As Olimpíadas de Conhecimento, também conhecidas como "Olimpíadas Científicas", são competições intelectuais entre estudantes, normalmente de ensino fundamental ou médio, ou ainda de cursos universitários de graduação, que consistem na realização de provas ou trabalhos. O nome é inspirado nas olimpíadas esportivas, em que atletas especialmente treinados competem por medalhas e cultivam seus laços culturais e o espírito de excelência.

Tradicionalmente, as competições nas olimpíadas de conhecimento acontecem por meio de provas escritas e práticas (por exemplo, experimental em olimpíadas de física ou observacional em olimpíadas de astronomia), às quais são dadas notas e, a partir destas, distribuídas medalhas. Algumas olimpíadas, notadamente as de filosofia, envolvem a produção de textos. Além disso, alguns modelos muito diferentes são praticados - notadamente o do IYPT.

História

Leste Europeu As primeiras olimpíadas de conhecimento, no formato moderno, foram competições entre liceus nos Reinos da Romênia e da Hungria, no final do século XIX.

Na Romênia, a partir de 1883 passa a ser publicada a revista Recreaţii Ştiinţifice (Recreação Científica), focada em problemas de matemática e física para escolas; em 1885 começam as primeiras competições entre liceus da capital, Bucareste. Em 1895 começa a circular outra revista importante, a Gazeta Matematică; em 1905 começa a primeira competição nacional de matemática.

Na Hungria a história é similar: em 1894 a Sociedade de Matemática e Física da Hungria lança a revista ​Középiskolai Matematikai és Fizikai Lapok (Páginas de Matemática e Física para o Ensino Médio, ou KöMaL), e no mesmo ano lança junto sua primeira competição de problemas, voltada a estudantes do último ano da escola. Em 1925, a competição ganhou o nome de Competição de Matemática Loránd Eötvös, em homenagem ao físico húngaro, inventor, entre outras coisas, do pêndulo de torção. Em 1947, após a Segunda Guerra Mundial, a competição foi retomada com o nome de Competição József Kürschák, em homenagem a um dos primeiros entusiastas do torneio.

União Soviética As primeiras competições que utilizaram o nome 'olimpíada' foram a Olimpíada de Matemática de Leningrado, em 1934, e a Olimpíada de Matemática de Moscou em 1935. O nome foi uma ideia do matemático e polímata russo Boris Delone. Sobre as origens dessa olimpíada, Vladimir Odinets explica: No início de 1912, o primeiro Congresso Russo de Professores de Matemática foi sediado em São Petersburgo, tendo entre seus participantes professores de todas as províncias da Rússia e das mais importantes universidades, um total de 1217 participantes e convidados. Entre as ideias apresentadas no congresso para contribuir para um domínio maior da matemática, havia a ideia de disputa entre estudantes, em diferentes formas, assim como uma forte individualização dos trajetos de conhecimento.O modelo foi lentamente se espalhando entre as cidades industriais da União Soviética e de outros países Leste Europeu, até que, em 1959, foi criada a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, da sigla em inglês). Nesta primeira edição, participaram União Soviética, Hungria, Romênia, Bulgária, Tchecoslováquia, Polônia e Alemanha Oriental.

Nas décadas seguintes, outras olimpíadas internacionais foram fundadas, primeiro em disciplinas mais relacionadas à matemática, mas depois em outras. Assim, em 1967 a Polônia organizou a primeira IPhO (com a participação da Bulgária, Hungria, Romênia e Tchecoslováquia); no ano seguinte, a Tchecoslováquia sediou a primeira IChO (que tiveram Polônia e Hungria como participantes. A primeira IOI foi organizada em 1989 no Cazaquistão, seguidas, em um espaço de sete anos, por Biologia, Filosofia, Astronomia e Geografia.

