thumb|Aloízio Mercadante era o candidato do PT à sucessão estadual em São Paulo cujos assessores são acusados de forjar o dossiê, numa tentativa de prejudicar os candidatos do PSDB: José Serra e Geraldo Alckmin. O escândalo do dossiê ou escândalo dos aloprados, entre outros nomes, foi uma tentativa de compra de um dossiê contra o candidato a governador de São Paulo José Serra.
A tentativa levou a prisão em flagrante, no dia 15 de setembro de 2006, de alguns integrantes do PT acusados de comprar um falso dossiê de Luiz Antônio Trevisan Vedoin com fundos de origem desconhecida. O dossiê acusaria o candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSDB, José Serra, de estar envolvido no escândalo das sanguessugas. O suposto plano seria prejudicar Serra na disputa ao governo de São Paulo, no qual o seu principal adversário era o senador Aloizio Mercadante. Supostamente, não só Serra era alvo, pois também havia acusações contra o candidato à presidência Geraldo Alckmin. As investigações e depoimentos dos suspeitos demonstraram que o conteúdo do dossiê contra políticos do PSDB era falso. A expressão usada por Lula da Silva para designar os acusados de comprar o dossiê, "aloprados", notabilizou-se.
Histórico O escândalo ocorrido durante o Governo do ex-presidente Lula (PT), tem ligação direta com o Escândalo dos Sanguessugas.
O escândalo é 4º o mais grave enfrentado do governo Lula. O 1º foi o Escândalo dos Bingos (também conhecido como caso Waldomiro Diniz), ocorrido em 13 de fevereiro de 2004 e também é a primeira crise política do Lula; o 2º foi o Escândalo dos Correios (também conhecido como caso Maurício Marinho), ocorrida em 14 de maio de 2005, que gerou o Escândalo do Mensalão no mês seguinte, em 6 de junho, com as denúncias do então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) ao jornal Folha de S.Paulo; o 3º foi Escândalo das Ambulâncias, que gerou o Escândalo dos Sanguessugas, deflagrada pela Polícia Federal na "Operação Sanguessuga" em 4 de maio de 2006.
Segundo a imprensa, este escândalo relembra o caso Dossiê Cayman, uma tentativa de prejudicar o então candidato à reeleição ao estado de São Paulo, Mário Covas e outros políticos do PSDB em 1998. O caso seriam supostas contas não-declaradas no exterior pelos candidatos e que seria financiada nas campanhas, mas investigações demonstraram que o dossiê era falso e era armado por adversários políticos em véspera eleitoral.
Em 24 de abril de 2007, julgando uma ação movida pela coligação PSDB-Democratas, o TSE decidiu, por unanimidade, não haver qualquer prova concreta relacionando o Partido dos Trabalhadores ou o Presidente Lula ao chamado "Escândalo do Dossiê".
Antecedentes thumb|José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo que teria sua candidatura atingida pelo dossiê falso. Nos dias 8 e 9 de agosto, Luiz Antônio Trevisan Vedoin fez o último depoimento à CPI dos Sanguessugas, antes da negociação do dossiê. No depoimento do dia 8, apontou mais 5 deputados envolvidos, mas contradiz o que deu o depoimento à PF em julho, chegando ter risco perder "delação premiada", termo dado para quem denunciar em troca da prisão, o que volta das contradições. No depoimento reservado à CPI no dia 9, ele inocentou mais 10 parlamentares. Só no dia 10 de agosto, a CPI pedia a cassação dos 69 parlamentares e inocentava outros 18 deputados.
