miniaturadaimagem|Peças arqueológicas do Egito pré-histórico. A pré-história do Egito engloba o período que se estende dos primeiros testemunhos e registros humanos até a recente civilização egípcia, a qual formou-se através da unificação entre o Alto Egito e o Baixo Egito, em torno de
Paleolítico Paleolítico Inferior Cultura Acheuliana
thumb|esquerda|200px|Bifacial acheulense
A cultura acheuliana ( — AP) foi, segundo Phillipson, "um dos fenômenos mais notáveis e menos compreendidos da pré-história mundial". O Egito, possivelmente, teve um importante papel na dissipação dos hominídeos pelos demais continentes devido à sua função como ponte terrestre: "por causa de sua posição geográfica, o Egito certamente serviu como um canal importante para os primeiros humanos que migraram da África Oriental (...) infelizmente, apenas uma evidência muito escassa desse evento está disponível e, pior ainda, não pode ser datada". A evidência mais antiga da presença acheuliana no Egito remonta a AP em Abul-Simbel; possivelmente, como supõe Midant-Reynes, tais hominídeos chegaram a essa região para aproveitamento dos recursos oferecidos pelo rio: "levados à mercê das estações do ano e eventos climáticos, esses pequenos grupos de caçadores-coletores eram capazes de cobrir várias centenas de quilômetros a cada ano seguindo as grandes manadas, dedicando-se à produção de ferramentas bifaciais". O período acheuliano findou-se, no Egito, em torno de AP como consequência da deterioração das condições climáticas.
Durante toda a existência desta cultura observa-se um evidente predomínio de uniformidade na manufatura de ferramentas líticas: "A imutabilidade do acheulense tem nenhum protótipo real em nosso mundo, e provavelmente tem algo a ver com as capacidades cognitivas dos próprios hominídeos. Parece que eles podem ter dependido pesadamente do aprendizado em sua tecnologia, mas grande parte desse processo por meio da imitação, sem muita ênfase na inovação"; "Apesar da aparente uniformidade das indústrias líticas acheulianas, há boas razões para acreditar que este longo período durante o qual foi uma evolução dos comportamentos humanos importantes ocorreu nos campos conceptual, linguístico, social e organizacional". Sua indústria lítica, baseada em rochas ígneas, quartzito e esporadicamente sílex, tinha como principais formas lâminas bifaciais para fabricação de machados, picaretas, machadinhas e cutelos. Os sítios do período localizam-se em antigas fontes de água ou em regiões com matéria-prima disponível; as mais antigas evidências de moradias acheulianas localizam-se na fronteira entre Sudão e Egito, no sítio de Arkin 8, em Uádi Halfa.
Paleolítico Médio
Concomitantemente com o fim da cultura acheuliana há o início do processo de desertificação do Saara: "o fim do período acheuliano corresponde a um declínio gradual na atividade e em seguida o secamento das fontes de água"; "o Vale do Nilo tornou-se no principal local de refúgio até o Holoceno pluvial, atuando não apenas como ponto de encontro físico, mas também como ponto de fusão cultural." Neste momento "é difícil saber se a substituição das indústrias do Paleolítico Inferior por aquelas do Paleolítico Médio é um resultado do desenvolvimento indígena ou influências externas; "Dada a ausência de estratigrafia e da falta de datas suficientemente numerosas ou precisas não é de surpreender que tenha se mostrado tão difícil estabelecer um quadro cronológico para o paleolítico médio. As variações de um local para o outro e de grupo para grupo pode ser explicada tanto em termos de diversidade funcional, como em diferenças cronológicas".
