A história do registra os acontecimentos históricos no território correspondente aos atuais Irã, Afeganistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Azerbaijão e outras áreas vizinhas, ao longo de um período de tempo que começa com as primeiras civilizações pré-arianas (como a cultura de Jiroft e a elamita), perpassa os Império iranianos e prossegue até os dias atuais, com a República Islâmica do Irã. Em suas diversas formas, trata-se de uma das mais antigas entre as grandes civilizações de existência contínua.
Algumas fontes referem-se a certos períodos da história do Irã com a denominação Império Persa, que pode ser definido como uma sucessão de Estados que controlaram o planalto Iraniano ao longo do tempo, a começar pela dinastia aquemênida, fundada por , no
Antiguidade Antes dos persas Os mais antigo sítios arqueológicos do Irão são encontrados no Kashafrud e Ganj Par. Anteriormente aos aquemênidas, o planalto Iraniano era ocupado pelo Elão (cerca de - ), cuja capital era a cidade de Ansã e, posteriormente, Susa. Elão conviveu com o reino Jiroft - estabelecido no que são hoje as províncias orientais do Irã, enquanto que os elamitas controlavam a porção ocidental, na região da Cordilheira de Zagros - e posteriormente sucedeu-o, estendendo-se pelo planalto Iraniano. A cultura elamita desempenhou um papel essencial no posterior Império Persa, durante o período aquemênida, que manteve a língua elamita como idioma oficial. A civilização elamita é tradicionalmente considerada o ponto inicial da história do Império Persa.
Império Aquemênida (648-)
O princípio do testemunhou a segunda grande invasão do planalto Iraniano por tribos indo-arianas provenientes da Transoxiana e do Cáucaso, entre as quais os medos e os persas. O primeiro registro a respeito dos persas vem de uma inscrição assíria de c. , que se refere aos parsu (Parsuash, Parsumash), localizando-os na área do lago Úrmia, juntamente com outro grupo, estes os madai (medos).
Os medos fixaram-se no norte do planalto Iraniano (Ecbátana, atual Hamadã), e os persas, até então nômades, estabeleceram-se ao sul, em Parsa (atual província iraniana de Fars) e na cidade de Ansã, onde Teispes (reg. c. 675-640), filho de Aquêmenes (semilendário, c. 700-675), teria fundado um novo reino, intitulando-se "rei da cidade de Ansã". Sucederam a Teispes Ciro I e Cambises I. Este último casou-se com a neta do líder medo Ciaxares e foi pai de Ciro II. O reino de Ansã, tributário dos medos, continuou a usar o elamita como idioma oficial por algum tempo, embora a dinastia governante falasse persa, uma língua indo-europeia. A posterior expansão do reino da cidade de Ansã resultaria na criação do Império Persa.
thumb|upright=1.5|O Império Aquemênida em
Durante anos dominadas pelos citas e pelos assírios, as tribos medas, unificadas por Ciaxares, conquistaram Nínive, capital da Assíria, em Após a derrota definitiva dos assírios em , os medos ocuparam território no que é hoje o Irã, bem como na Ásia Menor, na Anatólia e na Lídia. Em , Ciro II, de origem persa, derrotou os medos e tomou o trono (medos e persas pertenciam à mesma raça iraniana e suas línguas eram quase idênticas: a ascensão de Ciro pode ser vista como uma revolução interna que não afetou o império). Senhor dos territórios sujeitos ao Império Medo, Ciro II tomou a antiga capital elamita de Susa, para onde foi transferida a capital persa. Em seguida, os persas conquistam a Lídia, a Jônia, a Cária, a Lícia e a Babilônia, após derrotar o Rei Nabonido em Sucedendo seu pai Ciro, Cambises II conquistou, em vinte anos, por meio de força militar e de uma política liberal para com os povos submetidos, um império que se estendia do Mediterrâneo ao Indo e que incluía o Egito.
O império atingiu o auge territorial sob Dario I, que conquistou o vale do rio Indo, a leste, e a Trácia, a oeste. A sua invasão da Grécia foi frustrada na Batalha de Maratona. Seu filho Xerxes I também tentou ocupar a Grécia, mas foi derrotado na Batalha de Plateias, em (V. Guerras Médicas).
