Amor Prohibido é o quarto álbum de estúdio da artista musical estadunidense Selena. O seu lançamento ocorreu em 13 de março de 1994 através da gravadora EMI Latin. Após a liberação de seu último disco, Entre A Mi Mundo (1992), a popularidade de Selena experimentou expressivo crescimento entre a população hispânica dos Estados Unidos. Com isso, sua gravadora colocou como objetivo ampliar ainda mais seu apelo em seu próximo lançamento de estúdio. Achando difícil conseguir obter um outro sucesso à altura do projeto, o irmão da artista e seu produtor musical, A. B. Quintanilla, solicitou a ajuda dos membros da banda, Ricky Vela e Pete Astudillo, para escrever canções para o novo material dela.

Em termos musicais, Amor Prohibido é um álbum derivado do tejano e cúmbia, mas também inclui uma variedade de elementos de outros gêneros, que vai de ranchera ao hip-hop. Sua instrumentação é caracterizada por uma produção rica em sintetizadores, que era quintessencial na música tejano produzida do início dos anos 1990. Liricamente, apresenta temas como relacionamentos disfuncionais e voláteis, o amor não correspondido, a infidelidade e a divisão social. Com relativamente poucas baladas, narra as lutas e triunfos de uma mulher após relacionamentos amorosos malsucedidos com homens que resistem aos compromissos.

Foram lançados quatro singles oficiais do disco; "Amor Prohibido", "Bidi Bidi Bom Bom", "No Me Queda Mas" e "Fotos y Recuerdos". Todos os quais atingiram o cume da Billboard Hot Latin Tracks, com a faixa-título tornando-se a música em espanhol mais bem sucedida de 1994 nos Estados Unidos. Comercialmente, obteve um desempenho exitoso, tornando-se o primeiro disco de tejano a liderar a Billboard Top Latin Albums, permanecendo entre os cinco primeiros postos por 98 semanas consecutivas. Após Selena ser assassinada por Yolanda Saldívar — sua amiga e ex-gerente de suas butiques Selena Etc. em 31 de março de 1995 —, Amor Prohibido chegou ao número 29 na Billboard 200, um feito nunca conseguido por nenhum artista do gênero. O material recebeu 41 certificados de platina emitidos pela Recording Industry Association of America (RIAA), denotando vendas de dois milhões de cópias, sendo o quarto álbum latino mais adquirido de todos os tempos em território estadunidense.

Amor Prohibido foi recebido positivamente pela mídia especializada, que o consideraram o melhor trabalho de sua intérprete até então e louvaram sua sonoridade por ter soado inovadora. Análises retrospectivas notaram que o trabalho foi responsável por catapultar a música tejano para o sucesso mainstream, atraindo o interesse em ouvintes não familiarizados com o gênero. Durante o 37.º Grammy Awards, a obra recebeu uma indicação não vitoriosa na categoria Melhor Álbum Mexicano-Americano. Consequentemente, Amor Prohibido foi listado entre as gravações latinas mais essenciais dos últimos 50 anos pela Billboard, enquanto a revista Rolling Stone o nomeou um dos 500 melhores álbuns de todos os tempos e foi incluído no livro 1001 Albums That You Must Hear Before You Die.

Antecedentes Selena nasceu em 16 de abril de 1971 em Lake Jackson, no estado americano do Texas, filha de Abraham Quintanilla Júnior, um músico e empresário estadunidense de ascendência mexicana, e Marcella Samora Quintanilla, de ascendência cherokee. Ela foi introduzida à música por seu pai, que dizia em entrevistas que viu nela "uma maneira de voltar aos negócios da música" após descobrir "o tempo e a medida perfeita" em Selena. Quintanilla, Jr. rapidamente reuniu seus filhos em uma banda chamada Selena Y Los Dinos, que incluía A.B. Quintanilla III no baixo, Suzette Quintanilla na bateria, e Selena nos vocais. O grupo rapidamente tornou-se a principal fonte de renda da família, após eles terem sido despejados de sua casa devido a crise do petróleo ocorrida em 1982 no Texas. Quintanilla, Jr. entrou com um pedido de falência depois que seu restaurante mexicano enfrentou problemas financeiros como consequência da crise. A família mudou-se para Corpus Christi, Texas, e o conjunto começou a gravar suas primeiras canções profissionais. Abraham queria que seus filhos gravassem música tejana — um gênero musical dominado por homens e popularizado por mexicanos-americanos que viviam nos Estados Unidos. Em 1984 a banda lançou seu primeiro álbum, Selena y Los Dinos, sob uma pequena gravadora independente. A popularidade de Selena, como artista solo, começou a crescer após ela conquistar o prêmio de Melhor Vocalista do Ano nos Tejano Music Awards realizado em 1987. A cantora conseguiu seu primeiro contrato com uma grande gravadora em 1989, quando assinou com a Capitol EMI Latin.

