Enel (Ente nazionale per l'energia elettrica) é uma multinacional italiana, que atua no ramo de geração e distribuição de eletricidade e gás. A Enel a princípio foi estabelecida como uma entidade pública no final de 1962, e depois transformada em uma sociedade anônima em 1992. Após a liberalização do mercado de eletricidade na Itália, em 1999, a companhia foi privatizada. Por meio do Ministério da Economia e Finanças, o Estado italiano ainda é o principal acionista, com 23,6% do capital social em 1 de abril de 2016. A Enel é a 73ª maior empresa do mundo em receita, com 65,0 bilhões de euros em 2020. Em 2020, a Enel tinha uma capitalização na bolsa de valores de 82 bilhões de euros, o que a torna a maior empresa de serviços públicos da Europa por capitalização. Em 2018, a Enel também era a segunda maior empresa de energia do mundo em receita depois da State Grid, a Companhia Nacional da Rede Elétrica da China. A empresa está cotada no índice FTSE MIB na Bolsa de Milão.

História

1898-1962: Em direção a uma política nacional para a eletricidade No ano de 1898, a produção de eletricidade na Itália era de 100 GWh, e tinha um valor de mais de 56 bilhões de dólares em 1960. Grande parte da eletricidade foi produzida por empresas privadas regionais, ou por empresas ligadas a outros órgãos industriais, tanto locais quanto regionais, explorando as características específicas do território: seus recursos hidrogeológicos.

O Estado subsidiou a construção de centrais elétricas e outras obras necessárias em um território com o objetivo de aumentar a produção de eletricidade. Em 1961, o Estado regulou a distribuição com tarifas nacionais unificadas estabelecidas com base em classes de consumo iguais (por meio do Fundo de Compensação do Setor Elétrico, e exigiu que as empresas de eletricidade fornecessem acesso à eletricidade para todos.

Um ano depois, em 1962, o governo institucionalizou a Entidade para eletricidade com o intuito de fazer da eletricidade um meio para o desenvolvimento do país e para definir uma política nacional para a eletricidade com base nas experiências de outros países, tais como a França e o Reino Unido.

1962: Estabelecendo a Entidade Nacional de Eletricidade No início de 1962, o Gabinete Fanfani IV comprometeu o governo a elaborar uma proposta para a unificação do sistema elétrico nacional no prazo de três meses após a aprovação pelo parlamento de uma moção de confiança.

Durante a assembleia da Câmara de Deputados de 26 de junho de 1962, o governo apresentou um projeto de lei que sancionava os princípios e procedimentos para o estabelecimento da Ente Nazionale per l'energia Elettrica (Entidade Nacional de Eletricidade, E.N.EL., ou Enel).

De acordo com a lei, a Enel iria adquirir todos os ativos de empresas produtoras, processadoras, transmissoras e distribuidoras de eletricidade, com exceção dos autoprodutores—empresas que produziam mais de 70% de sua eletricidade para outros processos de produção—(a mesma exceção foi aplicada posteriormente às autoridades municipais) e de pequenas empresas que não produziam mais de 10 milhões de quilowatts-hora por ano.

Foram definidos os procedimentos de avaliação do valor das empresas adquiridas, tendo sido estabelecido que uma compensação deveria ser paga aos credores em 10 anos a uma taxa de juros de 5,5%. Dentro desse quadro, 1962 deveria ser considerado um ano de transição, no qual todas as receitas e despesas das empresas adquiridas seriam transferidas para a Enel. 1963 foi, portanto, o primeiro ano operacional da empresa recém-formada.

As primeiras empresas a serem adquiridas foram: SIP (Piemonte), Edison Volta(Lombardia) SADE (Vêneto), SELT-Valdarno (Toscana), SRE (Lazio), SME (Campânia), SGES (Sicília), e Carbosarda (Sardenha).