No dia 15 de agosto de 2006, enquanto começava a propaganda eleitoral dos parlamentares, governadores e presidentes em rádio e TV, iniciavam os contatos entre os sete integrantes do PT (Valdebran Padilha, Gedimar Passos, Freud Godoy, Jorge Lorenzetti, Ricardo Berzoini, Osvaldo Bargas, Expedito Veloso e Hamilton Lacerda) e a família Vedoin, segundo a PF. Dela surge nos dias seguintes, um oferecimento de Darci Vedoin e Luiz Vedoin, um dossiê contra políticos do PSDB, contra o então o candidato o governo do estado de São Paulo, José Serra e também contra o candidato à Presidência da República, do mesmo partido Geraldo Alckmin. Ao mesmo tempo, já estava auge o escândalo dos sanguessugas, que são os parlamentares acusados de envolvimento de emendas com ambulâncias.
Até a véspera da eleição (30 de setembro), dos 69 parlamentares (66 deputados e 3 senadores) acusados de sanguessugas, só 56 tentam a reeleição (a maioria desistiu só 2 renunciaram, enquanto outros partidos expulsaram os deputados) ao longo do mês. Os senadores Magno Malta (PL-ES) e a Serys Slhessarenko (PT-MT) foram eleitos em 2002 com mandatos de 8 anos e ela tentava concorrer para governadora do Mato Grosso e não consegue, mesmo assim, fica no cargo como senadora. Só apenas o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que tentava concorrer à reeleição (foi eleito em 1998) é derrotado. Inclusive dos 55 deputados que tentaram concorrer à reeleição por mais 4 anos só cinco conseguem em 1 de outubro.
Na manhã do dia 14 de setembro, o jornal "Correio Braziliense", de Brasília (DF) divulga mais um envolvido no Escândalo das Sanguessugas: o ex-ministro da Saúde e candidato pelo PSDB ao governo do estado de São Paulo, José Serra, que lidera preferência de mais de 50% dos eleitores. De acordo com a reportagem, o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Barjas Negri, que substituiu Serra quando deixou o cargo para disputar a Presidência, teria determinado em dezembro de 2001 ao Fundo Nacional de Saúde "empenho e elaboração do convênio" para uma emenda no valor de R$ 88 mil que beneficiava o município de Nossa Senhora do Livramento (MT). Essa ambulância foi fornecida por duas empresas de fachada do grupo Planam, acusada de liderar o esquema sanguessuga. Horas depois, Serra desmente a denúncia do jornal sobre suposta participação no esquema da compra superfaturada das ambulâncias investigada pela CPI dos Sanguessugas. Segundo ele, denúncias como essa serão comuns nesta reta final da campanha eleitoral, durante evento de campanha na Vila Natal, zona sul de São Paulo. "Nós estamos agora na reta final da campanha e este tipo de denúncia ainda vai surgir muito" e minimiza a denúncia. "É uma questão burocrática, puramente burocrática, não tem nada de mais", disse Serra. O candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, que na manhã pediu cautela pelas novas denúncias contra José Serra, critica a resposta feita horas depois dele. Mercadante criticou o candidato depois saber a afirmação do Serra de que a denúncia do jornal é o "kit PT de baixaria".
Estopim Na noite entre os dias 14 e 15 de setembro, a 15 dias das eleições, são presos na noite pela Polícia Federal em Cuiabá, Mato Grosso, o primo Paulo Roberto Trevisan (dia 14 em São Paulo) e Luiz Antônio Verdoin (dia 15 em Cuiabá) acusados por chantagem e ocultação de documentos. Paulo Trevisan foi preso pela PF, com provas da fita de vídeo VHS e documentos que poderiam ser usados contra políticos. Já o Vedoin foi preso por duas acusações. A Polícia Federal apreendeu vídeo, DVD e fotos que mostram o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, na entrega de ambulâncias da máfia dos sanguessugas.
