora é reescrito pela filosofia socrática/platônica, essa revolução permitiu reconstruir a estória e tornou possível fazer do homem o sujeito de sua própria História.
Roma Antiga
Roma conheceu e assimilou a literatura, a filosofia e o teatro da Grécia mas logo desenvolveu o próprio estilo; os romanos adotaram o hábito da leitura e da escrita influenciados pelos gregos, assim, a arte de ler, escrever e falar em público (oratória) se tornou essencial na educação dos cidadãos.
Na filosofia, adoram valores éticos gregos e voltaram-se para a valorização da moral. Os principais filósofos romanos são Cícero, Marco Aurélio, Sêneca, Horácio e Macróbio.
Filosofia medieval