A Fazendinha Dona Izabel, também conhecida como Casa da Fazendinha ou Casarão da Barragem Santa Lúcia, é uma construção histórica da cidade de Belo Horizonte, capital do estado brasileiro de Minas Gerais, localizada na Avenida Artur Bernardes. Foi tombada como bem histórico no ano de 1992, a pedido da comunidade do Aglomerado Santa Lúcia, onde está localizada - fato inédito na história das políticas patrimoniais da cidade, à época. Após um processo de restauração de três anos promovido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, o imóvel foi reaberto ao público em 17 de dezembro de 2022 e passou a ser gerido pela Associação Cultural Casa do Beco. Desde então, o antigo casarão passou a ser denominado Fazendinha Dona Izabel, em homenagem a Izabel Rocha de Magalhães, uma das matriarcas negras que o habitaram ao longo do século XX. No espaço, agora equipado com telecentros e salas multiuso, são desenvolvidas atividades artísticas, formativas e culturais diversas, tendo como público principal as moradoras e os moradores da comunidade.

História A Fazendinha Dona Izabel é uma das construções mais antigas de Belo Horizonte. O casarão foi construído nos primeiros anos do século XX (estimado entre 1900 e 1919), e fazia parte da Colônia Agrícola Afonso Pena, em terras anteriormente pertencentes à antiga Fazenda do Capão, de propriedade de Ilídio Ferreira da Luz, desapropriada em 1894 pela CCNC para a construção da nova capital mineira. A edificação, situada na região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi ainda sede dos escritórios da Cerâmica Santa Maria, fechada após a desapropriação das terras para a construção da Barragem Santa Lúcia, ocorrida por volta de 1950. Em 1972, o casarão foi adquirido por Maria Izabel Rocha Magalhães e seu marido, família que se tornou a responsável por sua preservação nas décadas seguintes.

O casarão foi tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Belo Horizonte devido a um processo de mobilização dos moradores do Aglomerado Santa Lúcia, que compunham a União Comunitária da Barragem Santa Lúcia. Tais moradores tinham o desejo de que fosse construído no local um centro cultural com biblioteca e espaço para atividades formativas para os moradores do aglomerado. miniaturadaimagem|Casa da Fazendinha no aglomerado Santa Lúcia, 2013. No dia 3 de outubro de 1992, estes moradores apresentaram ao Conselho do Patrimônio Histórico de Belo Horizonte um ofício solicitando o tombamento deste antigo casarão. Assim, em 22 de outubro de 1992, a até então conhecida como Casa da Fazendinha tornou-se patrimônio histórico de Belo Horizonte.

Incêndio e promessas de revitalização Em 2012 o Ministério Público de Minas Gerais recomendou que obras de contenção e restauração fossem realizadas diante de eminente risco de desabamento atestado por laudo da defesa civil. Para isso seriam removidas as famílias que viviam no local. O último morador do casarão, Orlando Josias Rodrigues Magalhães, que morreu no incêndio que deteriorou ainda mais o local, mudou-se com aluguel pago pela prefeitura. Mas Orlando voltou passados oito meses, com medo de perder a casa.

Restauração e Reabertura Após três anos de intensas obras de restauração promovidas pela Prefeitura de Belo Horizonte — com o envolvimento de diversos órgãos e secretarias —, a Casa da Fazendinha foi reinaugurada no dia 17 de dezembro de 2022,Após restauração, Casa da Fazendinha é reaberta com exposição, Prefeitura de Belo Horizonte, 14 de dezembro de 2022 data que integrou as comemorações dos 125 anos da capital mineira. A cerimônia de entrega contou com a presença do prefeito Fuad Noman e foi marcada pela abertura da exposição "De Fazenda a Casarão: Trajetórias de Preservação", voltada para a história do imóvel, as lutas sociais e o seu processo de tombamento e revitalização.

A gestão do novo espaço cultural comunitário foi atribuída à Associação Cultural Casa do Beco, liderada por Nil César, instituição com forte presença na região. O espaço foi requalificado para receber shows musicais, exposições, espetáculos, oficinas e cursos de formação profissional. Como parte dessa renovação, a Prodabel instalou no local duas salas equipadas com telecentros de última geração, sendo uma voltada para a inclusão digital de idosos e outra destinada à formação e profissionalização da juventude. Segundo representantes da comunidade e agentes culturais envolvidos, o restauro e a reabertura do casarão simbolizam uma conquista decorrente de décadas de resistência pelo reconhecimento e pela valorização da história da comunidade da Barragem Santa Lúcia.

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