Este artigo conta a história do município Gaúcho de Santa Maria, Brasil.

Cronologia de Formação do TerritórioViero, Lia Margot Dorneles. Atlas municipal escolar geográfico. Santa Maria nasceu como um acampamento militar, durante

1634: Criação da Redução Jesuítica de São Cosme e São Damião;Conforme texto "As Origens Missioneiras de Santa Maria", disponível em http://www.estudioshistoricos.org/edicion_1/julio-quevedo.pdf 1777: Tratado de Santo Ildefonso; 1784 a 1786: Armação de todos os índios missioneiros; 1797: Índios do povoamento; 1800: Santa Maria é representada pela primeira vez em documento cartográfico; 1804: O acampamento de Santa Maria é categoria do oratório; 1812: A capela do acampamento de Santa Maria da Boca do Monte é elevada à Capela Curada; 1837: Criação da Freguesia de Santa Maria da Boca do Monte; 1840: Fim do domínio farroupilha em Santa Maria; 1843: Força imperiais atuam nas regiões de Pau Fincado e Ramada; 1845: Assinada a ata de paz dando fim à Revolução Farroupilha; 1851: Corpo de Cavalaria de Santa Maria atravessa a fronteira do Uruguai; 1857: Santa Maria passa à categoria de vila; 1858: Instalação do Município com a emancipação de Cruz Alta e Cachoeira do Sul; 1858: Construída a casa da Famíla Penna, localizada na Palma é a residência mais antiga do município que ainda é habitada, com características originais mantidas pela família. 1861: Município com 3 distritos: Sede, Pau-Fincado, Rincão de São Pedro; 1876: A vila passa à categoria de cidade passando à denominar-se Santa Maria da Boca do Monte; 1877: Chegada dos primeiros colonos italianos; 1881: Início das obras de construção da estrada entre Santa Maria e a colônia de Silveira Martins; 1883: Primeiro jornal de Santa Maria; 1890: Inauguração do trecho ferroviário Santa Maria - Cacequi - Porto Alegre - Uruguaiana; 1892: Nomeado o 1º intendente municipal; 1896: Criado o distrito de Arroio do Só; 1901: Encontrado o primeiro fóssil na Sítio Paleontológico Sanga da Alemoa. 1903: Inauguração do Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo; 1910: 1º estabelecimento bancário; 1911: Sangrento conflito entre a polícia e ferroviários; 1913: Fundada a cooperativa de consumo dos empregados da viação férrea; 1920: A Compagnie Auxiliare des Chamins de Fer au Brésil passa a se chamar Viação Férrea do Rio Grande do Sul; 1922: Inaugurada a escola de artes e ofícios Hugo Taylor; 1930: Revolução de 1930; 1934: Fundação do Jornal A Razão; 1936: O Santamariense, Llewellyn Ivor Price encontrou o estauricossauro, primeiro dinossauro brasileiro no Sítio Paleontológico Sanga da Alemoa. 1943: Fundação da escola de Teatro Leopoldo Froes; 1953: Fundação do Colégio Manoel Ribas, o maior da cidade; 1953: Fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Imaculada Conceição, FIC; 1955: Fundação da Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora Medianeira, FACEM; 1960: Criação da Universidade Federal de Santa Maria; 1961: Alteração das divisas gerais do município. Colônia Vacacaí (hoje Santa Flora); 1971: Inauguração da Base Aérea de Santa Maria; 1977: Concurso literário Felipe d'Oliveira; 1988: Oficialização do Ipê-roxo como árvore símbolo do município; 1997: Intercâmbio com cidades irmãs; 1998: FIC e FACEM unem-se, formando o Centro Universitário Franciscano, UFN; 2000: Santa Maria: município turístico; 2002: Criação da Faculdade Integrada de Santa Maria – FISMA;

