Nesta página estão listados os resultados dos concursos de escolas de samba e de blocos de enredo do carnaval do Rio de Janeiro do ano de 2004. Os desfiles foram realizados entre os dias 21 e 28 de fevereiro de 2004.

A Beija-Flor conquistou seu oitavo título de campeã do carnaval carioca. A escola realizou um desfile sobre a preservação da Amazônia e as riquezas da região de Manaus. O enredo "Manõa, Manaus, Amazônia, Terra Santa: Alimenta o Corpo, Equilibra a Alma e Transmite a Paz" foi desenvolvido pela Comissão de Carnaval da escola, formada por Cid Carvalho, Fran Sérgio, Laíla, Shangai e Ubiratan Silva. Assim como a maioria das escolas do Grupo Especial, a Beija-Flor desfilou sob chuva. Unidos da Tijuca foi a vice-campeã com um surpreendente desfile que lançou o carnavalesco Paulo Barros na elite do carnaval. O destaque da apresentação foi uma alegoria, que ficou conhecida como "carro do DNA", onde componentes com o corpo todo pintado de azul, faziam movimentos sincronizados representando a estrutura em dupla hélice da molécula de DNA. Grande Rio causou polêmica com um desfile sobre camisinha, assinado pelo carnavalesco Joãosinho Trinta. Alegorias que retratavam atos sexuais desfilaram cobertas para ocultar esculturas eróticas. Recém promovida ao Grupo Especial, após vencer o Grupo A em 2003, a São Clemente foi rebaixada de volta à segunda divisão.

O carnaval de 2004 também foi marcado pela decisão da LIESA de permitir que as escolas do Grupo Especial reeditassem sambas de enredo antigos. A iniciativa foi proposta em comemoração ao aniversário de vinte anos do Sambódromo. Das quatro escolas que aderiram à proposta, Unidos do Viradouro foi a melhor classificada, atingindo o quarto lugar com a reedição do samba-enredo de 1975 da Unidos de São Carlos, sobre o Pará e o Círio de Nazaré. Portela foi a sétima colocada reeditando o próprio samba de 1970, "Lendas e Mistérios da Amazônia". Império Serrano se classificou em nono lugar reeditando seu clássico samba-enredo "Aquarela Brasileira", de 1964. Tradição ficou em décimo segundo lugar reeditando o clássico portelense "Contos de Areia", de 1984.

Unidos de Vila Isabel foi a campeã do Grupo A com um desfile sobre a cidade de Paraty. No mesmo grupo, a tradicional Estácio de Sá foi rebaixada para a terceira divisão. Vizinha Faladeira venceu o Grupo B; Independente da Praça da Bandeira conquistou o Grupo C; Flor da Mina do Andaraí ganhou o Grupo D; e Mocidade Unida de Jacarepaguá foi a campeã do Grupo E. Entre os blocos de enredo, Barriga venceu o Grupo 1; Corações Unidos do Amarelinho conquistou o Grupo 2; e Boca de Siri foi o campeão do Grupo 3.

Grupo Especial O desfile do Grupo Especial foi organizado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA) e realizado no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, a partir das noites de 22 e 23 de fevereiro de 2004. Nas duas noites, o desfile começou com atraso devido à chuva. A partir desse ano, foi liberado reeditar sambas antigos. A iniciativa foi proposta em comemoração aos vinte anos do Sambódromo. Das quatorze escolas, quatro optaram por reedições. Ordem dos desfiles

A primeira noite de apresentações foi aberta pela campeã do Grupo A do ano anterior, São Clemente. A segunda noite foi aberta pela penúltima colocada do Grupo Especial do ano anterior, Tradição. A ordem de desfile das demais escolas foi definida através de sorteio realizado no dia 30 de junho de 2003. A Unidos do Porto da Pedra foi sorteada para encerrar a segunda noite, mas trocou de posição com a Mocidade Independente de Padre Miguel. miniaturadaimagem|280x280px|A icônica "alegoria do DNA" no desfile da Unidos da Tijuca. Com um desfile surpreendente a escola foi vice-campeã do Grupo Especial. Domingo (22/02/2004)Segunda-feira (23/02/2004)São Clemente Caprichosos de Pilares Unidos da Tijuca Acadêmicos do Salgueiro Acadêmicos do Grande Rio Estação Primeira de Mangueira PortelaTradição Unidos do Porto da Pedra Imperatriz Leopoldinense Império Serrano Beija-Flor Unidos do Viradouro Mocidade Independente de Padre Miguel Quesitos e julgadores

