O mingrélio (no alfabeto georgiano: მარგალური ნინა, transl. margaluri nina) é uma língua caucásica meridional falada no oeste da Geórgia (regiões de Mingrélia e Abecásia), especialmente por georgianos de origem mingrélia. Também era chamado de ibério (em georgiano: iveriuli ena) no início do século XX. Porque o mingrélio deteve por mais de mil anos um status apenas regional dentro da Geórgia, o número de seus falantes vem diminuindo e perdendo o espaço para o idioma nacional; diante disto, a UNESCO a designou como uma língua ameaçada.UNESCO Interactive Atlas of the World’s Languages in Danger
Distribuição e status Não existem cifras confiáveis para o número de falantes nativos do mingrélio, porém estima-se que seja algo entre 500 e 800 mil. A maior parte destes falantes vivem na região de Mingrélia da Geórgia, que abrange os Montes Odishi e as Planícies de Colcheti, do litoral do Mar Negro até as Montanhas Svan e o Rio Tschenistscali. Existiam pequenos enclaves na república autônoma da Abecásia, porém o estado de guerra civil do local provocou a migração de muitos falantes do mingrélio, especialmente para a Geórgia. Sua distribuição geográfica é relativamente compacta, o que tem ajudado a promover a transmissão do idioma para as gerações seguintes.
O mingrélio geralmente é escrito com o alfabeto georgiano, porém não possui um padrão escrito ou status oficial. Quase todos os falantes são bilíngues, utilizando o mingrélio para conversas informais e familiares, e o georgiano para outros propósitos.
No verão de 1999, livros do poeta georgiano Murman Lebanidze foram queimados na capital mingrélia, Zuguedidi, após este ter feito comentários considerados ofensivos sobre a língua mingrélia.Ammon, Ulrich. Soziolinguistik: Ein Internationales Handbuch Zur Wissenschaft Von Sprache und Gesellschaft, p. 1899. Handbücher zur Sprach- und Kommunikationswissenschaft. Volume 3. Sociolinguistics: An International Handbook of the Science of Language and Society, Ulrich Ammon, Norbert Dittmar, Klaus J. Mattheier (ed.). 2ª edição, Walter de Gruyter, 2006. ISBN 3110184184, 9783110184181 Não é infrequente, no entanto, ouvir este tipo de comentário sendo feito pelos próprios falantes da língua.
História O mingrélio é uma das línguas caucásicas meridionais, aparentado ao laz, do qual se diferenciou principalmente nos último 500 anos, depois que as comunidades setentrionais (mingrélias) e meridionais (laz) foram separadas pelas invasões turcomanas. Tem um parentesco um pouco menos com o georgiano (os dois ramos se separaram no , ou talvez antes) e um parentesco ainda mais distante com o svan (ramo que teria se separado no , ou antes). O mingrélio não é mutualmente inteligível com qualquer uma dessas línguas, embora alguns de seus falantes aleguem poder reconhecer muitas palavras do laz.
Alguns linguistas referem-se ao mingrélio e ao laz como dialetos de uma única língua, chamada de zan ou cólquida. O zan, no entanto, já havia se subdividido nas variantes mingrélia e laz no início do período moderno, e não é costumeiro referir-se a um idioma zan unificado no dias de hoje.
Os textos mais antigos em mingrélio a terem sobrevivido aos dias de hoje datam do , e consistem principalmente de literatura etnográfica. Os primeiros estudos linguísticos do mingrélio incluem uma análise fonética de Aleksandre Tsagareli (1880), e gramáticas de Ioseb Kipshidze (1914) e Shalva Beridze (1920). De 1930 a 1938 diversos jornais foram publicados em mingrélio, como o Kazaxishi Gazeti, Komuna, Samargalosh Chai, Narazenish Chai e Samargalosh Tutumi. Recentemente tem sido visto um renascimento do idioma, com a publicação de dicionários - mingrélio-georgiano, de Otar Kajaia, e mingrélio-alemão, de Otar Kajaia e Heinz Fähnrich — e livros de poesia, de autores como Lasha Gaxaria, Edem Izoria, Lasha Gvasalia, Guri Otobaia, Giorgi Sichinava, Jumber Kukava e Vaxtang Xarchilava.
Dialetos Os principais dialetos e subdialetos do mingrélio são: Dialeto do noroeste ou zuguedidi-samurzakano Djvari Dialeto do sudeste, ou senaki Martvili-bandza Abasha
Amostra de texto აჟამ ჟიუშთი დო ჟინუა ნჟილაგარიში არიკი ართი ქევანას ცხოვრენც აჟამ ჟიუშთი დო მაჟირას ჟინუა ნჟილაგარი. ათე ჟინუა ნჟილაგარი ორე თინერი კოჩი, მუდგას მეჩანს კოცნი მუში სიცოხლეს ვეუაფე თინა ქაატუას, ოკო გინაგაფუას. აჟამ ჟიუშთი ორე თინერი - მუთუნს ვემეჩანს კოცს. ქეშეხვადეს თენენქ ართიანს.Omniglot escrita mingrélia
Transliterado
aǯam ǯiušti do ǯinua nǯilagariši ariḳi arti kevanas cxovrenc aǯam ǯiušti do mažiras ǯinua nǯilagari. ate ǯinua nǯilagari ore tineri ḳoči, mudgas mečans ḳocni muši sicoxles ve՚uape tina kāṭuas, oḳo ginagapuas. aǯam ǯiušti ore tineri - mutuns vemečans ḳocs. kešexvades tenenk artians.
Português
A história de Ajam Justhi e Jinua Njilagari. Em um país estava vivendo A. (homem) e em outro N. (mulher). Esta era uma mulher, ele é uma mulher em sua plena vida, não vai acontecer que aquele que não a possa nada possa manter, que vá deixar de pagar Justhi, que era um macho. Nada lhe entrega. Encontraram-se um ao outro.
Fonte: The Story of Ajam Jushti and Jinua Njilagari.Em alemão/ inglês – cultura Caucasiana.
Bibliografia Beridze, Shalva (1920), Megruli (Iveriuli) Ena ("Língua Mingrélia (Ibera)") (em georgiano) Broers, Laurence (2004), Containing the Nation, Building the State - Coping with Nationalism, Minorities, and Conflict in Post-Soviet Georgia Kipshidze, Ioseb (1914), Grammatika Mingrel'skogo (Iverskogo) Jazyka ("Gramática da Língua Mingrélia (Ibera)") Tsagareli, Aleksandre (1880), Megrelskie Etiudi, Analiz Fonetiki Megrelskogo Yazika ("Estudos Megrelianos, Análise da Fonética Megreliana")
Ligações externas Mingreliano - Ethnologue Nanashi Nina - The First ABCBook In Megrelian TITUS Caucasica: Megrelisch Dicionário megreliano-georgiano de Otar Kajaia - TITUS Megrelian Project - Universidade de Lund, Suécia
Categoria:Línguas caucasianas meridionais Categoria:Línguas aglutinantes Categoria:Línguas da Geórgia Categoria:Línguas da Abecásia Categoria:Mingrélios