thumb|280px|Thymus serpyllum (ilustração). thumb|280px|Peronema canescens (ilustração). thumb|280px|Melissa thumb|280px|Mentha thumb|280px|Origanum Lamiaceae (antiga Labiatae Adanson, nom. cons.) é uma família de plantas com flor, pertencente à ordem das Lamiales, que agrupa mais de espécies, repartidas por cerca de 236 géneros colocados em 12 agrupamentos geralmente considerados ao nível de subfamília. Na circunscrição que lhe é dada pelo sistema APG IV, é considerada a 7.ª maior família de plantas com flor. Os membros desta família cosmopolita são arbustos, herbáceas perenes ou anuais, raramente árvores ou lianas, na maioria dos casos plantas aromáticas. Muitas espécies são utilizadas como ornamentais e em paisagismo por possuírem diversidade de formas e tipo de flores, mas a sua maior importância reside no uso como ervas culinárias e na produção de óleos essenciais para perfumaria, cosmética e indústria farmacêutica.
Descrição A família Lamiaceae, conhecida popularmente por labiadas, família da hortelã ou família da menta, caracteriza-se por muitas das espécies que a integram muitas serem fortemente aromáticas em todas as suas partes. A família inclui ervas culinárias amplamente utilizadas, como manjericão, hortelã, alecrim, sálvia, segurelha, manjerona, orégano, hissopo, tomilho, lavanda e shiso (ou manjaricão-japonês), bem como remédios de ervanária, como catnip (erva-dos-gatos), escutelária-chinesa, bálsamo-de-abelha, rabo-de-leão, e erva-mãe oriental.
A etimologia do nome Labiatae, que foi aportuguesado para labiadas, vem de lábios, devido à conformação e o formato gerais das pétalas. Já a designação Lamiaceae vem de Lamium, o género holotípico. Por sua vez, O nome botânico do género-tipo da família Lamiaceae (Lamium) deriva da palavra grega lamós, que significa 'garganta', e o nome Labiatae deriva da palavra latina labium, que significa 'lábio'.
Algumas espécies são arbustos, árvores (como a teca) ou, raramente, trepadeiras. Muitos membros da família são amplamente cultivados, não só pelas suas qualidades aromáticas, mas também pela facilidade de cultivo, uma vez que se propagam facilmente por estacas de caule. Além das cultivadas pelas suas folhas comestíveis, algumas são cultivadas pela sua folhagem decorativa. Outras são cultivadas pelas suas sementes, como a Salvia hispanica (chia), ou pelos seus tubérculos comestíveis, como a Plectranthus edulis, a P. esculentus, a P. rotundifolius e Stachys affinis (alcachofra-chinesa). Muitas também são cultivadas como plantas ornamentais, nomeadamente os coleus, Plectranthus e muitas espécies e híbridos de Salvia.
A família tem uma distribuição cosmopolita. A família Lamiaceae ampliada contém cerca de 236 géneros e foi descrito que contêm a mais de espécies. AWorld Checklist lista e a APWeb aponta espécies. Os maiores géneros são Salvia (900), Scutellaria (360), Stachys (300), Plectranthus (300), Hyptis (280), Teucrium (250), Vitex (250), Thymus (220) e Nepeta (200). Na sua anterior circunscrição, Clerodendrum já foi um género com mais de 400 espécies, mas, em 2010, esse número havia sido reduzido para cerca de 150.