Foram mantidos os dez quesitos de avaliação do ano anterior e a mesma quantidade de julgadores. QuesitosJulgador 1Julgador 2Julgador 3Julgador 4HarmoniaNilton Rodrigues da SilvaJosé Roberto BrandãoCélia SoutoBenvindo SiqueiraBateriaCláudio Luiz MatheusIvan PauloLuiz Carlos ReisMario Jorge BrunoEnredoOrpheu de SouzaClécio QuesadoLuiz Antônio AraújoLiana BarcelosMestre-Sala e Porta-BandeiraTito CanhaIlclemar NunesBeatriz BadejoMarly LealSamba-EnredoRui MaurityJorge SimasNely FragosoEri GalvãoFantasiasSuely StambowiskDulce TupyIrene OrazenSonia GalloAlegorias e AdereçosMaurício SalgueiroAna BernachiAdriana FilardiLuiz Carlos CorrêaConjuntoJayme DarribaDaise GuimarãesWilson MartinezAdilson Gomes de OliveiraComissão de FrenteJoão WlamirRafael DavidAníbal La ValleMaria Luiza NoronhaEvoluçãoSalete LisboaCarlos PousaLuiz Eduardo RezendeOtoniel Serra

Notas A apuração do resultado foi realizada na tarde da quarta-feira de cinzas, dia 25 de fevereiro de 2004, na Praça da Apoteose. A partir de 2004, a LIESA passou a sortear a ordem de leitura dos quesitos. O sorteio foi realizado horas antes do início da apuração. Até o ano anterior, a Liga seguia uma ordem fixa de leitura das notas e o quesito Bateria era sempre o primeiro de desempate. De acordo com o regulamento do ano, as notas variam de sete a dez, podendo ser fracionadas em décimos. O desempate entre agremiações que obtiveram a mesma pontuação final seguiu a ordem inversa de leitura das notas.

O segundo julgador do quesito Bateria, Ivan Paulo, teve suas notas anuladas por quebra de sigilo. Antes da apuração, o presidente do Salgueiro, Luiz Augusto Duran, procurou o presidente da LIESA, Capitão Guimarães, para dizer que sabia quais seriam as notas dadas por Ivan para Salgueiro e Mocidade. Em reunião com os presidentes das demais escolas, Guimarães abriu o envelope com as notas de bateria e constatou que Duran estava certo, o que configurou quebra de sigilo do julgador. O maestro Ivan Paulo negou que tenha vazado as notas. Já a divulgação das notas do quesito conjunto, lançadas por Adilson Gomes de Oliveira causaram polêmica pela ausência de nota dez para todas as escolas, chamando a atenção pela nota 7,8 à Tradição, sendo a menor de toda a apuração. Além disso, tal momento acabou se transformando em meme nas redes sociais nos anos seguintes, com Adilson sendo apelidado como o jurado exigente ou o jurado mais cruel do Carnaval. Legenda: Campeã Rebaixada Julgador 1 Julgador 2 Julgador 3 Julgador 4 Nota anulada Escolas(por ordem de desfile)TotalHarmoniaBateriaEnredoMestre-Sala e Porta-BandeiraSamba-EnredoFantasiasAlegorias e AdereçosConjuntoComissão de FrenteEvoluçãoDomingoJ1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4S.Clemente9,59,29,58,79,5*9,6 109,69,79,49,49,79,79,59,89,29,49,89,49,59,799,79,79,39,58,39,59,69,18,29,89,88,89,89,49,899,7367,8Caprichosos9,49,59,78,89,9*9,5 9,19,49,69,39,79,89,89,7109,19,29,49,29,89,89,69,69,69,69,48,79,89,79,38,19,49,89,299,59,89,49,7368,9Tijuca9,69,8101010*10 9,910101010101010109,99,710109,69,91010101010101010109,99,810109,9109,91010387,9Salgueiro9,69,810109,8*9,9 9,69,89,89,79,810101010109,79,910101010101010109,7109,89,89,810101010109,99,810386,2Grande Rio9,89,79,8910*10 109,79,69,69,79,8109,89,99,810109,99,8109,410109,59,79,99,79,99,78,5109,79,5109,99,89,69,8380,5Mangueira9,91010109,9*9,8 9,7101010109,9109,81010101010101010101010101010109,89,410101010109,99,810387,9Portela101010109,9*9,9 9,9101010109,99,99,89,910101010109,99,5109,89,89,89,410109,799,7109,69,8109,99,810384,9SegundaJ1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4J1J2J3J4TotalTradição9,99,6109,69,7*9,6 9,399,29,89109,89,910101010109,59,88,79,59,69,69,599,49,79,17,89,69,89,69,69,69,89,310372,9P. da Pedra9,89,59,68,810*9,8 9,4109,810109,99,9109,89,89,69,69,2109,99,69,89,79,79,69,19,89,79,68,3109,69,89,39,89,79,49,8376,7Imperatriz9,9109,89,710*9,8 9,6101010109,99,89,6109,69,8109,9101010101010109,810109,89,71010109,910109,910386,5Império1010109,29,9*10 9,99,69,69,89,89,8109,99,7101010109,3109,79,79,59,89,69,69,910107,99,79,99,69,71010109,8380,9Beija-Flor1010101010*10 10101010109,910101010101010101010109,99,7109,9109,9109,71010109,9109,81010388,7Viradouro9,910101010*10 109,81010109,9109,8109,810109,99,51010109,71010101010108,8109,91010109,91010386,9Mocidade9,79,89,89,49,9*10 9,59,89,49,69,59,9109,89,79,59,39,99,510109,89,81010109,810109,99,3109,99,210109,89,99,8381,2