O Império Persa Aquemênida foi o maior e mais poderoso Estado que o mundo havia visto até então; era bem administrado e organizado. Dario dividiu o reino em cerca de vinte satrapias (províncias), supervisionadas por governadores (sátrapas). Também instituiu um sistema tributário para cobrar impostos de cada província, ampliou o sistema postal dos assírios e adotou o uso de agentes secretos (conhecidos como os "olhos e ouvidos do rei"). Construiu a famosa "estrada real", de modo a ligar o seu extenso império.
Durante o período aquemênida, o zoroastrismo, fundado pelo profeta Zoroastro, tornou-se a religião dos governantes e da maior parte dos povos da Pérsia; enfatizava uma luta dualista entre o bem e o mal, e uma batalha final vindoura. O zoroastrismo e seus líderes místicos, os magos, viriam a ser um elemento definidor da cultura persa.
A Pérsia Aquemênida uniu povos e reinos de todas as principais civilizações de uma vasta região.
Pérsia helenística (330-)
thumb|upright=1.5|O império de Alexandre, o Grande
Os últimos anos da dinastia aquemênida foram marcados pela decadência. O maior império da antiguidade desmoronou em apenas oito anos, quando atacado por um jovem rei macedônio, que a história viria a chamar de Alexandre, o Grande.
A decadência da Pérsia ficou evidente para os gregos em , quando o sátrapa de Sardes contratou mercenários gregos para ajudá-lo a reivindicar o trono imperial, o que demonstrava a instabilidade política e a fraqueza militar dos aquemênidas.
Filipe II da Macedônia, governante da maior parte da Grécia, e seu filho Alexandre decidiram aproveitar esta fraqueza. Após a morte de Filipe, Alexandre invadiu a Pérsia, desembarcando seu exército na Ásia Menor em Suas tropas rapidamente tomaram a Lídia, a Fenícia e o Egito, derrotaram as forças de Dario III em Isso e por fim capturaram a capital persa de Susa. O último foco de resistência aquemênida foi nas proximidades do palácio real em Persépolis. O Império Persa estava enfim nas mãos dos gregos.
Ao longo de sua rota de conquista, Alexandre fundou diversas cidades, todas com o nome Alexandria, que serviram para difundir a cultura helenística na Pérsia nos séculos seguintes.
O império de Alexandre desfez-se logo após a sua morte, mas a Pérsia continuou sob controle grego. Um dos generais de Alexandre, Seleuco I Nicátor, assumiu o controle da Pérsia, da Mesopotâmia e, mais adiante, da Síria e da Ásia Menor. Sua descendência é conhecida como a dinastia Selêucida.
A colonização grega continuou até cerca de , difundindo a língua, a filosofia e a arte gregas. O grego tornou-se a língua da diplomacia e da literatura em todo o território conquistado por Alexandre. O comércio com a China, iniciado durante a era aquemênida através da Rota da Seda, assumiu novas proporções, permitindo também um intercâmbio cultural: o budismo foi trazido da Índia; o zoroastrismo foi levado para o oeste e viria a influenciar o judaísmo.
O Império Selêucida rapidamente entrou em declínio. Ainda durante a vida de Seleuco, a capital foi transferida de Selêucia, às margens do Tigre, na Mesopotâmia, para Antioquia (atual Antáquia), às margens do Orontes, próximo ao Mediterrâneo. As províncias orientais de Báctria e Pártia desligaram-se do Império em A liderança militar do rei Antíoco III impediu a Pártia de conquistar a própria Pérsia, mas alarmou a República Romana, cujas legiões começaram a atacar o Império Selêucida. Este viu-se às voltas com a rebelião dos macabeus, na Judeia, e com a expansão do Império Cuchana a leste. O império desmoronou e foi conquistado pela Pártia e por Roma.
A Pérsia sob os partas ( - )
thumb|O Império Parta, c.