São presos no Hotel Íbis, na cidade de São Paulo, o empresário e tesoureiro de campanha do PT em Mato Grosso em 2004, filiado ao partido desde agosto de 2004, Valdebran Padilha da Silva e o ex-agente da Polícia Federal e advogado do PT, Gedimar Pereira Passos, junto com dinheiro vivo de R$ 1,7 milhões reais. Eles estavam no hotel aguardando por um emissário do empresário, que levaria o dossiê contra o tucano. O emissário seria o tio do empresário, Paulo Roberto Dalcol Trevisan. A pedido de Vedoin, o tio entregaria em São Paulo o documento a Valdebran e Gedimar. O material contra Serra seria entregue pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe dos sanguessugas e sócio da Planam, ao Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-policial federal, e Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso.
Horas depois das prisões, a revista Isto É, nº. 1926, datada do dia 20 de setembro, traz a capa na manhã "Os Vedoin Acusam Serra" os donos da Planam, o pai e filho Vedoin, acusam o ex-ministro José Serra de está envolvido com a máfia das ambulâncias e entregam à revista novos documentos sobre a distribuição de propinas. Eles dizem que em 2002 foi o melhor ano em que a empresa Planan foi beneficiada na gestão. Segundo eles, Barjas Negri, ex-secretário executivo e ministro sucessor no Ministério da Saúde, também está envolvido no caso. Os Vedoin acusam o empresário Abel Pereira de agir em nome do então ministro Barjas Negri e de receber propina por meio de cheques e em depósitos nas empresas Império e Kanguru. Eles afirmam que Geraldo Alckmin também está envolvido, junto com Serra, no esquema. Horas depois, Alckmin e Serra reagem e negam as acusações deles e atribuem em "véspera de eleição". Eles afirmam que isto já havia sido divulgado pela imprensa naquela época, mas nada de irregularidade. Chegou a se afirmar que a denúncia dos Vedoin à revista IstoÉ foi estopim para a prisão, mas a Polícia Federal negou a ligação e também foi desmentido em apenas um dia, devido aos desdobramentos dos fatos do dia. Surpreendido com nova denúncia da revista, o ministro da CGU (Controladoria Geral da União), Jorge Hage, chegou a dizer que há mais provas contra Serra além de denúncia dos Vedoin. Horas depois da denúncia da Isto É, a propaganda política no estado de São Paulo de Orestes Quércia (PMDB), que tem apoio de Lula, põe no ar, numa rapidez sem precedentes, que José Serra é o mais um político envolvido do escândalo das sanguessugas, sem mesmo esperar das investigações sérias, mas na prática tem um significado: qualquer denúncia contra políticos do PSDB-PFL seria melhor para PT e a ala do PMDB governista, para destruir em nível nacional, o PSDB, mas a propaganda é suspensa pelo TSE-SP. Devido a repercussão nacional da reportagem, a revista IstoÉ negou suposta compra da reportagem.
Segundo a polícia, seriam "os emissários do PT" usados para a compra de um dossiê contra os candidatos do PSDB, Geraldo Alckmin e José Serra. As fotos e o vídeo conteriam o material contra o então ministro da Saúde, José Serra, numa cerimônia de entrega de ambulâncias na Planan em 2002. A polícia afirma que só falta a investigação da origem dinheiro apreendida. Um dos presos, Gedimar Pereira Passos, recebeu na tarde, a visita do advogado de defesa, que veio a pedido da família, mas saiu na PF sem dizer se vai aceitar o caso. O advogado de Gedimar Passos, diz à PF que dinheiro "veio do PT".
Em nota oficial, a PF em Mato Grosso informou que a operação policial começou na noite do dia 14, no aeroporto de Várzea Grande. O aeroporto fica na "(…) região metropolitana de Cuiabá, quando localizou na bagagem de Paulo Roberto Trevisan uma fita de vídeo, um DVD, uma agenda e seis fotografias que vinculariam políticos ao esquema de superfaturamento [na compra de ambulância pelo Ministério da Saúde] investigado na Operação Sanguessuga". "No vídeo aparece José Serra. Tem fotos do Alckmin e do [senador] Antero [Paes de Barros (PSDB-MT)] e deputados daqui".