Centro histórico de Plasencia. As áreas mais escuras correspondem à muralha e aos principais monumentos históricos.
thumb|382px|Panorâmica do centro histórico de Plasencia
Plasencia é uma cidade da Espanha, na província de Cáceres, comunidade autónoma da Estremadura, que tinha habitantes em .
Situada na Via da Prata, a rota comercial milenar que cruza o centro da Península Ibérica desde a Antiguidade, na entrada do vale do Jerte, nos flancos sul das montanhas que formam a fronteira natural entre a Estremadura e Castela e Leão, o local é habitado desde a Pré-história e quando a cidade atual foi fundada, no , tinha uma importância estratégica acrescida por ser uma zona de fronteira disputada entre cristãos e muçulmanos, e pelos reinos cristãos rivais de Castela, Leão e Portugal.
O património arquitetónico e histórico da cidade é vasto e encontra-se principalmente na parte antiga, em volta da Plaza Mayor.
Monumentos religiosos Catedrais O estatuto de sede episcopal foi concedido a Plasencia pelo em 1189 e determinou em grande medida a história e paisagem da cidade. A catedral avista-se antes de entrar na cidade e preside ao centro histórico. O processo construtivo desenvolvido ao longo dos séculos permitiu combinar num só edifício duas catedrais perfeitamente diferenciadas que a convertem na igreja mais ricamente ornamentada da Estremadura.
Catedral Velha A Catedral Velha de Plasencia, ou Igreja de Santa Maria, foi construída entre os séculos XIII e XIV. Foi obra dos mestres Juan Francés e Diego Díaz e é um exemplo de transição entre o românico e o gótico.
No final do decidiu-se erigir uma nova catedral, de muito maiores dimensões, cuja construção implicou a demolição do cruzeiro e de parte da cabeceira da catedral já existente.
No interior tem três naves e quatro tramos com abóbadas em cruzaria, obra de Gil de Císlar. Na nave central venera-se um pequeno retábulo da Virgen Niña (Virgem Menina). As naves laterais são dedicadas à Virgen de los Dolores (Nossa Senhora das Dores) e a Cristo Crucificado.
No claustro é patente a transição do românico para o gótico, com arcos pontiagudos e abóbadas em cruzaria, mas com colunas e capitéis de clara tradição românica. O pórtico principal é de estilo românico, com as clássicas arquivoltas, sobre as quais existe um grupo escultórico talhado em pedra representando a Anunciação de Nossa Senhora. Um motivo decorativo dominante no pórtico, que se encontra também noutros pórticos placentinos, são pontas de diamante nas arestas das jambas.
A antiga sala capitular, atualmente convertida na capela de São Paulo tem uma torre (Torre del Melón) tem uma cúpula é de estilo bizantino, semelhante à estrutura da Torre do Galo da Catedral Velha de Salamanca, à Catedral de Zamora e à Colegiata de Toro. A catedral velha funciona atualmente como um museu.
Catedral Nova A construção da Catedral Nova em 1498 e prolongou-se ao longo do , mas nunca seria finalizada por falta de financiamento. A parte construída é de estilo renascentista. Participaram na sua construção de forma mais ou menos direta os principais arquitetos espanhóis do — Enrique Egas, Juan de Álava, Francisco de Colonia, Covarrubias, Diego de Siloé e Rodrigo Gil de Hontañón.
A catedral tem três naves com a mesma altura, seguindo o modelo renascentista. Dos pilares partem nervuras que acabam em abóbadas estreladas de grande complexidade.
No seu interior destaca-se o retábulo principal, considerado uma das obras mais notáveis do Barroco espanhol. Junto a ele encontra-se o túmulo renascentista do bispo Ponce de León, construído em mármore, representando o prelado em oração. Igualmente interessante é o coro, obra executada no fim do para a catedral velha, cujas cadeiras apresentam um trabalho escultórico em madeira de nogueira com uma ampla e rica iconografia que segue a linha das cadeiras de coro espanholas do . Entre as cadeiras destacam-se as dos Reis Católicos e a do bispo, obras do entalhador Rodrigo Alemán.
