Os brasileiros brancos, de acordo com o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), formavam 43,46% da população do Brasil, com 88 252 121 de pessoas, em um total de 203 080 756 de habitantes. No mesmo censo, 92 083 286 declararam-se pardos (45,34%) e 20 656 458 declararam-se pretos (10,17%). Os brancos estão presentes em todo o território brasileiro e em 2015 deixaram de ser maioria no país, sendo superados pela população parda.

Na estimativa de 2012, os brancos ainda eram maioria, representando 46,6% da população, os pardos eram 45,3% e os pretos eram 7,4%. Em 2016, a população brasileira estimada pelo IBGE era de 205,5 milhões de habitantes. A população que se declarou branca foi de 90,9 milhões de pessoas (44,2%) e os que se declararam pardos foram 95,9 milhões de pessoas (46,7%). Já os que se declararam pretos foram 16,8 milhões de pessoas (8,2%).

Na estimativa populacional de 2017, a população que se declarou branca foi de 90,38 milhões (43,6%), enquanto os que se declaram pardos foram 96,9 milhões (46,8%). A mesma estimativa apontou também que nas regiões Sul e Sudeste, predominava a população branca (75,6% e 51,2%, respectivamente). Os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo são os únicos estados do país onde a população branca é maioria em todas as regiões superando os 50%. Os brancos também podem ser encontrados com uma porcentagem que supera os 50% em algumas áreas do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Rio Grande do Norte.

Os brasileiros brancos são as pessoas que assim se declaram e se veem. A principal ancestralidade dos brasileiros brancos atuais é portuguesa. Historicamente, os portugueses foram os europeus que mais imigraram para o Brasil: estima-se que, entre 1500 e 1808, 500.000 deles foram morar no Brasil, e foram praticamente o único grupo europeu a se ter estabelecido definitivamente na colônia. E, mesmo após a independência, os portugueses estavam entre as nacionalidades que mais imigraram para o Brasil. Nos séculos XIX e XX, outros europeus imigraram para o Brasil e, atualmente, milhões de brasileiros também são descendentes de italianos, de espanhóis, de alemães e de outras nacionalidades minoritárias.

Os brasileiros brancos, em geral, não são descendentes somente de europeus, mas também de africanos e de indígenas, conforme comprovam os estudos históricos e antropológicos, bem como análises de marcadores genéticos. Isso porque, entre os colonos europeus no Brasil, sempre houve mais homens que mulheres, e os homens brancos frequentemente tinham que procurar companheiras de origem africana ou indígena. Após séculos de miscigenação e contínua imigração europeia, formou-se no Brasil uma população "branca por definição", cuja ancestralidade é complexa e heterogênea. Assim, no Brasil, normalmente é reconhecida como "branca" a pessoa que tem uma aparência física mais próxima da europeia, e o fato de a pessoa ter sabida ancestralidade africana e indígena não impede que ela seja vista e veja a si mesma como branca.

Conceito de branco no Brasil O conceito de "branco" no Brasil é diferente daquele que prevalece em outros países. Nos Estados Unidos, historicamente são consideradas como brancas as pessoas com ascendência exclusivamente europeia. No Brasil, isso não existe. Segundo uma pesquisa do ano 2000 feita no Rio de Janeiro, 52% dos entrevistados que se classificaram como brancos admitiram que tinham antepassados africanos ou indígenas. Assim, no Brasil, é normal que as pessoas saibam que têm ancestralidade negra ou indígena, e mesmo assim se vejam como brancas.

No Brasil, foi historicamente impossível a formação de uma população branca de ascendência exclusivamente europeia. Nos primeiros séculos de colonização, praticamente somente homens portugueses imigraram para o Brasil, uma vez que as mulheres portuguesas eram muitas vezes impedidas de imigrar. Devido a esse desequilíbrio entre os sexos, os colonos portugueses frequentemente tiveram de relacionar-se com mulheres indígenas ou com negras africanas, dando origem a uma população extremamente miscigenada. Esse fenômeno foi seguido pelo denominado acasalamento preferencial: alguns filhos de um homem branco com uma mulher negra, por exemplo, nasciam com traços físicos mais europeus, ao passo que outros nasciam com traços mais africanos. Os irmãos com traços mais europeus tendiam a casar-se com outras pessoas igualmente claras e eram vistos como "brancos", enquanto que os irmãos com traços mais africanos tendiam a casar-se com pessoas igualmente escuras e eram vistos como "negros". Assim, formou-se no Brasil uma população "clara", mas com significativa ancestralidade africana, assim como uma população "escura" com significativa ancestralidade europeia, sendo a aparência física um fator fraco para determinar a origem genética da população.

No final do século XIX, quando as ideias de eugenia racial chegaram ao Brasil, uma segregação racial extrema, nos moldes dos Estados Unidos ou da África do Sul, que separasse os "brancos" dos "não brancos", foi considerada impraticável, pois isso excluiria inclusive muitos membros da elite brasileira.

Assim, no Brasil, as classificações raciais são mais flexíveis e baseadas primordialmente nas características físicas da pessoa, como cor da pele, tipo de cabelo e outros traços físicos, tendendo a identificar como "branca" a pessoa que tem a pele mais clara. No Brasil, é possível que irmãos, filhos dos mesmos pais, sejam classificados como racialmente diferentes, se tiverem tons de pele contrastantes. Historicamente, ser branco no Brasil era visto como um elemento facilitador, que ajudaria na mobilidade social. No Brasil, um mulato de pele escura pode até mesmo ser considerado branco, se ele for rico e bem educado (a relação entre riqueza e brancura no país, enfatizada por alguns autores).

