As congregações dos Estudantes da Bíblia (que adotaram o nome Testemunhas de Jeová a partir de 1931) aumentaram de número nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa durante a vida de Charles Taze Russell.
Nos finais da década de 70 do Século XIX, várias pessoas liam com interesse os artigos publicados por Russell. Em Julho de 1879 passaram a ser assinantes da revista "A Torre de Vigia de Sião" (atualmente "A Sentinela") e estudavam as publicações editadas pela "Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião", constituída no ano de 1881 em Pittsburgo, Pensilvânia, Estados Unidos. Esta sociedade editora, posteriormente designada como "Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados da Pensilvânia", passou a ser usada como o principal instrumento legal daquele grupo de pessoas que vieram a ser conhecidos por Estudantes da Bíblia e, décadas mais tarde, por Testemunhas de Jeová. A sociedade editava também as publicações e cartas que serviam como fonte de orientação doutrinária e de todos os procedimentos para a realização das suas reuniões bem como do seu movimento internacional de evangelização.
Com o passar do tempo, o termo abreviado "Sociedade Torre de Vigia", ou simplesmente "Sociedade" tornou-se sinónimo do Corpo Governante, o grupo de homens responsáveis pelas atividades mundiais das Testemunhas de Jeová.
Corpo Governante
O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová é formado por um órgão central de homens mais experientes, usualmente designados anciãos, cujo número tem variado ao longo dos últimos 35 anos. Este grupo colegial tem a responsabilidade de promover e coordenar a obra das Testemunhas de Jeová em dezenas de milhares de congregações. O Corpo Governante designa homens qualificados que, por sua vez, são autorizados a designar anciãos e servos ministeriais para cuidar das congregações. As Testemunhas de Jeová em todo o mundo respeitam essas designações.
As Testemunhas de Jeová baseiam a necessidade de existência de um Corpo Governante, ou órgão central administrativo, por estabelecerem uma comparação com o que acontecia nas congregações do Século I EC. Naquele tempo, os "apóstolos e anciãos em Jerusalém" enviavam cartas e emissários às congregações. (Atos 15:22-29) O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová afirma seguir este precedente bíblico ao enviar cartas, publicações bíblicas e superintendentes viajantes, com o objectivo de corrigir, instruir, orientar e encorajar todas as Testemunhas de Jeová. (Mateus 24:45-47)
Apesar dos membros do Corpo Governante se assumirem como "cristãos ungidos" pelo espírito santo de Deus, afirmam que são co-cristãos e não amos da fé de cada Testemunha de Jeová. Não alegam serem inspirados por Deus ou terem o dom de profetizar, ao contrário do que se atribui aos escritores do texto bíblico. Reconhecem ser humanos imperfeitos e não se afirmam infalíveis, nem como pessoas nem no exercício das suas funções, e têm reconhecido erros relacionados com expectativas, determinadas doutrinas ou procedimentos. (Atos 1:6; Sofonias 3:12) Várias vezes reconhecem nas publicações da Sociedade Torre de Vigia que a sua visão sobre certos assuntos era incorrecta e que se fizeram esforços para aprofundar conhecimentos bíblicos para se adotarem medidas mais compatíveis com o que consideram ser a verdade da Bíblia. (Provérbios 2:3-5; Daniel 12:4)
Evolução do conceito Desde 1884 até 1971, os 7 membros da Directoria da Sociedade Torre de Vigia, e em particular o seu Presidente, tiveram uma grande influência nas decisões tomadas e na orientação de toda a organização a nível mundial. A partir de 1944, surgiu o conceito que que a Directoria da Sociedade constituía "um Corpo Governante" para todas as Testemunhas de Jeová. A actual noção de Corpo Governante surge em 1971. Desde de Janeiro de 1976, o funcionamento do Corpo Governante foi estruturado em 6 comissões administrativas, cada uma designada para cuidar de certos aspectos das suas actividades mundiais. Novos ajustes foram introduzidos em 1992 e em 2000.
Filiais e congéneres da Sociedade
Até 1976, a supervisão de cada filial e congénere da Sociedade Torre de Vigia era entregue a um só homem. No entanto, na sequência dos ajustes no funcionamento do principal órgão governativo da organização, em 1 de Fevereiro de 1976 todas as filiais e passaram também ter uma Comissão de Filial composta de homens considerados capazes designados pelo Corpo Governante, mediante a sua Comissão do Serviço. Cada Escritório de Filial é organizado em diferentes departamentos, consoante as suas necessidades. O trabalho da Comissão de Filial é supervisionado pelo Coordenador da Comissão de Filial, escolhido dentre os seus pares e servindo nessa função por tempo indeterminado. Existe ainda um rodízio anual na presidência das reuniões da Comissão de Filial, que ocorre a 1 de Janeiro de cada ano.
O livro Procedimentos Organizacionais (lançado em 1977 e revisado em Fevereiro de 2003), é o manual que contém as normas e regras que governam todas as filiais e congéneres da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados e seus complexos gráficos. Outras orientações adicionais são recebidas nas publicações, em sessões de treino periódico ou em cartas internas. Em Brooklyn, a partir de Dezembro de 1977, iniciou-se um curso especial, de cinco semanas, para membros de Comissões de Filial.
A responsabilidade da Comissão de Filial é cuidar das necessidades de todas as congregações no seu território, as quais poderão ascender às muitas centenas, compostas por dezenas de milhares de Testemunhas de Jeová. Certificam-se que toda a população do país ou países sob a sua supervisão possam ser contactados regularmente com a mensagem que pregam, providenciam que as Testemunhas e as pessoas interessadas possam obter Bíblias e publicações baseadas nela, estruturam os circuitos e os distritos em que distribuem as congregações, designam homens capazes para cuidar de cada congregação, cuidam dos interesses dos missionários e outros trabalhadores ou pregadores de tempo integral, efectuam preparativos para a realização de grandes Assembleias e Congressos, cuidam de aspectos legais relacionados com a construção e propriedade de Salões do Reino e de Assembleias, entre muitas outras tarefas, todas elas sob a orientação directa do Corpo Governante.