thumb|300px|Reconstrução da técnica Levallois
Neste momento "em muitas partes do Velho Mundo houve uma mudança tecnológica gradual se afastando das grandes machadinhas e cutelos que caracterizam a acheuliana. Essa transição começou entre e anos atrás e, mais tarde, em algumas regiões. Machadinhas, cutelos e outras ferramentas de núcleo grande praticamente caíram fora do conjunto de ferramentas do homem, substituídas por ferramentas menores, algumas das quais tinham sido atingidas por tipos especiais de núcleos preparados"; as indústrias do paleolítico médio "mostram uma tecnologia de produção de ferramentas de pedra que é claramente derivada daquela do acheulense tardio, sendo muitas vezes, baseada em elaborações (eventualmente com tamanho reduzido) de núcleos preparados ou técnica Levallois". No paleolítico Médio há predomínio da técnica mousteriense: " anos atrás, a solução novamente tornou-se generalizada. A indústria, em seguida, prevalecente é do tipo conhecido como mousteriana (...) após o seu homólogo muito similar e amplamente contemporâneo"; é caracterizada pelo "abandono gradual das ferramentas bifaciais ao mesmo tempo que houve um aumento do uso de ferramentas de lascas, correspondendo a um determinado procedimento preparatório". A indústria mousteriense tinha como principal característica a técnica de redução de núcleos líticos conhecida como Levalloisiana: por meio de tal técnica era possível produzir diversas lascas finas, agudas e de tamanho quase idêntico com apenas um único núcleo lítico que poderiam ser acopladas a hastes de madeira, proporcionando um aumento na eficiência da caça assim como mudanças nas táticas predatórias.
Sítios pedreira fornecem informações acerca das técnicas de extração e quais matérias-primas foram empregadas; entre sítios dos desertos foram identificados restos faunísticos (porcos, lebres, gatos selvagens, búfalos, girafas, rinocerontes, gazelas, elefantes, cudos, rateis, damões, crocodilos, clarias, moluscos) e botânicos (clematis, acacias, grama e Ficus sp.) que nos dão pista da subsistência do período.
Cultura Paleolítico Médio Núbio
Representado tanto na Núbia como no Egito, essa forma de levallois evoluiu dos primórdios do paleolítico médio, sendo chamado de paleolítico médio núbio em decorrência de sua tecnologia característica, a levalloisiana núbia. Seu sítio mais característico foi Arkin 5: localizado em uma região com abundância em arenito ferruginoso, possivelmente serviu como um sítio pedreira para extração de tal matéria-prima; possuí semelhanças com a indústria Lupembana.
Cultura Sangoana
A cultura Sangoana (inicialmente identificada no Congo e nas cataratas Kalambo) desenvolveu-se na Núbia no sítio 8-B-11 entre 220.000 a 150.00 AP. Nos níveis ocupacionais sangoanos foram identificados martelos, mós, machados, núcleos, ferramentas lascadas, dois machados lanceolate (um de quartzo e o outro de arenito), duas placas possivelmente utilizadas como componentes estruturais e torrões de ocre vermelho e amarelo. Van Peer conclui que "em contraste com a acheuliana, o início da IDM sangoana mostra comportamentos sofisticados que envolvem investimento tecnológico e simbólico considerável".
Cultura Musteriana Saarana
Sítios como Bir Tarfawi e BIr Sahara ilustram as ocupações de curta duração dos hominídeos da cultura Saara Musteriana durante as pequenas fases úmidas do período; em Bir Sahara foram atestados cinco ocupações musterianas cada uma ligada com um depósito lacustre.
Cultura Musteriana Núbia
A cultura Musteriana Núbia alberga onze concentração materiais de Uádi Halfa que foram, segundo Anthony Marks, divididas em dois grupos: Musteriana A (presença de raspadores e buris e falta de bifaciais) e Musteriana B (similaridade com Musteriana A e presença de bifaciais).
Grupo egípcio K
O grupo cultural egípcio K utilizou-se do método Levallois clássico, assim como de lascas produzidas com núcleos simples ou duplos.
Grupo egípcio N
O grupo cultural egípcio N utilizou o método Levallois núbio para fabricação de líticos.
