Educomunicação é um campo teórico-prático que propõe uma intervenção a partir de algumas linhas básicas como: educação para a mídia; uso das mídias na educação; produção de conteúdos educativos; gestão democrática das mídias; e prática epistemológica e experimental do conceito. A educomunicação pode ser entendida como um paradigma e em sua finalidade ela propõe a construção de ecossistemas comunicativos, abertos e criativos com relação horizontalizada entre os participantes e produção colaborativa de conteúdos utilizando diversas linguagens e instrumentos de expressão, arte e comunicação. Como se entende pelo nome, é o encontro da educação com a comunicação, multimídia, colaborativa e interdisciplinar. Pode ser desenvolvida em qualquer ambiente de formação, não está reduzida ao âmbito da educação formal, embora muitas experiências no Brasil venham acontecendo em escolas, especialmente com crianças e adolescentes. O termo também é conhecido abreviadamente como educom. Exemplos de educomunicação são o uso de rádio escola, web rádio virtual, jornal comunitário, videogames, softwares de aprendizagem on-line, podcasts, blogs, fotografia, produção de notícias para veiculação em mídias livres e etc.

Desde a década de 1970, instituições supra-estatais, como a UNESCO, reconhecem a importância da formação na interface entre comunicação, educação e ação, que, sendo transversal, requer tratamento específico em programas escolares, na formação de professores, na educação de famílias e mesmo em adultos, idosos, donas de casa, desempregados. No Brasil várias organizações, movimentos sociais e alguns projetos governamentais desenvolvem programas de educomunicação que possuem em comum a promoção do protagonismo das pessoas, como também a horizontalidade da comunicação, buscando diminuir as diferenças hierárquicas, ampliando o acesso à cultura e à informação de maneira crítica e autônoma.

No Brasil, o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE), que foi criado em 1996 no espaço da Universidade de São Paulo (USP), reuniu um grupo de pesquisadores de algumas universidades brasileiras interessadas na inter-relação entre Comunicação e Educação. Seu primeiro grande trabalho foi uma pesquisa junto a 176 especialistas de 12 países da América Latina e países da Península Ibérica para conhecer a respeito de suas práticas profissionais nesta inter-relação. O resultado foi surpreendente: descobriu-se que a interface entre Comunicação e Educação, desenvolvida tradicionalmente na forma de uma complementação mútua (como, por exemplo, a educação usando as tecnologias da comunicação ou a comunicação produzindo para a educação), havia se transformado em integração, com o surgimento de um campo novo e distinto: a educomunicação.

Com os dados da pesquisa, o NCE conseguiu definir o campo da educomunicação como sendo o espaço que membros da sociedade se encontram para implementar ecossistemas comunicativos democráticos, abertos e participativos, impregnados da intencionalidade educativa e voltado para a implementação dos direitos humanos, especialmente o direito à comunicação. Para que isso ocorra, os profissionais da educomunicação trabalham com o conceito de planejamento, implementação e avaliação de projetos, desenvolvendo suas atividades assistidos por teorias da comunicação que garantam a dialogicidade dos processos comunicativos.

Posteriormente, a Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação foi criada com caráter educativo, científico-cultural, interdisciplinar, de âmbito nacional, sem fins lucrativos, com duração de tempo indeterminado e regida por legislação e estatuto próprio. Com o objetivo de reunir profissionais, pesquisadores e pesquisadoras da educomunicação, a ABPEducom surgiu das conclusões dos trabalhos da reunião de especialistas na interface Comunicação/Educação ocorrida em Recife (PE), no dia 2 de setembro de 2011, durante o I Colóquio de Professores. Depois disso, um Grupo de Trabalho organizou os instrumentos legais para a criação da associação, até que durante as atividades do IV Encontro Brasileiro de Educomunicação aconteceu mais uma reunião de especialistas, na ECA-USP em dezembro de 2012 , na qual se aprovou o Estatuto da Associação e a reunião fundante da organização.

Tanto NCE, quanto ABPEducom, trabalham em conjunto para disseminar o conceito de educomunicação e tem como seu principal desafio, hoje, legitimar socialmente e converter a educomunicação em referencial para políticas públicas, como por exemplo, com a realização de eventos e produção de e-books sobre o tema.

Método e conceito Educomunicação é tanto uma prática quanto um conceito na interface entre Educação e Comunicação. Como prática, propõe novos tipos de aprendizagem, utilizando recursos tecnológicos e novas perspectivas na comunicação, de forma mais democrática, visando a autonomia e a participação social, além da horinzontalidade das relações.

O conceito de Educomunicação entendido pelo professor Ismar de Oliveira Soareshttp://lattes.cnpq.br/7611768706433230 é "o conjunto das ações inerentes ao planejamento, implementação e avaliação de processos, programas e produtos destinados a criar e fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos presenciais ou virtuais, tais como escolas, centros culturais, emissoras de TV e rádios educativos", e outros espaços formais ou informais de ensino e aprendizagem.

Com a Educomunicação, estuda-se e trabalha-se em cima de atitudes, comportamentos, valores e decisões considerando as relações com o mundo e com os fatores sociais, políticos, culturais e econômicos. Nesse sentido, o desafio é como inserir na escola e na educação, conteúdos comunicativos que contemplem experiências culturais heterogêneas, através das novas tecnologias da informação e da comunicação. Embora a educação midiática esteja envolvida na concepção de programas escolares em muitos países, existem agora muitas propostas relacionadas à unificação de um quadro comum para avaliar e criar estratégias unificadas para o desenvolvimento deste tipo de competência nos cidadãos.

