Cidade de Londres (em inglês: City of London, ou simplesmente The City) é uma cidade, condado cerimonial, centro financeiro e centro histórico na Grande Londres, Inglaterra. Com uma população por volta de 10 mil pessoas, a cidade localiza-se no centro da área metropolitana de Londres, à margem do rio Tâmisa. Possui uma área de apenas 2,6 km², ou aproximadamente uma milha quadrada, razão pela qual é referida como "The Square Mile".

A City é o principal centro financeiro da Europa. Com uma singular concentração de bancos e de peritos internacionais, contando com o suporte legal de sistema regulatório eficiente e com um avançado sistema de comunicações, apoiado em uma sólida infraestrutura de tecnologia da informação, a área oferece uma imensa gama de serviços destinados a profissionais dos negócios, além de estar inserida em uma capital vibrante e dotada de peculiar diversidade cultural - uma das cidades mais interessantes do planeta.

A autoridade governante da Square Mile empenha-se em suprir as necessidades da comunidade internacional de negócios e manter um ambiente no qual as organizações de todo o mundo possam exercer seu papel no financiamento e desenvolvimento do comércio global.

História thumb|left|Um fragmento remanescente da Muralha de Londres, construída por volta de 200 d.C., próximo a Tower Hill. A história da Cidade de Londres começa com a fundação romana de Londínio por volta de 43 d.C., no local da atual City. A construção de uma ponte sobre o rio Tâmisa transformou o assentamento em um importante centro viário e portuário da Bretanha Romana. Escavações arqueológicas não indicam uma presença pré-romana significativa, reforçando a interpretação de que Londres teve uma origem essencialmente romana.

No auge, Londínio possuía entre 45.000 e 60.000 habitantes e destacava-se por sua diversidade étnica, reunindo populações de várias regiões do Império Romano. Entre os séculos II e III, os romanos construíram a Muralha de Londres, cujos limites se aproximam dos da City atual. Apesar disso, a partir do século III a cidade entrou em declínio, afetada por crises do Império Romano, ataques externos e, finalmente, pela retirada romana da Britânia em 410.

Após o abandono de Londínio, o centro populacional deslocou-se para Lundenwic, mais a oeste. Durante o período anglo-saxão, Londres esteve sob o domínio de diferentes reinos e sofreu repetidas ameaças de invasões, incluindo as vikings. No ano de 604, segundo Beda, foi estabelecido o primeiro bispado cristão, com a construção de uma igreja dedicada a São Paulo, origem da futura Catedral de São Paulo.</p>

Em 886, Alfredo, o Grande, rei de Wessex, reconquistou e restaurou a antiga cidade romana murada, marcando um ponto de virada na história de Londres e da formação do Reino da Inglaterra. A partir da Idade Média, Londres consolidou instituições próprias, como a City of London Corporation, mantendo privilégios administrativos e políticos únicos, apesar de crises como a Revolta dos Camponeses de 1381 e grandes incêndios, especialmente o Grande Incêndio de Londres de 1666.</p>

Do período moderno em diante, Londres afirmou-se como centro financeiro e comercial global, com a fundação da Royal Exchange e o fortalecimento do setor bancário. A expansão urbana dos séculos XVIII e XIX transformou a cidade em uma vasta metrópole, enquanto a City manteve sua identidade distinta. No século XX, apesar dos danos causados pela Segunda Guerra Mundial e de atentados terroristas, a área passou por intensos processos de reconstrução e verticalização, preservando até hoje seu papel central na vida política, econômica e histórica de Londres.

