Full Moon é o terceiro álbum de estúdio da cantora e produtora musical norte-americana Brandy Norwood. A sua produção teve início na metade de 2001, após o término de um hiato longo tomado pela artista depois da finalização dos eventos promocionais do seu segundo trabalho de estúdio, Never Say Never (1998). A vocalista, que passou por um período de hospitalização no final de 1999 como resultado de um colapso nervoso, revelou ter tido receio de dar arranque ao processo de produção de Full Moon por medo de não conseguir alcançar as expectativas do público, porém, com a ajuda de Rodney "Darkchild" Jerkins — produtor executivo e maior contribuinte na produção e arranjos de Never Say Never — e a equipe do mesmo, conseguiu conceber material suficiente para o disco. Gravado principalmente no estúdio The Hit Factory em Miami, Flórida, Full Moon foi divulgado internacionalmente em meados de 2002 através da editora discográfica Atlantic. O projecto viu Norwood a abandonar a sua imagem de rapariga adolescente em troca de uma mais sensual e adulta, com as letras das canções agora envolvendo metáforas sexuais.
Inspirada por cantoras como a norte-americana Whitney Houston e a irlandesa Enya, Norwood tomou a decisão de empurrar os limites da sua voz para novos horizontes e experimentar novos arranjos vocais. Em Full Moon, a sua voz tem um tom mais profundo e cálido com uma textura mais baixa, e o seu falsetto está notavelmente mais forte. Além disso, desejando distanciar-se um pouco de canções urbanas contemporâneas de pop e R&B, a artista quis também explorar novos géneros, tais como música electrónica e UK garage, o que a fez trabalhar com novos colaboradores, incluindo Fred "Uncle Freddie" Jerkins III, LaShawn "Big Shiz" Daniels, Warryn "Baby Dubb" Campbell, Mike City e Robert "Big Bert" Smith, com quem a artista eventualmente iniciou um envolvimento amoroso. Ademais, vocais do cantor norte-americano Michael Jackson e de Ray J, irmão de Norwood, podem ser ouvidos em algumas faixas.
Embora tenha rendido à vocalista uma nomeação para "Melhor Álbum de R&B Contemporâneo" na 45.ª cerimónia anual dos prémios Grammy, a resposta inicial pelos críticos de música contemporânea obtida por Full Moon foi mista. A produção futurística electrónica comandada por Darkchild associada aos vocais ousados da intérprete, bem como as técnicas inéditas de ambos, foram todas aplaudidas por uns. Entretanto, outros revelaram dessatisfação para com o projecto como um todo, descrevendo-o como "formulaico" e ultimamente descartando-o pelo apelo comercial "deseperado" e conteúdo "desapontante". Não obstante, contrariamente às opiniões dos críticos de música, hoje o disco é aclamado por amantes de música urbana e artistas de R&B contemporâneo, tais como o músico Luke James, que descreveu o álbum como "o diagrama sobre como fazer vocais". Vários vocalistas apontam frequentemente o álbum como a inspiração por detrás do seu material musical. O trabalho de Norwood em Full Moon contribuiu para que ela eventualmente recebesse a alcunha de "Bíblia vocal".
Devido ao facto de Norwood se encontrar em um estágio avançado de gravidez no momento do lançamento de Full Moon, poucos esforços promocionais foram feitos. Não obstante, três singles foram distribuídos. "What About Us?", o primeiro, liderou a tabela de canções de R&B do Reino Unido, enquanto o segundo, a a faixa-título, teve o seu vídeo musical fortemente reproduzido em diversos canais de televisão norte-americanos. Nos Estados Unidos, Full Moon estreou na segunda posição da tabela de álbuns e tornou-se o segundo consecutivo da artista a liderar a tabela de álbuns de R&B. Ao alcançar a marca de um milhão de unidades comercializadas no país, recebeu o certificado de disco de platina pela Recording Industry Association of America (RIAA). No continente europeu, conseguiu posicionar-se dentro das dez melhores posições das tabelas de álbuns da Alemanha, França e Suíça.