O nome alternativo da família, Labiatae, refere-se às flores que normalmente têm pétalas fundidas num lábio superior e um lábio inferior, ( em latim). Embora este ainda seja considerado um nome alternativo aceitável, a maioria dos botânicos agora usa o nome Lamiaceae para se referir a esta família. As flores são bilateralmente simétricas, com cinco pétalas e cinco sépalas unidas. São geralmente bissexuais e verticilastradas (um cacho de flores que parece um verticilo, mas na verdade consiste em dois cachos aglomerados). As folhas emergem em oposição, cada par em ângulo reto com o anterior (decussadas) ou verticiladas. Os caules são frequentemente quadrangulares em secção transversal,Parnell, J. and Curtis, T. 2012. Webb's An Irish Flora. Cork University Press mas essa característica não é encontrada em todos os membros da família e, às vezes, é encontrada em outras famílias de plantas. Morfologia Os membros desta família são na sua maioria herbáceas anuais ou perenes, mas a família também inclui numerosas espécies lenhosas arbustivas ou arbóreas ou, mais raramente, lianas. Estas plantas são frequentemente fortemente odoríferos pela abundante presença de óleos essenciais voláteis. Os caules são geralmente ocos e quadrangulares em corte transversal, podendendo ser também estoloníferos ou rizomatosos. As folhas são simples ou compostas, de filotaxia oposta, ocasionalmente verticilada ou, raramente, alterna, geralmente decussadas, com limbo inteiro, denteado, lobado ou crenada. As folhas são revestidas por tricomas glandulares que, normalmente, secretam essências aromáticas. Em algumas espécies, as folhas podem ser compostas digitadas ou pinadas, pecioladas ou sésseis, sem estípulas.
As flores, individuais ou axilares, podem ser pequenas ou grandes, geralmente vistosas, reunidas em inflorescências derivadas de uma série de ramos cimosos (verticilastros), mono ou dicasiais, frequentemente axilares. São na vasta maioria hermafroditas, diclamídeas, pentâmeras, bilabiadas e com zigomorfia (que em alguns casos é pouco pronunciada, como nas flores de Lavandula e Mentha), embora por vezes tendam para actinomorfas. Apresentam geralmente invólucro floral duplo. São raras as espécies dioicas.
O cálice é tubuloso, campanulado ou infundibuliforme, gamossépalo, persistente e ocasionalmente acrescente no fruto, 5-10 denteado ou lobado, sendo útil para identificação dos géneros. A corola também é tubulosa, pentâmera, zigomorfa ou raramente actinomorfa, campanulada ou infundibuliforme, gamopétala, apresentando o limbo geralmente diferenciado em lábio superior (lábrum) e inferior (labíolo). Apenas em Teucrium é unilabiada.
As flores apresentam apenas um verticilo, inicialmente com 5 estames, mas um deles é reduzido, de modo que o androceu maduro é formado por 2 a 4 estames férteis fundidos com a base do tubo da corola. Os estames são didínamos ou subiguais, exsertos ou inclusos na corola, paralelos, divergentes ou declinados. Os filetes são livres entre si, retos ou curvos, com ou sem apêndice, ou concrescidos em bainha aberta, através da qual passa o estilete, como em Plectranthus. Há estaminódios nas flores com dois estames.
Nos integrantes da tribo Ocimeae Dumortier ( a ex-subfamília Ocimoideae), os estames são inclinados sobre o lábio inferior da corola e envolvidos por ele. O estilete é ginobásico ou não (Teucrium), sendo resultado da fusão de dois. O ovário é súpero, bicarpelar, bilocular, com dois óvulos em cada lóculo, mas há uma constrição em cada carpelo, por um falso septo, dando impressão de tetralocular quando adulto. O ovário está assentado num disco glandular, expandido em um lado e saliente. Os grãos de pólen apresentam geralmente de 3 a 6 colpados. Um disco nectarífero está geralmente presente, adjacente ao gineceu.
A fórmula floral é:
Os membros desta família de plantas podem ser frequentemente reconhecidos pelas suas típicas «flores labiadas»: as corolas lembram um lábio superior (muitas vezes atrofiado) e um inferior. Nestas flores, normalmente, das cinco pétalas, duas estão fundidas no lábio superior e três no lábio inferior. No entanto, tipos de flores semelhantes também ocorrem noutras famílias da ordem das Lamiales, pelo que a sua presença não identifica univocamente, per se, que se está em presença de uma Lamiaceae.
Os frutos são secos, na amior parte dos casos do tipo esquizocarpo, formando uma estrutura que se separa em quatro frutículos parciais (as núculas) unisseminados, onde cada núcula é uma pequena noz, oval, quase globosa, oblonga, trigonal ou tetraédrica. Mas também existem taxas que produzem bagas ou drupas (nas Viticoideae). Algumas espécies formam pequenos frutos alados (pseudo-sâmaras).