Cultura Taramsana
A cultura Taramsana desenvolveu-se entre 55000-45000 AP. Em Taramsa-1 foi identificado um jazigo de uma criança datado de 55000 AP: "os ossos mal conservados foram de um subadulto 'humanos anatomicamente modernos' similar na aparência às populações mechtoids do epipaleolítico norte africano. A posição do corpo, bem como a profundidade do poço em que foi encontrado (...) sugere que a criança não teria morrido neste local, mas teria sido deliberadamente trazida aqui para ser enterrada".
Esta cultura possuía uma "clara tendência para a produção de lâminas de grandes núcleos, onde, em vez de se obter algumas lascas levallois de cada núcleo individual, com um processo praticamente contínuo de produção de lâminas, foi possível criar um grande número de lâminas de cada núcleo". Alguns sítios pedreira analisados forneceram preciosas informações acerca dos métodos de extração de quartzo e sílex: "a busca de sílex de boa qualidade e o uso de especializadas ferramentas produzidas demonstram a complexa organização dos habitantes do Vale do Nilo naquela época"
Cultura Khormusana
A cultura Khormusana desenvolveu-se entre 55000-45000 AP (segundo Grimal desenvolveu-se entre 45000-) quando então começou a ser substituída por outras culturas que estavam se desenvolvendo na região. Os khormusanos foram eficientes caçadores, coletores e pescadores: foram evidenciados abundantes restos faunísticos de peixes, bubalinas, gazelas, bovídeos, roedores e aves. Desenvolveram ferramentas avançadas ferramentas líticas, ósseas e de hematita: raspadores, buris, perfuradores e pontas de flechas foram produzidas como arenito ferruginoso, quartzo, riólito, calcedônia, ágata e madeira fossilizada.
Indústria Ateriana
thumb|esquerda|200px|Ferramenta da cultura ateriana
A cultura ateriana foi uma indústria muito difundida na África do Norte: "Conjuntos aterianos são encontrados em todo o Saara adequado, desde a costa atlântica quase tão longe no Oriente como o Nilo". Tal indústria desenvolveu-se a partir do uso de tecnologias musterianas e do método levallois: núcleos discoides e em forma de tartaruga de ágata, calcedônia e basalto foram produzidos para fabricação de pontas líticas postumamente acopladas em hastes de madeira. As pontas líticas aterianas são muito pesadas o que levou a muitos suporem que tivessem sido utilizadas como dardos ou lanças, no entanto, a arqueóloga Gertrude Canton-Thompson salienta a possibilidade de terem sido empregadas como flechas.
A cultura ateriana possuía uma subsistência baseada na caça de animais de pequeno, médio e grande porte: rinocerontes, camelos, bovídeos, gazelas, raposas, chacais, javalis, avestruzes, burros selvagens, tartarugas e aves.
Paleolítico Superior
O Paleolítico Superior foi criado para que houvesse uma separação entre o Paleolítico Médio e Paleolítico Final em vista dos evidentes hiatos ocupacionais evidenciados neste períodos: há poucos períodos na Núbia e Egito e estes estão confinados ao Vale do Nilo. "Isso se encaixa bem nos dados ambientais e climáticos que apontam para um período de extensa dissecação do Saara oriental entre e AP, coincidindo com o frio da ultima glaciação, e um período de extrema seca identificada em Dachla entre e AP nas águas subterrâneas do Saara". Devido as condições áridas, com exceção do Nilo, apenas do Sinai foi habitado entre 36000-29000 AP.
O mais antigo sítio do período é a pedreira Nazlet Khater-4 datada entre e AP: possui valas, poços, galerias subterrâneas e trincheiras nas seções verticais; os líticos encontrados são raspadores, denticulados, buris, machados e foliares bifaciais. Foram identificadas duas sepulturas nas proximidades do sítio.
Cultura de Xuicate
A cultura de Xuicate desenvolveu-se principalmente em Quena e Esna tendo ela sido mais recente que a pedreira Nazlet Khater-4 (o sítio Xuicate-1 foi datado de 25000 AP). Sua indústria lítica foi caracterizada pelo uso de grandes lâminas, lâminas denticuladas, buris e raspadores.
Paleolítico Tardio