Nos países onde não existe uma Filial da Sociedade Torre de Vigia, é usual a formação de uma Comissão do País que trabalha sob a supervisão da Comissão de Filial designada àquela região.
Em 1955, existiam 77 filiais da Sociedade Torre de Vigia sendo que a sua supervisão directa cabia ao Presidente da Sociedade. Em face da dificuldade desta tarefa, programou-se dividir a Terra em dez zonas, cada zona compreendendo certo número de filiais da Sociedade. Homens qualificados da sede de Brooklyn e experientes Superintendentes de Filial foram designados como servos de zona (hoje chamados Superintendentes Zonais) e foram treinados para esse trabalho. Em 1 de janeiro de 1956, o primeiro desses servos de zona inaugurou esse novo serviço de visitar as filiais. Em 1992, mais de 30 homens experientes, incluindo membros do Corpo Governante, serviam na qualidade de Superintendentes Zonais. Actualmente existem mais de cem filiais, sendo que algumas deles supervisionam a actividade em países estrangeiros. Por exemplo, a Filial de Portugal, além de cuidar dos interesses das Testemunhas de Jeová no território continental e arquipélagos da Madeira e Açores, supervisiona ainda a actividade realizada em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
Em 2022 existiam 86 filiais e congéneres da Sociedade em todo o mundo, coordenando a actividade das Testemunhas em 239 países e regiões autónomas Relatório Mundial das Testemunhas de Jeová, ano de serviço 2022Sedes das Testemunhas de Jeová no Google Maps e Google Earth (detalhado). As filiais são agrupadas em conjuntos, cada um deles chamado de Zona Internacional. Anualmente, cada zona recebe a visita de um Superintendente Zonal, designado pela Comissão do Serviço do Corpo GovernanteOrganizados Para Efectuar a Vontade de Jeová, página 53. O trabalho primário destes superintendentes é ajudar a Comissão de Filial a lidar com problemas ou perguntas que talvez surjam relacionadas com a obra de evangelização. Também, é usual que se reúnam com os missionários que trabalham sob a supervisão da Comissão de Filial visitada. Examina os registos mantidos para a operação da Filial, inspecciona as gráficas ou outras instalações e mostra particular interesse no andamento da obra de pregação realizada no país ou região bem como na condição espiritual das congregações supervisionadas pela Comissão de Filial visitada. Quando possível, utilizam-se Salões de Assembleias ou locais públicos alugados para a realização de uma reunião especial para a qual podem ser convidados todos os publicadores de um país ou de uma região do país.
Serviço de Betel Betel ou "Casa de Deus", é a designação usada entre as Testemunhas de Jeová para se referirem ao conjunto de edifícios administrativos, complexos gráficos, fazendas e edifícios residenciais para os seus trabalhadores permanentes, todos eles sob a supervisão de uma Comissão de Filial, num determinado país ou conjunto de países. Todos estes bens imóveis pertencem à Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados ou às suas congéneres.
Tomando como exemplo o Brasil, o conjunto dos edifícios administrativos, complexos gráficos e blocos residenciais pertencentes à filial da Sociedade Torre de Vigia daquele país, ali designada por Associação das Testemunhas Cristãs de Jeová, é habitualmente chamado de "Betel do Brasil". O Betel do Brasil está situado no município de Cesário Lange, no estado de São Paulo. O Betel de Portugal, que serve de sede à filial da Sociedade Torre de Vigia, designada por Associação das Testemunhas de Jeová naquele país, está situado em Alcabideche, a alguns quilómetros de Lisboa.
Os trabalhadores voluntários que trabalham nestes locais por Tempo Integral, usualmente chamados de betelitas, integram a Ordem Mundial dos Servos Especiais de Tempo Integral. A escolha de novos membros é feita pela Comissão de Filial e designados mediante a Comissão de Pessoal do Corpo Governante. Os novos membros cursam a Escola de Iniciantes de Betel, que visa a sua formação pessoal e integração na rotina do Serviço em Betel, e recebem um manual intitulado Morar Juntos em União.
Os betelitas encaram a sua permanência em Betel como fazendo parte de uma família. Assim, entre as Testemunhas de Jeová, é habitual usar-se a expressão família de Betel tanto para designar todos os membros que trabalham numa determinada filial como em todas elas, como família global.
Ordem Mundial dos Servos Especiais de Tempo Integral Desde 1995, que todos os trabalhadores voluntários da Associação Torre de Vigia (incluindo os membros do Corpo Governante), tanto na sede mundial como nas respectivas filiais e congéneres (chamados de Betelitas), pioneiros especiais e missionários, superintendentes de Circuito, fazem uma dedicação por escrito como membros da Ordem Mundial dos Servos Especiais de Tempo Integral das Testemunhas de Jeová. São dessa forma considerados trabalhadores voluntários não-remunerados. Recebem uma pequena ajuda de custo para despesas pessoais prementes (se casados, suas esposas também recebem), como consequência directa do seu serviço religioso de Tempo Integral. Segundo o Anuário das Testemunhas de Jeová de 2016, no mundo inteiro, um total de 26.011 ministros ordenados servem nas Filiais.(https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/anuario-2016/totais-gerais-2015/) Todos são membros da Ordem Mundial dos Servos Especiais de Tempo Integral das Testemunhas de Jeová.