Antecedentes
Never Say Never, o segundo trabalho de estúdio de Norwood, foi lançado internacionalmente em junho de 1998. Apoiado pelo desempenho do êxito mundial "The Boy Is Mine" (1998), um dueto com a cantora Monica, permitiu que o público olhasse para a artista como uma intérprete com apelo tanto comercial como de crossover. Never Say Never foi um sucesso ao redor do mundo, movendo aproximadamente dezasseis milhões de unidades e produzindo sete singles, inclusive o êxito número um "Have You Ever?" (1998), escrito pela compositora Diane Warren. Mais tarde naquele ano, a cantora fez a sua estreia cinematográfica em um papel secundário no filme I Still Know What You Did Last Summer, que lhe rendeu um prémio Blockbuster de entretenimento e ainda uma nomeação na categoria "Melhor Desempenho Feminino" na oitava cerimónia anual dos prémios de cinema da MTV. No ano seguinte, a artista coestrelou ao lado da cantora Diana Ross no telefilme dramático Double Platinum, cujo enredo revolve em torno de uma mãe e filha com um relacionamento danificado. Ambas Norwood e Ross trabalharam como produtoras executivas do projecto, no qual foram inclusas canções inéditas de Never Say Never e Every Day Is a New Day (1999), 22.° álbum de estúdio de Ross.
Foi também em 1999, em novembro, que Norwood sofreu um colapso nervoso como resultado de um modo de vida insalubre e um relacionamento amoroso fracassado no qual passou por episódios de abuso emocional. Com receio da possibilidade de um terceiro álbum de estúdio não ser fiel ao sucesso dos seus lançamentos anteriores, a cantora tomou a decisão de passar por um hiato longo para que pudesse reflectir e observar a sua vida introspectivamente a partir de outros pontos de vista. Em entrevista para Juju Chang no programa de televisão 20/20 no outono de 2002, Norwood revelou ter passado por períodos de estresse, baixa autoestima, e ainda um distúrbio alimentar, com todos ultimamente culminando na sua hospitalização no final do ano, facto que prolongou o hiato ainda mais. "Eu precisava de rejuvenescer, colocar os meus sucos criativos a fluírem, equilibrar a minha vida com alguma privacidade, para que pudesse encontrar a minha confiança, encontrar o meu amor por música de novo," afirmou Norwood em entrevista à revista norte-americana Jet em 2002.
Em meados de 2000, após vários tabloides terem relatado constantemente sobre a sua batalha duradoura contra a desidratação, a cantora começou a focar-se de novo na sua carreira artística, virando-se para Moesha, uma comédia de situação estrelada por si transmitida pela United Paramount Network (UPN) que foi eventualmente cancelada na primavera de 2001. Em junho, a artista foi homenageada com um prémio Governors pelo seu trabalho musical "além dos limites". Foi pouco tempo após isto que retornou a focar-se na carreira musical, contribuindo com canções para lançamentos como Urban Renewal (2001), álbum de tributo ao cantor Phil Collins no qual regravou "Another Day in Paradise" (1990) como um dueto com o seu irmão Ray J. Lançado como o primeiro single do trabalho, alcançou sucesso instantâneo a nível internacional, atingindo o seu pico dentro das dez melhores posições em mais de quinze tabelas musicais europeias. Norwood contribuiu ainda para a banda sonora do filme de animação Osmosis Jones (2001), creditada por introduzir uma aresta "mais áspera e evocativa" da sua voz, que agora possuía um tom mais profundo e cálido com uma textura mais baixa e falsetto notavelmente mais forte. Além disso, foi na banda sonora de Osmosis Jones que Norwood trabalhou com o produtor musical Mike City pela primeira vez. "Levou-lhe algum tempo a compreender as minhas ideias loucas, mas ele é incrível. Produziu-me muito bem," afirmou sobre a sua experiência de trabalho com ele.
