José António Duro (Portalegre, – Lisboa, ), mais conhecido como José Duro, foi um poeta decadentista português.
Era filho ilegítimo de mãe solteira, a operária de lanifícios Maria da Assunção Cardoso, e do industrial José António Duro. O seu poema mais precoce, um soneto intitulado A Morte, escrito em Portalegre em 1895, revela já o temperamento melancólico, pessimista e mórbido do autor, que é ainda mais marcado na sua obra mais conhecida, Fel, livro escrito em 1898, quando a tuberculose de que sofria há muito e que provavelmente teve muita influência no seu carácter sombrio, anunciava a sua morte certa e iminente, que veio a acontecer apenas alguns dias depois da publicação. Acabou por falecer prematuramente em casa, pelas 16 horas, no Caminho do Forno do Tijolo, número 4, quarto andar, freguesia dos Anjos (Lisboa). Foi enterrado no Alto de São João.
Em 1896 publicou em Portalegre um folheto de versos que intitulou Flores. Enquanto aluno da Escola Politécnica de Lisboa, frequentou tertúlias onde desenvolveu o seu interesse pela literatura, nacional e estrangeira, sofrendo forte influência de diversos autores, como Baudelaire, António Nobre e outros jovens simbolistas de Coimbra, bem como de Antero de Quental, Guerra Junqueiro e Cesário Verde. A prostituição, a morte, a tuberculose e o desespero são os temas mais recorrentes da sua poesia, por muitos considerada a concretização mais negativista das correntes estéticas decadentistas em Portugal. <font face=Time News Roman>Ó morte vai buscar a raiva abençoada Com que matas o mal e geras novos seres...
Ó morte vai de pressa e traz-me os poderes,
Que eu canso de viver, quero voltar ao nada.
Escorre-me da boca a voz que'inda murmura,
Arranca-me do peito o coração enxangue,
Que eu hei-de dar-te em troca os restos do meu sangue
Para o negro festim da tua fome escura...
Ó Santa que eu adoro, ó Virgem d' olhar triste,
Bendita sejas tu, ó morte inexorável,
Pelo mundo a chorar, desde que o mundo existe...
Dá-me do teu licor, quero beber a esmo...
Que eu vivo ao abandono e sou um miserável
Aos tombos pela Vida, em busca de mim mesmo!</font> — José Duro, Doente, in Fel.
O seu nome consta da lista de colaboradores da Revista de turismo iniciada em 1916. Em 1950, a Câmara Municipal de Lisboa homenageou o poeta dando o seu nome a uma rua na zona de Alvalade.Edital municipal de 25/01/1950
Fontes
Categoria:Poetas de Portugal Categoria:Naturais de Portalegre (Portugal)