Marcelino da Mata CvTE 5 MPCG MOCP 2 MPFDC MCC (Ponte Nova, Bula,Marcelino da Mata, Combatente Português, Herói Esquecido, por João José Brandão Ferreira, O Adamastor, 1 de Agosto de 2014 Guiné, 7 de maio de 1940 ― Amadora, Portugal, 11 de fevereiro de 2021), da etnia papel, foi um Tenente-Coronel Comando do Exército Português, notório por ser o militar português mais condecorado de sempre.
Foi um dos fundadores e principais operacionais dos Comandos. Participou em 2412 operações militares durante 11 anos na Guerra Colonial, no teatro militar da Guiné, tendo sido o militar mais condecorado da História do Exército Português, com a maioria das condecorações a deverem-se a feitos heróicos em campanha. Entre as suas principais condecorações contam-se a Ordem Militar da Torre e Espada e 5 Cruzes de Guerra.
Tendo nascido na Guiné Portuguesa mas lutado contra o PAIGC, com inovadoras técnicas de guerrilha, foi amplamente considerado como herói em Portugal e traidor no país que surgiria da Guiné Portuguesa.
No entanto, foi uma figura controversa que "nunca vai gerar consensos", como reportagens no DN, Expresso e Sábado afirmam. Reconhecendo o seu heroísmo como combatente, os seus críticos denunciam o seu papel desempenhado num regime ditatorial e colonialista e particularmente os crimes de guerra cometidos.
Faleceu na Amadora em 11 de fevereiro de 2021, vítima de COVID-19. O seu funeral foi presidido por D. Rui Valério, Bispo das Forças Armadas e contou com a presença do Presidente da República e dos Generais Chefes do Estado Maior das Forças Armadas e do Exército.
Biografia
Carreira militar Acidentalmente incorporado em lugar do irmão no CIM-Bolama em 3 de Janeiro de 1960, ofereceu-se como voluntário após cumprir a primeira incorporação. Em 1962 um grupo armado do PAIGC matou-lhe o pai, bem como uma irmã, de seu nome Quinta da Mata, que estava grávida de oito meses. A mãe, desesperada, fugiu para Bissau,
Integrou e foi fundador da Tropa de Operações Especiais, no Regimento dos Comandos Português, dos Comandos Africanos actuando no cenário de guerra da Guiné, com operações no Senegal e na Guiné Conacri.
A 2 de Julho de 1969 foi feito Cavaleiro da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
Apesar de várias vezes ferido em combate apenas teve que ser evacuado da Guiné por ter sido alvejado, por acidente, por um companheiro, assistindo ao 25 de Abril de 1974 em Lisboa.
Após a Guerra de Independência da Guiné-Bissau foi proibido de entrar na sua terra natal. Justificou a sua luta no Exército Português com a frase "A Guiné para os Guinéus", querendo significar que a guerrilha atuava no interesse da União Soviética.
Controvérsia sobre crimes de guerra Liderando tropas irregulares, Marcelino da Mata terá utilizado métodos longe de serem recomendáveis. Vasco Lourenço foi uma das vozes mais vocais sobre os crimes de guerra cometidos por Marcelino da Mata. Este terá ouvido um relato de Marcelino da Mata a outro oficial: "Entrámos na tabanca, deitamos granadas incendiárias para as palhotas, as pessoas fugiam para o centro da tabanca, matámos todos, homens, mulheres, crianças".
Luis Faria escreve no Expresso que "As suas missões envolveram com frequência atos de crueldade desnecessária que constituem crimes de guerra segundo qualquer definição razoável." Num vídeo no YouTube, é o próprio que admite crimes de guerra: “Apanhámos o gajo, despimos-lhe a farda: cortámos-lhe a piça, metemos-lha na boca. A mesma coisa que ele fez aos tais soldados brancos”.
Vasco Lourenço relata a Valentina Marcelino no DN: Marcelino da Mata "foi um grande combatente, corajoso, extraordinariamente destemido". No entanto, frisa "cometeu crimes de guerra. Era claramente um "Rambo" e torná-lo um herói é ofender todos os antigos combatentes que combateram dentro das regras".
Torturado pelo MRPP A 18 de Maio de 1975, Marcelino da Mata apresenta-se no Regimento de Comandos, após a sua prisão ter sido anunciada na rádio, sob a acusação de fazer parte do ELP liderado por Alpoim Galvão. Seria imediatamente transferido para o quartel do RALIS, Lisboa, onde foi sujeito a tortura e flagelação praticada e ordenada por vários militares de extrema-esquerda, Manuel Augusto Seixas Quinhones de Magalhães (Capitão), Leal de Almeida e segundo o próprio, por elementos do MRPP, comandados e incentivados por Arnaldo Matos e Saldanha Sanches, que já tinham raptado e torturado José Jaime Coelho da Silva num dos episódios mais pungentes, pela sua barbaridade e violência, no pós-Revolução dos Cravos.“
Vasco Lourenço relata que Diniz de Almeida, capitão de Abril, será determinante em pôr fim à tortura, resgatando Marcelino da Mata, e o transportará para lugar seguro. A 28 de maio o COPCON lançou uma operação para prender entre 400 e 430 militantes do MRPP, incluindo o líder Arnaldo de Matos, no seguimento de múltiplos sequestros e casos de tortura. O COPCON em comunicado acusa o MRPP de comportamento de "seita religiosa" e de sequestrarem e torturarem os "ex-fuzileiro Coelho da Silva", "alferes comando Marcelino da Mata" e "primeiro cabo comando reformado, mutilado de guerra, Maximino dos Santos".