O conceito de quem é branco também varia geograficamente: nas regiões brasileiras onde os brancos são minoria, os pardos de pele mais clara são mais facilmente vistos como "brancos" do que nas regiões com maior proporção de brancos. Devido ao histórico estigma e preconceito construídos no país em relação às populações negras e indígenas, o conceito de brancura no Brasil é ainda mais complexo, pois muitos brasileiros com traços mestiços afirmam ser brancos, acreditando que isso lhes agrega maior valor. Em O Povo Brasileiro, o antropólogo Darcy Ribeiro chegou mesmo a afirmar que a maioria dos brasileiros que dizem ser brancos seriam "mestiços" ou "pardos".

História

Colonização portuguesa

thumb|Homem e mulher do Brasil colonial (obra de Carlos Julião) thumb|Vestimentas das mulheres brancas do Rio de Janeiro colonial (obra de Carlos Julião) thumb|Homem branco entregando carta de amor a uma mulher mulata (obra de Carlos Julião)

O Brasil recebeu mais imigrantes europeus na sua época colonial do que os Estados Unidos da América. Entre 1500 e 1760, 700.000 europeus se instalaram no Brasil, enquanto 530.000 europeus se instalaram nos Estados Unidos no mesmo período.

Nos primeiros dois séculos de colonização (XVI–XVII), estima-se que não mais que cem mil portugueses foram para o Brasil. Eram imigrantes mais abastados, que se fixaram principalmente nas capitanias de Pernambuco e Bahia, para explorar a produção de açúcar, que era a atividade mais lucrativa da colônia naquela época. Ao fim do século XVI, a população branca (portuguesa, na grande maioria) já passava de trinta mil indivíduos, concentrando-se principalmente nas capitanias de Pernambuco, Bahia e São Vicente. O processo de colonização continuou ao longo do século XVII e ao final do século, a população branca já era de cerca de cem mil pessoas.

É notável que a maior parte dos colonos portugueses chegou ao Brasil no século XVIII: seiscentos mil em um período de apenas sessenta anos. Inicialmente, pouco atrativo durante os dois primeiros séculos de colonização, por concentrar a produção açucareira, que exigia elevados investimentos, a partir do final do século XVII e início do XVIII, com o recuo do império português na Ásia e as descobertas de ouro na região das Minas, atual estado de Minas Gerais, criam-se condições favoráveis à vinda de imigrantes portugueses ao Brasil. Não havia necessidade de grandes investimentos para a atividade mineradora. A mineração nestas regiões foi um fator crucial para a chegada deste contingente de imigrantes.

Uma característica da colonização portuguesa é que ela era dominantemente masculina. A emigração portuguesa para o Brasil nos séculos XVI e XVII foi composta praticamente somente por homens. O colono português típico no Brasil era um jovem no fim da adolescência ou com pouco mais de vinte anos, proveniente das províncias do Norte de Portugal, mais notadamente do Minho e de Trás-os-Montes e Alto Douro, ou das ilhas atlânticas. Mulheres brancas em idade de se casar eram raras em todo o império marítimo português. As poucas famílias portuguesas que imigraram para o Brasil tendiam a ficar no litoral, nos portos marítimos, raramente penetrando o interior. A situação se modificou um pouco no século XVIII, quando aumentou a migração de famílias e mulheres oriundas das ilhas dos Açores e da Madeira.

Além do fato de que eram raras as mulheres portuguesas que chegavam à colônia em idade de se casar, as poucas mulheres brancas que restavam frequentemente se mantinham celibatárias, pois era tradição entre as famílias brancas aristocráticas ou de maior poder aquisitivo enviar suas filhas para conventos, onde seguiam o caminho religioso.

Dada essa ausência de mulheres brancas disponíveis ao matrimônio, se mostrava inevitável que o colono português tomasse como amante uma mulher de origem africana ou indígena. A preocupação da Coroa Portuguesa com a escassez de casamentos entre brancos sacramentados pela igreja se mostrou evidente em 1732, quando dom João V proibiu a saída de mulheres do Brasil, salvo algumas exceções. Visando coibir a miscigenação, em decreto real de 1726, o rei exigia que todos os candidatos a cargos nas câmaras municipais de Minas Gerais deveriam ser brancos e maridos ou viúvos de mulheres brancas. Medidas restritivas como esta, porém, não conseguiriam restringir a tendência natural à miscigenação na colônia. thumb|esquerda|Representação de Estácio de Sá e outros portugueses chegando ao Brasil, em 1565

Assim, a população "branca" do Brasil colonial não se formou pela multiplicação de famílias europeias na colônia, como ocorreu, por exemplo, nos Estados Unidos, mas pela miscigenação entre pais europeus e mães africanas ou indígenas, dando origem a uma população "branca por definição", quase toda mestiçada, em maior ou em menor grau. Esta população, falando português e completamente integrada à cultura neobrasileira, ajudaria o colonizador a impor sua marca dominante no Brasil. O grau de "brancura" no Brasil colonial não era medido apenas pela ascendência ou pelo fenótipo (cor da pele, tipo de cabelo, traços físicos), mas também por qualidades como classe social, riqueza, posição social. Havia uma flexibilidade nas classificações raciais, o que alguns autores chamam de "válvula de escape mulata", uma vez que na América Portuguesa, diferente de outros pontos das Américas, uma pessoa não era irrevogavelmente negra ou branca, havendo maior permeação. Em suma, havia tantas "exceções" que a exceção se tornava a regra no Brasil colonial.