Ruas e Praças AntigasÁlbum do 1º Centenário de Santa Maria, ano 1958. A vila, sede do município de Santa Maria da Boca da Monte, era, em 1858, constituída das seguintes artérias: Travessa do Barào do Cerro Largo (atual Visconde de Pelotas). Praça da Constituição (atual da República), Barão de Pôrto Alegre (atual Conde de Pôrto Alegre). Travessa Marques de Caxias (atual Duque de Caxias), Travessa 2 de Fevereiro (depois Marquês do Herval e atualmente Serafim Valandro). Travessa do Maximiano (atual Floriano Peixoto). Rua do Acampamento, Praça da Matriz (atual Saldanha Marinho). Rua General Rafael Pinto (atual Avenida Rio Branco), Rua da Matriz (atual Venâncio Aires), Rua do Comércio (atual Dr. Bozano). Rua da Aldeia (mais tarde Rua Ipiranga, e atualmente Avenida Presidente Vargas). Havia em projeto a construção da Praça 3 de Maio (onde atualmente se encontra o Colégio Sant'Anna), rua Gararapes (atual Silva Jardim), rua dos Andradas e Coronel Manoel dos Santos (continuação da Avenida Presidente Vargas, atual Rua José Bonifácio).

Demarcação de limites Incumbido, na segunda reunião do legislativo santamariense, de “demarcar os limites do roelo, da vila”, o vereador João Veríssimo de Oliveira, apresentou na terceira sessão, o seguinte trabalho: "Pelo oeste - da primeira canhada do alto que desce ao Passo da Areia, cortando a rumo do Sul em direção à chácara de Antônio José da Rosa, de lá em direção ao ipê pela frente da chácara de João Goethmer e do ipê em rumo de este em direção à chácara e olaria do falecido Machado e pela chácara de Dona Angélica. De lá, cortando o rumo de Oeste, em direção à chácara de André Beck e seguindo dahi até a casa de Geraldo Alves Damaceno a fechar pela chácara de João Henrique Druek, rumando depois à mesma canhada que vae dar ao Passo da Areia”. (Foi conservada a ortografia original).

Freguesia de Santa MariaBrenner, José Antônio. O mapa mais antigo de Santa Maria, possivelmente de 1849, foi elaborado pelo engenheiro e agrimensor alemão Johann Martin Buff, que veio ao Brasil como militar contratado e foi tenente do 28° Batalhão de Caçadores. A povoação era Freguesia filial de Cachoeira e sede de seu 4° Distrito o qual tinha pouco mais de 2.000 habitantes. Foi levantada por ordem do presidente da Província, Francisco José de Sousa Soares de Andréa, Barão de Caçapava, que governou de 10 de abril de 1848 a 6 de março de 1850.

O mapa revela o traçado urbano da povoação, nove anos antes de sua emancipação política. Esse mapa mostra o amplo espaço destinado à praça central e o local da primitiva igreja católica, marcado por uma cruz de malta. Os alinhamentos da atual Av. Rio Branco estão apenas iniciados, afastados da igreja e do cemitério que ficava ao lado. A Rua do Acampamento era a mais densamente edificada. A Rua da Matriz (Venâncio Aires) era a via mais longa, em parte uma estrada desabitada até o Passo da Areia, onde havia algumas chácaras, inclusive a área na qual seria construída a Soteia. A Rua Pacífica (Dr. Bozano) ia pouco além da atual Rua Conde de Porto Alegre e seguia como um estreito caminho. A Rua da Aldeia, atual Av. Presidente Vargas, era uma longa e sinuosa estrada. Várias vias não haviam sido abertas como as atuais ruas Floriano Peixoto, Duque de Caxias, Coronel Niederauer e Tuiuti.

Nascimento da povoação No ano de 2008, comemorou-se o sesquicentenário da emancipação política de Santa Maria, devemos lembrar que houve muita história anterior, desde o nascimento da povoação, há 211 anos. Santa Maria nasceu em consequência de ações estratégicas. Foi por causa de uma retirada estratégica da Partida Portuguesa da 2ª Subdivisão da Comissão Demarcadora de Limites entre terras de Portugal e Espanha, em 1797, que se estabeleceu o início do assentamento da povoação.

Havia anos que ambas as Coroas, através de seus comissários, tentavam estabelecer a divisa territorial na Capitania do Rio Grande de São Pedro. Uma operação difícil permeada por repetidos conflitos. A Comissão portuguesa, sob comando de Joaquim Félix da Fonseca, capitão de artilharia e astrônomo, realizava seu trabalho na região missioneira, quando as relações entre Portugal e Espanha tornaram-se tensas, anunciando mais uma guerra que seria declarada em 1801. A fim de evitar maiores conflitos, a retirada foi ordenada ao comandante da Comissão, que desceu a Serra de São Martinho do Monte Grande, em busca de proteção junto à Guarda Portuguesa de São Pedro. nas proximidades do Arroio dos Ferreiros.