Governo e administração thumb|left|Guildhall é o centro cerimonial e administrativo da cidade. thumb|left|Mansion House é a residência oficial do Lord Mayor. A Cidade de Londres apresenta um sistema de governança singular no contexto britânico, resultado de uma continuidade institucional quase ininterrupta desde a Idade Média. Diferentemente das demais autoridades locais do Reino Unido, a City não foi submetida às reformas do Municipal Corporations Act 1835, preservando estruturas políticas próprias que refletem sua função histórica como centro comercial, financeiro e jurídico.</p>

A administração local é exercida pela City of London Corporation, uma das mais antigas instituições municipais em funcionamento contínuo no mundo. À frente da Corporation está o Lord Mayor of London (Lorde Prefeito de Londres), cargo de caráter sobretudo representativo e cerimonial, mas com forte projeção internacional na promoção do setor financeiro da Cidade. Esse posto não deve ser confundido com o Mayor of London (Prefeito de Londres), responsável pela administração da Grande Londres desde o ano 2000.

A estrutura institucional da Corporation baseia-se em dois órgãos principais. O Court of Aldermen, composto por representantes dos distritos históricos, desempenha hoje funções majoritariamente cerimoniais e judiciais. Já o Court of Common Council constitui o principal órgão deliberativo, responsável pela formulação de políticas públicas, gestão administrativa e definição orçamentária. Complementam essa estrutura dois xerifes, cujas funções remontam ao período medieval, e o Common Hall, assembleia formada pelos membros das tradicionais livery companies, encarregada de eleger o Lord Mayor e outros oficiais.

O território da City está dividido em 25 wards ("divisões"), unidades administrativas de origem medieval que permanecem centrais no sistema político local. Cada ward elege um alderman e um número variável de representantes para o Court of Common Council, conforme o tamanho de seu eleitorado. Reformas realizadas em 1994, 2003 e 2013 ajustaram os limites desses distritos, buscando equilibrar a representação entre áreas predominantemente comerciais e as poucas zonas residenciais ainda existentes. O sistema eleitoral da Cidade distingue-se de qualquer outro no Reino Unido por manter o chamado voto corporativo. Além dos residentes, empresas, instituições financeiras e organizações sediadas no território possuem direito de indicar eleitores, reconhecendo o fato de que a população diurna da City — composta majoritariamente por trabalhadores — supera amplamente o número de moradores permanentes. Esse modelo foi ampliado pelo City of London (Ward Elections) Act 2002, gerando debates sobre sua compatibilidade com os princípios democráticos contemporâneos.

Dentro dos limites da City encontram-se ainda áreas com estatuto jurídico especial, notadamente o Inner Temple e o Middle Temple, localizados no ward de Farringdon Without. Essas áreas funcionam como liberties, gozando de autonomia administrativa e mantendo uma relação histórica com as Inns of Court, instituições centrais na formação e organização da advocacia inglesa. As atribuições da City of London Corporation ultrapassam amplamente seu pequeno território. A instituição administra mercados históricos como Smithfield Market e Leadenhall Market, vastas áreas verdes na Grande Londres — incluindo Epping Forest e Hampstead Heath —, além de manter sua própria força policial, a City of London Police. Também é responsável por importantes pontes sobre o Tâmisa, como a Tower Bridge, e por instituições culturais de relevo, como o Barbican Centre. Esse conjunto de prerrogativas faz da Cidade de Londres um caso único de sobrevivência institucional medieval adaptada às exigências de um centro financeiro global, combinando tradição, autonomia e influência desproporcional ao seu reduzido tamanho territorial.

thumb|Brasão da cidade de Londres na rua.

Geografia A Cidade de Londres é o menor condado cerimonial da Inglaterra em área e população, e o quarto mais densamente povoado. Dos 326 distritos ingleses, é o segundo menor em população, depois das Ilhas de Scilly, e o menor em área. É também a menor cidade inglesa em população (e, na Grã-Bretanha, apenas duas cidades no País de Gales são menores) e a menor do Reino Unido em área. A elevação da City varia do nível do mar, no rio Tâmisa, até no cruzamento de High Holborn com Chancery Lane.dados do Ordnance Survey Duas colinas pequenas, mas notáveis, situam-se no núcleo histórico: Ludgate Hill, a oeste, e Cornhill, a leste. Entre elas corria o Walbrook, um dos muitos “rios perdidos” subterrâneos de Londres (outro é o rio Fleet).

