Las Fallas (em castelhano) ou Les Falles (em valenciano) é uma festa típica da cidade de Valência, na Espanha. Durante a festa, que ocorre no dia 19 de março, dia de São José segundo a Igreja Católica, grandes figuras satíricas bonecos de papel machê ou de madeira, chamadas fallas são queimadas nas ruas e pracinhas da cidadeGuia Visual Folha de S.Paulo - Espanha. Terceira edição. São Paulo. Publifolha. 2000. p. 245..
A UNESCO integrou a festa valenciana das Fallas na lista representatitiva do Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2016.
Introdução A festa de uma cidade 200px|thumb|Falla da Praça da Prefeitura, em Valência, em 2008 As Fallas são uma festa com uma arreigada tradição na cidade de Valência e povoações circundantes. Atualmente, esta festividade converteu-se num atrativo turístico muito importante. As suas origens são realmente singelas: uma simples queima de restos das oficinas de carpintaria. Mas a inventiva do povo valenciano foi aglutinando todos os traços próprios da sua cultura e história.
Poder-se dizer que é o carnaval da cidade de Valência, onde toda a picaresca e crítica se representa nos monumentos (de tal forma que, ao queimá-los, se eliminam simbolicamente os problemas e males). Também nesta festa se unem vários aspectos que definem uma cultura, entre eles o lume, a música, a pólvora e a rua. Quase em cada rua da cidade há um casal faller que, durante todo o exercício, procura fontes de rendimento para poder pagar a festa e o seu próprio monumento. Além disso, normalmente cada comissió fallera consta também de uma comissão infantil, formada unicamente por crianças, que também colocam a sua própria falla. As fallas infantis medem, como máximo, 3 metros de diâmetro, são compostas por figuras de estética mais próxima ao mundo das crianças e, geralmente, não mostram temas críticos.
Entre 15 e 19 de março, os dias e noites em Valência são uma festa contínua. É desde 1 de março que se fazem mascletàs, espectáculo de petardos e fogos artificiais, no qual se obtêm composições musicais através do ruído dos canhões de pólvora. Estes espectáculos têm lugar na Praça da Prefeitura, no centro da cidade, às 14 horas. Algumas comissiós falleras disparam mascletàs junto aos seus casais durante a semana.
O total de fallas (386 em 2007) é classificado em categorias ordenadas por orçamento (Especial, Primeira [A, B], Segunda [A, B], Terceira [A, B, C],..., Sétima C) e, dentro de cada categoria, organiza-se um concurso no qual se elege a melhor falla. Para isso, dá-se valor às diferentes qualidades: monumentalidade, risco, temática, colorido etc. Também se escolhe o ninot indultat (o boneco indultado) que se salvará da fogueira. Estes prémios não trazem nenhuma recompensa material, só a satisfação do prémio obtido, que se indica com uma bandeirola na falla até o dia da cremà.
Embora os prémios sejam um orgulho para as comissões de todas as categorias, a protagonista nos meios de comunicação é a Secção Especial. Nesta, participam as fallas mais caras da cidade, com custos que já superaram os euros. Dinheiro que se recolhe entre os falleiros de cada falla e doutros elementos, por exemplo: prémios recebidos, exposições de rua (ruas decoradas e/ou iluminadas), visitas pelo recinto interior da falla ou a venda de lotarias. Nos últimos anos os patrocinadores comerciais tiveram grande importância na economia das comissões falleras que, sobretudo nas categorias mais importantes (Especial e RbD), constituem a principal fonte de financiamento dos monumentos falleros.
Embora o objectivo das comissões seja construir as fallas para a festa de São José, durante o resto do ano em cada Casal Faller realizam-se actos festivos, culturais e sociais de todo o tipo, que vão das comissões falleiras um dos principais eixos da vida associativa e social de Valência e dos demais municípios onde se celebra esta festa. Por último, é tradição que, nas festas, se consumam bunyols (bolos de vento) e llepolia (delícias), típico manjar do País Valenciano.
As fallas como monumentos thumb|right|200px|Falla representando uma valenciana em trajes típicos
Habitualmente, têm carácter satírico sobre temas de actualidade. As fallas costumam constar de uma figura ou composição central de vários metros de altura, as maiores podendo superar os 30 metros (exactamente a Falla Nou Campanar 2007, com 32 metros, foi a mais alta e volumosa de sempre) rodeadas de numerosas figuras de cartão-pedra (material que, nos últimos anos, está a ser substituído por outros mais modernos como o poliestireno expandido, mais ligeiro e moldável, embora também mais tóxico), suportadas por uma armação de madeira. Incluem letreiros escritos em valenciano explicando o significado de cada cena, sempre com sentido crítico e satírico.
Os artistas e artesãos, escultores, pintores e outros muitos profissionais dedicam-se durante meses a construir monumentos que as diferentes comissões (em Valência há 386) contratam. As Fallas instalam-se na via pública em 15 de março pela noite, no dia de La Plantà (vem do verbo plantar, por via da tradição agrícola do povo). Ultimamente, e dadas as dimensões de algumas fallas, o acto da plantà adianta-se várias semanas (em 2008, Nou Campanar começou a sua plantà em 27 de Fevereiro) sendo necessária a ajuda de guindastes. O acto no qual se queima a falla chama-se a cremà (queima).
Como complemento aos letreiros, algumas comissões editam um llibret (folheto) no qual se explica, mediante versos satíricos, o conteúdo da falla. Este género iniciou-se no século XIX com o autor Bernat i Baldoví, e teve o seu auge nos anos 50 e 60 do século XX, graças a autores como Emili Panach e José Bea Esquerdo.