Brasil No Brasil, as primeiras competições foram também de matemática: houve uma Olimpíada Ginasiana de Matemática Moderna, em 1967 e 69; a Olimpíada Paulista de Matemática a partir de 1977, e a Olimpíada Brasileira de Matemática a partir de 1979. Depois disso, houve alguns atos isolados, como a realização de uma olimpíada de química pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo em 1986. Mas a primeira onda de olimpíadas só viria uma década depois, primeiro com a fundação da atual OBQ em 96 (desta vez organizada pela Universidade Federal do Ceará), seguida pela OBA em 98 e pela OBF e OBI em 99. O assunto ganhou interesse governamental em 2005, com a criação da OBMEP, patrocinada e gerida pelo Governo Federal.

Internacionais Ver artigo principal: Olimpíadas Internacionais de Ciências

Existem treze olimpíadas internacionais até hoje, nas áreas de Matemática, Física (duas), Química, Informática, Astronomia (duas), Geografia, Ciências da Terra, Biologia, Linguística, Filosofia e Economia. Além disso, existem diversas olimpíadas regionais do subcontinente sul-americano, como as Iberoamericanas de Matemática, Física e Informática, a Latinoamericana de Astronomia e as Cone Sul e Rioplatense de Matemática.

No Brasil

Olimpíadas de Conhecimento têm-se proliferado bastante no Brasil nos últimos anos, tanto em termos de participantes como em número de olimpíadas. A maior parte foi criada a partir das suas internacionais correspondentes.

Matemática As olimpíadas mais antigas no Brasil são de matemática. A primeira competição foi chamada de Olimpíada Ginasiana de Matemática Moderna, e aconteceu em duas edições (1967 e 69) organizadas pelo Grupo de Estudo do Ensino de Matemática, grupo presidido na época por Osvaldo Sangiorgi e fundamental para o movimento da Matemática Moderna. A segunda edição desta olimpíada contou com a participação de 400 mil alunos.

Dez anos depois, em 1977, aconteceu a primeira edição da Olimpíada Paulista de Matemática (OPM), organizada pela Academia de Ciências do Estado de São Paulo, presidida na época por Shigueo Watanabe. A primeira edição da OPM contou com a participação de 1,8 milhões de estudantes do estado de São Paulo. A partir da terceira edição da OPM, uma equipe brasileira participou da IMO 79, em Londres, o que levou a criação da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), pela Sociedade Brasileira de Matemática.

Hoje, a OBM é organizada conjuntamente pela Sociedade Brasileira de Matemática e pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (onde fica sua sede administrativa), e permite a participação de alunos desde o sexto ano do ensino fundamental até o fim do ensino médio. Além disso, ela é uma das únicas olimpíadas brasileiras que possui uma fase universitária, que dá ingresso para a International Mathematical Competition for University Students (IMC) e a Competencia Iberoamericana Interuniversitária de Matemáticas (CIIM).

Os alunos com melhor desempenho na OBM são convidados para a Semana Olímpica, um dos principais eventos olímpicos do país. A olimpíada também está envolvida com diversas outras olimpíadas supra-nacionais, como a Olimpíada Iberoamericana de Matemática, a Olimpíada de Matemática do Cone Sul, a Olimpíada de Maio e o concurso aberto Canguru Sem Fronteiras. Em 2010, o Brasil participou pela primeira vez da competição Romenian Masters in Mathematics, para a qual são convidados apenas os países com melhor desempenho na IMO.

Em 2005, foi fundada a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, coordenada pelos ministérios da educação e da ciência e tecnologia em conjunto com a Sociedade Brasileira de Matemática, com o objetivo de fomentar a excelência acadêmica e o ensino de matemática no ensino público brasileiro. A OBMEP desenvolve junto a seus alunos um programa de Iniciação científica júnior e outro de preparação para competições internacionais.

Química A Olimpíada Brasileira de Química (OBQ) foi a segunda olimpíada em nível nacional criada no Brasil, tendo sua primeira edição em 1986 pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo. A olimpíada foi criada para a participação na Olimpíada Internacional de Química (IChO). No entanto, não houve continuidade e, após três edições, a olimpíada foi interrompida.

