miniaturadaimagem|Um pulverizador agrícola autopropelido que aplica pesticidas. miniaturadaimagem|Aplicação aérea de pesticida em uma lavoura

Os pesticidas (do inglês pesticide), praguicidas, agrotóxicos, defensivos agrícolas, biocidas, agroquímicos, produtos fitofarmacêuticos, remédio de planta ou produtos fitossanitários são todas as substâncias ou misturas que têm, como objetivo, impedir, destruir, repelir ou mitigar qualquer praga ou que regulem o crescimento da vegetação.

A aplicação de pesticidas pode se dar durante a produção, armazenamento, transporte, distribuição e transformação de produtos agrícolas e seus derivados. Os pesticidas são utilizados para combater diversas formas de seres vivo, tais como: insetos, erva daninha, moluscos, pássaros, mamíferos, peixes, nematelmintos e micróbios; são também considerados pesticidas os desfolhantes, os dessecantes e as substâncias reguladoras do crescimento vegetal ou fitorreguladores. Essa definição exclui os fertilizantes.

Classificação dos Pesticidas miniaturadaimagem Os pesticidas podem ser classificados de acordo com a sua finalidade:

Acaricidas: para o controle de ácaros; Algicidas: para o controle de algas; Avicidas: para o controle de passáros; Bactericidas: para o controle de bactérias; Fungicidas: para o controle de fungos; Herbicidas: para o controle de ervas daninhas; Inseticidas: para o controle de insetos; Lampricidas: para o controle de lampreias. Moluscicidas: para o controle de moluscos; Nematicidas: para o controle de nematoides; Rodenticidas: para o controle de ratos e outros tipos de roedores. Vermicida: para o controle de vermes; Virucidas: para o controle de vírus.

Podem ser classificados por sua toxicologia:

Categoria I - rótulo vermelho - extremamente tóxico; Categoria II - rótulo vermelho - altamente tóxico; Categoria III - rótulo amarelo - moderadamente tóxico; Categoria IV - rótulo azul - pouco tóxico; Categoria V - rótulo azul - improvável de causar dano agudo; Não classificado - rótulo verde - não classificado.

Podem ser classificados quando ás vias de aplicação:

Via sólida: aplicação de pó, grânulo ou pastilha; Via líquida: pulverização, nebulização ou injeção via gasosa:

Podem ser classificados quanto ao seu mecanismo de ação química:

Aminoácidos fosfanados; Carbamatos; Fenilpirazóis; Inorgânico; Organoclorados; Organofosforados; Piretroides; Triazinas.

Existe também os Biopesticidas, pesticidas de ocorrência natural.

História esquerda|miniaturadaimagem|330x330px|Descrição de um pulverizador de mochila (1890) Desde os tempos bíblicos até a década de 1950, os pesticidas usados eram feitos de compostos inorgânicos e extratos de plantas. Os compostos inorgânicos eram derivados de cobre, arsênico, mercúrio, enxofre, entre outros, e os extratos da planta continham piretro, nicotina e rotenona, entre outros. Os menos tóxicos ainda estão em uso na agricultura orgânica. Na década de 1940, o inseticida DDT e o herbicida 2,4-D foram introduzidos. Estes compostos orgânicos sintéticos foram amplamente utilizados e foram muito rentáveis. Eles foram seguidos nas décadas de 1950 e 1960 por vários outros pesticidas sintéticos, o que levou ao crescimento da indústria de pesticidas. Durante este período, tornou-se cada vez mais evidente que o DDT, que havia sido amplamente pulverizado no meio ambiente para combater o vetor, se acumulou na cadeia alimentar e se tornou um poluente global, resumido no conhecido livro Primavera Silenciosa. Finalmente, o DDT foi proibido na década de 1970 em vários países e, posteriormente, todos os pesticidas persistentes foram proibidos em todo o mundo, uma exceção sendo pulverizada nas paredes interiores para controle de vetores.

A resistência a um pesticida foi vista pela primeira vez na década de 1920 com pesticidas inorgânicos, e mais tarde descobriu-se que o desenvolvimento de resistência é esperado, e as medidas para adiá-lo são importantes. O manejo integrado de pragas (IPM) foi introduzido na década de 1950. Através de uma análise cuidadosa e pulverização apenas quando um limiar econômico ou biológico de danos às culturas é atingido, a aplicação de pesticidas é reduzida. Isso se tornou na década de 2020 a política oficial de organizações internacionais, indústria e muitos governos. Com a introdução de pesticidas de alta produtividade na década de 1960 durante a revolução verde, mais pesticidas foram usados. Desde a década de 1980, as culturas geneticamente modificadas foram introduzidas, o que resultou em quantidades menores de inseticidas usadas nelas. A agricultura orgânica, que usa apenas pesticidas não sintéticos, cresceu e, em 2020, representa cerca de 1,5% do total de terras agrícolas do mundo.

Os pesticidas tornaram-se mais eficazes. As taxas de aplicação caíram de 1.000 a 2.500 gramas de ingrediente ativo por hectare (g / ha) na década de 1950 para 40-100 g /ha nos anos 2000. Apesar disso, os montantes utilizados aumentaram. Em países de alta renda ao longo de 20 anos entre os anos 90 e 2010, os valores foram usados aumentou 20%, enquanto nos países de baixa renda aumentou 1623%.

Legislação Na maior parte dos países, a venda ou uso de um pesticida deve ser aprovada por uma agência do governo. Diversos estudos devem ser feitos para indicar se o material é eficaz no combate às pragas.

A produção, o armazenamento e o uso de pesticidas podem representar significativos riscos ambientais e à saúde humana e tem o seu uso restrito, outros pesticidas são considerados demasiadamente perigosos para serem vendidos ao público em geral. Somente pessoas e/ou organizações que passaram por avaliações prévias podem comprar e supervisionar a aplicação destes tipos de pesticida.