As sementes apresentam escasso ou nenhum endosperma. O embrião é reto.
Fitoquímica Os membros da família Lamiaceae frequentemente contêm óleos essenciais o que lhes confere aromas fortes, nalguns casos considerados como aromas perfumados, embora alguns sejam tóxicos para os humanos.
Os ingredientes mais importantes são os óleos essenciais, entre os quais a cânfora, perilla-cetona (perilla ketone; CAS 553-84-4), pinocamfona, pulegona e a tujona. Frequentemente, também ocorrem substâncias amargas não voláteis, entre as quais diterpenoides como carnosol (picrosalvina e marrubina) e ácido carnosólico. Ecologia A polinização é feita maioritariamente por insetos (entomofilia) ou por pássaros (ornitofilia). As labiadas desenvolveram mecanismos de polinização altamente especializados, especialmente adaptados aos visitantes das flores.
As flores, por exemplo, estabelecem uma relação favorável para com seus agentes polinizadores. São polinizadas por abelhas, vespas, borboletas, traças, moscas, besouros e pássaros. Espécies com drupa são, normalmente, dispersas por aves ou mamíferos; as nucelas são predadas por aves ou dispersas pela água. O perfume das folhas é um componente atrativo para a interação com animais.
As Lamiaceae podem ser bastante densas e possuir pelos, o que facilita a interação com insetos sugadores de seiva que caminham sobre essas plantas. O azoto liberado pelas excreções desses insetos pode ser absorvido pela folha. Podem estar associadas também a fungos e bactérias. O óleo essencial presente em Nepetoideae parece agir como bactericida bem como auxilia na nodulação de plantas leguminosas. Usos Muitas das espécies desta família caracterizam-se pela riqueza em óleos essenciais, razão pela qual são utilizadas como ervas culinárias, plantas aromáticas ou plantas medicinais.
Mais de 60 espécies são cultivadas apenas nas regiões temperadas, e muitas espécies – como as hortelãs (Mentha), o manjericão (Ocimum basilicum), a lavanda (Lavandula) ou a sálvia (Salvia) — são cultivadas comercialmente. Duas espécies de Pogostemon do Sudeste Asiático (o patchouli-indiano e o patchouli-javanês) fornecem o óleo de patchouli, uma matéria-prima valiosa para a produção de perfumes pesados. Algumas espécies têm importância principalmente regional: várias espécies do género Sideritis (erva-branca ou chá-dos-pastores) são utilizadas na região oriental do Mediterrâneo como ervas para tisanas; no Irão temperam o iogurte com Ziziphora; e na Índia e no Sudeste Asiático os tubérculos de Coleus rotundifolius são utilizados como substituto da batata. Os frutos da erva-de-são-joão (Vitex agnus-castus) são utilizados como especiaria.
Entre os géneros mais importantes para extração de óleos essenciais contam-se Mentha, Lavandula, Marrubium, Nepeta, Ocimum, Origanum, Rosmarinus, Salvia, Satureja e Thymus. Os oléos extraídos são usados tanto para uso cosmético como condimentar, aromático e medicinal. Há extração feita em escala industrial, mas muita é executada artesanalmente. Várias espécies são usadas a nível doméstico, tanto para tisanas, condimentos ou algum outro uso tradicional, não podendo faltar nas hortas caseiras.
Muitas espécies são utilizadas como plantas ornamentais, incluindo membros dos géneros Ajuga, Monarda, Nepeta, Physostegia, Phlomis, Salvia, Scutellaria, Stachys e Teucrium. Algumas espécies possuem também potencial paisagístico e são usadas com sucesso em jardins e arranjos paisagísticos, como a brasileira Salvia splendens Sellow.
Apesar de ser uma família maioritariamente de plantas herbáceas e de arbustos, ainada assim tem impoertância económica na produção de madeira, já que a valiosa madeira de teca é produzida pela espécie Tectona grandis, uma Lamiaceae.
Taxonomia e filogenia