A Pártia era uma região ao norte da Pérsia, no que é hoje o nordeste do Irã. Seus governantes, a dinastia arsácida, pertenciam a uma tribo iraniana que havia se instalado na área na época de Alexandre, o Grande. Declararam-se independentes dos selêucidas em , mas somente lograram expandir-se às custas do Império Persa após a ascensão de Mitrídates I ao trono parto, em c. de Anexaram várias regiões na fronteira leste, conquistaram a Babilônia e a Média e, por fim, vencem Antíoco VII em , tomando dos selêucidas todos os seus domínios a leste do Eufrates. O Império Parta estendia-se, então, desde o Eufrates até quase o Indo, com numerosos reinos vassalos.
As duas grandes ameaças ao partos eram as invasões dos nômades vindos do oriente e dos romanos a oeste. Os dois impérios - o parta e o romano - colidiram por mais de dois séculos na Mesopotâmia, com sérias derrotas iniciais infligidas aos romanos, como a Licínio Crasso na Batalha de Carras (, ou a Marco Antônio (). Mais tarde, aproveitando-se da desunião política do inimigo (os partas dividiam-se em clãs, que administravam, cada um, uma província do império) e de um governo central cada vez mais fraco, os romanos lograram vitórias expressivas, chegando mesmo à capital da Pártia, Ctesifonte - Trajano em , Marco Aurélio em , Septímio Severo em e Caracala.
A fraqueza da dinastia arsácida permitiu a rebelião em do rei persa vassalo, Artaxes I, o qual se dizia descendente dos aquemênidas. Artaxes I tomou Ctesifonte em e derrubou o rei parto , fundando a nova dinastia dos sassânidas.
A Pérsia sassânida (226-650)
thumb|Império Sassânida, c. 610
Durante o domínio parta, a Pérsia era apenas uma província de um império extenso e descentralizado. O então rei da Pérsia, Artaxes I, chefiou uma rebelião contra o governo imperial da Pártia. Em dois anos, tornou-se o xá de um novo Império Persa.
A dinastia sassânida (cujo nome vem do bisavô de Artaxes I) foi a primeira dinastia reinante verdadeiramente persa desde a era dos aquemênidas. Considerava-se, pois, como a sucessora de Dario I e Ciro II. Empreenderam uma política agressivamente expansionista, recuperando a maior parte do território oriental que o Império Cuchana havia tomado no período parta. Os sassânidas continuaram a guerrear contra Roma. Um exército persa chegou a capturar o imperador romano Valeriano, em
A Pérsia sassânida, diferentemente da Pártia, era um Estado altamente centralizado. A população estava organizada em castas: sacerdotes, soldados, escribas e plebeus. O zoroastrismo tornou-se a religião oficial do Estado e propagou-se da Pérsia central para as províncias. Houve perseguições esporádicas contra outras religiões, particularmente contra o catolicismo ortodoxo, devido a suas ligações com o Império Romano. O nestorianismo era tolerado e por vezes mesmo favorecido pelos sassânidas.
Embora os hunos brancos houvessem ocupado regiões a leste do império, este logrou anexar, entre 605 e 629, o Levante e o Egito, avançando em seguida sobre a Anatólia.
Entretanto, uma guerra posterior com os romanos levou à destruição do império. Ao longo de um demorado conflito, os exércitos sassânidas chegaram a Constantinopla, mas não a conseguiram tomar. Enquanto isto, o imperador bizantino Heráclio flanqueava os persas na Ásia Menor e atacava o império pela retaguarda, o que resultou em uma derrota decisiva para os sassânidas na Mesopotâmia setentrional. O império viu-se obrigado a abandonar todos os territórios conquistados e recuar, seguindo-se o caos interno e a guerra civil.
Idade Média Pérsia e Islã (650-1219) A rápida expansão do califado árabe coincidiu com o caos causado pelo fim da dinastia sassãnida. A maior parte do país foi conquistada de 643 a 650. A conquista da Pérsia pelos exércitos árabes islâmicos marcou a transição para a Pérsia medieval.
, último xá, morreu dez anos após perder o seu império para o califado. Tentou recuperar algo do que havia perdido, com o auxílio dos turcos e dos tártaros, mas estes foram facilmente derrotados pelos muçulmanos.