1963–1970: Modernização e desenvolvimento da rede Os primeiros objetivos da Enel foram a modernização e desenvolvimento da rede elétrica com a construção de um backbone de linhas de alta tensão, conexões internacionais, conexões com as ilhas, eletrificação rural e a criação de um centro nacional de distribuição. Estes projetos seriam co-financiados pelo Estado através da emissão, em 1965, de títulos avaliados em mais de 200 mil milhões liras italianas. Em 1967, a Enel, que originalmente era supervisionada pelo Comitê de Ministros, começou a ser supervisionada pelo Comitê Interministerial de Planejamento Econômico (CIPE), sob a tutela do Ministério da Indústria. Durante este período, a produção de usinas termoelétricas ultrapassou, pela primeira vez, a das hidrelétricas.

Em 1963, foi criado o Centro Nacional de Distribuição de Roma para gerir a rede energética, coordenando as instalações de produção, a rede de transmissão, a distribuição, bem como a interconexão do sistema elétrico italiano com o de países estrangeiros, ajustando em tempo real a produção e a transmissão de energia com base na demanda real.

Em termos de eletrificação rural, os assentamentos que não estavam ligados à rede elétrica diminuíram de 1,27% em 1960 para 0,46% em 1964, com mais de 320.000 novos residentes conectados. No período de cinco anos entre 1966 e 1970, foram feitos mais investimentos para a eletrificação rural, onde 80% dos custos foram cobertos pelo Estado e 20% pela Enel, sendo parte desses custos incorridos pela redução de algumas taxas como incentivo ao desenvolvimento agrícola.

Em 1968, iniciou-se a construção da ligação de alta tensão de 380 kV entre Florença e Roma com o objetivo de unir o sistema elétrico de alta tensão do norte com o do centro e do sul. Por volta da mesma época, conexões internacionais de alta tensão com França (380 kV Venaus-Villarodin, 1969) e Suíça também foram postas em prática. No mesmo ano, foram colocados cabos elétricos submarinos para ligar a península e as ilhas de Elba (1966), Ísquia (1967), e Sardenha através da Córsega (1967).

Em 1963, a Enel esteve envolvida no desastre da barragem do Vajont. Em 9 de outubro de 1963, um enorme deslizamento de 260 milhões de metros cúbicos caiu no reservatório formado pela barragem. A barragem e a usina haviam sido construídas pela Società Adriatica di Elettricità (a Companhia de Eletricidade do Adriático, ou SADE) e depois vendidas à Edison, e haviam acabado de ser transferidas como parte do processo de nacionalização para a recém-criada Enel. O deslizamento criou enormes ondas na barragem do Vajont, que inundaram parcialmente as aldeias de Erto e Casso e varreram a barragem, arrasando completamente as aldeias do vale abaixo: Longarone, Pirago, Rivalta, Villanova e Faè. Aproximadamente duas mil pessoas morreram no desastre. A Enel e a Montedison foram acusadas no julgamento subsequente como as empresas responsáveis pelo desastre, uma responsabilidade considerada ainda mais grave devido à previsibilidade do evento. As duas empresas foram obrigadas a pagar danos às comunidades envolvidas na catástrofe.

1970–1989: A crise energética e a procura por novas fontes A década de 1970 foi marcada por uma grande crise energética que levou a companhia a implementar medidas drásticas de austeridade , e a criação de um plano energético nacional que definiu os objetivos tanto da construção de novas centrais eléctricas como da procura de novas fontes de energia.

Em 1975, como resultado da crise do petróleo ocorrida em 1973 e das medidas de austeridade, e após o estabelecimento do primeiro Plano Nacional de Energia (PEN), o objetivo da companhia passou a ser o de reduzir a dependência da Enel dos hidrocarbonetos, que deveria ser alcançada com a utilização de outras fontes de energia, incluindo a hídrica, geotérmica, carvão, redução de resíduos e, em particular, a utilização de energia nuclear.

Diversas plantas novas foram construídas no decorrer da década. No início dos anos 70, teve início a construção da central nuclear Caorso (Emília-Romanha), a primeira grande central nuclear na Itália (para gerar 840-860 MW). A estação começou a operar em 1978. Entre 1972 e 1978, a central hidrelétrica de Taloro foi construída na província de Nuoro (Sardenha). IEm 1973, a central hidrelétrica de San Fiorano entrou em operação. Em 1977, foi inaugurada uma central termoelétrica em Torre del Sale, perto de Piombino (Toscana). No final dos anos 70, iniciou-se a construção da central térmica de Porto Tolle (Veneto), cuja primeira seção concluída ficou ativa em 1980.

