+ Níveis da hierarquia urbana Metrópolesgrande m. nacionalm. nacional metrópole Capital regionalABC Centro sub-regionalAB centro de zonaABcentro local A hierarquia urbana do Brasil é a estruturação hierárquica dos centros urbanos brasileiros, refletindo o grau de subordinação, influência e intensidade dos variados fluxos existentes entre essas cidades. Para se identificar a hierarquia urbana e suas áreas de influência, alguns fatores são levados em consideração (determinados equipamentos e serviços) que os centros urbanos possuem e que atraem populações de outras localidades. Com isso, essas classificações ajudam a entender a dinâmica urbana e a organização territorial do Brasil, refletindo as diferentes capacidades e papéis que essas cidades desempenham no desenvolvimento nacional e regional.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o responsável por produzir pesquisas dedicadas ao tema. O estudo "Divisão do Brasil em regiões funcionais urbanas", de 1966, foi sucedido por estudos denominados "Regiões de Influência das Cidades" (REGIC), com edições em 1978, 1993, 2007 e 2018, sendo possível, nessas pesquisas, identificar os graus de influência que determinados centros urbanos exercem no país, desde as metrópoles até as capitais regionais, e qual o alcance espacial da influência delas. Nas edições referentes a 2007 e 2018, a hierarquia urbana do país foi estratificada em quatro níveis, com dois ou três subníveis em cada. São eles: metrópoles (grande metrópole nacional, metrópole nacional e metrópole), capitais regionais (A, B e C), centros sub-regionais (A e B) e centros de zona (A e B). Por fim, há os centros locais, que são representados pelos restantes dos municípios em que a sua importância não extrapola os limites municipais. Das regiões brasileiras, o Sudeste abriga maior número de metrópoles e concentra os mais importantes centros urbanos no país, com quatro capitais estaduais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória) e uma não capital (Campinas) classificadas como metrópoles.

Na classificação de grande metrópole nacional e cidade global, apenas São Paulo é categorizada neste nível, sendo a posição hierárquica mais elevada da rede urbana brasileira e que exerce influência nacional e internacionalmente, tendo um arranjo populacional de 21,5 milhões de habitantes (em 2018) e uma representação de 17,7% do produto interno bruto (PIB) brasileiro (2016). Em seguida, no nível de metrópole nacional, estão Rio de Janeiro e Brasília, que também possuem importante presença nacional, mas não tão extensa quanto São Paulo, sendo seu arranjo populacional de 12,7 milhões e 3,9 milhões de habitantes, respectivamente, em 2018.

REGIC 2018 Metrópoles miniaturadaimagem|São Paulo: grande metrópole nacional miniaturadaimagem|Rio de Janeiro: metrópole nacional miniaturadaimagem|Brasília: metrópole nacional thumb|Recife: metrópole De acordo com o REGIC 2018, há 15 metrópoles no país. Exercendo grande influência, esses centros cobrem toda a extensão territorial do país, com áreas de sobreposição em determinados contatos. Com base nesse estudo, as metrópoles brasileiras foram subdivididas em três níveis: grande metrópole nacional, metrópole nacional e metrópole.

