thumb|upright=0.7|Três das cinco virgens néscias mostram sua tristeza (Catedral de Magdeburgo).thumb|esquerda|upright=0.7|Três das cinco virgens prudentes mostram a sua alegria (Catedral de Magdeburgo).thumb|upright=0.7|Virgens néscias em Lübeck.thumb|esquerda|upright=0.7|Virgens prudentes em Lübeck. A Parábola das Dez Virgens, também conhecida como Parábola das Virgens Néscias, é uma das mais conhecidas parábolas de Jesus. No entanto, ela aparece em apenas um dos evangelhos canônicos. De acordo com o , as cinco virgens que estão preparados para a chegada do noivo são recompensadas ​​enquanto que as cinco que não estão são excluídas de seu banquete de casamento. A parábola tem um tema claramente escatológico: estar preparado para o Juízo FinalJohn Barton, The Oxford Bible Commentary, Oxford University Press, 2001, ISBN 0198755007, p. 878..

Foi uma das parábolas mais populares na Idade Média, com enorme influência sobre a arte gótica, a escultura e a arquitetura de catedrais alemãs e francesas.

Narrativa bíblica

Interpretações thumb|esquerda|350 px|Parábola das Dez Virgens.1616. Por Hieronimus Franck (II), atualmente no Museu Hermitage, em São Petersburgo, na Rússia. A parábola é uma entre uma sequência de respostas para uma pergunta no Evangelho segundo Mateus:

Outras parábolas nesta seqüência incluem a Parábola da Figueira () e a Parábola do Servo Fiel (). A parábola das Dez Virgens reforça o convite à prontidão perante o nosso desconhecimento da Segunda Vinda de CristoR. T. France,The Gospel According to Matthew: An introduction and commentary, Eerdmans, 1985, ISBN 0802800637, pp. 349-352.. Ela já foi descrita como uma "parábola de vigília". Como a Parábola da Moeda Perdida, é uma parábola sobre mulheres que segue imediatamente depois, e chega na mesma conclusão, que uma parábola sobre homensA Parábola da Moeda Perdida segue a Parábola da Ovelha Perdida e esta segue a Parábola do Servo Fiel..

Nesta parábola, Cristo é o noivoBen Witherington,Women in the Ministry of Jesus: A study of Jesus' attitudes to women and their roles as reflected in his earthly life, Cambridge University Press, 1987, ISBN 0521347815, p. 43., ecoando a imagem do Antigo Testamento de Jeová como o noivo em e passagens similares. O evento esperado é a Segunda Vinda de Cristo. RT France escreve que a parábola é "uma advertência dirigida especificamente àqueles dentro da igreja para que não assumam que o seu futuro está garantido incondicionalmente".

A parábola não critica as virgens por dormir, uma vez que ambos os grupos fazem isso, mas por estarem despreparadas. Não está claro exatamente de que forma essa falta de preparação toma: as virgens néscias podem ter levado óleo em quantidade insuficiente ou, se elas acenderam suas candeias ou tochas pela primeira vez quando o noivo chegou (tendo dormido nas horas anteriores na escuridão), elas podem não ter levado óleo nenhumJohn Nolland, The Gospel of Matthew: A commentary on the Greek text, Eerdmans, 2005, ISBN 0802823890, pp. 1006–1008. (também não é claro se as virgens néscias conseguiram comprar óleo naquela noiteJohn R. Donahue, Hearing the Word of God: Reflections on the Sunday Readings: Year A, Liturgical Press, 2004, ISBN 0814627854, p. 134: "We never know whether they found it, but when they return, the feast has started and the door is barred.": a maioria das lojas estaria fechada no horárioCraig S. Keener, The Gospel of Matthew: A Socio-Rhetorical Commentary, Eerdmans, 2009, ISBN 0802864988, p. 597.J. Dwight Pentecost, The Parables of Jesus: Lessons in life from the Master Teacher, Kregel Publications, 1998, ISBN 0825434580, p. 150.).

A parábola não está escrita em louvor da virgindade e certamente Luís de Granada, em seu The Sinner's Guide de 1555, escreve: "Ninguém intercede junto ao noivo em favor das cinco virgens néscias que, depois de desprezar os prazeres da carne e sufocando em seus corações o fogo da concupiscência, ou melhor, depois de observar o grande conselho da virgindade, negligenciaram o preceito de humildade e se tornaram cheias de orgulho por conta da sua virgindade"Louis of Granada, The Sinner's Guide, 1555..

Autenticidade thumb|direita|300px|Virgens dormindo com lâmpada.1838-42. Por Friedrich Wilhelm Schadow, atualmente no Städel, em Frankfurt am Main, na Alemanha. Enquanto que "um considerável número de exegetas supõem como fato que a parábola das Dez Virgens se origina no tempo de Jesus"Jan Lambrecht, Out of the Treasure: The parables in the Gospel of Matthew, Peeters, 1991, ISBN 9068311611, p. 204., alguns comentarias, por conta de sua natureza escatológica, duvidam que Jesus a teria contado e que, ao invés disso, ela foi criada bem no início da igreja antiga. Uma grande maioria dos participantes do Jesus Seminar, por exemplo, apontam esta parábola como meramente similar a algo que Jesus teria dito ou simplesmente como falsaFunk, Robert W., Roy W. Hoover, and the Jesus Seminar. The Five Gospels. Harper:San Francisco, 1993, p. 254. A obra do Jesus Seminar tem sido criticada, contudoBirger A. Pearson, The Gospel According to the Jesus Seminar.N.T. Wright, Five Gospels but No Gospel , originally published in Authenticating the Activities of Jesus, ed. Bruce Chilton and Craig A. Evans. Leiden: Brill, 1999, 83–120.. Outros acadêmicos acreditam que esta parábola foi ligeiramente editada e é um excelente exemplo da habilidade de Jesus em contar parábolasKlyne Snodgrass, Stories with Intent: A comprehensive guide to the parables of Jesus, Eerdmans, 2008, ISBN 0802842410, p. 505.. A parábola das Dez Virgens aparece em todos os manuscritos do Novo Testamento antigos, com apenas pequenas variações em algumas palavrasUnited Bible Societies, The Greek New Testament, 1983, p. 24..

