( Parmenides) é um dos diálogos de Platão. No diálogo são apresentadas eminentemente questões referentes à tese das formas inteligíveis, à ontologia platônica e ao Um (ou "Uno"), em suas relações de todo e parte (mereologia), unidade e multiplicidade, repouso e movimento, ser e não-ser, e de mesmidade e alteridade. thumb|O começo do diálogo Parmênides de acordo com o manuscrito medievo mais antigo, escrito em 895 d.C.,Codex Clarkianus (Oxford, Biblioteca Bodleiana, Clarke 39)

Personagens do Diálogo

Os personagens principais são Sócrates, Parmênides e Zenão de Eleia. Em um primeiro plano, outros personagens dramáticos estão presentes: Céfalo de Clazômenas (não é, portanto, o Céfalo do diálogo A República), Antifonte (irmão de Platão por parte de mãe), Adimanto e Gláucon (irmãos de Platão, também presentes no diálogo A República). Em um segundo plano estão: Aristóteles (um dos trinta tiranos que governaram Atenas após a Guerra do Peloponeso) e Pitodoro (filho de Isolocos).Maura Iglésias e Fernando Rodrigues. Notas sobre a composição dramática do diálogo. In: PLATÃO. Parmênides. Rio de Janeiro\São Paulo: PUC-Rio e Loyola, 2003, pp. 14-18.

Questões relativas à Obra

É geralmente considerado como um dos mais difíceis, se não um dos mais enigmáticos e desafiadores, diálogos de Platão.Rickless bGill, Mary Louise. Parmenides. Indianapolis: Hackett, 1996, p. 1.Meinwald 367 O Parmênides se presta a uma grande variedade de interpretações, as quais dependerão o sentido e o significado não só do diálogo, mas do conjunto da obra de Platão.Maura Iglésias e Fernando Rodrigues. Apresentação do Diálogo. In: PLATÃO. Parmênides. Rio de Janeiro\São Paulo: PUC-Rio e Loyola, 2003, p. 7 e ss.

O diálogo estrutura-se em dois planos. No primeiro, o personagem Céfalo descreve seu encontro com Gláucon e Adimanto e, depois, com Antifonte. Seu objetivo é ouvir a narração da conversa ocorrida entre Sócrates, Parmênides e Zenão. Tal narração só poderia ser feita por Antifonte, pois este havia tido uma relação muito próxima à Pitodoro, companheiro de Zenão, que, por sua vez, havia transmitido muitas vezes o relato da conversa ao mesmo.Maura Iglésias e Fernando Rodrigues. Notas sobre a composição dramática do diálogo. In: PLATÃO. Parmênides. Rio de Janeiro\São Paulo: PUC-Rio e Loyola, 2003, p. 13. No segundo, ocorre a narração da conversa por Antifonte, à qual estiveram presentes também Pitodoro e Aristóteles (não se trata do famoso filósofo aqui).

O Parménides supõe, portanto, uma ocasião em que se encontraram dois grandes filósofos da escola eleática, Parménides e Zenão de Eleia, a que se juntou o jovem Sócrates. O motivo do encontro foi a leitura por parte de Zenão do seu tratado a defender o monismo de Parménides contra os apoiantes da pluralidade que diziam que a suposição de Parménides de que existe uma unidade, dá origem a contradições e absurdos.

No diálogo há uma tensão entre uma primeira e segunda partes. Na primeira o jovem Sócrates introduz sua crítica a Zenão, apresentando a tese das formas inteligíveis, e a vê submetida à crítica de Parmênides. A segunda parte é uma demonstração do método de investigação utilizado por Zenão, no qual o personagem Parmênides recomenda a Sócrates exercitar-se, para melhor investigação de sua teoria.Maura Iglésias e Fernando Rodrigues. Apresentação do Diálogo. In: PLATÃO. Parmênides. Rio de Janeiro\São Paulo: PUC-Rio e Loyola, 2003, p. 11. Uma segunda interpretação mais moderna (neoplatônica) diz que a segunda parte do diálogo teria uma importância maior, posto que o um da tese de Parmênides é ali hipostasiado (uma realidade em si com valor substantivo) e, assim, o um da primeira hipótese é identificado com o Bem de que fala A República e, finalmente, erigido em primeiro princípio, de onde emanam todas as coisas, inteligíveis e sensíveis.

Citação

No começo do diálogo Céfalo se refere às narrações de Antifonte e Pitodoro, que tratam sobre o encontro do jovem Sócrates com os filósofos Parmênides e Zenão de Eleia. Ali Antifonte afirma ter Pitodoro visto a primeira reação de Sócrates (127e) a leitura da tese de Zenão:PLATÃO. Parmênides. Tradução, apresentação e notas por Maura Iglésias e Fernando Rodrigues. Rio de Janeiro\São Paulo: PUC-Rio e Loyola, 2003, p. 25.

Textos e traduções

Burnet, J., Plato. Opera Vol. II (Oxford University Press, 1903). (grego com aparato crítico). Fowler, H. N., Plato Vol. IV (Harvard University Press, 1926). Loeb Classical Library 167. (grego e inglês) Zekl, H. G., Platon. Parmenides (Meiner Verlag, 1972). (grego e alemão) Allen, R. E., Plato's Parmenides, Revised Edition (Yale University Press, 1997). (inglês com comentários) Cornford, F. M., Plato and Parmenides (Routledge, 1939). (inglês com comentários) Gill, M. L. and Ryan, P., Plato: Parmenides (Hackett Publishing, 1996). (inglês com notas) Scolnicov, S., Plato's Parmenides (University of California Press, 2003). (inglês com comentários) Turnbull, R., The Parmenides and Plato's Late Philosophy (University of Toronto Press, 1998). (inglês com comentários)

Referências

Bibliografia

PLATÃO. Parmênides. Tradução do grego, apresentação e notas por Maura Iglésias e Fernando Rodrigues. Rio de Janeiro\São Paulo: PUC-Rio e Loyola, 2003. PLATÃO. Parmênides - Filebo. In: Diálogos de Platão. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: Universidade Federal do Pará, 1974.

Ligações externas

Parménides o de las ideas (filosofia.org)

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