Classificação Com um desfile sobre a preservação da Amazônia e as riquezas da região de Manaus, a Beija-Flor conquistou seu oitavo título no carnaval carioca. Quinta escola da segunda noite, a Beija-Flor desfilou debaixo de chuva forte. O enredo "Manoa, Manaus, Amazônia, Terra Santa: Alimenta o Corpo, Equilibra a Alma e Transmite a Paz" foi desenvolvido pela Comissão de Carnaval da escola, formada por Cid Carvalho, Fran Sérgio, Laíla, Shangai e Ubiratan Silva.

Com um desfile sobre descobertas cientificas e tecnológicas, a Unidos da Tijuca conquistou o vice-campeonato, sendo o melhor resultado da escola desde 1948. O desfile marcou a estreia do carnavalesco Paulo Barros no Grupo Especial. O destaque da apresentação foi o "carro do DNA", como ficou conhecida a alegoria com uma estrutura de ferro onde cerca de 123 pessoas, com o corpo todo pintado de azul metálico, faziam movimentos sincronizados representando a estrutura em dupla hélice da molécula de DNA. Estação Primeira de Mangueira foi a terceira colocada com um desfile sobre a Estrada Real. Unidos do Viradouro reeditou o samba-enredo de 1975 da Unidos de São Carlos, rebatizando a obra com outro nome. O desfile, sobre o estado do Pará, com enfoque no Círio de Nazaré, rendeu à escola o quarto lugar. Quinta colocada, a Imperatriz Leopoldinense contou a história da cidade de Cabo Frio e da extração de pau-brasil que ocorria na região na época do Brasil Colônia. O Salgueiro conquistou a última vaga do Desfile das Campeãs realizando um desfile sobre o álcool.

Portela ficou com o sétimo lugar reeditando o clássico samba-enredo "Lendas e Mistérios da Amazônia", com o qual a escola foi campeã do carnaval de 1970. Com um enredo sobre educação no trânsito, a Mocidade Independente de Padre Miguel se classificou na oitava colocação. Império Serrano foi a nona colocada reeditando seu clássico samba-enredo "Aquarela Brasileira", composto por Silas de Oliveira em 1964. Acadêmicos do Grande Rio se classificou em décimo lugar com um desfile sobre a camisinha. Três alegorias representando atos sexuais, com reproduções de órgãos genitais, foram cobertas com sacos plásticos e faixas com a palavra "Censurado". A Justiça chegou a determinar que as alegorias não fossem apresentadas, mas mudou de posição, decidindo liberá-las. Ainda assim, a direção da escola resolveu cobrir as esculturas eróticas. Responsável pelo desfile, o carnavalesco Joãosinho Trinta foi demitido da escola antes da apuração do resultado. Décima primeira colocada, a Unidos do Porto da Pedra contou a história da comunicação, desde a idade da pedra até a internet. A Tradição reeditou o clássico samba-enredo de 1984 da Portela, "Contos de Areia", se classificando em décimo segundo lugar. Penúltima colocada, a Caprichosos de Pilares homenageou a apresentadora Xuxa Meneguel, que desfilou na última alegoria da escola. Recém promovida ao Grupo Especial, após vencer o Grupo A no ano anterior, a São Clemente foi rebaixada de volta à segunda divisão. Última colocada, a escola apresentou um desfile com crítica social sobre o jeitinho brasileiro. Legenda: Desfile das Campeãs Rebaixada para o Grupo A