O Palácio Zaouche (em árabe: قصر الزاوش) é um palácio abandonado da cidade de Ariana, na Tunísia, e um dos raros vestígios do património imobiliário dos séculos XVIII e XIX daquela cidade. O palácio tem o nome do General Béchir Zaouche.

História e arquitectura

Ocultado em 1999 pela construção dum pequeno edifício administrativo, as suas majestosas palmeiras são classificadas. A sua tipologia de origem, a sua volumetria e os seus materiais ainda são visíveis: colunas graciosas, escadaria exterior em pedra calcária pontuada por grandes tanques ilatianizantes e poços localizados no piso de serviço e irrigando vários domínios graças a um motor, cujo mecanismo museológico ainda está no local. Várias lendas glorificam esta propriedade, entre as quais uma que fala na comunicação das caves (hoje muradas) com o famoso mausoléu de Sidi Belhassen, situado a alguns quilómetros.

No interior, verifica-se uma real generosidade do espaço e uma tipologia clássica, com enfiadas de salas arabisantes, com tectos altos cobertos de cerâmica ou de madeira, perfurados e pintados, que se declinam diferentemente do vestíbulo aos salões: em caixotões de revestimento, em losangos que se ajustam e em falsas colunas.

A reutilização do edifício fez correr muita tinta. Isto apresenta várias questões históricas, arquitectónicas e paisagísticas mas também identitárias no momento da padronização dos materiais de construção e da diminuição da qualidade de construção que afecta certos aglomerdados tunisinos em desenvolvimento rápido. A reabilitzção do edifício permitiria fazer a economia duma destruição e duma reconstrução privilegiando o reemprego do edifício existente como é o caso em numerosas zonas históricas classificadas. Além disso, dotar o Palácio Zaouche e o seu grande jardim de novas funções culturais e mesmo oficiais (colóquios, ateliers, recepções ou casamentos) seria economicamente interessante para o município. Uma política de salvaguarda em maior escala consistiria em reconstituir um percurso turístico em Ariana incluindo, entre outros, o Palácio Baccouche (centro nacional da dança) e o Palácio Ben Ayed (câmara municipal).

Parece, portanto, urgente devlver ao Palácio Zaouche os seus encantos de outrora e, através dele, restaurar um pedaço da memória arianesa. Essa reciclagem deve fazer-se de forma inteligente e os valores duma tal intervenção são bem conhecidos: estas vantagens são afirmadas em numerosos ambientes, como a Medina de Tunes e, ainda, nas cidades da Bacia do Mediterrâneo. Françoise Choay escreveu que o património tem um valor revolucionário porque introduz o tempo e permite preparar o tempo futuro: "a história tem por função excitar a consciência do presente".

Bibliografia Jean d'Anthouard, Le village et les palais de l'Ariana, Bulletin économique et social de la Tunisie, n°56. Aïssa Baccouche, Ô Ariana mon doux village, ed. Serviced, Tunis, 2000. Françoise Fakhfakh, Une banlieue de Tunis depuis l'indépendance. L'Ariana, Universidade de Tours, Tours, 1977. Jacques Taïeb, Une banlieue de Tunis. L'Ariana, Cahiers de Tunisie, 1960.

Ligações externas

Zaouche