Segundo a legislação brasileira, as substâncias tóxicas utilizadas na agricultura devem ser obrigatoriamente denominadas como pesticidas. O seu uso pode causar contaminação ou até mesmo desertificação dos solos.

Efeitos nocivos do pesticida Do lado do custo do uso de pesticidas, pode haver custos para o meio ambiente, para a saúde humana, bem como custos de desenvolvimento e pesquisa de novos pesticidas.

Até o início dos anos 60, os pesticidas organoclorados, eram amplamente utilizados na agricultura em programas de controle da malária e outras doenças provenientes de insetos um desses pesticidas, o DDT, que era o mais conhecido, deu origem ao termo dedetizar o ato de combater infestações com o uso de inseticidas e raticidas. Esses compostos, chamados de poluentes orgânicos persistentes, que são altamente resistente à degradação e que causam diversos problemas ambientais e para a saúde humana e animal, estão banidos pela Convenção de Estocolmo, não sendo mais possível de encontrá-los no mercado dos países signatários, e sua posse, transporte e uso são crimes previstos em lei.

Muito dos princípios ativos usados como pesticida, são também usados como medicamentos humanos diferindo apenas na concentração e forma de apresentação. Esses princípios são usados na produção de medicamentos que combatem verminoses, doenças fúngicas e várias outras.

Efeitos nocivos dos pesticidas à saúde humana

Efeitos na audição Há evidências de que a perda auditiva está relacionada com a intoxicação a pesticidas, principalmente naqueles com uma maior exposição, como os que trabalham com a agricultura (agricultores). Isto ocorre pois estas substâncias químicas são consideradas ototóxicas, ou seja, são tóxicas para a nossa orelha e prejudicam tanto o sistema auditivo quanto o sistema vestibular (relacionado ao equilíbrio do corpo). Dentre os pesticidas com potencial ototóxico destaca-se os do grupo químico organofosforado e piretróide. A gravidade dos efeitos na audição depende de outras causas como a frequência, intensidade e duração da exposição, a presença de outros riscos no ambiente de trabalho e de fatores individuais como a idade.ZUCKI, F. ; ROGGIA, S. M. ; MORATA, T. C. . PRODUTOS QUÍMICOS E ASSOCIAÇÃO COM RUÍDO. In: GÂNDARA, M.E.R. et al.. (Org.). Doenças otorrinolaringológicas rela- cionadas ao trabalho e suas repercussões éticas e jurídicas. 1ed.Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2022, v. , p. 188-199. miniaturadaimagem|229x229px Por meio da corrente sanguínea, estas substâncias alcançam a orelha e acabam lesando principalmente as células ciliadas da cóclea. Devido a isso, esses pesticidas podem gerar uma perda auditiva do tipo neurossensorial, progressiva, bilateral, irreversível e acomete principalmente as altas frequências. A perda auditiva gerada pela intoxicação de pesticidas é capaz de causar dificuldades para compreender a fala, desconforto a sons intensos, tontura e desequilíbrio.

Além das dificuldades em ouvir o som, outras habilidades auditivas podem ser comprometidas, como a detecção de intervalos de tempo entre sons (resolução temporal) e o processamento de vários estímulos auditivos de acordo com sua ordem de ocorrência (ordenação temporal).

A legislação trabalhista vigente no Brasil (2020) não estabelece a obrigatoriedade do acompanhamento da audição em trabalhadores que são expostos exclusivamente aos produtos químicos (somente naqueles que trabalham expostos ao ruído) o que dificulta na percepção das alterações auditivas nesses indivíduos. esquerda|miniaturadaimagem|265x265px|Plantação de soja na Argentina: os pesticidas são um dos meios técnicos (junto com a mecanização) que caracterizaram a Revolução Verde.

Efeitos nocivos dos pesticidas ao meio ambiente O uso intenso de pesticidas pode levar a degradação dos recursos naturais, em alguns casos de forma irreversível, levando a desequilíbrios biológicos e ecológicos, entre eles a contaminação dos lençóis freáticos e do próprio solo. O uso de pesticidas levanta uma série de preocupações ambientais. Mais de 98% dos inseticidas pulverizados e 95% dos herbicidas chegam a um destino diferente de suas espécies-alvo, incluindo espécies não-alvo, ar, água e soloMiller GT (2004). "Cap. 9. Biodiversidade". Sustentando a Terra(6ª ed.). Pacific Grove, CA: Thompson Learning, Inc. pp. 211–216. ISBN 9780495556879. OCLC  52134759 .. A deriva de pesticidas ocorre quando pesticidas suspensos no ar como partículas são levados pelo vento para outras áreas, potencialmente contaminando-as.

Os pesticidas são uma das causas da poluição da água, e alguns pesticidas são poluentes orgânicos persistentes e contribuem para a contaminação do solo e das flores (pólen, néctar).Tosi, Simone; Costa, Cecília; Vesco, Umberto; Quaglia, Giancarlo; Guido, Giovanni (2018). "Uma pesquisa de pólen coletado por abelhas revela contaminação generalizada por pesticidas agrícolas". Ciência do Meio Ambiente Total. 615: 208–218. doi:10.1016/j.scitotenv.2017.09.226. PMID28968582. S2CID19956612. Além disso, o uso de pesticidas pode afetar adversamente a atividade agrícola vizinha, pois as próprias pragas se deslocam e prejudicam as plantações próximas que não têm pesticidas usados ​​nelas.Soyalism | Documentário DW". YouTube (mídia AV). Brasil. 21 de fevereiro de 2020.