Quarta Feira é uma aldeia pertencente à freguesia de Sortelha, Município do Sabugal, onde residem cerca de 80 pessoas
O habitantes dedicam-se sobretudo à agricultura ou trabalham no Sabugal ou na Guarda.
Na povoação existe um grupo de teatro, existindo um auditório onde costumam haver representações. Em Quarta Feira, existe ainda uma capela, realizando-se geralmente uma festividade no mês de agosto.
Inserida na região histórica da Beira Alta (atualmente na sub-região das Beiras e Serra da Estrela), a localidade destaca-se pelo seu isolamento geográfico típico do interior beirão, pela sua antiga tradição mineira e por uma forte identidade cultural assente em tradições orais e manifestações artísticas locais.
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Toponímia e Lendas O nome invulgar da aldeia é alvo de forte tradição oral, existindo duas lendas principais para justificar a sua origem:
A lenda do almocreve: Reza a história que um almocreve (antigo comerciante itinerante) passava regularmente pela zona para vender mercadorias. Quando os poucos habitantes locais lhe perguntavam quando regressaria àquela paragem, o comerciante respondia invariavelmente: "À quarta-feira". Com o tempo, a propriedade original ficou conhecida como "Quinta da Quarta Feira", dando mais tarde nome ao povoado. A lenda da transação: Outra versão popular aponta para que os terrenos originais pertencessem a um grande proprietário da Covilhã. Este senhorio terá vendido as terras num dia de quarta-feira, batizando o local em memória do dia em que se oficializou o negócio.
História Durante o século XX, a aldeia de Quarta Feira acompanhou o surto mineiro que caracterizou a região da Beira Interior. A povoação esteve ligada à prospeção e exploração de minérios, atividade que serviu de sustento a várias famílias da terra antes do declínio generalizado da atividade extrativa na região. Nas últimas décadas, a exemplo de outras localidades do concelho do Sabugal, a aldeia sofreu um acentuado fenómeno de desertificação humana e envelhecimento demográfico devido à emigração para o estrangeiro (sobretudo para França) e para os grandes centros urbanos do litoral português.
Cultura e Tradições Apesar da sua reduzida dimensão demográfica, Quarta Feira mantém vivas manifestações culturais singulares: Leitura da «Fama»: É uma das tradições mais antigas da aldeia, realizada anualmente em fevereiro (durante a época de Carnaval). Trata-se de uma celebração comunitária e satírica onde são declamados versos rimados que retratam, de forma humorística, as peripécias, cosquilhices e acontecimentos marcantes da vida dos habitantes ao longo do ano anterior. Ligação às Artes e Escultura: A aldeia é reconhecida a nível regional pela produção de escultura em pedra, uma dinâmica impulsionada por criadores locais, com destaque para a figura de João Reis (pedreiro, escultor e ator autodidata natural da aldeia). Festividades: A festa anual da aldeia realiza-se habitualmente no mês de agosto, servindo como ponto de encontro para a comunidade local e para os emigrantes que regressam no verão.
A Rivalidade entre Quarta Feira e Dirão da Rua refere-se ao antagonismo histórico, territorial e cultural entre duas aldeias anexas da freguesia de Sortelha, no concelho do Sabugal, Portugal. Esta rivalidade, comum a várias comunidades vizinhas da Beira Interior, manifestava-se sobretudo na disputa pelo controlo simbólico e territorial do Monte de São Cornélio, situado entre as duas povoações.
O Incidente da Capela de São Cornélio O episódio mais tenso da história recente das duas aldeias ocorreu em 1970, quando a capela situada no topo do Monte de São Cornélio apareceu com o telhado totalmente destruído. A crença popular na aldeia de Dirão da Rua atribuiu imediatamente a responsabilidade do ato a um grupo de jovens da Quarta Feira, motivados por picardias antigas. Embora nunca tenham sido apresentadas provas legais, a acusação alimentou o clima de desconfiança mútuo até à reconstrução do templo na década de 1980.
A Disputa Toponímica do Sobreiro Os limites territoriais e a identidade de cada povoação eram também marcados pela designação dada aos elementos naturais partilhados. Um sobreiro centenário isolado, situado no cume da serra divisória, possui dois nomes distintos consoante a comunidade: Cabeço do Sobreiro: Designação utilizada exclusivamente pelos habitantes de Dirão da Rua. Longo Sobreiro: Designação reivindicada e utilizada pelos habitantes de Quarta Feira.
Diferenças de Identidade e Toponímia As próprias origens lendárias do nome de cada aldeia refletem a sua matriz identitária distinta: Quarta Feira: O nome estará associado à rota de um antigo almocreve que apenas pernoitava no local às quartas-feiras, ou à venda de uma antiga propriedade rural nesse dia da semana. Atualmente, a aldeia destaca-se pelo investimento em arte pública e esculturas do artista local João Reguinha. Dirão da Rua: Deriva da evolução de "Quinta do Durão da Rua" (século XVI). A tradição oral associa o nome à história de um habitante que construiu quatro paredes para se abrigar do vento forte da serra e questionou os vizinhos: "Que dirão os da rua?".
Atualidade Com o fenómeno do êxodo rural e o acentuado envelhecimento demográfico que afetou o concelho do Sabugal nas últimas décadas, as antigas hostilidades físicas e verbais desapareceram. A rivalidade subsiste atualmente sob a forma de património oral, memórias partilhadas e partidas informais, assumindo um caráter folclórico e nostálgico, visível sobretudo durante as festividades de verão, quando os emigrantes regressam às respetivas localidades.
Demografia e Economia Por não constituir uma freguesia autónoma, os dados dos Censos oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) são contabilizados de forma agregada na freguesia de Sortelha. Estima-se que a população residente ronde atualmente os 80 habitantes.
A economia local baseia-se essencialmente na agricultura de subsistência (produção de azeite, vinho, batata e pequena pecuária). A população em idade ativa divide-se entre os serviços locais e a deslocação diária para os centros urbanos mais próximos, como a sede de concelho (Sabugal) ou a capital de distrito (Guarda).
Ver também Sabugal Sortelha
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