Em 2001 teve início oficialmente o Projeto de Formação de Professores Indígenas - 3º Grau Indígena, atualmente são oferecidos cursos superiores de licenciatura nas áreas de Línguas, Artes e Literaturas; Ciências Matemáticas e da Natureza; e Ciências Sociais.
História No ano de 1995 foi criado o Conselho de Educação Escolar Indígena - CEI/MT, que se constituiu num espaço de discussão, reflexão e luta pela Educação Escolar Indígena. A criação do CEI/MT fortaleceu em Mato Grosso o movimento dos professores indígenas que passaram a reivindicar a formação continuada por meio de cursos específicos e diferenciados.
Em 1997, após a conferência Ameríndia, foi criado pelo Governo do Estado a Comissão Interinstitucional e Paritária que iniciou as discussões sobre a formação de professores indígenas em nível superior. A Comissão era constituída por representantes da SEDUC/MT, FUNAI, CEE/MT, CEI/MT, UFMT, UNEMAT, CAIEMT e representantes indígenas.
No ano de 1998, a Comissão elaborou o anteprojeto para formação em nível superior, estabelecendo as diretrizes gerais da proposta.
O projeto foi concluído pela Comissão no final de 1999, com a entrega oficial do documento ao Governo do Estado de Mato Grosso. O ano de 2000 foi dedicado às negociações políticas e financeiras, com a assinatura dos convênios entre as instituições parceiras e a sua aprovação nos colegiados da Universidade do Estado de Mato Grosso.
Em 2001 teve início oficialmente o Projeto de Formação de Professores Indígenas - 3º Grau Indígena, com a realização do Vestibular e o início das aulas no mês de julho, para a 1ª Turma dos Cursos de Licenciatura Específica para a Formação de Professores Indígenas. Em janeiro de 2005 tiveram início as aulas para a 2ª Turma dos cursos.
No período compreendido entre 2002 e 2004 foi ofertada uma especialização Lato Sensu em Educação Escolar Indígena, que contou com a participação de interessados de diferentes instituições que atuam na questão indígena, além de professores indígenas já graduados. Atualmente prevê-se a abertura de uma nova turma do referido curso. Esta nova turma ofertará 50 vagas específicas para professores indígenas egressos da UNEMAT e de outras IES.
Em junho de 2006, a 1ª Turma concluiu as atividades do curso, sendo realizada a Colação de Grau e a entrega dos diplomas de licenciados a 186 acadêmicos indígenas.
Em agosto de 2007, considerando a necessidade de fortalecer as ações desenvolvidas pela UNEMAT em prol da Educação Superior indígena em Mato Grosso, o Projeto 3º Grau Indígena foi transformado no Programa de Educação Superior Indígena Intercultural - PROESI. Em janeiro de 2008 iniciaram as aulas para a 3ª Turma dos Cursos de Licenciatura.
Durante o II Congresso Universitário da UNEMAT, realizado em dezembro de 2008, foi aprovada a criação da Faculdade Indígena Intercultural, incorporando as ações relacionadas a Educação Superior Indígena.
A Faculdade tem por objetivo a execução dos Cursos de Licenciaturas Plenas e de Bacharelado, com vistas à formação em serviço e continuada de professores e profissionais indígenas; abertura de vagas nos cursos regulares de Pós-Graduação Lato Sensu e Stricto Sensu; cursos de formação continuada, acompanhamento de acadêmicos indígenas nos cursos de graduação e administração do Museu Indígena a ser implantado.
Em julho de 2009, a 2ª Turma concluiu as atividades do curso, realizando então a Colação de Grau e a entrega dos diplomas a mais 90 Professores Indígenas.
Publicações Para dar vazão à produção acadêmica gerada tanto pelos universitários quanto pelos docentes da Faculdade Indígena Intercultural, foram instituídas quatro séries de publicações com enfoques e preocupações distintas:
Série Institucional, que reúne as publicações voltadas à divulgação da Faculdade em seus aspectos institucionais e organizacionais; Série Periódicos, que reúne os periódicos produzidos e editados pela Faculdade, como o Informativo de Notícias e o Cadernos de Educação Escolar Indígena; Série Experiências Didáticas, voltada à viabilização de propostas de publicações apresentadas pelos estudantes para uso em suas escolas e aldeias; Série Práticas Interculturais, destinada à organização e divulgação das produções textuais e visuais elaboradas pelos estudantes durante as etapas presenciais e intermediárias dos cursos nas três áreas de concentração. Declaração das Nações Unidas Sobre o Direito dos Povos Indígenas, aprovada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas em 13 de setembro de 2007, depois de 22 anos de discussão.
Série Institucional Projeto dos Cursos de Licenciatura Trata-se da publicação de uma versão resumida do Projeto de Cursos de Licenciatura Específicos para a Formação de Professores Indígenas, elaborado no período de 1997 a 2000, pela Comissão Interinstitucional e Paritária, criada pelo Decreto Nº 1.842, de 21 de novembro de 1997, do Governo do Mato Grosso, contendo os principais pontos norteadores da discussão acerca da formação de professores indígenas em nível superior. A divulgação deste material tem como objetivo difundir as proposições estabelecidas ao longo de quatro anos de trabalhos da Comissão, esperando que seja o ponto de partida para novas reflexões no que se refere à formação de professores indígenas.