Em 1991, o professor Sérgio Melo da Universidade Federal do Ceará começou a organizar a Olimpíada Cearense de Química. O surgimento de modelos parecidos nos estados vizinhos levou Sérgio a encabeçar a organização, em 1995, da Olimpíada Norte-Nordeste de Química (ONNeQ) e, em 1996, a retomada da OBQ, realizada até hoje a partir da UFC.

A estrutura da OBQ é ligeiramente diferente: a primeira e segunda fases fazem parte das olimpíadas estaduais de química (que são realizadas em todos os estados), ou seja, acontecem de forma descentralizada. Assim, só fazem propriamente a prova nacional os melhores alunos de cada estado. As fases IV, V e VI são a seleção dos estudantes que representam anualmente o Brasil na IChO e na Olimpíada Iberoamericana de Química.

Além disso, em âmbito nacional, em duas fases, realiza a Olimpiada Brasileira de Química Júnior destinada aos estudantes de 8o. e 9o. anos do ensino fundamental.

Astronomia Nacional

Regionais Em 2008, houve a tentativa de fundar uma Olimpíada Paulista de Astronomia e Ciências Espaciais (OPACE);Aguilera, Nuricel & Klafke, Julio. A Escola Aberta de Astronomia: Uma Proposta de Aprendizagem Cooperativa o projeto, entretanto, não chegou a ser realizado.

Em 2015 foi realizada a primeira Olimpíada Pernambucana de Astronomia e Astronáutica (OPA), realizada com escolas públicas e particulares de todo o estado de Pernambuco, com um total de 1000 estudantes de ensino médio, com coordenação é do Instituto Federal de Pernambuco.

Física O professor Shigueo Watanabe, da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, organizou uma Olimpíada Paulista de Física (em paralelo à de matemática que ele já organizava) entre 1985 e 87, mas por falta de apoio essa experiência não foi continuada.

A partir de 1995, o Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP de São Carlos começa a organizar uma olimpíada de física envolvendo alguns estados da federação (BA, GO, PA, PE, RJ). Outros estados já possuíam olimpíadas estaduais de física (CE e PB desde 93, MG desde 94). Assim, a experiência bem sucedida levou a Sociedade Brasileira de Física a organizar, a partir de 1999, a Olimpíada Brasileira de Física, para participantes do oitavo ano do Ensino Fundamental ao fim do Ensino Médio. A OBF realiza uma seleção específica para a participação brasileira na Olimpíada Internacional de Física (IPhO) e na Olimpíada Iberoamericana de Física (OIbF).

Já a Olimpíada Paulista de Física é retomada em 2004 pela Associação Paulista de Professores de Física (APROFI). A equipe brasileira participante na IJSO era escolhida a partir desta olimpíada até 2009, quando a B8 Projetos Educacionais começou a organizar a IJSO Brasil.

Em 2010, foi implantada, em caráter experimental em quatro estados (BA, GO, PI, SP), uma Olimpíada Brasileira de Física na Escola Pública (OBFEP), como uma etapa especial da OBMEP organizada pela coordenação da OBF.

Computação e Tecnologia O ensino de tecnologia é uma necessidade nova e sua importância aumenta rápido na sociedade, o que jusfica a criação de olimpíadas seguindo tais temas. No Brasil, há quatro iniciativas desta natureza:: a Olimpíada Brasileira de Informática (OBI), desde 1999; a Competição Brasileira de Robótica (CBR), desde 2003; Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), desde 2007 e o TJR Torneio Juvenil de Robótica, desde 2009; Torneio Feminino de Computação desde 2020. As duas primeiras são organizadas pela Sociedade Brasileira de Computação, a segunda é organizada também pela Sociedade Brasileira de Automática e pela Unesp e a terceira organizada pelo Movimento Meninas Olímpicas da UFSM. Existe também a Maratona de Programação, destinada a alunos do ensino superior. A Competição Brasileira de Robótica que, desde 2015, tem abrigado anualmente a Latin American Robotics Competition tem obtido o fomento dentre outros do CNPq e da Capes.