As mascletàs right|200px|thumb|Mascletà Exatamente às duas da tarde, acontece a mascletà em cada bairro. A principal (e a mais disputada pelos pirotécnicos) é a que ocorre na Praça da Prefeitura (Plaça de l'Ajuntament). As duas horas em ponto, o relógio soa e a comissão fallera maior anuncia, no balcão da Casa do Conselho de Valência: "Senhor pirotécnico, pode començar a mascletà!" Estes são os eventos preferidos pelos valencianos, embora sejam os menos entendidos pelos visitantes. Para entender as mascletàs, é necessário se estar próximo ao lugar onde estouram, já que não é questão de ver, mas ouvir e sentir. Se se deixar levar pelo ruído e pelo estrondo, é possível se conseguir uma sensação similar à da audição de um concerto, isso tudo em escassos cinco a sete minutos.
As mascletàs podem estourar no chão ou no ar, de acordo com a vontade do pirotécnico que as confecciona. Elas têm um orçamento de 6 000 a 9 000 euros. No entanto, alguns pirotécnicos complementam de seu próprio bolso o orçamento, para maior satisfação do público. O pirotécnico mais renomado é V. Caballer.
Os castelos de fogos de artifício thumb|La Cremà em 2002 Durante as festas, o conselho programa um castelo de fogos de artifício que se dispara, dependendo do dia, entre uma e uma e trinta da madrugada, na zona da Alameda, junto ao antigo leito do Rio Túria. O mais espetacular dos castelos é disparado na "noite do fogo" (nit del foc), entre os dias 18 e 19 de março, quando milhares de quilogramas de pólvora iluminam o céu da cidade, reunindo mais de um milhão de espectadores.
Atividades falleras Os atos que se realizam por toda a cidade durante a festa são variados, porém alguns são fixos, organizados pela Junta Central Fallera. São eles, em ordem cronológica: A chamada (la crida)
É o ato em que a comissão fallera maior da cidade reúne, em suas portas, as comissões falleras e realiza uma chamada para o início dos festejos por parte dos valencianos e dos visitantes. É realizada, desde muitos anos, na Porta de Serrans, a principal porta da cidade. A comissão fallera maior faz um discurso de exaltação ao estilo fallero, convida todos a participarem da festa e costuma rematar o discurso com a frase: "Valencianos, falleros, vivam as fallas e viva Valência!"
Cavalo do menino Jesus Cavalgada do Dom Quixote Cavalgada da vela
Foi criada em 2003, por proposta da delegação de promoção exterior da Junta Central Fallera e da Associação de Estudos Falleros para recuperar a tradição festiva valenciana, que data da década de 1920. Resgata a tradição de que comparsas do diabo e carruagens do deus Plutão prendam as fallas. Acontece no dia 17 de março, às sete da noite, ao longo da Rua Colombo (Carrer Colom) até a Porta do Mar, como prelúdio para a cremà das fallas. Reúne grupos de demônios de toda a Comunidade Valenciana, constituindo um autêntico correfoc no centro histórico da cidade.
Semana fallera Dia 14: a plantação (la plantà) right|130px|thumb|Retoques durante a plantà
É o ato de erigir os monumentos falleros, as fallas. Pela manhã, são erigidos os monumentos infantis e, pela noite, o resto dos monumentos. O prazo final é a madrugada, quando aparecem os jurados para qualificá-las. Tradicionalmente, esse ato realiza-se num só dia; isto aumentava a competitividade das comissões, assim como acrescentava emoção, já que o monumento, se não estivesse totalmente acabado, era desqualificado. A parte principal do monumento era posta de pé por uma colla de pessoas pertencentes à falla, num movimento denominado plantà al tombe. Atualmente, algumas comissões, no intuito de diminuir um pouco a competitividade, estão tentando retornar às origens realizando a plantà na sua antiga modalidade. Começam os castells (espetáculos de fogos de artifício) no velho leito do Rio Túria (dias 15, 16, 17 e 18). Dia 17: oferenda floral das fallas (l'ofrena) Nesse dia, inicia-se a oferenda à Mãe de Deus dos Desamparados (Virgem dos Desamparados), padroeira da cidade de Valência, na Praça da Virgem. A oferenda realiza-se ao longo da tarde até noite adentro, continuando-se no dia seguinte. A princípio, realizava-se durante o dia 18, mas, devido ao grande número de comissões, ampliou-se para dois dias, somando-se esta data ao dia anterior. Nela, cada fallero oferece um ramo de flores, formando um manto que cobre o corpo da Virgem, cuja estrutura de madeira permite ir entrelaçando os ramos para formar impressionantes desenhos. Isto, somado aos catorze metros de altura da Virgem, dão uma grande vistosidade à oferenda. right|150px|thumb|Oferenda na Praça da Virgem Dia 18: noite do fogo (nit del foc) A comissão fallera maior de Valência, logo após presidir a oferenda de flores, encerra o ato, sendo a última a desfilar diante da Virgem. A noite do fogo é uma das manifestações pirotécnicas noturnas mais importantes da festa, sendo o último castelo. Antigamente, anunciava o final dos festejos. Desde há alguns anos, transferiu-se para o penúltimo dia da festa. É o espetáculo pirotécnico mais espetacular das fallas. Sua duração oscila entre trinta e quarenta minutos, quando se queimam 1 200 quilogramas de pólvora em cascatas de cores e sons. Costuma ser o momento onde mais gente se reúne, chegando-se facilmente a alcançar mais de um milhão de espectadores. Dia 19: Dia de São José, la cremà, entrega dos prêmios thumb|200px|right|Falla durante a Cremà