Conteúdo
Breve histórico da educação escolar indígena no Brasil e em Mato Grosso A luta por uma educação escolar diferenciada O processo de discussão acerca do ensino superior indígena em Mato Grosso O perfil do professor a ser formado Objetivos do projeto Justificativa do projeto e dos cursos Perfil dos cursos Objetivos dos cursos Princípios curriculares Estruturas curriculares dos cursos Temas transversais Temáticas centrais do Primeiro Ciclo Temáticas centrais do Segundo Ciclo Os estágios supervisionados Processo de avaliação Formação dos docentes que atuarão nos cursos Bibliografia
Série Periódicos Reúne os dois periódicos já produzidos e editados pela Faculdade:
Notícias (Informativo); Cadernos de Educação Escolar Indígena.
O Informativo da Faculdade Indígena Intercultural foi produzido até o nono número, tendo periodicidade semestral e tiragem de 1.000 exemplares. É composto por pequenos textos e ilustrações produzidas pelos estudantes durante as etapas presenciais, sobre temas diversos como terra, cultura, tradição, língua, etc.
Seu público alvo principal são os próprios estudantes da Faculdade, mas também tem ampla circulação entre o público não-índio pela riqueza de informações sobre as diferentes etnias.
O periódico Cadernos de Educação Escolar Indígena tem 6 (seis) volumes publicados, com periodicidade anual e tiragem de 1.000 exemplares. Destina-se a divulgar artigos produzidos pelos estudantes e docentes da Faculdade, bem como outras contribuições de diferentes especialistas na área de educação escolar indígena, dentro e fora do país.
A intensa procura pelos 6 (seis) números já editados revela uma boa aceitação do periódico no meio acadêmico, estando garantidas as condições necessárias para manter a periodicidade do mesmo.
Série Experiências Didáticas Esta série está voltada à viabilização de propostas de publicações apresentadas pelos estudantes indígenas para uso em suas escolas e comunidades.
Trata-se de apoiar as iniciativas dos estudantes na produção de livros, cartilhas e outros materiais didáticos, por meio da orientação pedagógica, linguística e antropológica, bem como facilitando-lhes os meios para preparação dos originais e sua edição.
Série Práticas Interculturais Esta série destina-se a organização e divulgação das produções textuais e visuais elaboradas pelos estudantes durante as etapas presenciais e intermediárias dos cursos, a partir das propostas didáticas dos docentes das três áreas de concentração.
Trata-se da divulgação de livros que permitirão não só o retorno aos estudantes de suas produções, como também sua divulgação para um público mais amplo.
Esta série será organizada a partir de três coleções temáticas, assim constituídas:
Coleção Vida e Meio Ambiente Coleção Cultura e Sociedade Coleção Práticas Pedagógicas e Linguagem
Desde o início dos cursos vem sendo desenvolvida a proposta de elaboração de um Dicionário Enciclopédico de Palavras Indígenas, que deverá integrar a Coleção Práticas Pedagógicas e Linguagem.
Declaração das Nações Unidas Sobre o Direito dos Povos Indígenas A Faculdade Indígena Intercultural, vinculada à Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT, lançou em parceria com a Editora Entrelinhas e as Nações Unidas(ONU) a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas em 13 de setembro de 2007, depois de 22 anos de discussão. O lançamento aconteceu no dia 06 de outubro, na abertura da Feira do Livro Indígena de Mato Grosso, na praça da República em Cuiabá.
A publicação, com tiragem de três mil exemplares, foi distribuída gratuitamente, com prioridade aos diversos povos indígenas de Mato Grosso. Também receberam a publicação a sociedade civil organizada, demais órgãos governamentais municipais e do Estado, além de bibliotecas públicas e escolares no Estado de Mato Grosso.
Consideramos este documento de extrema importância para o Estado de Mato Grosso, onde hoje se localizam 71 Terras Indígenas (entre as homologadas, regularizadas, delimitadas, identificadas ou em estudo) além de 9 povos indígenas isolados na sua região Norte. São milhares de índios nas aldeias e muitos mais integrados entre os não-índios em todo o nosso extenso território – com todos os benefícios e dificuldades que esta integração cultural proporciona.
São por meio de seus artigos que indígenas e não-indígenas, vão tomar conhecimento dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas, afirmando a necessidade de serem respeitados na sua diferença. A Declaração trás em seu bojo, entre outros aspectos, a reafirmação da democracia dos direitos legais; a preocupação com as injustiças históricas; o reconhecimento de promover os direitos intrínsecos dos povos indígenas; a consolidação da organização política, social, econômica e cultural; o direito aos territórios e suas terras tradicionais; o reconhecimento às culturas e às práticas tradicionais indígenas; o direito à educação escolar específica e intercultural; o respeito aos direitos humanos e a autodeterminação.
Graduação Cursos Os Cursos de Licenciatura Específica para a Formação de Professores Indígenas têm por objetivo a formação e a habilitação de professores indígenas para o exercício docente no Ensino Fundamental e em disciplinas específicas do Ensino Médio, nas escolas das aldeias.
São oferecidos cursos superiores de licenciatura nas áreas de Línguas, Artes e Literaturas; Ciências Matemáticas e da Natureza; e Ciências Sociais. Os cursos ministrados são reconhecidos pelo Conselho Estadual de Educação de Mato Grosso – CEE/MT, por meio da Portaria nº. 321/04 – CEE/MT, publicada no Diário Oficial do Estado, em 21 de setembro de 2004. Tiveram seu reconhecimento renovado por meio da Portaria nº. 311/05 – CEE/MT, publicada no Diário Oficial do Estado, em 27 de dezembro de 2005.
Com duração de 05 anos e uma carga horária total de 4.025 horas, os cursos estão estruturado em
10 Etapas de Estudos Presenciais, 10 Etapas de Estudos Cooperados de Ensino e Pesquisa (Etapas Intermediárias), Estágio Curricular Supervisionado e, Trabalho de Conclusão de Curso.