Limites thumb|250px|Mapa da Cidade de Londres. Os limites modernos da Cidade de Londres mostram os boroughs londrinos ao redor e o limite anterior a 1994 (onde houve mudanças) em vermelho. A área ocupada pelo Inner Temple e pelo Middle Temple é marcada em verde.

Começando a oeste, onde a City faz fronteira com Westminster, o limite cruza o Victoria Embankment a partir do Tâmisa, passa a oeste do Middle Temple, depois segue por uma curta distância ao longo da Strand e perto de Temple Bar, e então segue para o norte pela Chancery Lane, onde faz fronteira com Camden. Vira para leste ao longo de Holborn até Holborn Circus e depois segue para nordeste até Charterhouse Street. Ao cruzar a Farringdon Road, passa a ser a fronteira com Islington. Continua até Aldersgate, segue para o norte e depois vira para leste em ruas secundárias logo após Aldersgate tornar-se Goswell Road, desde 1994 abrangendo toda a Golden Lane Estate da corporação. Ali, em Baltic Street West, está o ponto mais setentrional. O limite inclui toda a Barbican Estate e continua para leste ao longo da Ropemaker Street e, do outro lado de Moorgate, torna-se South Place. Segue para o norte, alcançando a fronteira com Hackney, depois para leste, norte e novamente leste por ruas secundárias, com a Worship Street formando um limite norte, de modo a incluir o empreendimento Broadgate. O limite então vira para o sul em Norton Folgate e passa a ser a fronteira com o borough londrino de Tower Hamlets. Continua para o sul até Bishopsgate e utiliza algumas ruas secundárias até Middlesex Street (Petticoat Lane), onde segue para sudeste e depois para o sul. Em seguida, vira para sudoeste, cruzando a Minories para excluir a Torre de Londres, e então alcança o Tâmisa.

O limite segue então pelo centro do canal de maré baixa do Tâmisa, com a exceção de que a Ponte Blackfriars (incluindo o rio abaixo dela e o terreno em sua extremidade sul) faz inteiramente parte da City, tornando a Cidade e o borough londrino de Richmond upon Thames os únicos distritos de Londres a se estenderem ao norte e ao sul do rio. O vão e o apoio sul da Ponte de Londres fazem parte da Cidade para alguns finsLondon Bridge Act 1967 seção 35 (e, como tal, fazem parte do distrito Bridge).City of London Corporation Mapas interativos (serviços eleitorais: limites dos distritos)

Os limites são marcados por balizadores pretos com o emblema da cidade e por marcas de dragão nas principais entradas, como em Holborn e na extremidade sul da Ponte de Londres. Um monumento mais substancial marca o limite em Temple Bar, na Fleet Street.

Em alguns locais, o distrito financeiro se estende ligeiramente além dos limites, especialmente ao norte e a leste, nos boroughs londrinos de Tower Hamlets, Hackney e Islington, e informalmente essas áreas são consideradas parte da “Square Mile”. Desde a década de 1990, a faixa oriental, estendendo-se por Hackney e Tower Hamlets, tem sido cada vez mais um foco de grandes empreendimentos de escritórios devido à disponibilidade de grandes terrenos em comparação com o interior da City.

Jardins e arte pública thumb|250px|O Finsbury Circus, o maior espaço público aberto, visto a partir da Tower 42.

A City não possui parques de grande porte dentro de seus limites, mas conta com uma rede de muitos jardins e pequenos espaços abertos, muitos deles mantidos pela corporação. Estes variam desde jardins formais, como o de Finsbury Circus, que contém uma pista de boliche e um coreto, até antigos pátios de igrejas, como St Olave Hart Street, além de elementos aquáticos e obras de arte em pátios e vias de pedestres.

Os jardins incluem: Barber-Surgeon's Hall Garden, London Wall