Entre 1971 e 1977, as instalações piloto de transmissão de 1000 kV em Suvereto (Toscana) foram testadas. Em 1974 foi concluída a construção da backbone elétrica de alta tensão do Adriático.

Entre 1973 e 1977, foram perfurados poços para a produção de energia geotérmica em Torre Alfina, na província de Viterbo (Lazio). A barragem do Alto Gesso (Piemonte) foi concluída em 1982 como parte da central hidrelétrica Luigi Einaudi "Entracque".

Os anos 80 foram marcados pela construção de novas centrais e pelo teste de formas alternativas de energia, a eliminação da energia nuclear italiana, bem como pela redução gradual da dependência do petróleo, que diminuiu de 75.3% em 1973 para 58,5% em 1985. Várias grandes centrais elétricas tornaram-se ativas durante este período. Entre elas, a usina de combustível fóssil de Fiumesanto (Sardenha) em 1983–84; a usina hidrelétrica de armazenamento por bombeamento de Edolo (Lombardia) em 1984–85, uma das maiores do gênero na Europa; e a central eléctrica a carvão da Torrevaldiagia Nord (Lazio) em 1984.

Em 1981, com a ajuda da Comunidade Econômica Europeia, a Enel construiu a primeira usina de energia solar concentrada em grande escala utilizando um refletor linear compacto Fresnel, a usina Eurelios de 1 MWe em Adrano (Sicília). A planta foi fechada em 1987. Em 1984, a central fotovoltaica de Vulcano (Sicília) entrou em atividade. No mesmo ano, o primeiro parque eólico do país tornou-se operacional em Alta Nurra (Sardenha).

Durante 1985, o centro nacional de distribuição e controle da rede elétrica foi, aos poucos, transferido do centro de Roma para Settebagni, e passou a fazer parte de uma rede europeia mais ampla para a sincronização da produção de eletricidade.

Em 1986, a Enel teve seu primeiro saldo positivo, com um lucro de 14,1 bilhões de liras italianas.

Na sequência do desastre de Chernobyl, em 1987, realizou-se o primeiro referendo sobre energia nuclear, ganho por aqueles que se opunham à energia nuclear. O resultado marcou o fim da energia nuclear na Itália, o encerramento e suspensão de toda a construção de centrais nucleares, e o estabelecimento de um novo plano energético nacional. A Usina Nuclear Caorso na Emília-Romanha, que estava inativa desde 1986 para reabastecimento, nunca mais foi reativada e foi finalmente fechada em 1990. A Central Nuclear Enrico Fermi em Piemonte foi desativada em 1987 e encerrada em 1990. Os trabalhos de construção da Usina Nuclear Montalto di Castro, iniciados em 1982, foram interrompidos em 1988. A planta foi convertida no ano seguinte em uma usina multicombustível. A Central Nuclear de Latina foi fechada em 1988. A Usina Nuclear Garigliano estava encerrada desde 1978.

Em 1988, o novo Plano Nacional de Energia (PEN) estabeleceu os seus principais objetivos: aumento da eficiência energética, proteção ambiental, exploração dos recursos nacionais, diversificação das fontes de abastecimento do exterior e a competitividade global do sistema produtivo.

1990–presente: liberalização e privatização Entre 1990 e 2000, o mercado italiano de eletricidade foi gradativamente liberalizado. Em 1991, a Lei n. 9/1991 sancionou uma primeira liberalização parcial da produção de eletricidade gerada a partir de fontes convencionais e fontes de energia renovável; as empresas foram autorizadas a produzir eletricidade para uso próprio com a obrigação de entregar a quantidade excedente à Enel. Em julho de 1992, o Gabinete Amato I transformou a Enel em um sociedade anônima com o Tesouro Nacional como único acionista.