Possivelmente, o primeiro a utilizar o termo "Edu-comunicador" foi o jornalista argentino Mário Kaplun, referindo-se ao voluntário ou profissional capaz de mediar processos de jornalismo alternativo e projetos de rádio comunitária. O termo pode ser visto no livro Una Pedagogia de La Comunicacion, lançado em 1998. O nome inspirou o conceito "Educomunicação", utilizado por Jesus Martin Barbero e pela ONU; Porém o conceito tem sido ampliado, atualizado e reformulado, com grande contribuição do NCE: Núcleo de Comunicação e Educação da ECA-USP.

Paulo Freire é outra referência para o estudo da Educomunicação, Freire entende a educação como uma atividade que depende do ato comunicativo para a construção do conhecimento. Sua forma de pensar a educação, consolidada ao longo dos anos 1960, encontra paralelo na obra do linguista russo Mikhail Bakhtin. As obras de Bakhtin, dão grande ênfase às características culturais da comunicação, reconhecendo a diversidade linguística e a diferença entre os interlocutores. Dessa forma, a Educomunicação, área que propõe um olhar diferenciado sobre as relações entre educação e comunicação, também utilizam-se das principais ideias de Freire e Bakhtin.

Paulo Freire enfatiza a importância da comunicação na educação popular e amplia o conceito buscando a ideia de horizontalidade nessas relações. Em tese de mestrado Walberto Barbosa Silva cita Freire : "Nivelar, ou se adequar à comunicação de determinado grupo requer uma série de procedimentos, dos quais alguns se encontram no método de alfabetização em questão."

Apesar de estar falando especificamente de alfabetização nesse caso, fica claro a importância para Freire de uma comunicação que abranja os valores e a cultura de todos participantes do processo para ampliar as vias de acesso aos saberes e ampliar os canais de conhecimento. A educomunicação passa pela construção coletiva de novos saberes e novas formas de se comunicar.

Outra referência brasileira é o professor doutor Claudemir Edson Viana. Bacharel e licenciado em História pela USP, é mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela USP, com pesquisas sobre Educomunicação, Mídia e Criança, o Lúdico e a Aprendizagem na Cibercultura, Jogos Digitais e Internet no cotidiano infantil. Atualmente é docente da Licenciatura em Educomunicação e da pós graduação em Ciências da Comunicação da ECA/USP, também coordena do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE/USP).

Ele foi autor da primeira tese sobre educomunicação, chamada “O Processo Educomunicacional: A Mídia na Escola”. O estudo fez a análise sobre o uso de produtos midiáticos comerciais e de ficção, jornal e programa televisivo, em situação formal de ensino. O principal objetivo foi entender a metodologia de ensino quando da inserção de produtos midiáticos, ou seja, educação pela mídia; e como esta metodologia contribui para a capacidade de leitura crítica dos mesmos ou através deles, ou seja, educação para a mídia. Estas abordagens sobre a relação educação e comunicação estão abarcadas no conceito de Educomunicação, apresentado nesta dissertação de mestrado.

Áreas de intervenção Segundo pesquisa realizada pelo NCE, são áreas de intervenção da educomunicação:https://abpeducom.org.br/publicacoes/index.php/portal/catalog/view/1/1/189-1 Educação para comunicação. Expressão comunicativa por meio da arte. Pedagogia da Comunicação. Produção de mídia educativa. Mediações tecnológicas no espaço educativo. Gestão dos processos comunicativos. Reflexão epistemológica sobre a educomunicação. No Brasil os estudos sobre educomunicação estão muito avançados, havendo faculdades com cursos de graduação e especialização e até um programa de mestrado acadêmico. No entanto, entende-se que o educomunicador não é formado na e pela academia, mas sim no prática educomunicativa, que pode acontecer dentro ou fora da escola, em ambientes formais ou informais de aprendizagem. O educomunicador pode ser formado também na produção de mídias, quando preocupada com a pluralidade cultural, participação popular, a consciência crítica e demandas que não costumam interessar à mídia comercial. O educomunicador não é um mero profissional da mídia, nem do mundo educacional, nem pode ser considerado a soma de ambos. É uma nova figura profissional que, a partir de ambas as profissões, oferece um perfil profissional diferenciado e específico que combina sua bagagem comunicativa com suas competências formativas, dado que seu principal alvo é a "audiência" de uma sociedade mediada em seus mais diversos cantos.

Educomunicação x TIC A Educomunicação é epistemologicamente diferente das Tecnologia de Informações e Comunicação (TIC). Quando falamos em TIC ou simplesmente Informática Educativa, na realidade, estamos falando de ações pedagógicas que colocam a ênfase nos conteúdos e efeitos produzidos, isto é, em uma estratégia para tornar o conteúdo mais atraente para o aluno, utilizando os meios de comunicação. Sendo assim, a TIC substitui o quadro negro enquanto ferramenta. Já a Educomunicação, coloca a sua ênfase no processo, ou seja, apesar de o conteúdo e o efeito fazerem parte de toda ação pedagógica, o processo educomunicativo não estabelece um "teto de desenvolvimento do conhecimento".

Segundo Juán Diáz Bordenave e Mário Kaplún, quanto aos modelos de educação, existem o modelo exógeno - que põe sua ênfase, na mídia, para produção de conhecimento. Já o modelo endógeno - a ênfase está sobre o sujeito e o processo de produção, isto é, uma relação dialogal entre educador e educando. Mario Kaplún afirma que este último modelo, que poderiamos chamar educomunicativo, propõe um relacionamento horizontal entre aluno e professor.

Mediações tecnológicas no espaço educativo