Meia Oito é uma personagem de histórias em quadrinhos humorísticas criada pelo cartunista brasileiro Angeli, e que abrilhantou as páginas da extinta revista Chiclete com Banana. Meia Oito (conhecido como "o último dos barbichinhas"), entre situações de paranóias e de revanchismo das forças de repressão da ditadura, representa os temores e as incertezas de uma democracia que dava os primeiros passos para voltar a andar. Seu fiel seguidor na causa revolucionária é Nanico, seu parceiro homossexual enrustido (mas não muito).

Segundo Angeli, a personagem é uma referência a um tipo característico da época (1968): aquele que tinha o discurso, mas não tinha a ação. Fazia a guerrilha dentro do bar, um tipo cheio de regras, que pede carteira ideológica a todo mundo. Não é o ativista que pegou em armas, é aquele que ficou no bar - sua história de luta só existiu na cabeça dele.

A Morte de Meia Oito Vinte anos depois de matar a "porralouca" Rê Bordosa, Angeli matou - aparentemente - mais uma de suas criações. O revolucionário Meia Oito foi atropelado e esmagado por um caminhão da Coca-Coca, empresa-símbolo do grande império capitalista (na visão de Meiaoito, claro). Morte cruel para alguém que ainda acreditava na tomada de poder via revolução armada. O flagrante veio a público no dia . Circulou no caderno Ilustrada do jornal “Folha de S.Paulo”, de onde foi reproduzida. Desde então, não se tem notícias do personagem. Nas suas últimas tiras antes do atropelamento, o personagem foi visto em plena crise existencial, trancado no banheiro. Via fantasmas de Stalin, Che Guevara e outros partidários de Karl Marx. Estes o exortavam a desistir da revolução.

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