Manuel Mamicônio (; ; ; m. /) foi um nobre armênio da família Mamicônio, que tornou-se regente da Armênia entre 378 e 385/386. Inicialmente preso na corte imperial sassânida, após ser libertado depois duma derrota persa decisiva frente ao Império Cuchana, retorna à Armênia onde trava guerra contra o então rei Varasdates pelo direito de posse do título de asparapetes.
Com a derrota e posterior fuga de Varasdates, Manuel se auto-proclama regente e eleva ao trono Zarmanducte , a viúva do rei Papa , e seus filhos e . Nesta posição, após desentender-se com o xá , consegue repelir os ataques sassânidas no país. Mais tarde, quando falece em decorrência de grave doença, lhe sucede no poder Ársaces III.
Biografia
A primeira menção a Manuel surge na obra História da Armênia de , na qual é citado como filho de Artaxias; segundo Cyril Toumanoff era irmão de , o filho de , enquanto que para Vahan M. Kurkjian era filho de Musel. Foi preso, junto com seu irmão Comes, por Sapor II, xá do Império Sassânida, e assim permaneceu até a morte de Musel I, em algum momento entre 377/8; Entrementes, Manuel e Comes travaram uma batalha em nome dos sassânidas contra o Império Cuchana, mas foram derrotados decisivamente.
Segundo Fausto, ao retornarem à Armênia, a pé, os irmãos foram encontrados por , que concedeu a Manuel todas suas devidas honrarias, dando-lhe o direito de reivindicar o título de asparapetes, até então ostentado pelos membros de sua família, porém este havia sido concedido pelo rei armênio Varasdates para Bátis, seu pai adotivo. Após trocarem cartas hostis, Manuel e Varasdates entraram em guerra e travaram batalha na planície de Carim, onde Varasdates foi decisivamente derrotado. No rescaldo do conflito, o rei foi forçado a fugir ao Império Romano e Bátis, por estar envolvido com o assassinato de Musel I, foi sentenciado a presenciar a execução de seus filhos e a ser decapitado.
Não se atrevendo a abolir a monarquia, Manuel se intitulou regente com o consentimento do xá da Pérsia, proclamando Zarmanducte , a então viúva do rei Papa , e seus filhos (como líder sênior) e (como líder júnior). Para trazer a paz para o país, Manuel conseguiu reunir diante de si todos os nacarares da Armênia. Em seguida, para se aproximarem da Pérsia, a rainha e o regente enviaram à corte sassânida vários nacarares levando presentes para Sapor II que, em retribuição, enviou o marzobã Surena com 10 mil cavaleiros para defender a Armênia, além duma coroa, um manto e o emblema dos reis para Zarmanducte e coroas para Ársaces e Vologases.
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Contudo, o equilíbrio que lograram alcançar com os dois poderes vizinhos rivais foi precário. , um membro da família Arzerúnio, invejando o apreço que Sapor II nutria por Manuel, bem como dos inúmeros presentes que ele recebia da Pérsia, tramou um plano contra o príncipe Mamicônio. Fez com que ele acreditasse que Surena planejava matá-lo, o que levou Manuel a atacar e destruir o destacamento de 10 mil cavaleiros persas na Armênia, embora tenha permitido que Surena fosse embora. Como resposta, o oficial Gumando Sapor foi enviado com 48 mil soldados para tomar e arruinar a Armênia, porém quando ainda estava na fronteira foi derrotado e morto por um exército armênio de 20 mil efetivos. Outro oficial, chamado Varazes, foi enviado em seguida com 180 mil tropas, porém este teve o mesmo destino de seu predecessor: com um exército de 100 mil, Manuel logrou destruir a parte principal do exército persa e matar Varazes.
Depois desta segunda derrota outro oficial foi enviado, Mercã (Mrhkan), com um exército de 40 mil soldados. Parte da Armênia foi capturada pelos persas e o exército ariano acampou na planície Artandã onde, num ataque noturno, Manuel matou Mercã e capturou muito butim. Essa nova vitória garantiu sete anos de paz à Armênia que só terminaria quando ocorreu uma nova invasão, desta vez sob o comando de Meruzanes. Este rebelou-se contra o rei armênio, convertendo-se ao zoroastrismo e pondo-se a disposição dos persas à captura ou destruição de Manuel. Muitas vezes guiou as tropas iranianas contra a Armênia, trazendo grandes males para o país. Sem a autorização do então xá , organizou um grande exército e marchou contra a Armênia. Uma grande batalha ocorreu no distrito de Bagrauandena, onde Manuel mais uma vez saiu vitorioso e Meruzanes foi decapitado.
Com a conclusão dos combates, a Armênia entra em novo período de paz. Aproveitando a situação, Manuel casou sua própria filha Vardanducte com Ársaces III e uma bagrátida, filha de , com Vologases III. Pouco depois ficou fatalmente doente e veio a falecer em 385 ou 386. Após sua morte, Ársaces III assumiu o trono sem regência.
Casamento e filhos
Casou-se com Vardanoixe (Vardanoyš), que Christian Settipani considera uma filha de , que deu-lhe:
Artaxias, oficial citado em 378; Maictes, oficial citado em 378; Vardanducte, que casou-se com Ársaces III.
Segundo Cyril Toumanoff, Manuel foi pai de quatro filhos:
Artaxias / Artavasdes III, que ocupou o ofício de asparapetes de 386 até data desconhecida; Maictes, morto ; Vardanducte, que casou-se em 379 com Ársaces III; .
Bibliografia
Categoria:Nascidos no século IV Categoria:Reis arsácidas da Armênia Categoria:Armênios do século IV Categoria:Família Mamicônio Categoria:Asparapetes