Grande Metrópole Nacional — apenas São Paulo (Sudeste) recebe a maior classificação dentre todas as cidades brasileiras. Categorizada pelo Globalization and World Cities Study Group & Network (GaWC) como cidade global alfa (a maior categoria entre as cidades mundiais), ela possui o maior nível de influência territorial no panorama nacional, a qual alcança centros urbanos localizados mesmo em regiões afastadas em relação ao seu centro, por exemplo, as localizadas na região norte, e até em outros países. Por isso, é reconhecida como a "Locomotiva do Brasil" ou a "Cidade que nunca dorme", dado suas diversas atividades econômicas como serviços, comércio, comunicação, tecnologia, centros de pesquisa e desenvolvimento, educação e muitas outras. Seu arranjo populacional, o maior do país, era de 21,5 milhões de habitantes em 2018 e 17,7% do PIB nacional em 2016. A nível mundial, São Paulo se posiciona entre os principais centros financeiros e empresariais globais (possuindo a maior bolsa de valores da América Latina e uma das maiores do mundo, a B3), estando frequentemente entre os mais importantes centros internacionais devido à sua diversidade econômica, cultural e habitabilidade. Metrópole Nacional — nesta classificação, há duas cidades: Brasília (Centro-Oeste) e Rio de Janeiro (Sudeste), ambas também com forte presença nacional. Rio, o segundo polo econômico do Brasil, é também segunda maior área urbanizada nacional e seu arranjo populacional é de mais de doze milhões de pessoas. Porém, diferente de São Paulo e Rio, que abrigam uma grande população, o fator que qualifica Brasília a receber tal identificação na rede urbana é por ser a capital política do Brasil; ela possui aproximadamente quatro milhões de moradores (a terceira maior do país). É nela que estão localizadas as instituições de maior destaque na política nacional – poder executivo, legislativo e judiciário – apresentando influência direta sobre a vida nacional. Antes, tal poder político pertencia a Rio de Janeiro, que foi a capital anterior do Brasil; desse modo, com a transferência da nova capital federal em 1960, houve um grande impacto na dinâmica e articulação da rede urbana nacional na história recente, uma vez que moveu parte da atividade urbano-regional antes grandemente reunida mais no litoral o até então pouco movimentado, habitado e deslocado do restante do país, o planalto central. A partir daí, Brasília exerce influência em algumas cidades das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Metrópole — em seguida, há a classificação Metrópole (a nível regional), que conta com doze cidades distribuídas em todas as regiões do Brasil. Em 2008, havia nove centros urbanos com tal categorização: Belo Horizonte (Sudeste), Curitiba, Porto Alegre (Sul), Belém, Manaus (Norte), Salvador, Recife, Fortaleza (Nordeste) e Goiânia (Centro-Oeste). Na edição de 2018, Florianópolis (Sul), Vitória e Campinas (Sudeste) subiram do nível de Capital Regional para o de Metrópole. Campinas é a única cidade não capital estadual a ser classificada como Metrópole, um feito inédito até então. As Metrópoles Regionais têm influência significativa, mas limitada a suas regiões específicas, atuando como polos de desenvolvimento regional, fornecendo serviços especializados e atuando como centros econômicos e culturais para suas áreas de abrangência.

+ Grande Metrópole Nacional, Metrópoles Nacionais e Metrópoles. Rede urbana Unidades federativas abrangidas População (2018) São Paulo / / / Recife / / / / / / / Belo Horizonte / / / / Fortaleza / / / / / Rio de Janeiro / Salvador / Curitiba / / Brasília / / / / / / / / / Porto Alegre Belém / / / Goiânia / / / / Florianópolis / Manaus / / Vitória / / Campinas

Capitais regionais As capitais regionais são o segundo nível da gestão territorial, e exercem influência no estado e em estados próximos. Subdividem-se em: capitais regionais A, capitais regionais B e capitais regionais C.