As consequências seriam evidentes: em 19 de Maio de 1975, politraumatizado, apresentava-se com equimoses profusas espalhadas por todo o corpo, mais numerosas nas regiões costais, com edema subcutâneo generalizado e sufusões hemorrágicas da pele do dorso; apresentava ainda algumas feridas contusas na região dorsal média direita, de profundidade de cerca de 0,5 cm, em estado evolutivo, que permitiram concluir terem sido provocadas por objeto rombo agredindo com violência e há mais de oito horas.”Entrevista a Marcelino da Mata, de 21 de Julho de 1994, citada no Blog "Rangers & Coisas do MR"
No decurso das perseguições de que foi alvo no ano de 1975 conseguiu fugir para Espanha, donde regressou aquando do Golpe de 25 de Novembro de 1975, participando ativamente na reconstrução democrática e no restabelecimento da ordem militar interna, agindo sempre com elevada longanimidade para com os seus opressores.
Morte Faleceu no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, na Amadora, à data de 11 de Fevereiro de 2021, vítima de COVID-19. O seu funeral foi presidido por D. Rui Valério, Bispo das Forças Armadas, coadjuvado pelo Alferes Ricardo Barbosa, Capelão do Regimento de Comandos. Estiveram presentes no funeral o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Almirante António da Silva Ribeiro, o Chefe do Estado-Maior do Exército, General José Nunes da Fonseca, representantes da associação de Comandos, do partido CHEGA, ex-militares, muitos usando a boina vermelha dos Comandos, força de elite da qual Marcelino da Mata foi um dos fundadores, e ex-paraquedistas.
Depois do seu falecimento, na Assembleia da República Portuguesa foi apresentado um voto de pesar pela Comissão de Defesa Nacional, no qual se descreve o Tenente-Coronel Marcelino da Mata como "um dos militares mais condecorados do Exército Português". O voto de pesar foi depois aprovado em Plenário, com votos favoráveis de PS, PSD, CDS-PP, CH, IL e com votos contra de BE, PCP, Verdes, PAN e Joacine Katar Moreira (Livre). Alguns deputados do PS votaram contra e vários abstiveram-se.
Operações notáveis em que participou Operação Tridente tinha com o objectivo militar de eliminar a guerrilha do PAIGC no arquipélago do Como, . Este território, tinha sido ocupado pelo PAIGC que auto denominou como República Independente do Como e localizava-se ao sul da Guiné, tinha cerca de 210 quilómetros quadrados, dos quais 170 em zona de lodo e lamas. Na operação, participaram os três ramos das forças armada, Exército, Marinha e Aviação com três companhias de cavalaria, uma de caçadores e três destacamentos de fuzileiros especiais, mas considerada completamente desajustado, do ponto de vista militar e, sobretudo, do ponto de vista político pela sua inadequação ao combate de guerrilha. Esta era numerosa, dominava o terreno, estava preparada e bem armada. após vários avanços e recuos a operação terminou no final de Março de 1964, resultou numa vitória, ainda que temporária, das forças Portuguesas contra a guerrilha e viria a servir como ensinamento provocando uma mudança na estratégia futura de combate no terreno. As forças portuguesas não conseguiram erradicar completamente a guerrilha no Como, embora tenham limitado de forma significativa a sua acção na zona. O PAIGC anunciou o desfecho da operação como uma vitória sua. As forças portuguesas sofreram 9 mortos e 47 feridos e foram evacuados para o hospital de Bissau 193 militares por motivos de doença. Marcelino da Mata participou nesta operação tendo-lhe sido atribuído pelos seus feitos, a Cruz de Guerra, mas também sofreu três dias de detenção, por ter ido caçar javalis e gazelas para o mato. No regresso a Bissau, receberia também as insígnias de comando Operação Cajado Resgate de 150 soldados portugueses cativos em território senegalês Operação Mar Verde foi uma intervenção na Guiné-Conakry, ilegal e que o Estado Português nunca reconheceu e que foi condenada na ONU. Operação Ametista Real
Condecorações 70px Medalha Militar de 2.ª Classe da Cruz de Guerra (26 de Julho de 1966) 70px Medalha Militar de 1.ª Classe da Cruz de Guerra (9 de Maio de 1967) 70px Cavaleiro da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito (2 de Julho de 1969) 70px Medalha Militar de 1.ª Classe da Cruz de Guerra (21 de Abril de 1971) 70px Medalha Militar de 3.ª Classe da Cruz de Guerra (9 de Junho de 1973) 70px Medalha Militar de 1.ª Classe da Cruz de Guerra (22 de Agosto de 1973) 70px Medalha Militar de Ouro de Comportamento Exemplar 70px Medalha dos Promovidos por Feitos Distintos em Campanha 70px Medalha dos Promovidos por Feitos Distintos em Campanha 70px Medalha Comemorativa da Campanha Guiné 1963-1974
Ligações externas Forum da Armada Imagens de Marcelino da Mata Subsídios para a história da guerra colonial > Guiné (1963-1974) Entrevista Marcelino da Mata, Combatente Português, Herói Esquecido, por João José Brandão Ferreira, O Adamastor, 1 de Agosto de 2014 Marcelino da Mata (Ponte Nova, Guiné, 7/5/1940 – Amadora, 11/2/21), por João José Brandão Ferreira, Notícias Viriato, Fev 13, 2021 Na morte de Marcelino da Mata, o mais graduado oficial do Exército, por Xavier de Figueiredo, Observador, 11 de Fevereiro de 2021
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