O exterior da catedral é de grande riqueza ornamental e apresenta um conjunto de , pináculos, janelas, imagens e medalhões. A fachada principal, foi construída no segundo os modelos renascentistas e está adornada com abundante decoração de estilo plateresco.
Os cerimónias fúnebres do imperador Carlos V (I de Espanha) foram realizadas na catedral, tendo havido então necessidade de cobrir com tapumes a parede sul.
thumb|Panorâmica do conjunto das duas catedrais thumb|upright=0.9|Fachada plateresca da Catedral Nova thumb|upright=0.82|Nave central da Catedral Velha thumb|Claustro da Catedral Velha
Outras igrejas As ordens militares de Santiago e de Alcântara, com grande importância política na região, promoveram a construção de numerosas igrejas na cidade, na sua maioria em estilo românico e o gótico, edificadas a partir do , algumas delas sobre construções muçulmanas. De entre elas destacam-se as seguintes: Igreja de San Nicolás (São Nicolau) — É uma igreja paroquial localizada na praça de San Nicolás, não muito longe das catedrais. Foi construída no em estilo românico tardio, sendo gótico o seu aspeto atual devido aos restauros do , mas as portadas e as janelas superiores de uma das torres ainda são românicas. No interior encontra-se um túmulo com uma estátua em pose de oração do bispo de Cória Pedro Girón de Carvajal, o qual era natural de Plasencia. A esta igreja vinha rezar Filipe V de Espanha durante a sua estadia em Plasencia. Igreja de San Martín (São Martinho) — É a igreja da paróquia considerada mais antiga da cidade. Foi construída no , tem três naves e um retábulo dourado e policromado com pinturas de Luis de Morales datadas de 1570. Atualmente não é usada para culto e é propriedade da Caja de Extremadura, que a usa como sala de exposições. Igreja de Santo Domingo (São Domingos) ou igreja de São Vicente Ferrer (nome atual) — Está anexa ao convento de Santo Domingo, do qual fazia parte até que o convento foi deativado como tal. Começou a ser construída em 1473, pelo mestre canteiro Pedro González e seu filho Francisco González. Em 1487 as instalações foram benzidas pelo bispo de Plasencia Frei Pedro Villalobos e os frades dominicanos instalaram-se imediatamente a seguir no convento. A igreja tem planta em cruz latina com capelas laterais na única nave, as quais serviram de mausoléu a famílias nobres placentinas. A é abobadado, com diferentes soluções arquitetónicas em cada tramo. O retábulo principal de estilo maneirista e data do . A igreja não é usada para culto e é propriedade da Caja de Extremadura, que a usa para guardar a sua coleção de pintura. Na Semana Santa é serve como local de guarda e exposição dos . O convento é atualmente (2010) um Parador Nacional. Igreja de San Esteban (Santo Estêvão) — Construção do , situada nas imediações da Plaza Mayor. A abside é de estilo gótico, o retábulo principal é de estilo plateresco de transição para o Barroco. No seu átrio reuniam-se no passado o concejo e o sexmo e aí se realizavam julgamentos públicos. A igreja dá nome à em frente à sua fachada principal (Rincón de San Esteban). Frente a uma das suas portas encontra-se o chamado Curral dos Alcaides. Santuário da Virgen del Puerto — situa-se a 5 km do centro da cidade, na dehesa de Valcorchero, na estrada romana da Via da Prata. A sua construção foi iniciada no , mas o edifício atual data do . A fachada principal é rematada com um frontão com um no seu eixo, flanqueada pelos escudos de Plasencia e dos primeiros marqueses de Mirabel. A imagem da Virgen del Puerto é uma escultura policromada talhada em madeira de origem desconhecida dos finais do ou início do e mostra a "Virgem Amamentando". A Virgen del Puerto é a padroeira de Plasencia e em sua honra é realizada uma romaria muito frequentada no domingo seguinte à Páscoa. Ermida de São Lázaro — Nos arredores da cidade, esteve integrada num antigo lazareto (hospital isolado) que funcionou até ao e foi então transformada num asilo de pobres. A cobertura atual é do . Numa das naves está uma capela com um altar de azulejos de Talavera de la Reina dedicado a São Crispim e São Cipriano, padroeiros do importante grémio dos sapateiros. Possuía um retábulo com interessantes pinturas em madeira do que se pensa serem da da autoria de Correia Vilar, discípulo de Juan de Borgoña, atualmente no paço episcopal. No seu interior venera-se a popular imagem do Cristo de São Lázaro. Igreja de Santa Ana — Anexa a antigo convento jesuíta do . Atualmente é um auditório. Igreja da Madalena — Construída no , originalmente tinha três absides, das quais restam duas.