Concepção e desenvolvimento
Norwood começou a concepção de ideias para o seu terceiro álbum de estúdio com o pessoal da editora discográfica Atlantic no outono de 2000. Embora Darkchild — o produtor musical principal de Never Say Never — já tivesse dado início à produção de vários temas para o novo projecto juntamente com a sua equipa, composta por Uncle Freddie e Big Shiz, na esperança de recriar a química existente em Never Say Never, a cantora queria se certificar que desta vez teria mais controlo criativo no projecto, motivo pelo qual convocou reuniões com todos os compositores e músicos envolvidos para que pudessem discutir o conteúdo lírico a ser abordado no seu futuro álbum, bem como a sonoridade. "Eu estive envolvida de A-Z. Todas as canções do álbum foram inspiradas pela minha vida [...] Eu queria falar sobre como me sinto em vários níveis. Queria estar em contacto com todas as minhas emoções e partilhá-las. Levei três anos para dedicar-me a mim mesma e tive a oportunidade de descobrir coisas que gosto de fazer, coisas que não gosto e coisas que quero alterar em mim mesma," expressou a artista sobre o conteúdo de Full Moon.
Embora Darkchild tenha mantido a sua posição como produtor executivo, tal como em Never Say Never, contribuindo para a maioria das faixas de Full Moon juntamente com os membros da sua equipa criativa, Norwood, igualmente listada como produtora executiva, também tomou a liberdade de incluir outros colaboradores, inclusive Mike City, Keith Crouch, Baby Dubb, Stuart Brawley, Jason Derlatka, e Big Bert, primo de Darkchild com quem a cantora acabou por desenvolver um romance durante o processo de produção do álbum. Crouch já havia trabalhado anteriormente com Norwood no seu álbum de estreia auto-intitulado, enquanto Campbell conheceu Norwood quando ela tinha quinze anos de idade, momento no qual ele começou a tocar teclado na sua banda ao vivo. Embora Norwood tenha abandonado a banda dois anos depois para seguir uma carreira como produtora musical, os dois se reencontraram em 2001 juntamente com o compositor Harold Lilly, Jr. para que colaborassem em Full Moon.
Além dos mencionados acima, Norwood trabalhou ainda com os músicos Pharrell Williams e Chad Hugo, ambos integrantes do duo The Neptunes. Todavia, como a artista sentiu que o material concebido pela dupla não se iria enquadrar no conceito desenvolvido para Full Moon e, consequentemente, quebrar o seu estilo típico de produção, as obras realizadas por eles acabaram por não ser inclusas. Adicionalmente, o rapper Ja Rule, o cantor-compositor Babyface, e o duo de produção Soulshock & Karlin também estiveram supostamente envolvidos no projecto, no entanto, nenhum do material foi adicionado ao alinhamento final de faixas.
Título e capa miniatura|150px|Norwood intitulou o álbum de lua cheia (imagem) em homenagem à sua faixa-título e em referência aos três anos anteriores da sua vida. Apesar de Norwood ter reconhecido que o foco criativo de Full Moon estivesse baseado na sua própria realização técnica e sonoridade, declarou que o conceito do álbum foi baseado no desenvolvimento do relacionamento entre um homem e uma mulher: "É definitivamente o conceito para o álbum — eu a me apaixonar, depois passar por alguma turbulência e, depois, logo no fim, eu encontro a pessoa com quem quero realmente estar — então é um conceito maravilhoso e é uma experiência incrível que tive. Descobri muito acerca de mim. Descobri muito sobre amor, e estou simplesmente feliz por isso se reflectir na minha música." Norwood decidiu nomear o álbum em homenagem à sua faixa-título e em referência aos três anos anteriores da sua vida: "Eu fiz um círculo completo e sinto-me completa. Tudo isso está reflectido na minha música. Foi por isso que nomeei [o meu álbum] Full Moon. É um álbum conceitual, é autobiográfico. Tudo pelo qual passei nos últimos três anos está reflectido [nele]." Embora a sonoridade do álbum tenha sido descrita como "futurística", a vocalista afirmou que o conceito do futurismo aconteceu por acaso e não foi levado em conta ao longo da composição da música e escrita das letras.