thumb|direita|160px|upright|alt=Pérez tocando contrabaixo|Chris Pérez (fotografado em 2012) e Selena começaram um relacionamento, apesar da desaprovação de seu pai. Em 1988, Chris Pérez juntou-se ao Selena y Los Dinos, substituindo Roger Garcia, como o principal guitarrista da banda. Inicialmente, Quintanilla Jr. dispensou Pérez, sentindo que seu perfil era mais adequado ao rock e não a uma banda de tejano. Escrevendo para a revista People, a jornalista Betty Cortina afirmou que o músico contradizia a imagem "de bons e comportados" que Quintanilla Jr. queria passar de seus filhos para o público. No entanto, após AB convence-lo de que Pérez era proficiente na execução da música tejano e que a sua imagem de roqueiro era inócua, ele se manteve na banda. Pouco depois, Pérez e Selena iniciaram um envolvimento amoroso que, ao ser percebido por Suzette, foi comunicado a Quintanilla Jr. Durante uma viagem a trabalho, ele os viu juntos no ônibus, mesmo depois de expressar para ambos sua desaprovação quanto ao envolvimento deles, e uma discussão entre ele e Selena se seguiu. O empresário chamou o músico de "câncer na minha família" e ameaçou dissolver o grupo se eles continuassem se relacionando. Selena e Pérez cederam; Quintanilla Jr. o demitiu da banda e impediu a filha de se relacionar com ele. Após sua demissão, Pérez e Selena secretamente continuaram se encontrando. Na manhã de 2 de abril de 1992, o casal fugiu juntos, acreditando que Quintanilla Jr. nunca aprovaria a relação. Selena pensou que se eles se casassem seu pai seria obrigado a aceitá-los e não teriam que esconder mais seus sentimentos um pelo outro. Poucas horas depois do casamento, a mídia anunciou a fuga do dois. Selena e Pérez se mudaram para um apartamento em Corpus Christi. Após a família da cantora encontrá-la; seu pai não reagiu bem a notícia e ficou ofendido por algum tempo. Mais tarde, ele abordou Pérez, se desculpou, aprovou o casamento e o aceitou de volta à banda.

Um mês após sua fuga, em maio de 1992, Selena lançou seu terceiro álbum de estúdio, Entre a Mi Mundo. O trabalho foi considerado pela crítica especializada como seu projeto mais "inovador". A gravação alcançou o número um na parada Billboard Regional Mexican Albums e recebeu dez certificações de platina latina pela Recording Industry Association of America (RIAA) devido às vendas de 500 mil unidades nos Estados Unidos. Entre a Mi Mundo se tornou o primeiro álbum tejano de uma artista feminina a vender mais de 300 mil cópias. Tendo alcançado o sucesso e a base de fãs que Jose Behar, presidente da EMI Latin, almejava, foi planejado por ele que esse público deveria se ampliar ainda mais em seu próximo lançamento. Para trabalhar no projeto, a gravadora expressou desejo em recrutar um produtor musical que já houvesse vencido os Grammys, ao invés de AB, o que não se concretizou, devido ao fato de que ele conhecia os gostos musicais e o alcance vocal de sua irmã, embora soubesse que para continuar ocupado a função precisasse se superar e criar algo que continuasse mantendo o sucesso comercial. Como nos álbuns anteriores da cantora, AB recrutou Pete Astudillo e Ricky Vela, membros da banda Selena y Los Dinos, para o ajudar no processo de composição. A colaboração trouxe uma sonoridade mais madura para o trabalho da artista, resultando em uma gravação e produção mais experimental que a de seus anteriores.

Gravação 290px|thumb|left|Vista de San Antonio, Texas, local onde as gravações do álbum ocorreram. Amor Prohibido foi gravado nos Manny Guerra Studios em San Antonio, Texas, com sua engenharia ficando a cargo de Brian "Red" Moore. Seu período total de produção durou seis meses, começando em 17 de setembro de 1993. O cronograma de gravação foi espremido em torno da agenda de shows e a inauguração das butique de roupas da artista, como o seu guitarrista e marido Chris Pérez relatou: "Eu nem sei como conseguimos encontrar tempo para fazer o próximo álbum." De acordo com Vela, os trabalhos pararam e a banda teve que se apressar para terminar a produção devido ao prazo de lançamento estar se aproximando. Em seguida, levaram duas semanas para concluir a pós-produção. Vela disse que era comum a banda ensaiar todas as músicas antes de grava-las, já que a sequência de produção permanecia inalterada em Amor Prohibido. Selena e os músicos gravavam suas partes no estúdio e depois as aperfeiçoavam durante a pré-produção. AB então ficou a cargo da engenharia e da mixagem, utilizando uma ferramenta de manipulação de áudio AKAI MPC60 II para sincronismo e ritmo antes de instrumentos de mixagem serem adicionados. Demorou duas semanas para Selena colocar voz nas dez faixas do álbum.

Pérez forneceu um relato evocativo de como trabalhou com Selena durante as sessões de Amor Prohibido. Ele escreveu que ela nunca reclamou no estúdio e que não ficava receosa em relação à alterações. Selena costumava chegar ao estúdio durante a produção do álbum, "cantarolando um pouco a sua parte", e então seguia para o shopping informando a banda para não se preocupar porque ela "saberia o que fazer quando [eles] estivessem prontos para gravar." Pérez explicou que a banda nunca teve que abordar Selena sobre mudanças no estúdio, já que ela se disciplinava e rastreava seus vocais enquanto solicitava uma segunda tomada para "adicionar pequenas harmonias que ela criaria" durante a gravação. A.B. descreveu seu próprio processo criativo durante as sessões em uma entrevista de 1994; Ela usava um gravador para cantarolar uma melodia antes de criar o título e o conceito de uma música. Se caso se pegasse a cantarolando no dia seguinte, "então [ela] era cativante" e, do contrário, "não a utilizaria". A.B. também solicitou material de Rena Dearman, ex-tecladista do grupo, que forneceu várias composições. O produtor gostou de "I'll Be Alright" e queria que Selena gravasse-a para Amor Prohibido. Porém, a EMI Latin rejeitou sua inclusão por acreditar que soaria incoerente com a proposta do álbum. Então, A.B. sugeriu que a faixa pudesse ser reaproveitada no próximo projeto dela.