Os ouvintes Para o entendimento devemos retratar-nos à tradição dos rabinos. No Talmude e Midrash Rabá se encontram várias parábolas. Eles usam elementos do dia-a-dia para ilustrar questãos teológigas e morais. O rei ou anfitrião simboliza Deus, os prudentes e néscios correspondem aos justos e não justos, um vestido bom é a vida justa diante de Deus, pão e agua são a Torá, óleo significa as boas obras, entre outros.

Pais da igreja Os Pais da igreja viam muitas alegorias nessa parábola. Tomás de Aquino alista algumas interpretações alegóricas na Catena aurea: Virgens: Jerónimo releva a virgindade, que pode ser também uma pureza espiritual. Hilário de Poitiers interpreta as lâmpadas como a luz das almas iluminadas pelo sacramento do batismo. Agostinho de Hipona associa as virgens aos cinco sentidos, que podem ser usados ou com sabedoria ou com imprudência. Óleo: O óleo é para Hilário de Poitiers as boas obras, para São João Crisóstomo o amor ao próximo, esmolas e ajuda aos pobres e necessitados, e para Orígenes, a Palavra e o ensinamento de Deus, com quem a alma é enchida como um vaso.

Medieval A parábola era muito popular na época medieval e frequente na arte. As virgens prudentes são símbolos para a alma cristã, que é voltada para Deus praticando as cinco virtudes, enquanto as virgens néscias simbolizam os cinco tipos tradicionais de perversões.

Muitas catedrais góticas têm relevos e estatuas das virgens, em especial nos portões para o oeste, muitas vezes juntas com estátuas que simbolizam a igreja e a sinagoga.Tímpano do portão da catedral de Basel

A parábola na arte Esculturas thumb|200px|direita|Virgens néscias.Na Catedral de Estrasburgo, na França. thumb|direita|200px|Virgens prudentes.Na Catedral de Estrasburgo, na França. Esculturas se acham nos portais, e também no interior das catedrais. Vejam alguns exemplos:

Amiens, Catedral de Amiens (Notre-Dame d'Amiens) Auxerre, Catedral de Saint-Etienne Basileia, Catedral de Basel, ca. 1280 Berna, Catedral de Bern Bourges, Catedral Erfurt, Catedral de 1330 Freiburg im Breisgau, Catedral Catedral de Laon Lübeck, St.-Annen-Kloster (antigo Mosteiro Stª Anna) Magdeburg, Catedral 1250, veja foto Mühlhausen, Igreja Stª Maria Paris, Catedral de Notre-Dame de Paris Reims, Catedral Notre-Dame de Reims Sens, Catedral Saint-Etienne de Sens Estrasburgo, Catedral Strasbourg, Saint-Pierre-le-Jeune, igreja evangélica Worms, Liebfrauenkirche

Imagens Em igrejas antigas há muitos afrescos, em especial no norte da Europa. Na Escandinávia se acham também muitas pinturas a óleo, por exemplo nas igrejas medievais de Gotland Gothem e Stenkyrka. Dentro da igreja se encontram só as virgens prudentes, porque as néscias ficam fora da igreja.

Música A parábola das virgens é o tema do hino "Wachet auf, ruft uns die Stimme" (Acordai, os guardas chamam) de Philipp Nicolai e, com base nele, várias cantatas, entre elas a famosa Cantata 140 "Wachet auf, ruft uns die Stimme" de Johann Sebastian BachTexto da versão portuguesa da Cantata de Axel Bergstedt.

Referências à Parábola das Dez Virgens se encontram, entre outros, na famosa canção da banda Genesis "Carpet crawlers""And the wise and foolish virgins giggle" em "Carpet crawlers", no nome da banda "The foolish Virgins" ("As virgens néscias")MySpace da banda e na canção "Drop by Drop" de Kurt Bestor, Stephen Jones, Jenny Frogley e Ron Williams contam uma aplicação pessoal da parábola.

Literatura Uma versão moderna da parábola é "Mateus,25" de Axel Bergstedt, que conta de pessoas que esperam uma oportunidade única para elas, que muitas perdem por sendo despreparadas para uma longa esperaMateus,25 em Axel Bergstedt:Parábolas.

Liturgia Nas igrejas protestantes luteranas tradicionais, a parábola é lida como evangelho (Perícopa) no último domingo do ano eclesiástico, então o domingo antes do Advento. Na Igreja Ortodoxa da Arménia a história é tema da segunda-feira da semana santa e na terça-feira tem encenações especiais.

Interpretação Espírita

Na Doutrina Espírita, segundo Emídio Brasileiro,"a parábola representa o processo evolutivo do espírito rumo a sua perfeição intelecto-moral.O sentido de virgindade está na ignorância e na simplicidade com que Deus cria os espíritos para marcha do progresso. O noivo é o prêmio da perfeição alcançado depois de inúmeras jornadas evolutivas". A lâmpada representa a consciência e o azeite representa o cumprimento dos deveres morais e materiais.Diário da Manhã.

Ver também Harmonia Evangélica

Ligações externas

Categoria:Parábolas de Jesus Categoria:Evangelho de Mateus