Unidade federativa A B C - - Rio Branco Maceió - Arapiraca - - Macapá - - - - Feira de Santana, Itabuna, Vitória da Conquista Barreiras, Eunápolis, Ilhéus, Juazeiro/Petrolina - Juazeiro do Norte Sobral - - - - - Cachoeiro de Itapemirim - - Anápolis São Luís - Imperatriz Cuiabá - Rondonópolis, Sinop Campo Grande - Dourados - Juiz de Fora, Montes Claros, Uberlândia Divinópolis, Governador Valadares, Ipatinga, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Sete Lagoas, Teófilo Otoni, Uberaba, Varginha - - Castanhal, Marabá, Santarém João Pessoa - Campina Grande - Cascavel, Londrina, Maringá Foz do Iguaçu, Ponta Grossa - Caruaru Garanhuns, Petrolina/Juazeiro Teresina - - - - Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Macaé/Rio das Ostras, Petrópolis, Volta Redonda/Barra Mansa Natal - Mossoró - Caxias do Sul, Passo Fundo Lajeado, Pelotas, Santa Cruz do Sul, Santa Maria - Porto Velho Cacoal, Ji-Paraná - - Boa Vista - Blumenau, Chapecó, Criciúma, Itajaí/Balneário Camboriú, Joinville Brusque, Caçador, Joaçaba/Herval d'Oeste, Lages, Tubarão/Laguna Ribeirão Preto Bauru, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba Americana/Santa Bárbara d'Oeste, Araçatuba, Araraquara, Barretos, Catanduva, Franca, Guaratinguetá, Jaú, Jundiaí, Limeira, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Santos e São Carlos Aracaju - - - Palmas Araguaína

REGIC 2007

Redes urbanas e metrópoles A partir dos principais centros urbanos do Brasil, foram identificadas redes urbanas associadas às metrópoles, denominadas "redes de influência". Com base nesse estudo, as metrópoles brasileiras foram divididas em três níveis: grande metrópole nacional, metrópoles nacionais e metrópoles.

Rede urbana Unidades federativas abrangidas População (2007) São Paulo 51.020.582 Rio de Janeiro 20.750.595 Fortaleza 20.573.035 Recife 18.875.595 Belo Horizonte 16.745.821 Salvador 16.335.288 Curitiba 16.178.968 Porto Alegre 15.302.496 Brasília 9.680.621 Belém 7.686.082 Goiânia 6.408.542 Manaus 3.480.028

Capitais regionais As capitais regionais são o segundo nível da gestão territorial, e exercem influência no estado e em estados próximos. Subdividem-se em: capitais regionais A, capitais regionais B e capitais regionais C.

Unidade federativa A B C - - Rio Branco Maceió - Arapiraca - - Macapá - - - - Feira de Santana, Ilhéus/Itabuna, Vitória da Conquista Barreiras, Juazeiro/Petrolina - - Juazeiro do Norte/Crato/Barbalha, Sobral - - - Vitória - Cachoeiro de Itapemirim - - - São Luís - Imperatriz Cuiabá - - Campo Grande - Dourados - Uberlândia, Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba Divinópolis, Governador Valadares, Ipatinga/Coronel Fabriciano/Timóteo, Passos, Poços de Caldas, Teófilo Otoni, Varginha - - Marabá, Santarém João Pessoa Campina Grande - - Cascavel, Londrina, Maringá Ponta Grossa - - Caruaru, Petrolina/Juazeiro Teresina - - - - Campos dos Goytacazes, Volta Redonda/Barra Mansa Natal - Mossoró - Caxias do Sul, Passo Fundo, Santa Maria Ijuí, Novo Hamburgo/São Leopoldo, Pelotas/Rio Grande - Porto Velho - - - Boa Vista Florianópolis Blumenau, Chapecó, Joinville Criciúma Campinas Ribeirão Preto, São José do Rio Preto Araçatuba, Araraquara, Bauru, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Santos, São José dos Campos, Sorocaba Aracaju - - - Palmas Araguaína

Centros sub-regionais Os centros sub-regionais é uma categoria de cidade da hierarquia urbana do Brasil, definida pelo IBGE, que compreende cidades que exercem influência preponderante sobre os demais centros próximos, por se distinguir em bens, serviços, movimentos culturais, movimentos políticos etc. É hierarquizado em dois níveis, A e B, sendo que no primeiro se enquadram 31 centros urbanos e no segundo 51. Isso totaliza 82 centros sub-regionais. São cidades médias que oferecem bens e serviços às cidades menores à sua volta; são menores que as metrópoles nacionais ou regionais.IBGE. Rede de influência das cidades. 2007. Governo Federal do Brasil.