Conventos e outros edifícios religiosos No passado existiram numerosos conventos em Plasencia. Na atualidade (2009), muitos deles estão desativados em consequência da falta de vocações religiosas. Pelo seu valor patrimonial, podem-se destacar os seguintes: Convento de Santo Domingo (São Domingos) ou de São Vicente Ferrer — Convento dominicano junto à igreja do mesmo nome e do palácio do marquês de Mirabel. Foi fundado em meados do pelos condes de Plasencia Álvaro de Zúñiga y Guzmán e a sua esposa, Leonor de Pimentel. Para a sua construção foram expropriados os terrenos da principal sinagoga da cidade e parte da judiaria. São de destacar o claustro de estilo isabelino, com restos de artesoados mudéjares no teto, com e pinturas murais, a sala capitular, coberta por uma abóbada em cruzaria estrelada de oito pontas, o refeitório, coberto de azulejos de Talavera de la Reina. O edíficio é atualmente (2010) o Parador Nacional de Turismo. Convento das Carmelitas Descalças — Fundado no por Santa Teresa de Ávila na casa-palácio de Maria de la Cerda, tem um pórtico barroco classicista com o brasão da fundadora e o das Carmelitas Descalças sobre o lintel. Encontra-se em reabilitação (out-2009) para albergar a pinacoteca da Caja de Extremadura. As religiosas abandonaram o edifício em 1993, para ocuparem um novo convento situado nos arredores da cidade, na Serra de Santa Bárbara. O novo convento foi desenhado pelo arquiteto José María Pérez González. Na sua igreja podem apreciar-se os diferentes retábulos barrocos provenientes do antigo convento. Convento de Santa Clara — Foi um convento de clausura construído em finais do , que acolhia freiras clarissas. Foi em 1836, na sequência da Desamortização de Mendizábal. Recentemente foi restaurado, sendo inaugurado em 2003 como Complexo Cultural de Las Claras. Da construção antiga permanecem os artesoados das galerias do pátio do claustro, com detalhes nas mísulas sobre vigas de madeira, que se aproveitaram para desenvolver, entre outros, elementos pictóricos em forma de caras humanas. A ala norte é a mais rica. Atualmente (out-2009), o piso térreo é usada para diversos fins — , salas de conferências, reuniões, etc., e no piso superior está instalada uma biblioteca e sala de investigação do Centro de Estudos Hebraicos e do Arquivo Histórico Municipal. Paço episcopal — É uma construção de estilo renascentista do , realizada sobre obra primitiva do . Tem um grande pórtico renascentista onde se pode ver o escudo do bispo Gutiérrez de Vargas Carvajal.
Monumentos militares Torre Lucía — É uma das torres defensivas principais da muralha que se encontra em melhor estado de conservação. É assim chamada ("luzia") porque no seu cimo se acendia uma fogueira à noite para servir como farol aos viajantes que se aproximavam da cidade, nomeadamente aos vendedores que chegavam à noite para venderem as suas mercadorias de manhã. Atualmente (2009), está instalado na torre o Centro de la Fortaleza y Ciudad Medieval, que tem exposta informação sobre a fortaleza desaparecida e a sua história. Na zona encontra-se também o monumento que comemora o primeiro centenário da concessão em 1901 do título de "Muy Benéfica" a Plasencia, pela ajuda prestada pela cidade aos soldados que regressaram da Guerra de Cuba.
thumb|Quartel militar reconvertido no campus universitário de Plasencia