A Comissão instalou acampamento a pouco mais de 5 km a leste da Guarda, no já então denominado Rincão de Santa Maria, em terras da estância do padre Ambrósio José de Freitas, cuja sede ficava a poucos quilômetros ao sudeste.

O capitão Joaquim Félix da Fonseca comunicou ao comissário espanhol, em 18 de julho de 1797, que iria deixar o Povo de São João Baptista, descer a serra de São Martinho e acampar junto à Guarda Portuguesa do Passo dos Ferreiros. Então, em data ainda não conhecida, entre julho e dezembro de 1797, foram montadas as instalações para abrigar o numeroso grupo de pessoas. Eram oficiais e seus escravos, engenheiro, cirurgião, capelão, técnicos, artífices, soldados, peões e índios. Vários integrantes estavam acompanhados de mulheres e filhos, somando, possivelmente, entre cem e duzentas pessoas.

Os barracões para a equipe técnica da Comissão, para alojamento dos soldados e as primitivas habitações foram erguidos junto à área que futuramente se tomaria a praça central da povoação. E a partir dela, alguns ranchos foram se estabelecendo ao longo do divisor de águas, cujo traçado conhecemos hoje como Rua do Acampamento.

Também foi montado um pequeno oratório que, segundo Saint Hilaire, era uma capelinha coberta de palha, onde o capelão (…) celebrava missa aos domingos e dias santos. (..) Pequenos comerciantes vieram estabelecer-se para vender aos soldados cachaça, fumo e outras mercadorias: agricultores das vizinhanças ai construíram choupanas para se abrigarem quando viessem assistir missa.

No mesmo local, alguns anos depois (1808-10), seria erguido o primitivo e singelo primeiro templo católico da povoação, em alvenaria de tijolos e cobertura de telhas.

Francisco das Chagas Santos, engenheiro da demarcação de limites entre terras de Portugal e Espanha, realizou, em 1800, o levantamento de uma área cujo mapa revela uma extensão de 50 km, de leste a oeste, desde São João à foz do rio Vacacaí no Jacuí. E desde a encosta da serra, ao norte, até cerca de 40 km ao sul. O mapa resultante desse levantamento mostra o local cuja legenda denomina ‘Acampamento la Expedição ‘, onde estão representadas as primitivas edificações. Os pequenos quadriláteros sugerem, por sua disposição, o espaço do acampamento, que originaria a praça central e o início do alinhamento que seria a futura Rua do Acampamento. Cerca de 5 km a oeste, na margem direita do Arroio dos Ferreiros, o mapa mostra o marco português da Guarda de São Pedro e o acampamento da Guarda Portuguesa, um pouco mais a oeste.

Vê-se o traçado de vários caminhos que cruzavam a região, primitivas estradas carroçáveis e algumas trilhas. A posição estratégica é evidenciada pela presença da Guarda Portuguesa de São Pedro, que, além de estar situada em zona de fronteira com terras de Espanha, controlava a “Boca da Picada” ou “Boca do Monte”, nome que se agregaria ao da povoação nascida do Acampamento da Expedição. A Picada da Boca do Monte era o principal caminho que subia a serra de São Martinho, em direção às Missões.

O local do acampamento chamava-se Rincão de Santa Maria, denominação dada, supostamente, pelos jesuítas espanhóis a uma área de povoamento disperso remanescente da antiga redução de São Cosme e São Damião. O topônimo Rincão de Santa Maria daria o nome da futura cidade, como se estendera a outra elementos descritos no mapa. Vê-se claramente o Arroio de Santa Maria, atual Cadena, o Cerro de Santa Maria e, a cerca de 1,5 km a sudeste do Acampamento, o Cerrito de Santa Maria, cujo nome perdura. O Cerrito, com sua forma característica, durante mais de um século e meio dominou a paisagem ao sudeste, antes que os altos edifícios encobrissem o horizonte, O mapa mostra também o Cerro Corcovado, em cujo topo hoje está o Monumento ao Ferroviário.